Camilla Ghisleni

Camilla Ghisleni é Arquiteta e Urbanista, formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e Mestre em Urbanismo, Cultura e História da Cidade pela mesma universidade. É sócia-fundadora do escritório Bloco B Arquitetura e colabora com o ArchDaily Brasil desde 2014.

NAVEGUE POR TODOS OS PROJETOS DESTE AUTOR

O que é patrimônio material e imaterial?

A palavra patrimônio vem do latim “patrimonium”, na junção das palavras pater (pai) e monium (sufixo que indica condição, estado, ação). Por meio dessa etimologia, entende-se a relação do termo com a ideia de herança, daquilo que era transmitido de geração para geração.

De uma concepção individual e privativa, com o passar do tempo, – mais precisamente no período entre guerras –, o conceito de patrimônio adquiriu uma abordagem abrangente, passando a ser aplicado em diferentes áreas.

Jardins e a reconexão com a natureza: 11 projetos que diluem os limites entre interior e exterior

Os jardins sempre estiveram presentes nas composições arquitetônicas como testemunhas do momento cultural, do status e da religiosidade dos povos. Entretanto, há algumas décadas, é possível perceber um fortalecimento dessa relação entre arquitetura e espaços verdes. Uma situação que culminou em 2020, com grande aumento do protagonismo dos ambientes verdes, muito relacionado a pandemia do Covid-19 e o isolamento social que ela tem provocado.  Nesse sentido, relação da casa com jardim se consolidou, de pequenos vasos em apartamentos no centro das cidades a exuberantes projetos paisagísticos dentro e ao redor de residências, representando – em diversas escalas – a busca pela reconexão com a natureza.

Residência FL / Jacobsen Arquitetura. Imagem © Fernando Guerra | FG+SGResidência Flick / Delution. Imagem © Fernando GomulyaCasa CH / ODDO architects. Imagem © Hoang Le photographyCasa Villa Lobos / Una Arquitetos. Imagem © Nelson Kon+ 13

Espaços sagrados: o que os cemitérios podem dizer sobre nossa história e sociedade?

Cemitério em Guangzhou, China. Photograph by @nk7, found on @fromwhereidroneCimetière parisien de Pantin, Paris, França. Created by @dailyoverview, source imagery: @geomnimapprosCementerio de Nuestra Señora de la Almudena, Madri, Espanha. Created by @overview Source imagery: @maxartechnologies Panteón Civil San Nicolás Tolentino, Cidade do México. Drone por @dronerobert + 7

Memento mori é uma antiga expressão em latim que significa “lembre-se de que você é mortal”. Ao contrário do que parece à primeira vista, os romanos a usavam não para representar uma visão fatalista da morte, mas sim, como uma forma de valorização da vida.

Alguns séculos depois, chegando ao nosso contexto atual, quando o mundo atinge a aterrorizante cifra de 2 milhões de mortos em decorrência da pandemia de Covid-19, o memento mori está mais presente do que nunca.

Cidades policêntricas: um velho novo conceito como futuro urbano pós-pandemia

O ano de 2020 trouxe consigo um turbilhão de desafios, colocando em xeque muitos aspectos da vida cotidiana. Marcados pela pandemia todos nós precisamos, de alguma forma, nos reinventar para resistir a esse momento único. Com a cidade, não foi diferente. A Covid-19, assim como outras doenças infecciosas (peste negra, gripe espanhola, etc.) escancarou a relação entre a sua proliferação e a urbanização. Uma análise fácil de ser feita quando os dados mostram que a propagação do vírus tem sido muito maior em grandes centros urbanos.

Nesse sentido, a crise sanitária tem trazido à tona discussões sobre o modelo de urbanização ao qual nossas cidades são submetidas, um modelo de aglomerações dispersas que prioriza a mobilidade através de veículos automotores. Wilson Ribeiro dos Santos, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas, em artigo elaborado em parceria com Sidney Piocchi Bernardini e Gabriela Celani, afirma que esse modelo de urbanização no qual o comércio e os serviços se concentram no centro da cidade, enquanto áreas estritamente residenciais e os condomínios fechados se situam na periferia, acabou acelerando a dispersão do vírus, pois pessoas de todas as partes da cidade precisam circular diariamente pelo mesmo local, onde trabalham, estudam, vão ao médico, fazem compras etc.

