Ao final de cada Bienal de Arquitetura, longe dos olhos dos visitantes, toneladas de materiais das exposições são transportadas por Veneza em carrinhos de mão e barcos. Apenas uma fração desses materiais é reutilizada. A principal razão é a escassez de espaços de armazenamento na cidade e os altos custos logísticos — desafios recorrentes da arquitetura circular. Como resultado, a maior parte dos resíduos acaba sendo destinada a aterros sanitários ou centros de reciclagem próximos. Mas essa realidade está prestes a mudar. Diante das crescentes preocupações ambientais, arquitetos têm se empenhado em desenvolver estratégias que viabilizem a reutilização desses materiais. Processos que envolvem não apenas as decisões arquitetônicas e construtivas, mas também abarcam questões de logística e comércio internacional.
A primeira vila olímpica da história foi construída para os Jogos Olímpicos de Verão de 1924 em Paris. Antes disso, os atletas se hospedavam em hotéis, albergues, escolas, quartéis e até mesmo nos barcos em que viajavam para as cidades-sede. Pierre de Coubertin, co-fundador do Comitê Olímpico Internacional (COI), foi o idealizador da vila inaugural ao perceber que seria economicamente mais viável abrigar atletas em estruturas novas e temporárias do que em hotéis, enquanto as vilas poderiam incutir também um senso de comunidade entre os competidores internacionais.
Templo - Caroline Ghosn, 2024. Renderização do projeto - Maissa Sader. Imagem cortesia de Burning Man
O festival anual Burning Man divulgou o projeto do Templo de 2024 na Cidade Black Rock, que se tornará a instalação central durante o festival que acontece entre 25 de agosto e 2 de setembro de 2024, no Deserto Black Rock, em Nevada. Intitulado "O Templo de Todos", a proposta foi projetada por Caroline Ghosn e tem inspiração na arquitetura religiosa neogótica e nos estilos art déco, além das técnicas de tecelagem libanesas Khaizaran. Selecionado através de uma competição internacional, o projeto busca trazer intervenções inovadoras que se encaixem na tradição do Burning Man.
Poplar Assembly / Francisco Javier García García . Imagem Cortesia de Concéntrico
Em sua 10ª edição, o Concéntrico, o festival internacional de arquitetura e design em Logronho, Espanha, anunciou os vencedores das chamadas abertas para intervenções urbanas. Em resposta à convocatória para "Celebrar a Cidade", as propostas vencedoras serão temporariamente construídas na Plaza Escuelas Trevijano, em Viña Lanciano de Bodegas LAN, e no Paseo del Espolón, na cidade espanhola de Logronho. O Festival recebe visitantes entre 25 de abril e 1º de maio de 2024 para explorar a cidade por meio de instalações, exposições, encontros e performances.
Cidades contemporâneas e assentamentos urbanos se manifestam como estruturas intricadas que exigem reflexão profunda e uma abordagem cuidadosa. Os modelos sociais e layouts espaciais estão em constante evolução, transformando-se ao longo do tempo. Nesse contexto, surge uma pergunta crucial: qual é o modelo predominante para as cidades hoje? Muitas cidades contemporâneas resultam de um paradigma que atingiu seu apogeu no século XIX, caracterizado pela densificação intensiva e urbanização em resposta a necessidades que nem sempre refletiam seus habitantes.
Em alguns casos, devido às transformações vivenciadas pelas grandes cidades, certos setores urbanos caíram em desuso, tornando-se espaços residuais ou afastando-se de propósitos orientados para o desenvolvimento comunitário. Reconhecendo que as pessoas são a força motriz por trás das dinâmicas das cidades e assentamentos humanos, é imperativo reivindicar esses espaços. Para isso, abordagens teóricas como a proposta por Henri Lefebvre do direito à cidade e a cidade dos 15 minutos são apresentadas como alternativas. Nesses casos, as pessoas retomam o foco, tornando-se elementos-chave no design e permitindo o restabelecimento de um vínculo comunidade-pessoa-espaço.
https://www.archdaily.com.br/br/1012514/reativando-espacos-publicos-residuais-com-projetos-liderados-pela-comunidadeEnrique Tovar
O MPavilion é um dos eventos arquitetônicos mais importantes da Austrália. Criado pela Fundação Naomi Milgrom, a edição de laçamento foi em 2014 e desde então trouxe arquitetos internacionalmente reconhecidos para projetar uma estrutura temporária nos Jardins da Rainha Vitória em Melbourne, seguindo um sistema semelhante ao da Serpentine Gallery Pavilion, em Londres. Desde os painéis acionados pelo sol de Sean Godsell até a estrutura experimental de bambu do Studio Mumbai, cada pavilhão explora a arte da construção e o design contemporâneo, ao mesmo tempo em que promove um rico programa cultural que dura vários meses. Com a inauguração do pavilhão mais recente, desenvolvido por Tadao Ando, revisitamos as edições anteriores do evento.
