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Teoria: O mais recente de arquitetura e notícia

Sobre o deslocamento do corpo na arquitetura: o Modulor de Le Corbusier

Em 1948 o arquiteto Charles-Édouard Jeanneret-Gris - mais conhecido como Le Corbusier -, lançou uma de suas publicações mais famosas, intitulada O modulor, seguida por O modulor 2 em 1953. Nesses textos, Le Corbusier fez conhecer sua abordagem às investigações que tanto Vitruvio quanto Da Vinci e Leon Battista Alberti haviam começado, em um esforço por encontrar a relação matemática entre as medidas do homem com a natureza.

As pesquisas dos autores previamente mencionados representam também uma busca por explicar os Partenons, templos indígenas e as catedrais construídas a partir de medidas precisas que faziam referência a um código do que se entendia como essencial. Saber de quais instrumentos se dispunha para encontrar a essência dessas construções era o ponto de partida, e parecia se tratar de instrumentos que transcendiam o tempo. Não parece tão estranho dizer que as medidas que se empregaram foram, em essência, partes do corpo, como cotovelo, dedo, polegada, pé, braço, palma, etc. Inclusive, existem instrumentos e medidas que levam nomes que aludem ao corpo humano, o que indica que a arquitetura não está longe de ser reflexo do mesmo.

Plataforma online mostra a cronologia do urbanismo no Brasil e no mundo a partir do século XIX

Desenvolvida por pesquisadores das universidades ferais do Rio de Janeiro (UFRJ) e Bahia (UFBA), Cronologia do Pensamento Urbanístico é uma plataforma online ativa desde 2003 que reúne eventos históricos, projetos, fatos relevantes e publicações relacionadas à história do urbanismo no Brasil e no mundo.

A natureza como coautora em projetos de arquitetura

Lidar com o contexto onde está inserido um projeto é parte essencial do exercício da arquitetura, seja negando ou incorporando os elementos preexistentes e as condicionantes do entorno nas propostas. Apesar dessa constante, entender o que há em volta como atuante direto nas decisões de desenho e organização do espaço vai além de simplesmente considerar boas vistas, ventilação natural ou orientação, trata-se de enxergar essas condições como agentes ativas nos projetos, isto é, como coautoras.

Os casos em que essa prática se faz mais notável são provavelmente aqueles que pensam os elementos da natureza nesse papel atuante, e essa é a postura adotada por alguns escritórios como verdadeiro partido inicial para o desenho dos espaços.

Por que é necessário teorizar a arquitetura hoje?

Em geral, as publicações e as discussões de arquitetura radicam em análises da forma, sejam estas janelas, portas, interiores, exteriores ou projetos completos; em suma, a análise dos volumes arquitetônicos que conformam a obra propriamente dita.

O desenvolvimento arquitetônico da obra é uma leitura, uma interpretação da realidade atual. É a "atualidade" versus o talento próprio do arquiteto-artista que, finalmente, se expressa na forma de um projeto arquitetônico por materializar-se, é a obra de arquitetura proposta e, em muitos casos, realizada. No entanto, a teorização ou reflexão abstrata sobre "campos relevantes para a arquitetura" propõe novas oportunidades de abertura no exercício da profissão e do ofício, que permitem novas formas de projetar tanto no imediato quanto no futuro.

Sobre a (ausência de) crítica na arquitetura: ou, por que temos que ler mais que apenas o título

Reinventar-se ou morrer: a transformação dos shoppings sob o novo paradigma econômico/urbano

Nesta colaboração, o escritório espanhol Ecosistema Urbano analisa o auge e a decadência do shopping como tipologia autenticamente estadunidense do século XX e com amplo êxito comercial no restante do mundo, apesar de não sofrer alterações significativas em "seus espaços, soluções e elementos".

Segundo os autores, esta tipologia atualmente atravessa um momento de inflexão por conta dos novos paradigmas econômicos e urbanos que os obrigam a reinventar-se ou morrer. Por isso, a propósito de um encargo profissional, planejam uma série de estratégias de revitalizações ("ou questionamentos de sua própria identidade") em um shopping nos arredores de Barcelona (Espanha) que busca sua "reconfiguração através da introdução de novos programas em uma tentativa de convertê-lo em um espaço muito mais público, sendo capaz de atrair usuários que, de outra maneira, não viriam".

Leia este artigo a seguir.

