Com a chegada do fim de mais um ano, a equipe de curadores do ArchDaily tem o prazer de apresentar a seleção dos melhores desenhos arquitetônicos publicados ao longo de 2023, sem os quais o entendimento dos projetos certamente não seria o mesmo.
A representação gráfica desempenha um papel fundamental tanto no processo projetual - desde os primeiros croquis até os mínimos detalhes construtivos - como na apresentação do projeto a um público mais amplo. Assim, durante o processo de seleção, pudemos observar um rico e variado conjunto de desenhos que fizeram parte das mais de quatro mil publicações de projetos neste ano e, entre eles, tivemos a difícil tarefa de chegar aos mais representativos e inspiradores.
Mais do que paisagens inertes ou cenários inanimados, as cidades constituem-se enquanto personagens ativas e significativas para a construção de muitas narrativas televisivas. Seja em séries ou em telenovelas, mais do que apenas um local onde as tramas se desenrolam, os ambientes urbanos desempenham um papel fundamental para os desdobramentos dos enredos, suas criações, diretrizes e contextos. Mas se, por um lado, as cidades e suas culturas urbanas contribuem para a composição de diversas tramas das telinhas, por outro lado, os programas televisivos também podem ajudar a moldar um certo imaginário idealizado sobre esses espaços urbanos, que geram expectativas irrealistas e reiteram uma série de estereótipos sobre as cidades representadas.
Esquerda: ‘(Re)membering the See Monster’ por Eldry John Infante; Centro: Mapa Arquetográfico da Paisagem Incompleta da Pedra Branca’ de Eugene Tan; À direita: ‘Grundtvig’ de Ben Johnson. Imagem cortesia do Prêmio de Desenho de Arquitetura
O 7º Prêmio de Desenho de Arquitetura celebra a arte do desenho em três categorias principais: manual, digital e híbrido. A competição recebeu quase 250 desenhos de todo o mundo, um recorde, com a maioria das inscrições na categoria à mão.
Os vencedores de cada categoria foram anunciados e serão exibidos no Museu Sir John Soane em Londres, de 31 de janeiro a 3 de março de 2024. O grande vencedor será revelado no dia 29 de janeiro em evento online que precede a abertura da mostra.
Segundo o júri, as tecnologias empregadas pelos participantes para encontrar formas criativas de representar edifícios provocaram discussões profundas entre os jurados, testando a natureza e a definição do desenho arquitetônico.
Courtesy of the South African Pavilion at Biennale Architettura 2023
Na 18ª Exposição Internacional de Arquitetura - La Biennale di Venezia, o Pavilhão da África do Sul explora a representação arquitetônica de estruturas sociais por meio de uma exposição intitulada The Structure of a People. Antes da exposição, os curadores do pavilhão, Sr. Stephen Steyn, Dr. Emmanuel Nkambule e Dr. Sechaba Maape, realizaram uma chamada nacional intitulada Political Animals, com o objetivo de reunir artefatos criados por professores e estudantes de arquitetura para representar as estruturas de suas escolas ou universidades. Os modelos arquitetônicos resultantes, produzidos pela ModelArt, serão exibidos no pavilhão.
Não resta dúvida que as maquetes estão entre as mais antigas formas de representação da arquitetura. No primeiro episódio do ano, o Arquicast conversa sobre esse tema nas publicações e discussões sobre a formação de novos profissionais. Afinal, as maquetes estão presentes em quase todas os lugares, nas exposições de arquitetura, muitas vezes feitas exclusivamente para elas, nos museus, como parte da exposição, e nos escritórios de arquitetura, na maioria das vezes finalizada para o grande dia da apresentação.
A arquitetura utiliza desenhos como forma de comunicação. Seja para representar ideias, comunicar espaços e suas ambientações ou até entender tecnicamente questões construtivas, são muitos os tipos de desenhos e as ferramentas usadas para sua realização. Cabe aos arquitetos encontrar, dentro de seus conhecimentos, preferências e objetivos, a melhor forma de se comunicar. Se, por um lado, os desenhos de obra são mais técnicos, rígidos e normatizados, para que possam servir para a execução construtiva, aqueles usados para o entendimento do projeto pelo cliente, costumam ser mais livres e ter maior apelo visual. É dentro dessa liberdade estética que questionamos: até onde podemos ir com essas representações sem confundir as pessoas?
