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Arquitetos: Alto Arquitectura
- Área: 3600 m²
- Ano: 2021











Existe uma maneira consagrada de contar a história da arquitetura e da alimentação. Ela começa com a decisão humana de cultivar, armazenar, distribuir e consumir alimentos, e termina com os edifícios produzidos por essa decisão. Nessa narrativa, a comida é a causa e a arquitetura é a resposta.
Mas e se a história for diferente? E se o tomate tiver construído Almería? E se o bacalhau tiver redesenhado o Atlântico Norte? E se a soja estiver, neste exato momento, construindo um porto em Santos e destruindo uma floresta no Cerrado ao mesmo tempo, enquanto os arquitetos simplesmente não foram informados? Essas não são hipóteses, mas descrições de processos já concluídos — ou em pleno curso — que produziram algumas das paisagens contemporâneas mais transformadoras do ponto de vista espacial. Grande parte do ambiente construído é moldada pelas pressões, pelos metabolismos e pelas ambições territoriais daquilo que comemos. Nesse contexto, a arquitetura frequentemente é menos um projeto do que uma consequência, e a disciplina tem contado sua própria história a partir da perspectiva errada.
