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Escola Da Cidade: O mais recente de arquitetura e notícia

Mulheres e a luta por moradia: trajetórias de empoderamento e autonomia na experiência do MST-Leste 1

O acesso à moradia adequada é difícil em um país como o Brasil, que possui um déficit habitacional de 6,3 milhões de moradias (FUNDO FICA, 2019). A lógica perversa do mercado imobiliário – em que os custos de compra de terras e imóveis e mesmo de aluguel são altíssimos –, associada à carência de políticas públicas de provisão habitacional – em um contexto social em que famílias com renda de até dois salários mínimos residentes em áreas urbanas gastam 41,2% da renda familiar em despesas de consumo com à habitação (GUERREIRO; MARINO; ROLNIK, 2019) –, fazem com que a aquisição da casa própria seja extremamente difícil para as camadas mais pobres da população.

Instalação Arquitetura na Periferia. Foto © Thiago SilvaApresentação do projeto para as famílias. Image © USINA CTAHFoto © Carina Guedes e Pedro ThiagoProcesso de projeto junto aos moradores: estudo das unidades habitacionais. Image © USINA CTAH+ 6

Arquiteturas do Sul Global com DnA - Design and Architecture

Sábado, dia 12/12, será a última conversa do módulo inaugural do Curso Livre "Arquiteturas do Sul Global", organizado por Marco Artigas e Pedro Vada e realizado pela Escola da Cidade.

Neste encontro, a conversa será com Xu Tiantian do DnA, um escritório interdisciplinar sediado em Beijing que trabalha em diversas escalas mas sempre abordando questões, físicas e sociais, contemporâneas do ambiente onde vivemos. Em sua abordagem, a discussão do contexto, programa e suas interações são elementos fundamentais, ou o DNA que definirá o design e a arquitetura, capaz de adaptar, engajar e contribuir com nossa sociedade múltiple e complexa. Xu Tiantian,

Arquitetura chilena contemporânea em alta: uma viagem, doze projetos

Em maio de 2016 abria-se a 15ª Bienal de Arquitetura de Veneza, talvez o evento mais importante e emblemático da arquitetura internacional desde a década de 1980, quando foi criada. Tal abertura trazia, entretanto, uma novidade: pela primeira vez o evento tinha como curador um latino americano – Alejandro Aravena. Esse destaque não seria isolado na carreira recente do arquiteto que fez parte da comissão julgadora do Prêmio Pritzker de 2010 a 2015 sendo laureado no ano de 2016. Desde logo é fundamental perceber que tal destaque não assume caráter de absoluta exceção e pode, de certo modo, ser entendido como a ponta de uma valoração e visibilidade que a arquitetura chilena contemporânea passa a receber a partir de finais da década de 90.

Museo del Desierto de Atacama. Image © Stela Mori NeriFotografia do projeto Museu de la Memoria y los Derechos Humanos. Foto © Nico SaiehCentro Cultural Palacio la Moneda. Cortesia de Fundação Rogelio Salmona Centro Cultural Gabriela Mistral. Image © Stela Mori Neri+ 14

Culturas de rua, corpo e espaço público: Guilherme Wisnik conversa com Luiz Antonio Simas

"As ruas pensam, têm ideias, filosofia e religião. Como tal, nascem, crescem, mudam de caráter. E, eventualmente, morrem." A partir dessa sentença de João do Rio, na Alma Encantadora das Ruas, Guilherme Wisnik conversa com Luiz Antonio Simas sobre as culturas de rua a partir das ideias de terreirização e corporeidade, entendendo as cidades como espaços tensionados, disputados, encantados e desencantados cotidianamente.

Favela do Moinho: processo de abandono e interesses econômicos no centro de São Paulo

São Paulo teve sua estruturação urbana conforme o seu relevo. De maioria acidentado, foi nas áreas planas das várzeas dos rios e terraços fluviais que foram instaladas as ferrovias, onde podiam se desenvolver em um traçado mais adequado às suas limitações. 

O trem, máquina de cortar cidades atravessando os obstáculos naturais da paisagem numa velocidade de sessenta quilômetros por hora, foi a invenção capaz de abreviar fronteiras. Esse instrumento de fazer conexões originado durante a Revolução Industrial, viabilizou o estabelecimento de uma cadeia produtiva entre as suas várias paradas, ao transportar as manufaturas das fábricas em suas toneladas de maquinário em locomoção.

