
Diferente de muitas outras artes, a arquitetura guarda algumas singularidades que só poderiam encontrar respaldo em um campo que, por natureza, se coloca como uma combinação de outros campos. De início, chamá-la de arte pressupõe afastar o foco de sua natureza técnica e social, voltando-o para questões relativas à liberdade artística e experimentações formais daqueles que a concebem. Falso se tomado como único modo de compreender e abordar a arquitetura, mas verdadeiro se visto como um dos modos de fazê-lo.
Há uma peculiaridade na arquitetura como arte, se a tomarmos em comparação com outras artes: o não-reconhecimento do “artista”. A produção de outros campos, ao atingir determinado grau de reconhecimento e legitimação dentro do próprio campo, extrapola seus limites e passa a fazer parte do conhecimento daquilo que se pode chamar de “público” – ou, pessoas de fora do campo, ou ainda, leigos.
Exemplos disso são abundantes sobretudo na música, literatura, cinema, teatro e pintura. Saramago é aclamado pela crítica, mas lido e conhecido por muitos; Sofia Coppola não é nome desconhecido para o público leigo; e Radiohead não é ouvido apenas por músicos. O mesmo acontece com artistas cuja qualidade da produção pode (e deve) ser questionada. Assim, Drake está na playlist de pessoas do mundo inteiro e Romero Brito talvez (e infelizmente) seja o artista plástico mais famoso do Brasil.
