“Um banheiro é um lugar onde todos são iguais, não tem rico e pobre, idoso e jovem, todos são parte da humanidade”. Essa reflexão foi compartilhada por Wim Wenders, expoente do Cinema Novo Alemão e diretor do filmeDias Perfeitos (2023), ao ser questionado sobre os marcantes cenários de sua mais recente obra. Os banheiros públicos de Tóquio foram escolhidos por Wenders para construir uma narrativa que oferece profundas reflexões sobre a solidão, a simplicidade e a beleza da vida cotidiana.
A história gira em torno de Hirayama, um homem de meia-idade que trabalha como faxineiro de banheiros públicos em Tóquio. Sua vida é simples e rotineira, mas preenchida por pequenos prazeres e momentos de contemplação. Um cotidiano humilde que contrasta com as arquiteturas tecnológicas, coloridas e inovadoras dos banheiros públicos nos quais o protagonista passa o dia limpando.
O Prêmio Pritzker é o reconhecimento mais importante que um arquiteto(a) pode receber em vida. A honraria é outorgada todos os anos a arquitetos e arquitetas cuja obra construída "tenha produzido significativas contribuições para a humanidade ao longo dos anos", segundo explica a própria organização responsável pela premiação. Por esta razão, o júri presta homenagem a pessoas e não a escritórios, como já aconteceu em 2000 (Rem Koolhaas ao invés do OMA), 2001 (Herzog & de Meuron), 2010 (SANAA), 2016 (Elemental) e 2017 (RCR Arquitectes), premiando seus fundadores (como no caso do SANAA), o então, um deles (Elemental).
Interiores japoneses contemporâneos incorporam elementos tanto da tradição quanto da modernidade para expressar o espírito inovador do país, enquanto respeitam profundamente sua história e herança cultural. Embora materiais tradicionais como madeira, papel e bambu ainda tenham grande importância, os interiores japoneses modernos costumam apresentar uma fusão de vidro, aço, concreto e metais. A justaposição de texturas e acabamentos mais suaves e modernos com outros mais quentes e orgânicos reflete uma síntese dinâmica entre o antigo e o novo, resultando em espaços visualmente impactantes e funcionais que prestam homenagem à essência dos princípios de design do país.
O MPavilion é um dos eventos arquitetônicos mais importantes da Austrália. Criado pela Fundação Naomi Milgrom, a edição de laçamento foi em 2014 e desde então trouxe arquitetos internacionalmente reconhecidos para projetar uma estrutura temporária nos Jardins da Rainha Vitória em Melbourne, seguindo um sistema semelhante ao da Serpentine Gallery Pavilion, em Londres. Desde os painéis acionados pelo sol de Sean Godsell até a estrutura experimental de bambu do Studio Mumbai, cada pavilhão explora a arte da construção e o design contemporâneo, ao mesmo tempo em que promove um rico programa cultural que dura vários meses. Com a inauguração do pavilhão mais recente, desenvolvido por Tadao Ando, revisitamos as edições anteriores do evento.
Tadao Ando divulgou o projeto para um novo centro de artes cênicas em Aljada, Sharjah. Batizado de "Il Teatro", o auditório com 2000 lugares, galeria e espaço para eventos será o ponto focal do masterplan de Aljada. Voltado para arte, cultura e design, o distrito de Naseej abrigará o teatro, integrado a uma praça cultural. Com conclusão prevista para 2027, o projeto é um exemplo da característica simplicidade arquitetônica de Tadao Ando.
A décima edição do MPavilion foi inagurada no Queen Victoria Gardens, em Melbourne, Austrália. Concebido por Tadao Ando, este é o primeiro projeto do arquiteto na Austrália. O pavilhão reflete seu característico uso de formas geométricas em sintonia com a paisagem natural e o preciso emprego de concreto aparente. A inauguração oficial apresentou o espaço com uma celebração pública, incluindo uma ampla variedade de comissões artísticas selecionadas pela Fundação Naomi Milgrom. O MPavilion permanecerá aberto ao público gratuitamente até 28 de março de 2024, convidando visitantes a se envolverem com seu diversificado programa cultural.
A Fundação Naomi Milgrom divulgou o projeto da décima edição do MPavilion, feita pelo vencedor do Prêmio Pritzker, Tadao Ando. Concebido em concreto, como boa parte das obras mais emblemáticas de Ando, este será o primeiro projeto do arquiteto japonês na Austrália. Criado como um novo local de encontro no distrito cultural e botânico de Melbourne, pavilhão responde diretamente ao entorno do parque, enfatizando a pureza espacial por meio de formas geométricas básicas quadradas e circulares. O pavilhão tem inauguração prevista para 16 de novembro de 2023.
Construída em um conjunto de 118 pequenas ilhas na rasa Lagoa de Veneza, a cidade de Veneza, na Itália, tem cativado a imaginação de arquitetos e turistas há séculos. A área é habitada desde a antiguidade. Teve grande poder financeiro e marítimo durante a idade média e o período do renascimento, como comprovado pela rica arquitetura que caracteriza a cidade até hoje. Com influências dos estilos bizantino, gótico e renascentista, a cidade representa um palimpsesto de narrativas arquitetônicas, sobrepostas que influenciaram umas às outras. Veneza também se tornou uma grande atração para arquitetos atraídos pela La Biennale di Venezia, que reúne pavilhões nacionais, exposições e eventos sobre temas urgentes relacionados à profissão.
