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Brasília e Chandigarh: duas utopias modernistas separadas por um oceano

Entre as décadas de 1950 e 1960 foram construídas duas cidades que marcariam a história da arquitetura e do urbanismo. Filhas de um mesmo conceito, mas separadas por mais de 14 mil quilômetros, Brasília, no Brasil, e Chandigarh, na Índia, embebidas pelos princípios modernistas, foram planejadas e erguidas do zero.

Ao surgirem em um contexto de profundas transformações políticas e sociais, no qual diversos países buscavam reformular suas capitais como símbolos de progresso, ambas as cidades assumiram um papel estratégico. Por meio da linguagem arquitetônica adotada, reafirmavam narrativas ideológicas e identitárias vinculadas ao poder do Estado.

Tratava-se de cidades criadas em abstrato, seguindo uma visão utópica. Seriam urbes vanguardistas, livres das deficiências que assolavam as cidades de meados do século XX, exemplificando princípios estéticos que refletiriam ideologias políticas progressistas e que abraçariam novas tecnologias – principalmente o automóvel.

No entanto, essa promessa de futuro acabou gerando grandes desafios. Dificuldades que, claro, refletem os percalços sociais e econômicos dos seus países, mas também pode se dizer que são "temperadas" por uma ideia modernista que hoje é colocada em discussão.

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Espaço público em uso: Región Austral e a arquitetura do cotidiano

A arquitetura costuma ser avaliada a partir daquilo que é construído. Mas, em muitos casos, o que realmente importa acontece depois: a maneira como os espaços são usados, adaptados e incorporados ao cotidiano. Para o Región Austral, vencedor do ArchDaily 2025 Next Practices Awards, é justamente aí que o projeto começa de fato. Atuando em diferentes contextos, o escritório entende o espaço público não como um objeto isolado, mas como algo que precisa ser ativado, negociado e sustentado ao longo do tempo. Seus projetos se concentram menos em definir formas e mais em criar condições de uso, tratando o desenho como um ponto de partida.

Essa abordagem pode ser observada em contextos distintos, da Praça do Bairro Olímpico à rede Playón de Chacarita. Embora cada projeto responda a uma situação específica, ambos investigam como o espaço público pode fortalecer a vida coletiva em áreas marcadas pela fragmentação e pela desigualdade. Em vez de seguir um método rígido, o trabalho se adapta às diferentes condições urbanas, utilizando participação e estratégias incrementais para moldar a maneira como os espaços funcionam ao longo do tempo.

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O embate produtivo: interiores patrimoniais, projetos contemporâneos e o valor da imperfeição

Nos interiores, o patrimônio histórico raramente é apenas uma questão de preservação. Com mais frequência, ele surge como fricção: o encontro entre aquilo que um edifício já é — sua lógica de planta, suas marcas do tempo, suas inconsistências estruturais — e aquilo que a vida contemporânea exige dele.

Alguns dos projetos mais instigantes da atualidade não são aqueles que “restauram” um interior a um único momento específico, nem os que apagam o passado sob uma nova camada homogênea. São os que encenam uma relação entre antigo e novo — permitindo que o contraste faça mais do que apenas contar uma história, transformando esse embate em uma ferramenta pragmática para a construção, o orçamento e a velocidade da obra.

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Além da casca: O Palácio dos Esportes de Félix Candela para as Olimpíadas do México de 1968

Quando a Cidade do México sediou os Jogos Olímpicos de 1968, foi a primeira vez que o evento aconteceu em um país latino-americano e também em uma nação de língua espanhola. Os Jogos representaram, portanto, uma oportunidade estratégica para projetar internacionalmente o México e sua cultura, levando o governo a formar um comitê organizador composto por importantes talentos locais. Pedro Ramírez Vázquez foi nomeado presidente da comissão — um arquiteto mexicano que exercia grande influência sobre os programas estatais de construção no período modernista. Sua abordagem era clara: utilizar a arquitetura como síntese entre a técnica modernista internacional, as referências pré-colombianas e a cultura material local. Sob sua direção, o comitê supervisionou a construção e adaptação de equipamentos espalhados pela zona sul da Cidade do México, quase todos projetados e executados por arquitetos, engenheiros e técnicos mexicanos.

