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Arquitetura Indígena: O mais recente de arquitetura e notícia

Madeira engenheirada na arquitetura indígena da América do Norte: adaptação e resiliência

A popularidade crescente dos produtos de madeira em massa, no Canadá e nos Estados Unidos, levou a uma redescoberta dos seus fundamentos entre os arquitetos. Não menos importante para os arquitetos indígenas, para quem a madeira engenheirada oferece um caminho para recuperar e desenvolver as tradições de construção de seus ancestrais. Como a madeira é um recurso natural renovável e uma fonte de empregos florestais, ela se alinha aos valores indígenas de administração e comunidade, obscurecidos pelas práticas de construção dominantes do século XX.

Arquiteturas originais brasileiras

Em vidas passadas eu fiz um mestrado em semiótica e aprendi a prestar atenção nas palavras que escolhemos. Por exemplo, abra qualquer livro de arquitetura brasileira e você lerá alguns subtítulos que ajudam a organizar cronologicamente nosso espaço construído: Arquitetura Indígena, Arquitetura do Brasil Colônia, Arquitetura do Brasil Imperial, Arquitetura Moderna Brasileira, Arquitetura Contemporânea no Brasil. Notaram a sutil diferença, a palavra Brasil que dá nome a esta terra aparece em todos os períodos pós colonização mas não naquele que é justamente o modo de construir original deste lugar.

Barraca do Bem Viver. Image © Wanny MeloBarraca do Bem Viver. Image © Wanny MeloBarraca do Bem Viver. Image © Wanny MeloBarraca do Bem Viver. Image © Wanny Melo+ 17

Memorial do Povo Indígena no Parque das Hortênsias: espaço de resgate, conexão e aprendizado

O Memorial do Povo Indígena foi idealizado para ser parte integrante do projeto de revitalização do Parque das Hortênsias, antigo zoológico de Taboão da Serra. O pavilhão estruturado em madeira homenageia às arquiteturas e culturas indígenas do Brasil com suas formas orgânicas de se estabelecer, cuidar, ser e estar.

Em 2016, por determinação do Prefeito, o Parque deixou de ser zoológico com a transposição cuidadosa dos animais. Foi estipulado pela Prefeitura Municipal que em 2019 o equipamento público com 48.000 m² de exuberante mata, nascentes, corpos e cursos d´água passassem por um zeloso processo de revitalização. 

Espaço urbano e cotidiano dos povos indígenas no Brasil

A Escola da Cidade por meio da disciplina Seminário de Cultura e Realidade Contemporânea, em 2017, então coordenada pelo professor José Guilherme Pereira, recebeu a antropóloga e doutora em Ciências Sociais, Manuela Carneiro da Cunha para discutir sobre o histórico, a espacialização e o cotidiano dos povos indígenas no Brasil evidenciando problemáticas do ponto de vista não apenas cultural, mas também legal e ambiental.

Lo-TEK: Desenho de indigenismo radical (recuperando técnicas indígenas de trabalho com a natureza)

"As tecnologias indígenas não estão perdidas nem esquecidas, apenas escondidas pela sombra do progresso nos lugares mais remotos da Terra". Em seu livro Lo-TEK: Desenho Indígena Radical, Julia Watson propõe revalorizar as técnicas de construção, produção, cultivo e extração realizadas por várias populações remotas que, geração após geração, conseguiram manter vivas práticas culturais ancestrais integradas com a natureza, com um baixo custo ambiental e execução simples. Enquanto as sociedades modernas tentavam conquistar a Natureza em nome do progresso, estas culturas indígenas trabalhavam em colaboração com ela, compreendendo os ecossistemas e os ciclos das espécies para articular sua arquitetura em uma simbiose integrada e interconectada.