El centro comercial Santa Monica Place, que gracias a la sostenibilidad de su transformación ha recibido la certificación LEED. Image Cortesía de Macerich (Creative Commons) A cultura americana do carro promoveu a tendência de centros comerciais suburbanos. Image via Malls of America A comida como catalisador social. Image © Ecosistema Urbano Edifício para experimentar e descubrir.. Image © Ecosistema Urbano + 13

Frustração e reconhecimento na arquitetura

Diferente de muitas outras artes, a arquitetura guarda algumas singularidades que só poderiam encontrar respaldo em um campo que, por natureza, se coloca como uma combinação de outros campos. De início, chamá-la de arte pressupõe afastar o foco de sua natureza técnica e social, voltando-o para questões relativas à liberdade artística e experimentações formais daqueles que a concebem. Falso se tomado como único modo de compreender e abordar a arquitetura, mas verdadeiro se visto como um dos modos de fazê-lo.

Há uma peculiaridade na arquitetura como arte, se a tomarmos em comparação com outras artes: o não-reconhecimento do “artista”. A produção de outros campos, ao atingir determinado grau de reconhecimento e legitimação dentro do próprio campo, extrapola seus limites e passa a fazer parte do conhecimento daquilo que se pode chamar de “público” – ou, pessoas de fora do campo, ou ainda, leigos.

XX Bienal Panamericana de Arquitetura de Quito: Premiados das Categorias 'Teoria, História e Crítica' e 'Publicações Periódicas Especializadas'

Nesta quarta-feira, 16 de novembro, foi divulgado o resultado do Concurso da XX Bienal Panamericana de Arquitetura de Quito.

Divididos em 6 categorias, os jurados selecionaram uma série de projetos e publicações que se destacaram como sendo uma contribuição real para seus respectivos entornos.

Apresentamos, em seguida, os vencedores nas categorias (E) Teoria, História e Crítica da Arquitetura,Urbanismo e do Paisagismo e (F) Publicações Periódicas Especializadas.

Micro-utopias: Notas sobre radical e critical design

Critical Design foi o termo criado em 1999 por Anthony Dunne, designer e professor do Royal College of Art de Londres, em seu livro Hertzian Tales: Electronic Products, Aesthetic Experience, and Critical Design. Posteriormente foi apropriado e utilizado por teóricos, artistas e outros alinhados a esse projeto crítico, especulativo e ficcional. Dune e sua parceira Fiona Raby, seguiram a trilha do Radical Design italiano das décadas de 1960 e 1970 [1].

Radical Design foi o movimento que à sua época integrou arte, design e arquitetura das vanguardas italianas imersas em uma cultura pop pós-moderna influenciada sobretudo pelas experimentações e colagens dos ingleses do Archigram.

Inscrições abertas para o curso "Arquitetura Contemporânea Internacional" em Porto Alegre

Quatro encontros analisarão criticamente a arquitetura contemporânea internacional por meio das obras de Rem Koolhaas, SANAA, Toyo Ito, Souto de Moura, Álvaro Siza e Peter Zumthor. Outros arquitetos – como Lacaton & Vassale Sou Fujimoto – complementarão e ilustrarão as discussões.

O curso permitirá o aprofundamento sobre conceitos fundamentais dos arquitetos destacados, compreendendo interações entre teoria e prática a partir do estudo de projetos e textos. Entre os assuntos explorados, destaca-se a relação entre arquitetura contemporânea e cidade histórica, além das origens modernas da produção no pós-guerra.

Rem Koolhaas e os tempos de violência

Nas linhas abaixo tentaremos elucidar algumas associações e relações entre a obra de Rem Koolhaas e o filme Pulp Fiction (Tempos de Violência), de Quentin Tarantino. Todavia, cabe antes uma breve explicação do porquê do confronto entre o arquiteto e o diretor – e mais, da arquitetura e do cinema.

Os questionamentos que unem esses dois campos aparentemente distintos são muitos, como já mostramos nos artigos sobre os vídeos de arquitetura e vídeos de cidades. Buscaremos suporte desta vez nas ideias de Roemer van Toorn em seu artigo Architecture Against Architecture. Radical Criticism Within Supermodernity, que nos diz que um filme captura o tempo, o espaço e o movimento em uma representação fictícia, mas que pode também oferecer instrumentos para a discussão da realidade.

É na discussão da realidade através da linguagem cinematográfica que confrontaremos Koolhaas e Tarantino.