51-1 Arquitectos, Play You Are in Sharjah, 2023. Foto por Danko Stjepanovic. Imagem Cortesia de Sharjah Architecture Triennial
Inaugurada em 11 de novembro de 2023 e em funcionamento até 10 de março de 2024, a Trienal de Arquitetura de Sharjah serve como uma metáfora que chama a atenção para as inovações em design e tecnologia no ambiente construído, especialmente no sul global. A exposição conta com contribuições de 29 arquitetos e estúdios de 25 países. Dando sequência a algumas discussões levantadas na 18ª Bienal de Arquitetura de Veneza, a Trienal de 2023 embarca em uma jornada semelhante, criando espaço para vozes e discussões frequentemente negligenciadas em exposições globais e revelando elementos que há muito existem, mas permaneceram invisíveis. Com uma consciência aguçada do sul global, mas também do norte, e uma compreensão das polaridades entre eles, conforme articulado pela curadora Tosin Oshinowo, esta segunda edição da exposição tem como tema "A Beleza da Impermanência: Uma Arquitetura da Adaptabilidade".
Celebrando tudo o que existe, especialmente no sul global, onde os lugares prosperam em meio à escassez, a trienal adota uma abordagem otimista, tirando lições das situações atuais e revelando o valor e sofisticação de respostas alternativas que surgiram devido às limitações de recursos. "Podemos celebrá-los. Podemos aprender com eles", acrescenta a curadora. A trienal tem como objetivo compreender um futuro mais sustentável, acessível e equitativo - um esforço coletivo para enfrentar os desafios das mudanças climáticas, explorar o ambiente construído e abraçar tradições regionais pouco celebradas. Destacando soluções que resistiram ao longo do tempo e outras que respondem às dificuldades contemporâneas, "A Beleza da Impermanência" enfatiza a necessidade de uma hibridização sutil essencial para o nosso mundo urbanizado.
Self Similar, uma grande instalação de land art criada por Jim Denevan, foi recentemente inaugurada em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, como parte de uma exposição que se estende por toda a cidade. Com curadoria de Reem Fadda, Diretora de Programação Cultural de Abu Dhabi, e Alia Zaal Lootah, a exposição reúne 35 obras de arte site-specific, produzidas por artistas locais e internacionais. Em cartaz até 30 de janeiro de 2024, a exposição é uma coleção diversificada que tem como objetivo envolver o público.
Of Palm / Abdalla Almula. Imagem Cortesia de Abdalla Almula
Entre 7 e 12 de novembro, a DubaiDesign Week 2023 reuniu mais de 500 designers, arquitetos e profissionais criativos para explorar a relação entre práticas tradicionais e tecnologias emergentes. O objetivo era criar soluções que promovessem a sustentabilidade ambiental e tivessem impacto social através do design. Como um dos eventos culturais mais importantes no Oriente Médio, o festival oferece uma ampla gama de instalações, obras de arte e experiências imersivas, todas explorando tópicos importantes do design voltado para a sustentabilidade ambiental.
As intervenções e instalações deste ano se inspiraram nos ecossistemas naturais da região, assim como nas tradições e habilidades artesanais locais, combinando essas práticas com tecnologias inovadoras, explorações de biomateriais e novas abordagens para o design. Um tema recorrente entre as intervenções foi a celebração do patrimônio do Oriente Médio e o engajamento com as práticas vernaculares.
A décima edição do MPavilion foi inagurada no Queen Victoria Gardens, em Melbourne, Austrália. Concebido por Tadao Ando, este é o primeiro projeto do arquiteto na Austrália. O pavilhão reflete seu característico uso de formas geométricas em sintonia com a paisagem natural e o preciso emprego de concreto aparente. A inauguração oficial apresentou o espaço com uma celebração pública, incluindo uma ampla variedade de comissões artísticas selecionadas pela Fundação Naomi Milgrom. O MPavilion permanecerá aberto ao público gratuitamente até 28 de março de 2024, convidando visitantes a se envolverem com seu diversificado programa cultural.
Os planos para o Pavilhão Australiano na Expo 2025 em Osaka, Japão, foram apresentados pelo Ministro do Comércio e Turismo da Austrália. Desenvolvido pelo escritório global Buchan, o projeto celebra a beleza natural da Austrália e se encaixa no tema "Perseguindo o Sol" do pavilhão, que está em harmonia com o tema geral da Expo: promover o desenvolvimento e a adoção das melhores práticas para impulsionar a cocriação sustentável. O tema busca refletir o otimismo confiante da nação, inspirando soluções criativas e fomentando a cooperação internacional.
