Com a chegada do fim de mais um ano, a equipe de curadores do ArchDaily tem o prazer de apresentar a seleção dos melhores desenhos arquitetônicos publicados ao longo de 2023, sem os quais o entendimento dos projetos certamente não seria o mesmo.
A representação gráfica desempenha um papel fundamental tanto no processo projetual - desde os primeiros croquis até os mínimos detalhes construtivos - como na apresentação do projeto a um público mais amplo. Assim, durante o processo de seleção, pudemos observar um rico e variado conjunto de desenhos que fizeram parte das mais de quatro mil publicações de projetos neste ano e, entre eles, tivemos a difícil tarefa de chegar aos mais representativos e inspiradores.
Há oito anos o ArchDaily celebra os melhores desenhos do ano. A edição de 2022 é particularmente especial, pois apresenta uma ampla gama de técnicas e representações no campo da arquitetura. Da pintura tradicional às colagens digitais e desenhos axonométricos, a seleção deste ano agrada todos os gostos.
Diagramas, transposições e espaço: alternativas para a complexidade urbana contemporânea. Créditos: Paco Editorial
Fluxos imateriais caracterizam a condição urbana na era da informação globalizada, intensificando sua complexidade já existente. Tentações de retorno ao passado, o gosto pelo radical ou puramente virtual, acompanham a incerteza em um cenário de profundas transformações sociais. De maneira a intervir de forma perceptível, se faz necessária uma nova coesão dada por um desdobramento diagramático da condição urbana e a superação de leituras urbanas baseadas na forma. Um novo arranjo que visa revelar mais do que a simples soma das partes.
A arquitetura nunca é um acidente. É um esquema cuidadosamente planejado de padrões e estilos que respondem ao ambiente natural, celebram a materialidade e / ou são referenciais de movimentos estilísticos ao longo da história, isto é, todas as formas de entender porque os projetos foram feitos daquela maneira. Existem diferentes maneiras de analisar a arquitetura, por meio do uso de diagramas, padrões, relacionamentos e proporções, para citar alguns. Para arquitetos e leigos, existe um desejo subconsciente de uma estrutura de tomada de decisão no projeto. Como resultado, a arquitetura se tornou um exercício de auto posicionamento - um reflexo microcósmico do mundo ao nosso redor, visto nos projetos que construímos.
Pranchas desenvolvidas pelas equipes lideradas por Bernard Tshumi (esquerda) e Rem Koolhaas (direita) para o concurso internacional do Parc de la Villette em Paris, de 1982-83. Cortesia de Bernard Tschumi Architects e OMA
Participar de concursos de arquitetura pode ser uma boa chance para alavancar um escritório, ou sair um pouco da rotina desenvolvendo ideias que geralmente não passariam pelo crivo de um cliente. Mas, para chamar a atenção dos membros do júri, entre centenas de trabalho, a graficação do projeto desempenha um papel chave. Além de ideias pertinentes aos questionamentos e debates incumbidos é imprescindível uma prancha organizada como síntese do processo. Na tentativa de reunir as ideias de maneira gráfica, uma série de dúvidas surge quanto à maneira de apresentação e como a mesma ajudará na transmissão das ideias contidas no projeto de forma clara para o júri.
Plantas, cortes, elevações, colagens, renderizações, diagramas, textos, elementos gráficos. As dimensões das pranchas não parecem comportar tantas informações. Pensando nisso, reunimos uma série de dicas essenciais ao desenvolvimento de suas pranchas em concursos de arquitetura. Confira a seguir:
A construção de uma expressão gráfica para organizar e comunicar as ideias essenciais é tarefa inerente ao contexto criativo; é um processo de síntese de informação que - na busca por representar e transmitir uma mensagem clara ao receptor - permite identificar e modificar certos aspectos e componentes centrais do desenho.
Os esquemas e diagramas, por suas características, ficam relegados às últimas instâncias do processo de projeto, porém, durante o caminho podem ser uma importante ferramenta de análise e organização. O tempo necessário para conceber e produzir estes elementos gráficos pode resultar na compreensão e avanço do projeto, que por vezes pode tomar direções totalmente novas.
Buscando uma aproximação com os esquemas e diagramas, apresentamos, a seguir, uma série de diferentes casos que podem servir como inspiração:
Se você se lembra das longas horas que passou navegando na web em busca de imagens para seus diagramas e representações arquitetônicas - e de quão entediante essa busca costumava ser - a biblioteca online de ícones The Noun Projectpode ser muito útil.