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Modernismo tropical para além da estética: a política da sombra e do ar

A imagem é familiar: uma fachada composta por camadas de brise-soleil, a luz suavizada em sombras padronizadas, interiores mantidos frescos sem o auxílio de máquinas. Manifesta-se como uma inteligência visível, uma arquitetura que compreende o sol. No entanto, essa imagem raramente é examinada de perto. Os mesmos dispositivos que atenuam o calor também organizam o acesso, distribuem o conforto e dependem de formas específicas de trabalho. O que parece ser apenas uma resposta climática é, também, uma decisão sobre quem recebe alívio do calor e de que maneira. O modernismo tropical, frequentemente reduzido a uma linguagem visual de sombra e porosidade, emerge, em vez disso, como um conjunto de práticas situadas onde clima, trabalho e poder são negociados de forma distinta em cada contexto.

Na escala do elemento, o modernismo tropical começa como um problema técnico. Em climas quentes, a radiação solar não é incidental, mas constante, exigindo que os edifícios mediem a luz, o calor e o ar antes que alcancem o interior. Arquitetos como Maxwell Fry e Jane Drew abordaram isso com uma precisão que resiste a qualquer leitura desses elementos como decorativos. Os dispositivos de sombreamento são calibrados de acordo com os ângulos solares, a orientação e as variações sazonais. Os brises-soleil são dimensionados para bloquear o sol alto enquanto admitem a luz difusa; os beirais se estendem o suficiente para evitar o ganho direto de calor nas horas de pico; as aberturas são alinhadas para incentivar a ventilação cruzada. Pesquisas de meados do século testaram ainda mais essas estratégias, medindo reduções de temperatura e melhorias no fluxo de ar. Nesse sentido, a linguagem do modernismo tropical não é simbólica; ela é performativa: cada projeção, vazio e tela faz parte de um sistema ambiental.

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Um Projeto em Movimento: A História por trás da Praça do Mercado no Parque Realengo

Antes de qualquer desenho ou decisão formal, já pulsava, no lugar onde hoje se encontra a Praça do Mercado, no Parque Realengo, Rio de Janeiro, um espaço em permanente movimento. Barracas improvisadas, encontros informais, música, crianças correndo e adultos reunidos sob coberturas provisórias compunham uma paisagem viva, desenhando uma arquitetura efêmera.

É nesse contexto que se insere o trabalho desenvolvido por Carlos Zebulun, Helena Meirelles, Larissa Monteiro, Rodrigo Messina, Francisco Rivas e Juliana Ayako, uma das vencedoras do ArchDaily 2025 Next Practices Awards. O gerenciamento e os projetos urbanos e paisagísticos foram realizados pelo escritório Ecomimesis Soluções Ecológicas, vencedores da licitação realizada pela Prefeitura do Rio de Janeiro em 2023.

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Projetar com o ar: Repensando a arquitetura para além da parede

A arquitetura é tradicionalmente narrada a partir da permanência do sólido. Definimos a disciplina pelo peso da verga, pela massa do pilar e pela resistência da parede. Mesmo quando a leveza é evocada, ela costuma ser entendida como um gesto de subtração: o afinamento de uma seção ou a redução precária de uma carga. Existe, porém, uma história paralela, menos visível e mais difícil de isolar, na qual o principal material da construção não é aquilo que ocupa o espaço, mas aquilo que se move através dele.

Tratar o ar como meio significa ultrapassar a lógica binária do invólucro. O limite entre o interior e o mundo deixa de ser uma linha de separação absoluta e passa a se tornar um campo de filtragem e pressão. A edificação passa a ser compreendida como uma válvula térmica, uma sequência de gradientes em que umidade, velocidade e calor deixam de ser apenas “condições” de fundo a serem controladas por sistemas mecânicos e passam a constituir as próprias substâncias moldadas pela arquitetura.