Ko Panyi: uma aldeia flutuando no mar tailandês

Quando se fala em cidade ou suas variações menores, – aldeia, vila, comunidade – somos habituados a evocar cenários estereotipados que correspondem a ruas, carros, construções e, muitas vezes, acabamos esquecendo que sempre podemos nos surpreender com outras formas dotadas de originalidade.

Muito se especula sobre momento exato no qual as cidades foram inventadas, sendo obras abertas, inacabadas e objeto dos mais variados estudos desde então. Há quem pressupõe que sua natureza se deu pela necessidade de proteção, o que fez com que o homem deixasse a vida nômade e se agrupasse em um determinado território a fim de aumentar suas chances de sobrevivência.  

Licensed under the Creative Commons Attribution-Share Alike 4.0 International license. Imagem wikimdeia commons @Ken EckertLicensed under the Creative Commons Attribution 3.0 Unported license. Imagem wikimdeia commons @Александр ПопрыгинLicensed under the Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0 Unported, 2.5 Generic, 2.0 Generic and 1.0 Generic license. Imagem wikimdeia commons @Deror Avi Drone photo courtesy of @jordhammond. + 8

O que é Desenvolvimento Urbano Orientado ao Transporte Sustentável – DOTS ?

Diante da urgência climática a qual estamos vivenciando hoje, nosso modelo de cidade ditado pelo crescimento acelerado e desordenado que favorece a segregação social e impacta negativamente o meio ambiente precisa ser substituído.

Em meio a este cenário, o conceito DOTS, Desenvolvimento Urbano Orientado ao Transporte Sustentável, surge para romper com os padrões de planejamento territorial vigentes. Como o próprio nome diz, o DOTS propõe estratégias de atuação que integram o desenho urbano e o planejamento de transportes e mobilidade podendo ser concretizadas por meio de políticas públicas ou de projetos urbanísticos.

Avenida Paulista aberta aos pedestres e ciclistas. Foto de KyllerCG, via Visual hunt / CC BY-NC-SAModelo de rua completa, São Paulo. Foto: WRI Brasil on Visualhunt / CC BY-NC-SACom sinalização e fiscalização, Curitiba implementou ciclorrota que funciona aos sábados. Foto: Carla Frankl/IPPUCCiclovia em Manaus, AM. Cortesia de Caos Planejado+ 9

O que é permacultura e como ela se aplica à arquitetura?

Ilhas Flutuantes AI-Tahla - Povo Ma'dan (Iraque). Imagem © Esme AllenTêkoa. Cortesia de Sem Muros arquitetura integradaSharma Springs / IBUKU. Imagem © Rio HelmiResidência do Novo Artista em Senegal / Toshiko Mori. Cortesia de Josef and Anni Albers Foundation+ 9

Cuidar da terra, cuidar das pessoas e cuidar do futuro. Estes são os três princípios éticos que orientam a prática da permacultura desde a elaboração do termo, no final da década de 70, pelos ecologistas australianos David Holmgren e Bill Mollison. Esta foi uma época em que o movimento ambientalista ganhou bastante força com o surgimento de diferentes entidades e correntes unidas em uma tentativa de frear a destruição dos recursos naturais do planeta.

Seus três princípios básicos representam a preocupação e cuidado com os recursos naturais, a busca por uma vida social em harmonia com a natureza e criação de sistemas de compartilhamento do uso de recursos naturais.

O que é arquitetura biomimética?

The Living, com sede em Nova York, colaborou com a Ecovative Design, uma empresa que produz tijolos de micélio para substituir o plástico; juntos, eles construíram uma torre de 13 metros de altura no pátio do MoMA. Imagem © Andrew NunesJean Nouvel e OXO Architectes projetam conjunto de uso misto inspirado na forma de uma montanha. Imagem via Compagnie de PhalsbourgJohnson Wax de  Frank Lloyd Wright apresenta colunas que se expandem à medida que sobem, semelhante a folhas de vitória régia que flutuam na superfície da água. Imagem © Wikipedia. Licensed under Public DomainCentro Aquático Nacional de Beijing / PTW Arquitectos. Image © David Gray/Reuters /Landov+ 8

Em 1941, o engenheiro suíço George de Mestral, acompanhado de seu cão, fazia uma das suas caminhadas recorrentes pelos Alpes quando observou que as sementes de uma determinada espécie dotada de espinhos e ganchos colavam constantemente na sua roupa e no pelo de seu cachorro. Foi a partir dessa observação e do estudo de tal planta que, sete anos mais tarde, ele criou o conhecido velcro, um tecido repleto de minúsculos ganchos que possibilitam a sua fixação em determinadas superfícies.

