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Urbanização: O mais recente de arquitetura e notícia

Como planejar e gerir a urbanização sustentável em cidades de rápido crescimento? Programa da ONU inclui Recife e Belo Horizonte

A UN-Habitat ou agência das Nações Unidas para o desenvolvimento urbano sustentável, cujo foco principal é lidar com os desafios impostos pelo rápido e voraz processo de expansão urbana em países em desenvolvimento, vem desenvolvendo abordagens inovadoras no campo da arquitetura e do urbanismo, centradas nos usuários e nos processos participativos. Pensando nisso, o ArchDaily se associou a UN-Habitat para trazer notícias semanais, artigos e entrevistas que destacam neste setor, disponibilizando conteúdos em primeira mão e direto da fonte.

Conforme estimativa publicada pelas Nações Unidas, as 440 cidades que mais crescem em países de economias emergentes serão responsáveis sozinhas por quase metade de todo o crescimento econômico mundial até 2025. Isso significa que, se bem executado e gerido, o processo de urbanização destas cidades “poderá ser transformador, criando novas oportunidades de empregos, reduzindo a pobreza e melhorando a distribuição de renda e infra-estrutura além de promover a qualidade de vida de seus habitantes”. Neste contexto, o Programa das Nações Unidas para o Futuro das Cidades, ou Global Future Cities Programme (GFCP), é uma ferramenta concebida para ajudar estes países a encontrar o caminho certo. Com base em princípios de planejamento urbano sustentável, mobilidade e resiliência urbana, o programa foi pensado para operar como uma forma de “assistência técnica que procura incentivar o desenvolvimento urbano sustentável assim como promover a saúde econômica e a prosperidade das cidades em desenvolvimento e expansão urbana, ao mesmo tempo que procura atenuar os altos níveis de pobreza—característica muito comum nestes contextos”.

Cortesia de UN-HabitatCortesia de UN-HabitatCortesia de UN-HabitatCortesia de UN-Habitat+ 13

Como podemos transformar nossas cidades com o uso da tecnologia?

Segundo estimativas das Nações Unidas, atualmente mais de 55% da população mundial vive em cidades ou áreas urbanizadas, com uma forte probabilidade de este numero aumentar para quase 70% ao longo das próximas décadas. Apesar deste previsível e vertiginoso crescimento populacional urbano, muitas das grandes cidades do mundo têm feito pouco ou quase nada para qualificar suas infraestruturas já muito precárias e insuficientes. De fato, o que se desenha a nossa frente é o grande desafio da vez, talvez um dos maiores que a humanidade já enfrentou. Se a solução dos problemas de grande escala parece algo impraticável ou até impossível, talvez devêssemos buscar resolver os pequenos problemas, um de cada vez.

UN-Habitat divulga relatório sobre o valor da urbanização sustentável

Em todo o mundo, desde 2014, todos os anos, no dia 31 de outubro, é comemorado o Dia Mundial das Cidades. Para marcar este evento, a UN-Habitat lançou o Relatório Mundial das Cidades 2020 sobre o valor da urbanização sustentável, com foco nos temas mais atuais e urgentes. Analisando o valor intrínseco das cidades na geração de prosperidade econômica, mitigação da degradação ambiental, redução da desigualdade social e construção de instituições mais fortes, o relatório destaca como, juntos, esses fatores podem gerar mudanças transformadoras.

Kenya, Nairobi,Mathare_Prevenção do COVID19 em favelas. Imagem Cortesia de UN-HabitatVista aérea de São Paulo, Brasil. Imagem Cortesia de UN-HabitatKenya, Nairobi,Mathare_Prevenção do COVID19 em favelas. Imagem Cortesia de UN-HabitatCortesia de UN-Habitat+ 12