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Da tradição à vida moderna: a versatilidade e a elegância da madeira em 12 interiores japoneses

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A arquitetura japonesa contemporânea vem demonstrando como adaptar as necessidades em evolução dos moradores modernos a uma rica tradição construtiva e um legado artesanal. A madeira sempre foi a alma da arquitetura japonesa. Em muitos projetos residenciais recentes, esse material transcende seu papel estrutural para se tornar o acabamento principal de várias superfícies — que vão desde pisos e tetos até o mobiliário e demais elementos arquitetônicos. Esses ambientes encontram um delicado equilíbrio entre elegância e aconchego.

O uso de acabamentos naturais e não pintados destaca a honestidade inerente do material, ao mesmo tempo que celebra o caráter único de cada peça, seus veios naturais e a diversidade da composição geral. Enquanto algumas casas apresentam madeiras sóbrias e de tons escuros para criar uma atmosfera sóbria, outras utilizam madeiras mais claras, como o pinho, para promover uma sensação leve, arejada e etérea. Essa versatilidade prova que a madeira pode se adaptar a qualquer estética, do rústico ao ultra-minimalista.

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A ilusão da leveza: projetando vazios cívicos para a vida pública

Nas cidades contemporâneas, a densidade urbana e o aumento do valor da terra frequentemente impõem uma escolha entre edifícios cívicos de grande escala e espaços públicos abertos. Tradicionalmente, as praças eram tratadas como áreas ao redor da implantação do edifício, mas essa lógica foi transformada com a introdução dos pilotis pelo movimento moderno do início do século XX. Embora a intenção original fosse criar uma sensação de leveza que permitisse a circulação e a luz fluírem sob a estrutura, as exigências contemporâneas — como cargas sísmicas, rotas de evacuação e altas taxas de ocupação — tornam colunas esbeltas insuficientes para atender às demandas dos atuais edifícios cívicos de grande porte.

No entanto, a busca pela leveza arquitetônica não é exclusivamente contemporânea. Após a introdução dos pilotis, diversos projetos de meados do século XX passaram a explorar a ilusão de suspensão como forma de alcançar transparência cívica. Em 1953, o Congresso Nacional de Honduras, em Tegucigalpa, projetado por Mario Valenzuela, aplicou esses princípios ao contexto legislativo. O edifício consiste em uma câmara sólida elevada sobre uma série de colunas delgadas. Como o terreno está situado em um platô ao final de uma rua em declive, o vazio resultante vai além da circulação: ele enquadra vistas da cidade, criando a impressão de que o volume pesado está suspenso com leveza sobre o tecido urbano.

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Construindo com leveza em zonas de inundação: arquitetura para alagamentos sazonais

A enchente não chega como surpresa. Ela retorna, seguindo os mesmos rios transbordados e os mesmos céus de monção, soltando o solo e invadindo casas que nunca foram pensadas para resisti-la de forma definitiva. As paredes são desamarradas antes de serem perdidas, os materiais são recolhidos antes de serem levados pela correnteza, e as estruturas são reconstruídas com uma familiaridade que sugere que isso não é destruição, mas sequência. Em paisagens onde a água volta todos os anos, sobreviver é definido pela capacidade de recomeçar.

Nas planícies inundáveis de Bangladesh, da bacia do Brahmaputra e do Delta do Mekong, a inundação é uma certeza sazonal. Relatórios de instituições como o Banco Mundial e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas costumam enquadrar as enchentes a partir da exposição ao risco e dos danos, medindo o sucesso pela resistência e pela durabilidade. Ainda assim, em territórios submersos anualmente, esses parâmetros descrevem apenas parte do problema. O próprio solo oscila entre estados sólidos e líquidos. Construir como se ele fosse fixo significa projetar contra a própria condição que o define.