Traçados medievais em 9 cidades vistas de cima

Moscou, Rússia. Imagem criada por @benjaminrgrant, source imagery: @maxartechnologiesGrussian, França. Imagem criada por @overview, source imagery: @maxartechnologies.Colônia, Alemanha. Imagem criada por @dailyoverview, source imagery: @maxartechnologiesPraga, República Checa. Imagem criada por @dailyoverview, source imagery @maxartechnologies+ 10

Fernando Cuenca Goitia em seu livro “Breve História do Urbanismo” afirma que a cidade da época medieval surge no começo do século XI e se desenvolve somente entre os séculos XII e XIII. Segundo o autor, esse crescimento esteve devidamente atrelado ao desenvolvimento do comércio que possibilitou ocupações laborais fixas, fazendo com que a cidade não fosse mais composta majoritariamente por viajantes. Ou seja, formou-se uma sociedade burguesa desenvolvida a partir das mais diversas atividades – como artesãos, feirantes, ferreiros, armadores de barco – que serviu de estímulo à cidade medieval.

Da utopia à realidade: os desafios da prática urbana no Brasil

A busca pela cidade ideal sempre permeou a história da humanidade constituindo uma utopia perseguida por governantes, artistas, filósofos e, na história mais recente, por nós, urbanistas. Desde o século XIX foram propostos – e, por vezes construídos, - diversos modelos de cidades ideais, passando das cidades-jardim de Howard, às cidades mecanizadas, às radiais, às caminhantes do grupo Archigram, às nômades como a Nova Babilônia de Constant Nieuwenhuis, às modernistas, entre outras.

O que é arquitetura vernacular?

A arquitetura vernacular pode ser definida como uma tipologia de caráter local ou regional, na qual são empregados materiais e recursos do próprio ambiente onde a edificação está inserida. São, portanto, arquiteturas diretamente relacionadas ao contexto, influenciadas e atentas às condições geográficas e aspectos culturais específicos da sua inserção e, por esse motivo, surgem de modo singular nas diversas partes do mundo, sendo consideradas, inclusive, um dispositivo de afirmação de identidades.

A Grande Mesquita de Djenné, Mali. Imagem © Wikimedia user Ruud Zwart licensed under CC BY-SA 2.5 NLAldeia Warka, Camarões. © WarkaWater, via CicloVivoCasas Tulou, China. © Usuário Flickr Slices of Light licença CC BY-NC-ND 2.0Ruanda - interior da construção. Imagem © Larsen Payá+ 9

Interiores brasileiros: 8 projetos com mobiliário flexível

Projetar em uma época marcada por rápidas e constantes transformações significa estar atento ao surgimento de novas demandas e, mais do que isso, significa desenhar espaços que abarcam tal mutabilidade.

O mobiliário flexível, seja por sua capacidade de movimentação, por sua facilidade de transformação ou por assumir diferentes funções em uma mesma forma, é reflexo desse comportamento contemporâneo. São peças que possibilitam diferentes opções de organização espacial remodelando suas configurações conforme requisitos específicos e necessidades de mudanças servindo, também, para otimizar os espaços internos.

Apartamento Consolação / Canoa Arquitetura. Imagem @Rafaela NettoApartamento Higienópolis / Teresa Mascaro. Imagem @Pedro MascaroApartamento Andradas / OCRE arquitetura. Imagem @Cristiano BauceApartamento Viadutos / Vão. Imagem @Rafaela Netto+ 9

A seguir, selecionamos oito projetos brasileiros que trabalham a versatilidade e flexibilidade no mobiliário interno.