A urbanização de Xangai: vitrine de uma nova China

Em 2013, o filme “Ela”, onde o protagonista se apaixona por uma assistente virtual, tentava representar um futuro não tão distante de uma realidade relativamente distópica. Apesar da cidade representada ser, provavelmente, uma Los Angeles futurista, as filmagens foram feitas em Xangai. Depois de visitar a cidade, acredito que foi uma decisão acertada, dada a atmosfera constante que leva a essa temática. Lembro de me encontrar sobre uma gigantesca passarela de pedestres circular sobre a rotatória Mingzhu, que liga importantes avenidas no coração de Pudong, o atual centro de negócios de Xangai. À minha frente vejo a bizarra Oriental Pearl Tower, torre de TV com 467 metros de altura construída por uma estatal chinesa em 1994. Quando olho para trás e para cima e vejo a Shanghai Tower, segundo maior edifício do planeta com impressionantes 632 metros de altura, o impacto é ainda maior. Esta é a imagem de Xangai para o mundo, a vitrine de uma nova China, quebrando paradigmas e atingindo os céus.

Lilongs, na Velha Shanghai próximo à zona turística do Yu Garden. Imagem © Anthony LingHuaihai Road, espécie de “Quinta Avenida” de Shanghai. Trilhos do Maglev, ligando o centro da cidade ao aeroporto: o trem elétrico pode atingir velocidade comercial de 431 km/h. Imagem © Anthony LingXintiandi, o modelo “Disney”: destino turístico da cidade onde a arquitetura foi totalmente refeita, com pouca preservação histórica. Imagem: Fabio Achilli/Flickr+ 9

Cidade Proibida, hutongs e superquadras: a urbanização de Pequim

Do quarto do meu hotel era possível ver os telhados da Cidade Proibida, embora apenas um vulto em meio à névoa que cobria a paisagem. Pequim (ou Beijing, dependendo da língua ou grafia) é uma das cidades com o ar mais poluído do mundo, com uma névoa constante produzida não apenas por automóveis — que respondem por 70% da poluição da cidade —, como também por fábricas, usinas de carvão e tempestades de areia de regiões próximas. A impressão visual era de que o dia estava nublado, mas na realidade não havia uma única nuvem no céu.

Praça da Paz Celestial, ou Tiananmen, com a Cidade Proibida à direita. O Sol aparece entre a névoa de poluição, em um dia que deveria ser ensolarado. Image © Anthony Ling, via Caos PlanejadoComércio de rua nos edifícios na divisa entre o Dongsi hutong da avenida principal. Image © Anthony Ling, via Caos PlanejadoTrânsito no cruzamento de duas avenidas. Image © Anthony Ling, via Caos PlanejadoRua comercial Wangfujing. Image © Anthony Ling, via Caos Planejado+ 11

A urbanização da China: controle social e liberdade econômica

Centenas de torres se repetem em um horizonte esfumaçado. Construções tradicionais caem aos pedaços, enquanto outras foram reconstruídas e se tornaram lojas para turistas. Lamborghinis coloridas dividem um trânsito lento com táxis velhos, triciclos de operários e executivas andando de bikes amarelas da Ofo, a maior empresa de bicicletas dockless do mundo. Alguns pedestres usam máscaras para filtrar o ar poluído, outros carregam sacolas de compras, outros cospem no chão ou andam de pijama pelas ruas. Ambulantes são raríssimos, ao contrário de policiais ou militares que podem ser vistos a cada esquina.

Superquadras com blocos repetidos no horizonte de Chengdu. À direita, um terreno “esvaziado” para abrigar novas construções. Imagem cortesia de Caos PlanejadoHutong em Pequim. Imagem cortesia de Caos PlanejadoZona turística na parte histórica de Chengdu. Imagem cortesia de Caos PlanejadoVelha Shanghai, ao lado do Yu Garden, com os novos edifícios residenciais ao fundo. Imagem cortesia de Caos Planejado+ 6

Como viver em sociedade influencia nossos comportamentos individuais?