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Por que queremos flutuar? A psicologia da leveza na arquitetura

Em 1962, o arquiteto Buckminster Fuller imaginou uma cidade flutuante que libertaria a humanidade da dependência da Terra. O projeto hipotético consistia em enormes esferas geodésicas aéreas que levitariam naturalmente no ar quente aquecido pelo sol e que seriam ancoradas no topo das montanhas. Propondo abrigar milhares de pessoas, as Cloud Nine de Fuller tinham como objetivo aliviar a política de propriedade da terra, a escassez de moradias e auxiliar na preservação da natureza.

Passado mais de meio século, seguimos distantes de concretizar a ideia de Fuller. Criar uma estrutura verdadeiramente flutuante na superfície da Terra permanece, até o momento, um ideal inatingível. Enquanto os suportes ainda se impõem como necessidade, manipulamos sua posição, sua intensidade, sua quantidade, desenvolvendo acrobacias para, ao menos, nos aproximarmos da ideia de vencer a gravidade, esse desejo que há tanto tempo fascina a humanidade.

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Entre reuso e novos modos de trabalhar: lições dos vencedores latino-americanos do Design Awards da Shaw Contract

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Uma premiação de arquitetura atua como um dispositivo de legitimação, capaz de indicar quais abordagens, materiais e estratégias passam a ocupar uma posição central no discurso disciplinar. Ao reunir projetos com programas, escalas e condicionantes distintos, essas iniciativas tornam visíveis prioridades e direções emergentes no campo. Nesse sentido, o Design Awards da Shaw Contract tem se consolidado como uma plataforma global de reconhecimento no design de interiores e um termômetro das transformações que atravessam a disciplina, ao promover uma reflexão sobre o papel do design na construção de ambientes mais responsáveis, inclusivos e sustentáveis.

Mapeando a Tecnosfera: Arquitetura como Interface entre Sistemas e Territórios

A arquitetura já não pode ser pensada como um objeto isolado, alheia às redes técnicas que sustentam a vida contemporânea, — um cenário que exige diferentes leituras e abordagens. É nesse contexto que em março, o tema mensal do ArchDaily recaiu sobre A Tecnosfera: Arquitetura na Intersecção da Tecnologia, Ecologia e Sistemas Planetários, tópico amplo e inevitavelmente complexo. A partir do conceito de tecnosfera, cunhado pelo geólogo Peter Haff para descrever o conjunto de artefatos produzidos pela humanidade, delineia-se um panorama em que a vida contemporânea se mostra profundamente entrelaçada a máquinas, dados e redes de energia.

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O que é a Tecnosfera e por que ela redefine a Arquitetura?

Em um momento em que satélites orbitam o planeta, cabos submarinos sustentam a circulação global de dados e algoritmos organizam a vida cotidiana, uma pergunta emerge no campo da arquitetura: em que escala estamos, realmente, projetando hoje em dia?

Se antes o projeto se articulava principalmente a condições locais ou regionais, hoje ele é atravessado por cadeias que começam na extração de recursos, passam por sistemas industriais e se estendem por infraestruturas planetárias muitas vezes invisíveis e que operam de forma contínua e interdependente.

É nesse deslocamento que a arquitetura passa a operar como mediadora de um campo muito maior, a tecnosfera.

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Conheça os projetos vencedores do Prêmio Obra do Ano 2026 do ArchDaily Brasil

Três projetos brasileiros foram escolhidos como vencedores do Prêmio Obra do Ano 2026 pelo público do ArchDaily Brasil. Após três semanas de votação pública, mais de 700 projetos foram reduzidos a 15 finalistas, encerrando o processo com três grandes vencedores que representam o melhor da arquitetura lusófona.

LANA: suporte ergonômico para notebooks e as novas dinâmicas do espaço de trabalho

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O trabalho já não acontece em um único lugar. Ele se desloca, se fragmenta e se adapta. Pode começar em um escritório, seguir para uma cabine acústica, passar por um espaço compartilhado e terminar em casa. Nesse percurso, o notebook se torna um elemento constante. À medida que o trabalho se torna mais móvel, as configurações espaciais também passam a acompanhar essa condição.