Manual de Arquitetura Kamayurá

Em Julho último (2019), na Plataforma habita-cidade [1] foi organizada a Oficina-viagem “Modos de Habitar: Arquiteturas Tradicionais” que levou alunos e professores para a Aldeia Ypawu, em território Kamayurá no Alto Xingu. O objetivo geral das Oficinas-viagem “Modos de Habitar” é a reflexão propositiva sobre as diversas formas do Habitat humano no planeta. Neste ano, a partir de uma demanda dos mestres construtores Kamayurá de produzir um Manual de Arquitetura local, a Oficina-viagem foi preparada para que o grupo para lá deslocado atuasse como apoio para essa importante empreitada. A ideia do Manual de Arquitetura Kamayurá foi inicialmente lançada por Kanawayuri L. Marcello Kamaiurá (liderança local) para a arquiteta Clarissa Morgenroth (arquiteta formada na Escola da Cidade) e para a diretora teatral Cibele Forjaz. A Escola da Cidade foi então convidada a participar do projeto, que foi encampado pela Plataforma habita-cidade, ligada ao curso de Pós-graduação lato sensu ‘Habitação e Cidade’.

Saberes construtivos indígenas revelam soluções para edificações contemporâneas

O estigma de arquitetura rudimentar somado aos ideais de tecnologia enquanto high tech relegam os saberes construtivos indígenas a um imaginário pré-histórico. Esse padrão, o qual aponta para uma direção inequívoca do progresso, revela a chamada colonialidade do saber, conceito do sociólogo peruano Aníbal Quijano que escancara o lado oculto da modernidade: produzir hierarquias entre povos, o que mantém a América Latina, em especial seus povos originários, como subalterna. Em outras palavras, tendemos a pensar que o conhecimento que representa o futuro é produzido em outras terras, localizadas no Norte Global.

As tecnologias construtivas indígenas garantiram ao Centro Sebrae de Sustentabilidade o prêmio de edificação em uso mais sustentável da América Latina em 2018. Foto: Centro Sebrae de Sustentabilidade/Wander LimaA estrutura da construção dentro do Ekôa Park, em Morretes, é composta por bambu em feixes e treliças, materiais abundantes na região. Foto: Tomaz LotufoBeiral das moradias Xerente. O detalhe arquitetônico será preservado e valorizado no projeto do Centro de Fortalecimento da Cultura Xerente, que foi desenvolvido com a participação da comunidade. Foto: Tomaz LotufoApesar das paredes em vidro, o edifício tem beirais que mantém a temperatura interna, inspirado nas construções Yawalapit que são exemplares na arquitetura bioclimática. Foto: Centro Sebrae de Sustentabilidade/Wander Lima+ 5

Outros tempos para novos espaços

Arquitetura é o pensamento de espaços? É ciência e arte aplicadas aos lugares? E se alguém dissesse que arquitetura é projetar tempos?

Conheça e baixe os guias oficiais de desenho arquitetônico Mapuche e Aymara no Chile

Mais de um milhão e meio de pessoas no Chile pertencem a um dos nove povos originários reconhecidos pelo Estado pela Lei 19.253: Aymara, Quechua, Atacameño, Colla, Diaguita, Rapa Nui, Mapuche, Kawéskar e Yagán. Apesar de representarem 9,1% da população nacional, não são reconhecidos a nível constitucional, e sua cultura (inclusive sua existência) é desconhecida pela grande maioria dos chilenos.

Alinhada à Lei 19.253, que exige "respeitar, proteger e promover o desenvolvimento dos indígenas, suas culturas, famílias e comunidades, adotando as medidas adequadas para tais fins", a Direção de Arquitetura do Ministério de Obras Públicas (MOP) do Chile publicou, em 2003, o primeiro guia de desenho arquitetônico para os povos originários Mapuche e Aymara, os mais populosos do país.

Guia Mapuche: Plaza de Alto Biobío. O ñimin ou traçado de rotas áreas permanecem na praça .. Imagem © Claudio Albarrán + Raúl Arancibia / Ministério das Obras Públicas (MOP). Departamento de ArquiteturaGuia Mapuche: intercultural Hospital Canete (Kallvu llanka): salas de espera do hospital lembram o Kuni ou mandris de gillatuwe .. Imagem © Claudio Albarrán + Raúl Arancibia / Ministério das Obras Públicas (MOP). Departamento de ArquiteturaGuia Aymara: Plaza de Codpa (Chile). A praça como o centro de todos os eventos locais .. Imagem © Claudio Albarrán + Raúl Arancibia / Ministério das Obras Públicas (MOP). Departamento de ArquiteturaGuia Aymara: Interior da igreja St. Thomas Camiña (Chile) restaurada com ornamentos .. Imagem © Claudio Albarrán + Raúl Arancibia / Ministério das Obras Públicas (MOP). Departamento de Arquitetura+ 17