A representação gráfica, mesmo antes da linguagem e da escrita, foi o primeiro meio de comunicação e significado para a humanidade. O desenho é o ato de substituir a realidade pela representação, ou seja, substituir objetos por imagens codificadas em cada um dos sistemas de representação gráfica.
Na arquitetura, a representação gráfica estimula a imaginação e é a base do pensamento do projeto, uma vez que não só constitui nosso código de comunicação, mas também molda nossa capacidade de nos expressarmos em termos disciplinares. O desenho é primeiro construído na mente do arquiteto e depois transferido para o suporte determinado por qualquer tipo de instrumento.
Cortesia de Juan Barrios Duarte (Labrantía Estudio)
É normal se sentir intimidado pelo número crescente de representações de arquitetura sendo publicadas nas mídias sociais. Somando isso ao funcionamento do famigerado algoritmo, acabamos sendo expostos a publicações que são, em muitos aspectos, semelhantes entre si. Mas para nós, arquitetos, designers e estudantes, as redes sociais não são apenas uma plataforma de networking e divulgação de nossos trabalhos, elas servem também como fonte de inspiração. Se o algoritmo não está nos ajudando a conhecer coisas novas e diferentes, cabe a nós procurá-las.
Os renders, enquanto composições capazes de comunicar o aspecto tridimensional de um projeto a partir de um suporte bidimensional — isto é, a imagem — permitem uma noção prévia do que a obra arquitetônica ainda virá a ser. Mas, ao contrário do que muitas vezes se imagina, a renderização não é sinônimo de uma representação realista da arquitetura.
Por se tratar de uma ferramenta de comunicação projetual, um render pode assumir diferentes estilos a depender não apenas do projeto em questão, mas também do público a quem é direcionado e, além de tudo, da identidade do arquiteto, arquiteta ou escritório de arquitetura responsável pela obra.
Em tempos de grande esforço comercial, onde cada vez mais, ideias em Arquitetura parecem inclinar-se a representação hiperrealista, na tentativa de convencer seus clientes (ou júri, no caso de concursos de arquitetura) de que a futura execução trará tamanha qualidade quanto a fantasia da imagem, os renderings assumem alto grau de importância na apresentação dos projetos.
Por esta perspectiva, é comum que anualmente haja novas atualizações, bem como o surgimento de novos programas especializados em renderizações, ferramentas capazes de atingir resultados tão impressionantes que chegam a confundir as imagens finais com fotografias, cruzando o irreal com a noção de ultra realidade.
The Twelve Ideal Cities- 1971. Image via Fondazione MAXXI
Nos anos 1960, Cristiano Toraldo di Francia e Adolfo Natalini, então estudantes de arquitetura da Universidade de Florença, assumiram um posicionamento pungente e questionador em relação à disciplina da arquitetura, despertando uma onda revolucionária que viria a se espalhar rapidamente por toda a Europa. Inspirados em histórias de fantasia e ficção científica e buscando encontrar respostas para os principais problemas de sua época, a dupla que se autodenominava Superstudio, buscou continuamente reinventar o próprio significado do que é ser um arquiteto. Os projetos desenvolvidos pelos dois logo chamaram a atenção da comunidade internacional de arquitetos, uma abordagem que ficaria conhecida como “anti-arquitetura”, uma estratégia concebida para direcionar as atenções não para o conteúdo formal dos projetos em si, mas para o campo do debate político, elaborando críticas ferrenhas ao capitalismo e ao idealismo modernista. Em suas propostas, o Superstudio propunha edifícios e cidades onde os seres humanos parecem se desconectar do tempo, do lugar onde vivem e principalmente, das necessidades impostas por uma sociedade baseada em consumo de massa.
"Timber Hearth" Building System / Space Popular. Cortesia de Space Popular
As plantas e cortes humanizados podem ser entendidos como uma espécie de tradução da linguagem técnica construtiva para uma linguagem mais acessível àqueles não familiarizados ao desenho arquitetônico. Isto é, são responsáveis por levar a escala do homem para o projeto, não apenas por meio da figura humana, mas também pela presença de móveis, texturas e demais aspectos da arquitetura que a humanizam e tornam sua representação mais intuitiva.