Coreografando Lagos: Dele Adeyemo fala sobre dança, cosmologia e práticas espaciais

Exu matou um pássaro ontem com a pedra que só jogou hoje. O provérbio iorubá narra, ao mesmo tempo, uma história de reparação e de ancestralidade, ao dobrar de forma lúdica as convenções de espaço-tempo e acessar o passado por meio de ações no presente. A frase oferece uma entrada poética para tradições mais amplas da África Ocidental e para a prática do artista e arquiteto escocês-nigeriano Dele Adeyemo. Nomeado um dos vencedores do ArchDaily 2025 Next Practices Awards, seu trabalho articula ecologia, espiritualidade, dança e território, investigando como práticas culturais corporificadas podem gerar possibilidades espaciais alternativas, tanto dentro quanto em oposição à arquitetura do capitalismo racial.

Nascido na Nigeria e criado no Reino Unido, Adeyemo visita Lagos há muitos anos. A partir dessa relação, desenvolveu um amplo corpo de pesquisa sobre práticas coletivas de movimento que antecedem o capitalismo e oferecem inteligências espaciais distintas, muitas vezes imaginativas, operando em paralelo aos sistemas dominantes. O ArchDaily conversou com Dele sobre suas práticas artísticas e pedagógicas, e sobre como ele identifica sofisticação projetual onde arquitetos frequentemente percebem carência.

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Arquivo: Des-construção e reuso de materiais para uma arquitetura circular

O setor da construção civil enfrenta hoje um paradoxo incontornável: a necessidade urgente de soluções sustentáveis para o futuro das cidades colide com o esgotamento do próprio termo "sustentabilidade", muitas vezes reduzido a um selo comercial vazio. Diante desse cenário, a Arquivo — uma das vencedoras do prêmio Next Practices 2025 do ArchDaily — emerge como uma facilitadora e uma mediadora entre os diferentes agentes no campo da construção a partir da desmontagem – ou ainda, des-construção – e o reuso de elementos construtivos. Etimologicamente, se "construir" deriva do latim construere ("amontoar, reunir"), o prefixo "des-" impõe uma inversão conceitual: não se trata de destruir, mas de desmontar com inteligência para compreender a lógica das partes.

Enquanto a prática convencional das demolições gera um grande volume de resíduos e gasto energético, a Arquivo propõe o reuso como uma alternativa viável para a economia circular. A empresa atua na lacuna entre o descarte e a nova obra, operando sob uma premissa clara: “O reuso só se dá por completo quando o material ganha uma nova vida”.

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Últimos dias para votar nos finalistas do Prêmio Obra do Ano 2026 do ArchDaily Brasil

O anúncio do Prêmio Obra do Ano 2026 está próximo, com apenas dois dias restantes para o encerramento da etapa final de seleção. Os três vencedores serão divulgados no dia 16 de abril, após três semanas de votação pública. Os 15 finalistas compõem um retrato do estado atual da arquitetura segundo a opinião do público, que tem votado em suas obras favoritas.

Veja os 15 finalistas e faça parte de uma rede imparcial de jurados responsável por eleger os projetos mais relevantes do último ano construídos em países de língua portuguesa. Nesta etapa final, cada pessoa pode votar em um projeto por dia até o dia 15 de abril às 19h00 (horário de Brasília).

Os 15 finalistas do Prêmio Obra do Ano 2026 do ArchDaily Brasil

Ao longo das últimas duas semanas, a comunidade do ArchDaily Brasil nomeou mais de 14 mil projetos, resultando em 15 finalistas que representam algumas das obras arquitetônicas mais emblemáticas publicadas no último ano. Em sua 10ª edição, o Prêmio Obra do Ano existe para reconhecer o melhor da arquitetura nos países de língua portuguesa, a partir da escolha dos próprios leitores. Os finalistas compõem um retrato do estado atual da arquitetura, seja em projetos residenciais, urbanos, culturais e outros programas.

Representando Brasil e Portugal, os 15 projetos refletem as necessidades de seus contextos específicos por meio de soluções criativas propostas por arquitetos locais. De reformas de interiores a intervenções urbanas de grande escala, passando por residências unifamiliares e projetos comunitários, a seleção é heterogênea, mas unida por um traço comum: o reconhecimento do público, que busca ver suas próprias aspirações representadas.

