Camilla Ghisleni

Camilla Ghisleni é Arquiteta e Urbanista, formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e Mestre em Urbanismo, Cultura e História da Cidade pela mesma universidade. É sócia-fundadora do escritório Bloco B Arquitetura e colabora com o ArchDaily Brasil desde 2014.

NAVEGUE POR TODOS OS PROJETOS DESTE AUTOR

Tecnologia para quem? Os custos para acessar as ferramentas de representação arquitetônica

Dois mil e quinhentos reais é o preço médio de um bom óculos para realidade virtual. Se você optar pela experiência completa, desembolse mais quatro mil reias e adicione sensores e controles. Esses modelos precisam ser conectados a um computador de alto desempenho para processar as informações e transformar os espaços em modelos 3D que custará pelo menos cinco mil reais. Além dos óculos, sensores e computador, será necessário também um software, com licenças anuais que atingem igualmente a casa dos milhares. Ou seja, é um tanto quanto oneroso ser tecnológico hoje em dia.

A beleza da simplicidade: conhecendo a obra de Lins Arquitetos Associados

A rede balançando na varanda, a luz do sol transpassando os elementos vazados em uma dança de luz e sombra, a cor vibrante marcando os espaços e trazendo vida, essas são algumas das características presentes no cotidiano das obras do quarteto que forma o Lins Arquitetos Associados.

Clínica Escola FVS / Lins Arquitetos Associados. Foto  © Joana FrançaAcademia Escola Unileão / Lins Arquitetos Associados. Foto  © Joana FrançaJuizado Especial Cível e Criminal de Unileão / Lins Arquitetos Associados. Foto  © Joana FrançaSede do escritório Lins Arquitetos Associados / Lins Arquitetos Associados. Foto  © Joana França+ 10

Diálogos entre arquitetura e contexto: conhecendo a obra do Brasil Arquitetura

Nada mais representativo para um escritório do que carregar o nome do país na sua identidade. Longe de parecer banal, a arquitetura do Brasil no Brasil Arquitetura passa por uma análise minuciosa que destaca aspectos de nossa cultura e sociedade.

Praça das Artes / Brasil Arquitetura. © Nelson KonInstituto Socioambiental – ISA / Brasil Arquitetura. © Daniel DucciMuseu do Pão / Brasil Arquitetura. Museu do Pão / Brasil ArquiteturaCasa Pepiguari / Brasil Arquitetura. © Nelson Kon+ 13

Taxa de permeabilidade: respeitando a legislação e protegendo o meio ambiente

Como uma das primeiras etapas na elaboração de um projeto arquitetônico, o estudo da legislação vigente no terreno é de suma importância para o êxito da proposta. Por meio de cálculos e restrições, as leis de zoneamento apresentam limites a serem considerados no projeto que, consequentemente, instigam os arquitetos a pensarem em soluções inteligentes, lidando de maneira prática e criativa com tais limitações.

Esses parâmetros são ditados pelo poder público e têm como objetivo frear, manter ou acelerar o crescimento urbano de determinada porção da cidade. São normas que estabelecem diretrizes para a ocupação do solo delimitando a porcentagem de área construída, recuos, afastamentos, permeabilidade do terreno, entre outros.

Casa MJA / Pereira Miguel Arquitectos. © Fernando Guerra | FG+SGResidência Pátio / Arquitetura Gui Mattos. © Carolina LacazResidência FL / Anastasia Arquitetos. © Bruno PinheiroCasa MJA / Pereira Miguel Arquitectos. © Fernando Guerra | FG+SG+ 19

Leveza e precisão: conhecendo a obra de Carla Juaçaba

Precisão técnica aliada à preocupação ambiental e caráter exploratório e investigativo fazem de Carla Juaçaba uma das grandes representantes da arquitetura latino-americana na atualidade. Carioca, nascida em 1976, Carla Juaçaba frequentou a Universidade de Santa Úrsula e atribui à essa instituição de ensino muito do seu estilo experimental e interdisciplinar. Não é à tona que durante a sua formação acadêmica seus grandes mestres inspiradores foram o arquiteto Sergio Bernardes e a artista plástica Lygia Pape, insinuando seu interesse pelas múltiplas ramificações disciplinares que podem compor a arquitetura. Nesse sentido, ainda na graduação, Carla trabalhou em conjunto com arquiteta Gisela Magalhães, da geração de Oscar Niemeyer, em projetos de cenografia e expografia.