Silo do Moinho Central. Produção gráfica por Breno FelisbinoEvolução da ocupação. Produção gráfica por Breno FelisbinoMoinho Central e a cicatriz deixada pela ferrovia. Produção gráfica por Breno FelisbinoAproximação da área ocupada. Produção gráfica por Breno Felisbino+ 12

Arquiteturas do Sul Global - Comunal Taller (México)

CONVIDADAS DESSA SEMANA.
Comunal Taller - México. Formado por duas mulheres, Mariana Ordóñez Grajales e Jesica Amescua Carrera, Comunal é um ateliê de arquitetura que tem sua prática fortemente relacionada aos processos de negociação entre consensos e dissensos. Trabalham contra a figura de autoria, de objeto estático, artístico e imodificável, mas sim como um processo social, colaborativo, vivo, aberto e em evolução constante, encarando os habitantes como sujeitos de ação e não como objetos de intervenção. Em seus projetos incentivam e facilitam a participação de mulheres (adultas, jovens e crianças) nos processos estratégicos, administrativos e construtivos, entendendo as lógicas, performances e definições coletivas dessas mulheres e sua comunidade, sempre respeitando seu contexto cultural.

Mundos indígenas: interfaces entre arte, arquitetura e geografia

O que aconteceria se abdicássemos da epistemologia moderna que separa o “nós” dos “outros”? Como ficaria a história da arte sem essa separação restritiva? Muitos outros mundos, não desencantados, coexistem com o nosso. Outras cosmopolíticas podem nos permitir visões menos excludentes da vida e das relações, escavando futuros até agora insuspeitados.

Guilherme Wisnik conversa com Renata Marquez, professora da Escola de Arquitetura e Design da UFMG e coeditora da revista Piseagrama. Com doutorado em Geografia e pós-doutorado em Antropologia, pesquisa práticas curatoriais, teoria e crítica na interface entre arte, arquitetura, geografia e antropologia.

Movimento negro e movimento de mulheres negras nas cidades brasileiras

Desde o Brasil colônia, pessoas negras se organizavam em resistência ao regime escravocrata e colonial. Irmandades, quilombos, famílias de santo. Imprensa negra, associação de trabalhadoras domésticas, Frente Negra Brasileira, Teatro Experimental Negro. Blocos-afro, MNU, grupos literários, organizações de mulheres negras, frentes internacionais. Ativismo político trançado às artes e à espiritualidade que nos permitiram chegar até aqui.

Guilherme Wisnik conversa com Bianca Santana, jornalista, escritora, doutora em ciência da informação e mestra em comunicação pela Universidade de São Paulo. Santana é autora de "Quando me descobri negra", colunista de ECOA-UOL e da revista Gama, e integrante da UNEafro, umas das entidades que compõem a Coalizão Negra por Direitos.

Paisagens efêmeras: um domingo na paulista

Na análise de um projeto arquitetônico é comum que nos debrucemos sobre questões como quais foram as demandas e contexto histórico daquele projeto, como foi seu processo de elaboração e representação, de que forma foi construído. Tendemos a estudá-lo como um processo finalizado. Entretanto, no momento em que a obra é construída ela se abre à cidade e a terceiros, se torna vulnerável a falhas, imperfeições, requalificações e apropriações não previstas a priori. As consequências derivam então de conflitos, relações sociais e políticas que atuam na cidade formando uma paisagem fluida e mutável. 

Análise de evento . Image © Laura PetersAnálise de evento . Image © Laura PetersAnálise de evento . Image © Laura PetersSobreposição de eventos. Image © Laura Peters+ 13

Inércia: rios invisíveis de São Paulo

A cidade de São Paulo como uma das maiores e mais populosas cidades do mundo acumulou ao longo dos anos uma profusão de relações entre o seu território e as pessoas que nele habitam. Ao semear e alimentar interesses, São Paulo tornou-se em pouco tempo um grande centro e ganhou relevância frente ao cenário nacional. Contudo, a metrópole apresenta cada vez mais um distanciamento entre suas camadas sociais, sem contar com o caos frequentemente estabelecido na cidade, seja por meio do trânsito ou dos habituais trasbordamentos, resultado do mau planejamento urbano, que atende aos interesses de poucos em detrimento a saúde da cidade.

