A Cosmogonia do Capitalismo (Racial). Imagem cedida por Dele Adeyemo.
Exu matou um pássaro ontem com a pedra que só jogou hoje. O provérbio iorubá narra, ao mesmo tempo, uma história de reparação e de ancestralidade, ao dobrar de forma lúdica as convenções de espaço-tempo e acessar o passado por meio de ações no presente. A frase oferece uma entrada poética para tradições mais amplas da África Ocidental e para a prática do artista e arquiteto escocês-nigeriano Dele Adeyemo. Nomeado um dos vencedores do ArchDaily 2025 Next Practices Awards, seu trabalho articula ecologia, espiritualidade, dança e território, investigando como práticas culturais corporificadas podem gerar possibilidades espaciais alternativas, tanto dentro quanto em oposição à arquitetura do capitalismo racial.
Nascido na Nigeria e criado no Reino Unido, Adeyemo visita Lagos há muitos anos. A partir dessa relação, desenvolveu um amplo corpo de pesquisa sobre práticas coletivas de movimento que antecedem o capitalismo e oferecem inteligências espaciais distintas, muitas vezes imaginativas, operando em paralelo aos sistemas dominantes. O ArchDaily conversou com Dele sobre suas práticas artísticas e pedagógicas, e sobre como ele identifica sofisticação projetual onde arquitetos frequentemente percebem carência.
Villa Pisani, labirinto. Image Cortesia de Martins Fontes
A arquitetura costuma ser narrada a partir de princípios como ordem, clareza e funcionalidade. Em O Livro dos Labirintos, Francesco Perrotta-Bosch propõe outra entrada possível: pensar a disciplina a partir do labirinto — uma estrutura que, desde sua origem mítica, opera por meio do desvio, da ambiguidade e da perda de orientação.
Partindo do Labirinto de Creta, atribuído a Dédalo na mitologia grega, o autor desloca a discussão sobre a origem da arquitetura para um campo menos associado à racionalidade construtiva e mais próximo da experiência espacial. A questão que orienta o livro é direta: por que a arquitetura teria começado com uma forma que subverte linearidade e legibilidade?