Casa Rio Bonito / Carla Juaçaba. © Nelson KonCasa Varanda / Carla Juaçaba. © Fran ParenteCapela para o Pavilhão do Vaticano na Bienal de Veneza 2018 / Carla Juaçaba. Imagem © Laurian GhinitoiuCasa Santa Teresa / Carla Juaçaba. © Federico Cairoli+ 14

50 Tons de verde: as contradições do "greenwashing" na arquitetura

Hoje em dia tudo é “pintado” de verde. São embalagens verdes, tecnologias verdes, materiais verdes, automóveis verdes e, claro, arquitetura verde. Uma “onda verde” estimulada pela crise ambiental e energética que estamos enfrentando, com destaque para as mudanças climáticas e todas as consequências atreladas ao aquecimento do planeta. Situação calamitosa confirmada pela segunda parte do relatório intitulado Mudanças Climáticas 2022: Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade elaborado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) eapresentado nas últimas semanas. Nele revela-se que, embora os esforços de adaptação estejam sendo observados em todos os setores, o progresso implementado até agora é muito baixo, pois as ações tomadas não são suficientes.

Novo relatório do IPCC destaca impactos e vulnerabilidades ligados às mudanças climáticas. favela em Bangladesh. Imagem cortesia de UN HabitatFoto de <a href="https://unsplash.com/@brian_yuri?utm_source=unsplash&utm_medium=referral&utm_content=creditCopyText">Brian Yurasits</a> via <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&utm_medium=referral&utm_content=creditCopyText">Unsplash</a>   Foto de <a href="https://unsplash.com/@chuttersnap?utm_source=unsplash&utm_medium=referral&utm_content=creditCopyText">CHUTTERSNAP</a> via <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&utm_medium=referral&utm_content=creditCopyText">Unsplash</a>   Foto de <a href="https://unsplash.com/@thinkwynn?utm_source=unsplash&utm_medium=referral&utm_content=creditCopyText">Siân Wynn-Jones</a> via <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&utm_medium=referral&utm_content=creditCopyText">Unsplash</a>   + 7

Antítese da arquitetura hostil: projetos que contribuem para a hospitalidade urbana

Em 2014, quando o repórter do jornal britânico The Guardian ­– Ben Quinn ­– abriu os olhos de cidadãos de todo o mundo para práticas hostis de desenho urbano, cunhando o que viria a ser conhecido como fenômeno da “arquitetura hostil”, não se esperava uma repercussão tão grande. Vieram à tona inúmeras estratégias de desenho urbano que coíbem a participação do cidadão e segregam sua apropriação da cidade, elementos que restringem certos comportamentos e dificultam o acesso e a presença de determinadas camadas da sociedade. Códigos de conduta ditados pelo desenho urbano que vão contra tudo o que se estuda sobre urbanismo de cidades democráticas e hospitaleiras, tal qual Jan Gehl e Jane Jacobs.

Praça da Saudade / Natureza Urbana. © Meireles JuniorSorveteria Sorvete da Reserva / PORO Arquitetura. © Igor RibeiroPraça das Artes / Brasil Arquitetura. © Nelson KonMercado de rua Dandaji / atelier masōmī. © Maurice Ascani+ 17

O que é urbanismo ecológico?

Segundo a arquiteta e pesquisadora Patrícia Akinaga, o urbanismo ecológico surgiu no final do século XX como estratégia para criar uma mudança de paradigma no que diz respeito ao desenho das cidades. Com isso, os projetos urbanos deveriam ser pensados a partir das potencialidades e limitações dos recursos naturais existentes. Ao contrário de outros movimentos anteriores, no urbanismo ecológico a arquitetura não é o elemento estruturador da cidade — a própria paisagem o é. Ou seja, as áreas verdes não devem existir apenas para servir ao embelezamento dos espaços, mas como verdadeiros artefatos de engenharia com potencial de amortecimento, retenção e tratamento das águas pluviais, por exemplo. Com o urbanismo ecológico, o desenho urbano passa a ser definido pelos elementos naturais intrínsecos ao seu tecido.

Parque Manancial de Águas Pluviais / Turenscape. Imagem cortesia de TurenscapeCidade colombiana transformou 18 ruas e 12 hidrovias em paraísos verdes. Imagem cortesia de CicloVivoParque Urbano da Orla do Guaíba / Jaime Lerner Arquitetos Associados. © Arthur CordeiroProjeto de Reutilização da Água do Sydney Park / Turf Design Studio, Environmental Partnership, Alluvium, Turpin+Crawford, Dragonfly and Partridge. © Ethan Rohloff Photography+ 8

9 Áreas de atuação para arquitetos além do projeto

Você já deve ter ouvido algum colega arquiteto afirmar que escolheu cursar arquitetura pelas inúmeras possibilidades de atuação que este diploma permite. O campo da arquitetura é, de fato, muito extenso, por meio do qual é possível enveredar não apenas pelas atribuições mais “tradicionais”, mas também se aventurar em diversas especificidades que compreendem o papel do arquiteto e urbanista.