Além da Bienal, Veneza em si é um museu ao ar livre para amantes da arquitetura. Como a cidade é conhecida por seus edifícios históricos, as intervenções modernistas e contemporâneas adicionam uma nova camada de interesse, com muitos arquitetos contemporâneos trabalhando com o tecido histórico, como a intervenção e reabilitação da Fondaco dei Tedeschi da OMA, ou a restauração da Procuratie Vecchie de David Chipperfield, um dos edifícios que definem a Piazza San Marco. Além do que a cidade tem a oferecer, o local da Bienal de Veneza também é marcado por intervenções de arquitetos famosos como Carlo Scarpa, Sverre Fehn e Alvar Aalto, tornadas permanentes devido às suas qualidades excepcionais.
O arquiteto Tadao Ando foi encarregado de projetar a exposição do Costume Institute deste ano, que destaca o trabalho de Karl Lagerfeld. A abertura da exposição, intitulada Karl Lagerfeld: A Line of Beauty, foi marcada pelo renomado Met Gala, um evento de arrecadação de fundos frequentado por celebridades e personalidades consideradas culturalmente relevantes no cenário da moda. Abordada como um ensaio temático e conceitual sobre o trabalho de Lagerfeld, e não como uma retrospectiva tradicional, a exposição tem como objetivo ilustrar o método de expressão criativa do designer e sua importância na indústria da moda.
Tóquio é interminável. Trata-se de uma cidade feita de várias cidades, onde tudo é superlativo e é constante o encontro com a escala descomunal. Para quem pisa pela primeira vez lá, vindo de um país tão plural quanto o Brasil, o choque cultural é enorme. Tudo é extremamente limpo mesmo não havendo lixeiras públicas, a impressão é de zero violência e percebe-se toda a sociedade seguindo exemplarmente os rígidos códigos disciplinares. Fica uma sensação de que as relações humanas e sentimentos individuais são deixados em segundo plano e a coletividade é priorizada, com tudo de bom e de ruim que este modo de vida possa trazer.
Tadao Ando. Imagem Cortesia do Tadao Ando Architect & Associates
A Naomi Milgrom Foundation anunciou a escolha de Tadao Ando para projetar o MPavilion 10, no Queen Victoria Gardens, em Melbourne. Este será o primeiro projeto de Ando na Austrália. Em sua 10ª edição, o MPavilion garante total liberdade aos designers para elaborar suas propostas e concretizar suas visões. Os detalhes do projeto de Tadao Ando serão divulgados em maio e o pavilhão está programado para abrir ao público em 16 de novembro de 2023.
Há algumas semanas, a edição deste ano do Serpentine Pavilion foi aberta ao público. Projetada pelo artista Theaster Gates, de Chicago, esta é uma obra evocativa, sua forma cilíndrica faz referência aos fornos americanos e ingleses e as casas de adobe Musgum encontradas em Camarões.
O nome do pavilhão diz muito mais ao espectador sobre suas intenções como experiência espacial. Intitulado Black Chapel, ele abriga uma sala espaçosa com bancos curvos e um óculo acima permitindo que a luz do dia penetre no espaço. É um interior bastante minimalista - projetado como um local para contemplação e reflexão. Essa qualidade do Serpentine Pavilion de Gates levanta questões particularmente interessantes: como artistas e arquitetos optam por uma abordagem “menos é mais” ao projetar espaços meditativos, mas também como esses espaços introspectivos foram igualmente aprimorados pela ornamentação.
Uma das obras icônicas do arquiteto japonês Kazuo Shinohara, projetada sob o chamado "Primeiro Estilo" foi reconstruída no Vitra Campus em Weil am Rhein. A Umbrella House, originalmente construída em Tóquio em 1961, será um local para pequenas reuniões, oferecendo aos visitantes informações sobre a arquitetura japonesa moderna. Após a cúpula geodésica de Buckminster Fuller/George Howard em 1975 e um posto de gasolina de Jean Prouvé em 1953, o projeto é a terceira edificação histórica a ser reconstruída no Vitra Campus.
Naoshima, Teshima e Inujima são as três principais ilhas de um arquipélago no Mar Interior de Seto, no Japão. O que as diferencia dos demais arquipélagos japoneses – que são muitos, característica daquele país insular – é a concentração de obras de arquitetura de qualidade excepcional, projetadas por alguns dos maiores nomes da arquitetura mundial. Tais projetos fazem parte do Benesse Art Site Naoshima, um complexo dedicado às artes idealizado pelo magnata Soichiro Fukutake ainda na década de 1980, composto por dezoito museus, galerias e instalações a céu aberto.
Poucos lugares no mundo reúnem tantos equipamentos culturais e artísticos como o arquipélago composto pelas ilhas de Naoshima, Teshima e Inujima, localizadas no Mar Interior de Seto, no Japão. Dezoito museus, galerias e instalações compõem o Benesse Art Site Naoshima, um complexo dedicado às artes idealizado pelo magnata Soichiro Fukutake ainda na década de 1980.
À época, Fukutake convidou ninguém menos que o arquiteto Tadao Ando para projetar o Benesse House Museum, na ilha de Naoshima, um equipamento que ofereceu mais que um impulso econômico para a região, mas um estilo de vida mais lento e simples – evidentemente, para aqueles que podem pagar – distante das megalópoles japonesas.
Imagine se a luz, além de nos permitir enxergar o mundo, fosse também capaz de transmitir informações e significados. Padrões mensuráveis de iluminação natural, traduzidos em níveis de ‘lux’ recomendados para determinadas tarefas, levaram a uma compreensão quantitativa da luz. No entanto, a arquitetura se apropria da luz natural não apenas para cumprir requisitos formais e padrões matematicamente calculados. A iluminação natural é utilizada, sobretudo, para transmitir emoções, revelar espaços e construir atmosferas. Dito isso, poderíamos afirmar que a iluminação é uma forma de linguagem utilizada pelos arquitetos para se comunicar com as pessoas? Desde uma perspectiva semiótica, poderemos melhor compreender como a luz e a sombra contribuem para a construção de significado na arquitetura.