Além da Terra Firme: Projetos de Arquitetura Flutuante Redefinindo o Ambiente Construído

Construir sobre a água significa abrir mão de uma parte da construção que é, literalmente, a base da maior parte do nosso ambiente construído: a própria fundação. Em um ambiente cercado por água, as correntes e a oscilação do nível da superfície são variáveis que simplesmente não podem ser ignoradas, e justamente por isso a característica mais emblemática comum a esses projetos é a sua adaptabilidade.

Em vez de bases robustas e profundas — como estacas ou tubulões — , responsáveis por fincar a arquitetura no chão, arquiteturas flutuantes frequentemente utilizam soluções como pontões de concreto e tonéis plásticos para impedir que o edifício afunde, usualmente somados a elementos de ancoragem para "fixá-las", mesmo que temporariamente, a determinado local.

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Repensando a arquitetura na escala dos sistemas planetários

A arquitetura tem sido tradicionalmente descrita como uma disciplina voltada ao espaço, à forma e à materialidade. No entanto, essa compreensão se mostra cada vez mais limitada diante das condições que moldam a construção contemporânea. Os edifícios já não surgem de uma relação estável entre lugar, programa e matéria. Em vez disso, são produzidos dentro de uma densa rede de sistemas tecnológicos que operam em escalas territoriais, ecológicas e temporais. Redes de energia, infraestruturas de dados, processos de extração e cadeias logísticas globais passam a influenciar a arquitetura de maneira tão decisiva quanto o clima ou o contexto urbano.

Sob essa perspectiva, a arquitetura deixa de ser um objeto isolado e passa a ser entendida como um momento dentro de um campo técnico mais amplo. Cadeias de suprimento, sistemas de dados, manutenção automatizada e redes energéticas não estão “por trás” do ambiente construído — elas o constituem. De certo modo, determinam o que pode ser construído, o que é economicamente viável, como os edifícios se comportam ao longo do tempo e que tipos de resíduos produzem. Quando a arquitetura é analisada principalmente pela forma, corre-se o risco de ignorar os sistemas que condicionam sua produção e seu pós-uso.

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Últimos dias para escolher os finalistas do Prêmio Obra do Ano 2026 do ArchDaily Brasil

Com apenas cinco dias até o anúncio dos finalistas, ainda há tempo para escolher seus projetos favoritos ao Prêmio Obra do Ano 2026. Maior premiação arquitetônica do mundo lusófono, decidida por voto popular, o Obra do Ano existe para reconhecer os melhores projetos arquitetônicos publicados todo ano no ArchDaily Brasil.

No dia 8 de abril, serão revelados os 15 finalistas, escolhidos pela comunidade ArchDaily ao longo dessas duas semanas de nomeações. Ao nomear projetos, cada leitor passa a fazer parte de uma rede imparcial de jurados, dando visibilidade ao que há de melhor na arquitetura dos países de língua portuguesa.

Projetando uma cidade sensorial: Arquitetura, poluição luminosa e ruído urbano

Ao longo da maior parte da história humana, a noite chegava como uma certeza planetária. A escuridão se espalhava pela paisagem, e o céu revelava milhares de estrelas. Hoje, esse céu está desaparecendo. A luz artificial se projeta das cidades para cima, se dispersa na atmosfera e transforma a noite em uma névoa permanente. Estudos que mapeiam o brilho do céu em escala global mostram que mais de 80% da humanidade vive sob céus poluídos por luz, e a Via Láctea já não é visível para mais de um terço da população mundial. Embora esse fenômeno costume ser discutido no campo da astronomia, suas causas estão profundamente ligadas ao ambiente construído. Edifícios emitem luz, a refletem em fachadas de vidro e estendem sua iluminação muito além de seus limites físicos. Na tecnosfera — o vasto sistema de infraestruturas e materiais criado pelos humanos — a arquitetura passa, assim, a moldar não apenas o espaço físico, mas também as condições sensoriais que o envolvem.

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