Casa Ncaved / MOLD Architects. Foto: © Yiorgis YerolymbosUrbanização do Jardim Vicentina / Vigliecca & Associados. © Leonardo FinottiCasa H / Felipe Assadi Arquitectos. © Fernando AldaSistema de cordas: Reforço estrutural para construções em adobe. © Camilo Giribas+ 14

O que é concreto carbono?

Visto como uma das grandes promessas para o futuro da construção civil, o concreto carbono mescla resistência, leveza e flexibilidade. Além disso, em uma época marcada por uma grave crise ambiental que põe em xeque os métodos construtivos da indústria civil, o concreto carbono surge como uma alternativa que se aproxima das diretrizes da sustentabilidade.

Estratégias passivas de conforto térmico aplicadas em projetos residenciais

Foi-se o tempo em que eram bem vistas as arquiteturas que se fechavam para dentro de si, nas quais seu envoltório seria, não como um moderador do clima exterior no ambiente interno, mas uma barreira inerte e independente. Inúmeros equipamentos mecânicos, elétricos para ventilar, para aquecer, para resfriar. Uma completa máquina.

Hoje se pensa cada vez mais na interação da arquitetura com meio no qual está inserida, fazendo com que nós arquitetos assumamos a responsabilidade do conforto térmico dos ambientes, utilizando estratégias de projeto para uma climatização natural.

Casa LLP / Alventosa Morell Arquitectes © Adrià GoulaCasa FVB / Claudia Haguiara Arquitetura © Christian MaldonadoCasa Soul Garden / Spacefiction Studio © Monika Sathe PhotographyCasa entre árvores / El Sindicato Arquitectura © Andrés Villota+ 17

Arquitetura para envelhecer: a ascensão do cohousing como alternativa contra a solidão e dependência

Estamos passando por um período de transição demográfica, e isso, todos nós já sabemos. O crescimento da população acima de 60 anos vem sendo exponencial, entretanto, não é apenas o aumento demográfico que deve ser considerado, mas também o novo perfil dessas pessoas – afinal, não se faz mais idosos como antigamente.  

Complexo Social em Alcabideche / Guedes Cruz Arquitectos. © Ricardo Oliveira AlvesComplexo Social em Alcabideche / Guedes Cruz Arquitectos. © Ricardo Oliveira AlvesKaze No Machi Miyabira / Susumu Uno/CAn + Met Architects. © Hiroshi UedaResidential Care Home Andritz / Dietger Wissounig Architekten. © Paul Ott+ 16

O que são cidades compactas?

A cidade compacta diz respeito ao modelo urbano associado a uma ocupação mais densificada com a consequente sobreposição de usos (residências, comércios e serviços) e o favorecimento do deslocamento de pedestres, ciclistas e usuários do transporte público. Amsterdã e Copenhague são exemplos conhecidos de tal modelo.

Por que algumas casas são elevadas do solo?

A estratégia de elevar as casas do solo ganhou popularidade na década de 1920 quando Le Corbusier anunciou as estruturas sobre pilotis como um dos cinco pontos da arquitetura moderna. Uma grande contribuição, principalmente na questão urbana, pois possibilita a criação de um espaço livre com maior conexão entre âmbito público da rua e o privado da edificação. A sua icônica Villa Savoye é um exemplo paradigmático do emprego de pilotis que preserva o terreno natural e, como o próprio Le Corbusier afirma, assenta a casa sobre a grama como um objeto, sem molestar nada. Além disso, os pilotis também serviram como estratégia para o fluxo de veículos, o que pode ser visto na – igualmente emblemática – Casa de Vidro da Lina Bo Bardi e seus esbeltos tubos de aço. Dispostos em uma modulação de quatro módulos de largura por cinco de profundidade, eles mantêm a casa como uma caixa transparente flutuante em meio a natureza respeitando o terreno e auxiliando no conforto térmico da edificação ao permitir a circulação de ar.

Residência Jatobás / Gesto Arquitetura. © Nelson KonCasa Pipa / Bernardes Arquitetura. © Ruy TeixeiraResidência GN / Miguel Pinto Guimarães Arquitetos Associados. © Andre NazarethCasa Redux / Studio MK27 - Marcio Kogan + Samanta Cafardo. © Fernando Guerra | FG+SG+ 10