Autoria própriaMapa de 1930 - área da cidade próxima a confluência dos rios Tietê e Pinheiros. Autoria própriaMapa de 2017 - área da cidade próxima a confluência dos rios Tietê e Pinheiros. Autoria própriaCota 724, nível máximo da enchente de 1929. Autoria própria+ 5

A mulher moderna no espaço público: a construção de um ideal feminino por meio de crônicas e anúncios

O estudo da arquitetura e sua relação com a vida cotidiana e com as questões de gênero têm estimulado pesquisadores a buscarem novas fontes de estudo e a ampliar a análise sobre suas ideias e realizações. Este ensaio busca compreender a presença feminina nos espaços urbanos a partir de extratos de vestígios dos cotidianos levantados em textos e imagens publicados em crônicas, reportagens e anúncios do jornal “Estado de São Paulo”. 

Anúncio defende os novos hábitos deveriam estar adaptados aos “métodos modernos de higiene íntima – fazer excursões”.  Fonte: Jornal Estado de São Paulo, 17 de março de 1940. Releitura por Beatriz HubnerAnúncio defende que os novos hábitos deveriam estar adaptados aos “métodos modernos de higiene íntima – jogar tênis”.  Fonte: Jornal Estado de São Paulo, 03 de março de 1940. Releitura por Beatriz HubnerAnúncio defende os novos hábitos deveriam estar adaptados aos “métodos modernos de higiene íntima - passear”.  Fonte: Jornal Estado de São Paulo, 19 de junho de 1940. Releitura por Beatriz HubnerA representação da mulher moderna no espaço público  em um anúncio de relógio. Fonte: Jornal Estado de São Paulo, 22 de outubro de 1946. Releitura por Beatriz Hubner+ 6

Por uma cidade justa e inclusiva: Guilherme Wisnik conversa com Carmen Silva

A luta pelo direito à cidade passa pelo direito à moradia digna, definitiva e de acesso. Projetos de revitalização de edifícios nos centros, a partir de uma ampla participação social, sobretudo das mulheres, arrimos da família. Experiências multiplicadoras na cidade. Guilherme Wisnik conversa com Carmen Silva, mulher preta e nordestina, ativista pelo direito à cidade. Liderança do Movimento Sem-Teto do Centro (MSTC). Conselheira Municipal de Habitação por dois biênios. E pelo mesmo período foi coordenadora do Conselho Participativo da região da Sé.

Guiapé SP: você já pensou em andar a pé em São Paulo?

Você já pensou em andar a pé? Essa é a pergunta que o GUIAPÉ SP – um guia apresentado aqui por meio de ensaio – faz ao leitor. Desde a capa, ele propõe andar pela cidade de São Paulo e faz isso por meio de um percurso que passa estrategicamente por lugares nos quais o mais interessante é chegar a pé, para que se veja os detalhes que nem sempre são vistos, as pessoas, a vida urbana. Esse guia não foi feito para visitar pontos turísticos e sim para levar seu leitor a um passeio. Nele, o percurso e as calçadas não são apenas os elementos que conduzem aos lugares deste guia, eles são parte da viagem.

Capela dos Aflitos; R. dos Aflitos. Ilustração de Bruna Cardoso feita originalmente para o livro GUIAPÉ SPMural, Rua Dom José Gaspar. Ilustração de Bruna Cardoso feita originalmente para o livro GUIAPÉ SPTermogás; R. Florêncio de Abreu. Ilustração de Bruna Cardoso feita originalmente para o livro GUIAPÉ SPIlustração de Bruna Cardoso feita originalmente para o livro GUIAPÉ SP+ 14

O vírus e a volta do estado: Guilherme Wisnik entrevista a economista Laura Carvalho

A pandemia da Covid-19 trouxe consequências inéditas para a economia global. No Brasil, se abateu sobre uma economia que mal havia se recuperado da recessão de 2015-16. Mas a resposta à crise não exige apenas relaxar regras orçamentárias, e sim repensar o próprio papel do Estado para superar carências históricas que a pandemia tornou cristalinas.

Guilherme Wisnik conversa com Laura Carvalho, professora da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo e doutora em economia pela New School for Social Research. Escreve quinzenalmente para o jornal Nexo. É autora de "Valsa Brasileira: do boom ao caos econômico" (Todavia, 2018) e "Curto-Circuito: o vírus e a volta do Estado" (Todavia, 2020).

