Florença, Itália. Foto de Jonathan Körner, via Unsplash
Pouco mais de quatro meses após o primeiro caso confirmado de coronavírus no Brasil, e cerca de três meses e meio após os primeiros decretos da quarentena, muitas cidades ainda mantêm medidas restritivas como forma de promover o isolamento social. Apesar da recente flexibilização que alguns estados e municípios têm adotado, as mudanças no cotidiano de arquitetos e estudantes permanecem e a popularidade de atividades remotas, como os cursos online, tem crescido nos últimos meses.
Enquanto muitos escritórios de arquitetura se encontram diante de demandas reduzidas e obras paradas, estudantes estão com aulas interrompidas ou transferidas para a modalidade online. Com mais tempo livre, seja pela diminuição dos deslocamentos ou pela redução de atividades, estudantes e arquitetos têm buscado nos cursos online uma forma de aprimorar ou ampliar conhecimentos em ferramentas, programas e conteúdos teóricos.
Surgido em 1981 com a publicação do ensaio “The Grid and the Pathway” de Alexander Tzonis e Liane Lefaivre, foi com a publicação “Towards a Critical Regionalism: six points for an architecture of resistance” de Kenneth Frampton, em 1983, que o termo “regionalismo crítico” ganhou maior repercussão. O ensaio foi publicado na coletânea “The anti-aesthetic: essays on Postmodern culture” organizada pelo crítico e historiador Hal Foster e abre um debate retomado na publicação "Prospects for a Critical Regionalism", também escrita por Frampton no mesmo ano, na revista Perspecta.
O aumento da passagem do metrô de Santiago em 30 pesos (4 centavos) foi o início de uma agitação social no Chile que, após dias de evasões em massa e manifestações espontâneas, explodiu na sexta-feira, 18 de outubro. Naquele dia, o sistema Metro entrou em colapso, os protestos se multiplicaram e os saques e incêndios saíram fora de controle. Na mesma noite, o Estado de Exceção Constitucional declarado pelo presidente Sebastián Piñera encerrou uma sexta-feira obscura.
Edifício da CCTV em Pequim, China. Um enorme balanço estrutural, a dezenas de metros do solo, exigiu pensar no projeto como simbiose entre arquitetura e engenharia. Foto de Photo credit: rudenoon on Visual hunt / CC BY-NC-ND
Comece imaginando uma composição de elementos tendenciosamente verticais. Entre eles, figuras ovóides flutuam entrelaçadas. Condensando tal esquizofrenia (in)formal, tem-se um envoltório cúbico translúcido fatiado horizontalmente em seis partes iguais. Um icônico sistema de coordenadas cartesianas contaminado por bolhas amorfas.
Em 1948 o arquiteto Charles-Édouard Jeanneret-Gris - mais conhecido como Le Corbusier -, lançou uma de suas publicações mais famosas, intitulada O modulor, seguida por O modulor 2 em 1953. Nesses textos, Le Corbusier fez conhecer sua abordagem às investigações que tanto Vitruvio quanto Da Vinci e Leon Battista Alberti haviam começado, em um esforço por encontrar a relação matemática entre as medidas do homem com a natureza.
As pesquisas dos autores previamente mencionados representam também uma busca por explicar os Partenons, templos indígenas e as catedrais construídas a partir de medidas precisas que faziam referência a um código do que se entendia como essencial. Saber de quais instrumentos se dispunha para encontrar a essência dessas construções era o ponto de partida, e parecia se tratar de instrumentos que transcendiam o tempo. Não parece tão estranho dizer que as medidas que se empregaram foram, em essência, partes do corpo, como cotovelo, dedo, polegada, pé, braço, palma, etc. Inclusive, existem instrumentos e medidas que levam nomes que aludem ao corpo humano, o que indica que a arquitetura não está longe de ser reflexo do mesmo.
Desenvolvida por pesquisadores das universidades ferais do Rio de Janeiro (UFRJ) e Bahia (UFBA), Cronologia do Pensamento Urbanísticoé uma plataforma online ativa desde 2003 que reúne eventos históricos, projetos, fatos relevantes e publicações relacionadas à história do urbanismo no Brasil e no mundo.