No vasto e implacável Deserto de Black Rock, em Nevada, uma cidade é reconstruída uma vez por ano. Milhares de pessoas se reúnem para criar uma metrópole temporária com um espírito coletivo. Em 2023, o Burning Man suprimiu todas as restrições à expressão, permitindo que formas surpreendentes fossem construídas. O tema deste ano, ANIMALIA, fez do Deserto de Black Rock uma tela em branco para a criatividade, um campo de jogos para a autoexploração e um refúgio para a expressão radical das individualidades.
“ANIMALIA” incentiva os participantes a embarcarem em uma jornada que borra a linha entre realidade e fantasia, e homenageia a diversidade do reino animal, desde os animais que habitam as áreas de transição do deserto até criaturas míticas e fictícias que aparecem em nossos sonhos. As instalações e pavilhões deste ano foram inspirados pelo mar, areia, céu e imaginação, variando de uma instalação de peixe representando águas doces a um pavilhão de tricô vivo que toma forma com tecidos, além de uma estrutura geométrica que explora o potencial de um cubo.
Após uma pausa de três anos, o festival de construção da Hello Wood está de volta para receber estudantes, arquitetos e jovens profissionais de todo o mundo para participar do camp de construção de 10 dias e testar suas habilidades de construção em madeira, além de aprender a participar ativamente do projeto e da construção no próprio local. Pela primeira vez na história do evento, o workshop deste ano acontece em um novo local, uma cratera de uma pedreira de basalto abandonada na montanha Haláp, na Hungria. O workshop também se alinha e apoia o título de Veszprém de Capital Europeia da Cultura de 2023, que também inclui mais de uma centena de outras vilas e cidades em toda a região de Bakony-Balaton. O evento aconteceu entre 6 e 15 de julho, culminando num festival de música de dois dias aberto a todos.
Cortesia do Aranya Theatre Festival, MAD Architects Qi Ziying
O arquiteto Ma Yansong, do escritório MAD, projetou A Cidade do Tempo, um espaço de performance e residência artística criado para o Festival de TeatroAranya na China. Inspirado na migração das aves, o Migratory Birds 300 é um programa de residência artística que reúne 300 criadores de diversos campos e origens. Durante o mês de junho, a proposta arquitetônica de Ma Yansong recebeu uma ampla variedade de expressões artísticas, incluindo espetáculos, instalações, esculturas, arte performática, pinturas e vídeos, sendo 131 trabalhos em grupo e 194 projetos individuais.
A Serpentine anunciou a abertura oficial do 22º Serpentine Pavilion, projetado pela arquiteta franco-libanesa Lina Ghotmeh. O evento acontecerá em 9 de junho de 2023. O pavilhão recebe o título de À table e é um convite ao público para se sentar junto à mesa e participar de um diálogo aberto enquanto compartilha uma refeição.
O espaço interno do pavilhão é definido por uma grande mesa que ocupa seu perímetro, oferecendo uma oportunidade para a convivialidade e o compartilhamento de ideias, preocupações, alegrias e tradições. A estrutura de 300 metros quadrados foi projetada para ser leve e totalmente desmontável, buscando uma pegada de carbono mínima. O pavilhão tem entrada gratuita e permanecerá aberto todos os dias de junho a outubro de 2023.
A Teoria da Relatividade de Einstein introduz o conceito de que o tempo, como o conhecemos, não é tão estável e confiável como parece. Como característica definidora que é referência em toda a história da humanidade, a falibilidade do tempo é uma perspectiva confusa. Quinze minutos, por exemplo, parecem uma eternidade enquanto se espera em uma fila, e ainda assim, os trezentos mil anos de história humana parecem ser poucos minutos na vida da Terra.
Então, quando falamos em "salvar o planeta" ao desacelerar e reverter a crise climática, o que realmente queremos dizer é prolongar nossa própria existência nele. Porque não importa o que façamos, essa massa rochosa que chamamos de casa continuará seguindo seu curso no Sistema Solar por mais alguns bilhões de anos. Com efeito, a humanidade em si é apenas uma instalação temporária.
As quatro instalações apresentadas a seguir investigam nossa relação humana com o tempo e como isso afeta nossas vidas na Terra.
A Fundação Naomi Milgrom divulgou o projeto da décima edição do MPavilion, feita pelo vencedor do Prêmio Pritzker, Tadao Ando. Concebido em concreto, como boa parte das obras mais emblemáticas de Ando, este será o primeiro projeto do arquiteto japonês na Austrália. Criado como um novo local de encontro no distrito cultural e botânico de Melbourne, pavilhão responde diretamente ao entorno do parque, enfatizando a pureza espacial por meio de formas geométricas básicas quadradas e circulares. O pavilhão tem inauguração prevista para 16 de novembro de 2023.