Edifícios mistos são dispositivos urbanos que se caracterizam pela diversidade de usos. Eles compartilham uma existência repleta de obstáculos e contratempos e, aqueles que conseguem ser construídos, resistem como verdadeiros sobreviventes de uma espécie vigorosa que cresce em lugares de oportunidade, abrindo caminho através da especulação imobiliária.
Para explicar seus projetos e decisões de desenho de forma clara e coerente, arquitetos devem empregar ferramentas criativas e dinâmicas de representação, além das palavras e técnicas tradicionais já usadas. Isso faz parte do trabalho. A qualidade dos desenhos - sejam simples ou complexos - é fundamental para recepção das ideias. A mídia digital permitiu novas formas de representação, incluindo animações e a adição de uma nova dimensão em uma única imagem: os processos de projeto.
Gifs animados podem oferecer a mesma quantidade de informação técnica presente em um corte, mostrar a distribuição do programa tão claramente quanto um diagrama, e apresentar as diretrizes projetuais da mesma forma que um masterplan, além disso, podem representar o progresso e a cronologia do projeto.
Os 30 projetos reunidos a seguir usam gifs animados como uma ferramenta para representar o processo de projeto, detalhes construtivos, uso de camadas e sequências espaciais internas.
A construção de uma expressão gráfica para organizar e comunicar as ideias essenciais é tarefa inerente ao contexto criativo; é um processo de síntese de informação que - na busca por representar e transmitir uma mensagem clara ao receptor - permite identificar e modificar certos aspectos e componentes centrais do desenho.
Os esquemas e diagramas, por suas características, ficam relegados às últimas instâncias do processo de projeto, porém, durante o caminho podem ser uma importante ferramenta de análise e organização. O tempo necessário para conceber e produzir estes elementos gráficos pode resultar na compreensão e avanço do projeto, que por vezes pode tomar direções totalmente novas.
Buscando uma aproximação com os esquemas e diagramas, apresentamos, a seguir, uma série de diferentes casos que podem servir como inspiração:
Ferramentas contemporâneas de visualização oferecem imagens excepcionais e se mostram cruciais para a representação arquitetônica hoje em dia. No entanto, alguns optam por explorar o tema de outras formas, em vez de mergulhar na "colagem pós-digital", abrindo diferentes instâncias do desenho.
Criado como uma experimentação de narrativas visuais, (ab)Normal é uma colcha de retalhos gráfica que expressa design, cenografia, ilustração, arquiteturas e utopias sociais de uma cultura que gira em torno da internet, jogos e religião. As imagens iconográficas, que se concentram particularmente na representação arquitetônica, exploram os potenciais de renderização, desconstrução e remontagem do foto-realismo com novas hierarquias.
Fiz parte da última geração de estudantes de arquitetura que não usava computadores (estamos falando apenas do início dos anos 90 aqui; havia eletricidade, televisões coloridas, foguetes, só nada de renderizações.) No meu último ano na faculdade, calculei mal quanto demoraria para terminar meu projeto de graduação. À medida que o prazo se aproximava, percebi que era tarde demais para me comparar às apresentações de meus colegas. Na época, Zaha Hadid e suas pinturas desconstrutivistas definiam o estilo da ilustração arquitetônica. Isso significava que muitos projetos de estudantes eram renderizados em tintas a óleo em grandes telas.
Com a missão de fornecer ferramentas e inspiração para arquitetos em todo o mundo, os curadores do ArchDaily estão constantemente em busca de novos projetos, ideias e novas formas de expressão. Nos últimos três anos, o ArchDaily apresenta as melhores descobertas do nosso ano e, nesta oportunidade, queremos compartilhar os melhores desenhos de arquitetura publicados durante este ano.
Qual é o papel do desenho contemporâneo na arquitetura? Abordamos a definição de desenho como projeto em si. Desenhos são usados para explicar princípios, fornecer idéias, para construir nova arquitetura e para documentar processos criativos.
Abaixo, você verá a seleção dos desenhos organizados em seis categorias: Contexto, Desenhos Arquitetônicos, Croquis e Desenho à Mão, Colagens Digitais, Desenhos e Diagramas Conceituais e Gifs Animados. Cada desenho escolhido reforça a construção proposta ou aprimora o trabalho construído.
Você também pode revisar as coleções de anos anteriores aqui ou outras postagens relacionadas a desenhos selecionadas pelos nossos editores no link a seguir.