Lidar com o contexto onde está inserido um projeto é parte essencial do exercício da arquitetura, seja negando ou incorporando os elementos preexistentes e as condicionantes do entorno nas propostas. Apesar dessa constante, entender o que há em volta como atuante direto nas decisões de desenho e organização do espaço vai além de simplesmente considerar boas vistas, ventilação natural ou orientação, trata-se de enxergar essas condições como agentes ativas nos projetos, isto é, como coautoras.
Os casos em que essa prática se faz mais notável são provavelmente aqueles que pensam os elementos da natureza nesse papel atuante, e essa é a postura adotada por alguns escritórios como verdadeiro partido inicial para o desenho dos espaços.
Em geral, as publicações e as discussões de arquitetura radicam em análises da forma, sejam estas janelas, portas, interiores, exteriores ou projetos completos; em suma, a análise dos volumes arquitetônicos que conformam a obra propriamente dita.
O desenvolvimento arquitetônico da obra é uma leitura, uma interpretação da realidade atual. É a "atualidade" versus o talento próprio do arquiteto-artista que, finalmente, se expressa na forma de um projeto arquitetônico por materializar-se, é a obra de arquitetura proposta e, em muitos casos, realizada. No entanto, a teorização ou reflexão abstrata sobre "campos relevantes para a arquitetura" propõe novas oportunidades de abertura no exercício da profissão e do ofício, que permitem novas formas de projetar tanto no imediato quanto no futuro.
https://www.archdaily.com.br/br/900487/por-que-e-necessario-teorizar-a-arquitetura-hojeGonzalo Martínez de Urquidi
https://www.archdaily.com.br/br/879557/sobre-a-ausencia-de-critica-na-arquitetura-ou-por-que-temos-que-ler-mais-que-apenas-o-tituloEquipe ArchDaily Brasil
Southdale Center Circa, retratado por Grey Villet (Minnesota, Estados Unidos), 1956. Image via Shorpy
Nesta colaboração, o escritório espanhol Ecosistema Urbano analisa o auge e a decadência do shopping como tipologia autenticamente estadunidense do século XX e com amplo êxito comercial no restante do mundo, apesar de não sofrer alterações significativas em "seus espaços, soluções e elementos".
Segundo os autores, esta tipologia atualmente atravessa um momento de inflexão por conta dos novos paradigmas econômicos e urbanos que os obrigam a reinventar-se ou morrer. Por isso, a propósito de um encargo profissional, planejam uma série de estratégias de revitalizações ("ou questionamentos de sua própria identidade") em um shopping nos arredores de Barcelona (Espanha) que busca sua "reconfiguração através da introdução de novos programas em uma tentativa de convertê-lo em um espaço muito mais público, sendo capaz de atrair usuários que, de outra maneira, não viriam".
Diferente de muitas outras artes, a arquitetura guarda algumas singularidades que só poderiam encontrar respaldo em um campo que, por natureza, se coloca como uma combinação de outros campos. De início, chamá-la de arte pressupõe afastar o foco de sua natureza técnica e social, voltando-o para questões relativas à liberdade artística e experimentações formais daqueles que a concebem. Falso se tomado como único modo de compreender e abordar a arquitetura, mas verdadeiro se visto como um dos modos de fazê-lo.
Há uma peculiaridade na arquitetura como arte, se a tomarmos em comparação com outras artes: o não-reconhecimento do “artista”. A produção de outros campos, ao atingir determinado grau de reconhecimento e legitimação dentro do próprio campo, extrapola seus limites e passa a fazer parte do conhecimento daquilo que se pode chamar de “público” – ou, pessoas de fora do campo, ou ainda, leigos.
Nesta quarta-feira, 16 de novembro, foi divulgado o resultado do Concurso da XX Bienal Panamericana de Arquitetura de Quito.
Divididos em 6 categorias, os jurados selecionaram uma série de projetos e publicações que se destacaram como sendo uma contribuição real para seus respectivos entornos.
Apresentamos, em seguida, os vencedores nas categorias (E) Teoria, História e Crítica da Arquitetura,Urbanismo e do Paisagismo e (F) Publicações Periódicas Especializadas.
https://www.archdaily.com.br/br/799697/xx-bienal-panamericana-de-arquitetura-de-quito-premiados-das-categorias-teoria-historia-e-critica-e-publicacoes-periodicas-especializadasArchDaily Team
Critical Design foi o termo criado em 1999 por Anthony Dunne, designer e professor do Royal College of Art de Londres, em seu livro Hertzian Tales: Electronic Products, Aesthetic Experience, and Critical Design. Posteriormente foi apropriado e utilizado por teóricos, artistas e outros alinhados a esse projeto crítico, especulativo e ficcional. Dune e sua parceira Fiona Raby, seguiram a trilha do Radical Design italiano das décadas de 1960 e 1970 [1].