Arquitetura da liberdade: práticas projetuais urbanas a partir da relação do corpo com o existente

A arquitetura e urbanismo são possibilidades de materializar o porvir. No entanto, como desenhar um futuro comum, mas manter o porvir aberto a significações e em constante movimento a partir dos sujeitos que dele se apropriam? Como a(o) arquiteta(o) pode entender-se parte do movimento de revalorização dos espaços coletivos? Como usar dessa ferramenta para distribuir poder: construir uma democracia direta e um comportamento livre a partir da participação na vida cotidiana? Como reconhecer a relação como ferramenta de construção de uma arquitetura da liberdade?

Intervenções pontuais na estrutura industrial do SESC Pompéia. Foto © Pedro Kok Viaduto Júlio de Mesquita Filho: baixio, alargamento residual resultante da infra-estrutura rodoviarista, cicatriz da cidade formal, moderna. Foto © Marcella ArrudaLygia Pape, "Espaços Imantados", 1995. Fotografia: Paula Pape. © Projeto Lygia PapeIntervenção que cria um espaço a partir de um elemento que convida a múltiplos movimentos. Polytope, Ludmila Rodrigues, https://www.tinamustao.com/2018/11/29/polytope/+ 8

O corpo e a alma como design: Guilherme Wisnik entrevista Ivana Wonder

Design é mais do que o projeto de um produto. É, também, a construção de personagens, com seus corpos e suas ânimas. O dado natural é apenas um dos dados de projeto. Somos o design de nós mesmos. Estamos em permanente transformação.

Guilherme Wisnik convera com Ivana Wonder, personagem criado pelo designer Victor Ivanon, munida de uma voz poderosa e quebrando o paradigma entre masculino e feminino conduz a uma experiência multisensorial de emoção e saudade. Do holofote central de um úmido cabaré, emerge essa figura assombrosa e etérea.

O Cemitério dos Aflitos e outros territórios negros da cidade de São Paulo

A descoberta em 2018 de um conjunto de nove ossadas no atual bairro da Liberdade, em São Paulo, trouxe à luz evidências materiais da existência da primeira necrópole pública de São Paulo, o Cemitério dos Aflitos, também conhecido como Cemitério dos Enforcados. Ao que se sabe por documentos textuais municipais, o cemitério, no período de 1775 a 1858, era destino principalmente dos excluídos: negros e negras escravizados, pessoas pobres, indigentes e condenadas à forca. Se o Cemitério dos Aflitos era um território disperso dos desclassificados da sociedade paulistana, a Irmandade do Rosário, fundada em 1720, constituía-se como um território negro demarcado na cidade, onde escravos, forros e livres conviviam, faziam cerimônias fúnebres, festas e devoções religiosas, “quando essa parcela da população paulistana irrompia em conjunto pelas ruas, com seus trajes, adereços e sonoridade característicos” (WISSENBACH, 1988: 206-7).

Desenho de Luara Macari, produzido a partir de investigação iconográficaAs lavadeiras às margens do Tamanduateí. Em segundo plano, a Ponte do Carmo. Cartão postal de Guilherme Gaensly, entre 1900 e 1905. Acervo do Instituto Moreira SallesCartografia da presença negra na cidade de São Paulo, criada por Victor Pacheco e configurada pelas ocorrências em atas camarárias e levantamento bibliográficoAZEVEDO, Militão Augusto de. Rua Capitão Salomão, 1870. A Rua Capitão Salomão desapareceu com a remodelação do Largo da Sé (1910-1914). Fonte: Arquivo Histórico Municipal de São Paulo. Disponível em: http://www.arquiamigos.org.br/info/info20/img/1841a-download.jpg+ 6

Corpo e memória: a mulher no território urbano

Pensando na trajetória de ocupação da cidade de São Paulo e na busca pela produção de um urbanismo universal e democrático é importante entender o papel e o movimento das mulheres no contexto urbano, principalmente nas periferias da cidade. Aqui trataremos do bairro do Jardim Damasceno e seus espaços em movimento – as escadarias – entendendo como esses corpos se expressam nesse contexto, quais são suas ações e transformações e como a questão de gênero é percebida por esses corpos.

Sem titulo, foto analógica, 2018 | Canon 50mm | produção própriaSem titulo, foto analógica, 2018 | Canon 50mm | produção própriaSem titulo, foto analógica, 2018 | Canon 50mm | produção própriaAs meninas, 2018, desenvolvida para ensaio fotográfico do livro Memória Urbana | Canon 50mm | produção própria+ 8