Inscrições abertas para o curso "Confrontos [ideias e práticas urbanísticas]"

O curso livre Confrontos [ideias e práticas urbanísticas] tem por objetivo dar uma visão geral das principais teorias do campo de urbanismo e de desenho urbano que permearam a literatura e a prática ao longo do século XX, com foco na atuação do arquiteto urbanista. A premissa é a de que não há uma corrente única, ou pensamento singular, que alcance a complexidade da intervenção urbana.

Imobilidade Substancial / Rafael Moneo

Sempre me impressionou a definição que de arquitetura dava o teórico chileno Juan Borchers quando dizia que a arquitetura é “a linguagem da imobilidade substancial”. Sou consciente de que tal definição sublinha, uma vez mais, a vigência que para uma definição da arquitetura tem a noção de linguagem. Porém o que mais me surpreende de tal definição é o conceito de “imobilidade substancial” em que a definição de Borchers se fundamenta.

Problema de Architectura Civil (1777) / Mathias Ayres Ramos

Ainda duraõ hoje alguns dos amphitheatros, que a soberba Romana edificou para divertir hum povo soberbissimo. Ainda se mostraõ os vestigios das estradas famozas, que sahindo da Cidade capital daquelle Império, hiaõ ter a outras capitaes da sua vasta dominaçaõ. Ainda existem as magestozas piramides do Egypto. A voracidade dos seculos naõ tem podido anihilar tantos illustres monumentos; antes guardaõ nas ruinas hum authentico signal da sua grandeza; como se naquelles tristes restos quizessem competir com o tempo em duraçaõ; ou como se o tempo naõ tivesse força para os destruir, nem actividade para os acabar. Felices edificios, cujos fragmentos destroçados servem para conservar inteira a memória da sua pompa: e assim, que importa que a vicissidaõ das cousas lhes tenha feito perder o esplendor primeiro, se ainda sem uso, e depois de extincto o fim para que foraõ levantados, tem no mesmo abatimento tudo o que basta para infundir respeito; sendo maravilhas raras, ainda no estado inútil em que se achaõ, e sendo admiráveis nesse pouco que agora saõ, independentemente do muito que já foraõ?

Reflexões sobre a Utilidade em Arquitetura

Que forma tem o uso?
O arquiteto pensa em ambos, porém só a forma se concretiza.
E por isso põe sobre ela mais atenção e dedicação.

O Sistema de Proporções ‘Fugal’ de Palladio / Rudolf Wittkower

Às mentes dos homens da Renascença as consonâncias musicais eram os testes audíveis de uma harmonia universal que mantinha um elo de união entre todas as artes. Essa convicção não era só profundamente enraizada na teoria, mas também –e isso é agora usualmente negado– traduzida na prática. É verdade, que em tentando provar que um sistema de proporções há sido deliberadamente aplicado por um pintor, um escultor ou um arquiteto, você é facilmente induzido a encontrar aquelas razões [ratios] que você estabelece para encontrar. Na mão dos acadêmicos, compassos não giram. Se quisermos omitir a armadilha da especulação inútil temos que buscar a orientação inequívoca dos artistas mesmos. Estranhamente, nenhum acadêmico até agora tentou fazer isso. Tal orientação não é muito comum, mas um cuidadoso levantamento certamente renderia considerável evidência. Deve-se, sobretudo, ser capaz de decifrar e interpretar as indicações do artista. Um exemplo deve mostrar o que quero dizer.

Elementos e Teoria da Arquitetura: Princípios Diretores / Julien Guadet

Eu poderia resumir em um mote minha lição de abertura: procurei fazer-lhes ver toda a elevação de seus estudos. Se vocês houverem saído dessa sessão com o coração mais alto, o pensamento mais ambicioso, eu não haverei perdido meu tempo.

Hoje me propus expor-lhes – tanto que possível – os princípios gerais que deverão sempre presidir seus estudos. Quero que percebam vocês mesmos a unidade desses estudos em aparência tão diversos. Vocês exercitarão hoje uma igreja, amanhã um teatro; seus programas são ora severos, ora mundanos; seus terrenos, restritos e fechados numa vila, ou livres e aerados à campanha: essa diversidade é necessária para criar em vocês a versatilidade e a engenhosidade; mas além desses estudos do dia e da hora presente, há o estudo superior e permanente: o de sua arte, em todas as ocasiões, o de vocês mesmos. Esse estudo é a meta verdadeira, e é a unidade de seus trabalhos; é o domínio desses princípios dos quais falei, que serão suas guias, sua salvaguarda, sua luz.