Radical Design foi o movimento que à sua época integrou arte, design e arquitetura das vanguardas italianas imersas em uma cultura pop pós-moderna influenciada sobretudo pelas experimentações e colagens dos ingleses do Archigram.
Fotografia: Pedro Kok - Rolex Learning Center / SANAA
Quatro encontros analisarão criticamente a arquitetura contemporânea internacional por meio das obras de Rem Koolhaas, SANAA, Toyo Ito, Souto de Moura, Álvaro Siza e Peter Zumthor. Outros arquitetos – como Lacaton & Vassale Sou Fujimoto – complementarão e ilustrarão as discussões.
Imagem capturada do filme Pulp Fiction (1994) de Quentin Tarantino
Nas linhas abaixo tentaremos elucidar algumas associações e relações entre a obra de Rem Koolhaas e o filme Pulp Fiction (Tempos de Violência), de Quentin Tarantino. Todavia, cabe antes uma breve explicação do porquê do confronto entre o arquiteto e o diretor – e mais, da arquitetura e do cinema.
Os questionamentos que unem esses dois campos aparentemente distintos são muitos, como já mostramos nos artigos sobre os vídeos de arquitetura e vídeos de cidades. Buscaremos suporte desta vez nas ideias de Roemer van Toorn em seu artigo Architecture Against Architecture. Radical Criticism Within Supermodernity, que nos diz que um filme captura o tempo, o espaço e o movimento em uma representação fictícia, mas que pode também oferecer instrumentos para a discussão da realidade.
É na discussão da realidade através da linguagem cinematográfica que confrontaremos Koolhaas e Tarantino.
O curso livre Confrontos [ideias e práticas urbanísticas] tem por objetivo dar uma visão geral das principais teorias do campo de urbanismo e de desenho urbano que permearam a literatura e a prática ao longo do século XX, com foco na atuação do arquiteto urbanista. A premissa é a de que não há uma corrente única, ou pensamento singular, que alcance a complexidade da intervenção urbana.
Ao contrário, a atuação na área de urbanismo existe na defesa de uma posição, sobre a qual não há consenso, há conflito. Por meio de confrontos de ideias de diferentes autores, buscaremos investigar as precedências e mostrar as relações entre estes, às vezes sinérgicas, às vezes em oposição, possibilitando assim que o aluno se posicione de maneira crítica em sua atuação profissional, também, via projeto.
Sempre me impressionou a definição que de arquitetura dava o teórico chileno Juan Borchers quando dizia que a arquitetura é “a linguagem da imobilidade substancial”. Sou consciente de que tal definição sublinha, uma vez mais, a vigência que para uma definição da arquitetura tem a noção de linguagem. Porém o que mais me surpreende de tal definição é o conceito de “imobilidade substancial” em que a definição de Borchers se fundamenta.
Ainda duraõ hoje alguns dos amphitheatros, que a soberba Romana edificou para divertir hum povo soberbissimo. Ainda se mostraõ os vestigios das estradas famozas, que sahindo da Cidade capital daquelle Império, hiaõ ter a outras capitaes da sua vasta dominaçaõ. Ainda existem as magestozas piramides do Egypto. A voracidade dos seculos naõ tem podido anihilar tantos illustres monumentos; antes guardaõ nas ruinas hum authentico signal da sua grandeza; como se naquelles tristes restos quizessem competir com o tempo em duraçaõ; ou como se o tempo naõ tivesse força para os destruir, nem actividade para os acabar. Felices edificios, cujos fragmentos destroçados servem para conservar inteira a memória da sua pompa: e assim, que importa que a vicissidaõ das cousas lhes tenha feito perder o esplendor primeiro, se ainda sem uso, e depois de extincto o fim para que foraõ levantados, tem no mesmo abatimento tudo o que basta para infundir respeito; sendo maravilhas raras, ainda no estado inútil em que se achaõ, e sendo admiráveis nesse pouco que agora saõ, independentemente do muito que já foraõ?