Se tivéssemos que identificar, categorizar e mapear os escritórios emergentes de arquitetura do século XXI ao redor do mundo, e apresentá-los em um diagrama único, como ele seria? Considerando que o exercício profissional da arquitetura consiste em múltiplas abordagens, atitudes e posturas políticas distintas, como seria possível abranger todas elas? E como seria possível, de centenas de escritórios e empresas emergentes no todo o mundo, não deixar ninguém fora?
A Escola da Cidade – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo promove, em outubro e novembro, a terceira turma do curso livre “O Diagrama como Estratégia Projetual: Teoria e Prática”, organizado pela arquiteta e urbanista Marina Pedreira de Lacerda.
O arquiteto e designer gráfico Yannick Martin, que em outros trabalhos confinou algumas das casas mais icônicas da história da arquitetura dentro de cubos, explora o potencial das linhas e das formas geométricas como ferramentas para estudar a linguagem do diagrama. Ao fragmentar formas simples, Martin busca oferecer novos modos de ver um ícone tão comum e frequentemente empregado cujo potencial, para muitos, passa despercebido.
Um dos exemplos mais proeminentes do movimento De Stijl, a Casa Schröder, projetada por Gerrit Rietveld em 1925, representa um momento radical na arquitetura moderna. Marcada por formas geométricas puras e cores primárias, as características do movimento são evidentes na abordagem do arquiteto a este projeto. Localizada em Utrecht, a casa apresenta elementos modulares e paredes flexíveis que proporcionam um modo de vida em constante mudança, aspectos que ainda hoje influenciam o design e arquitetura.
Por sua importância, a Casa Schröder tem sido objeto de estudo para muitos arquitetos, artistas e historiadores. Inspirado pelo seu projeto revolucionário, o artista Yun Frank Zhang criou uma série de diagramas analíticos e um vídeo para compreender a funcionalidade, as dimensões e os elementos programáticos da casa. Veja, a seguir, as explorações de Zhang.
A Escola da Cidade – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo promove, em abril e maio, o curso livre “O Diagrama como Estratégia Projetual: Teoria e Prática”, organizado pela arquiteta e urbanista Marina Pedreira de Lacerda.
A Escola da Cidade promove, em novembro, o curso livre “O Diagrama como Estratégia Projetual: Teoria e Prática”, organizado pela arquitetura e urbanista Marina Pedreira de Lacerda.
O curso propõe discutir o papel do diagrama como importante ferramenta da prática arquitetônica. “Para compreender toda a potencialidade do diagrama é preciso dominar esse instrumento e isso requer um olhar mais demorado e uma prática mais apurada, pois, principalmente no campo da arquitetura, o diagrama possui diversas atribuições”, explica Marina de Lacerda.
Mês passado, lançamos uma chamada entre nossos leitores para que nos mostrassem seus locais de trabalho. Foi um verdadeiro prazer receber tantas respostas, cada uma mostrando o talento e criatividade particular -- e a incrível abrangência geográfica -- do público do ArchDaily. Veja, a seguir, nossos favoritos (sem ordem específica) e envie suas opiniões e seu próprio desenho na seção de comentários abaixo.
https://www.archdaily.com.br/br/796561/42-croquis-desenhos-e-diagramas-de-espacos-de-trabalho-de-arquitetosAD Editorial Team
Introduzir movimento em desenhos e diagramas é um excelente modo de mostrar o desenvolvimento e progresso das ideias fundamentais de um projeto. GIFs animados podem, portanto, ser ferramentas úteis para melhorar suas apresentações, explicando rapidamente uma grande quantidade de informações.
Quando se trata de desenhos de arquitetura, é fundamental compreender quais informações precisam ser destacadas e qual a melhor forma de fazer isso, eliminando o excesso de dados e focando nos aspectos principais. Com isto em mente, apresentamos a seguir 7 diferentes tipos de GIFs animados que mostram o melhor dos projetos que representam.
Em seu ensaio de 1966, The economics of the coming spaceship Earth, Kenneth Boulding escreveu que "nós estamos no longo processo de uma transição na natureza da imagem que o homem tem de si mesmo e do seu entorno". A afirmação de Boulding ressoa com o surgimento de um novo tipo de desenho arquitetônico: os eco-diagramas dedicados tanto a representar essas relações de mudança quanto a operá-las.
O Studio-X Riorecebe amanhã, 6 de março, Daniel Barber para uma apresentação que irá colocar os diagramas metodológicos de Olgyay and Olgyay neste contexto, enfatizando como os seus desenhos imaginaram uma nova condição para o humano em meio ao aumento de conhecimento sobre a imprevisibilidade do clima global.