Essa pergunta já pode ter passado pela sua cabeça e ela é, de fato, objeto de reflexão de pesquisadores de diversas áreas, incluindo filosofia, ciências sociais e psicologia. Atualmente, somos mais de 4 bilhões de pessoas que vivem em áreas urbanas, índice que aumenta a cada ano. A vida em comunidade traz grandes desafios e, para coordenar muitos deles, os grupos estabeleceram uma série de princípios e padrões que estimulam um senso comum entre os indivíduos.

Corpo, discurso e território: a cidade em disputa nas dobras da narrativa de Carolina Maria de Jesus

Nessa tese de doutorado, a arquiteta e urbanista Gabriela Leandro Pereira explora os relatos e as disputas de narrativas urbanas da escritora mineira Carolina Maria de Jesus. Carolina é uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil, tendo como sua obra mais conhecida o livro Quarto de Despejo. Diário de Uma Favelada - resultado do relato do cotidiano cruel de mulher negra, catadora de papel e moradora da favela do Canindé em São Paulo. A tese foi defendida em 2015 na Universidade Federal da Bahia, tendo como orientadora a Profa. Dra. Ana Maria Fernandes e recebeu o Prêmio Prêmio Rodrigo Simões de Teses de Doutorado, Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (ANPUR) em 2017. Veja abaixo o resumo enviado pela autora.

A engrenagem urbana brasileira: dispositivos legais para a gestão das cidades

Constatações de que as cidades brasileiras cresceram sem o devido planejamento, de maneira desordenada, são recorrentes. Também é comum ouvir que a legislação urbana do Brasil é moderna, mas que temos dificuldades para tirar as melhores práticas do papel. Porém, poucas pessoas de fato entendem como funcionam as engrenagens do planejamento urbano e de que maneira esses mecanismos podem ajudar a conduzir os centros urbanos para um futuro melhor e mais sustentável.

As transformações previstas para o mundo urbano até 2050

As projeções para o mundo urbano foram atualizadas. Em maio, a Organização das Nações Unidas divulgou uma nova edição do World Urbanization Prospects, relatório que lança um olhar aprofundado para os centros urbanos do planeta, com a seguinte conclusão: 68% da população mundial viverá em cidades até 2050. A estimativa é 2% maior em relação ao último estudo, publicado em 2014, da série sob responsabilidade do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (Desa).

Uma cidade de 100 milhões de habitantes é possível? Como lidaremos com o futuro?

Em 2010 a humanidade atingiu uma importante marca: mais da metade da população mundial passou a viver nas cidades. Este é um processo que tende a se intensificar, juntamente com o aumento do consumo, a redução dos recursos, o aumento da poluição, congestionamentos, escassez de água e falta de planejamento. Estaria a urbanização fora de controle?

Com base em uma pesquisa publicada de Daniel Hoornweg e Kevin Pope, o jornal britânico The Guardian reflete sobre um cenário extremo em que os países são incapazes de controlar as taxas de natalidade e a urbanização avança incessantemente. Nos próximos 35 anos, mais de 100 cidades terão população superior a 5,5 milhões de habitantes cada.

O-office discute como projetos de renovação podem revelar histórias ocultas da arquitetura

SZ-HK Biennale-Silo Reconversion. Imagem © O-office & Maurer United
SZ-HK Biennale-Silo Reconversion. Imagem © O-office & Maurer United

A O-office Architects, empresa multidisciplinar com sede em Guangzou, tem se especializado em projetos remodelação de antigas estruturas, transformando-as e adpatando-as para o futuro. Seus fundadores, Jianxiang He e Ying Jiang, são conhecidos por explorar os limites da arquitetura contemporânea n China, como apresentado neste recente projeto no qual eles transformam uma antiga fábrica abandonada de Shenzhen em um novo centro cultural e comunitário.

Em entrevista concedida ao ArchDaily, os fundadores do O-office falam à respeito de sua prática e conceitos utilizados em projetos de remodelação dentro do atual contexto da arquitetura contemporânea na China.

Estaria o plano da Índia de construir 100 cidades inteligentes fadado ao fracasso?

A Missão Cidade Inteligente do governo indiano, lançada em 2015, prevê o desenvolvimento de cem "cidades inteligentes" até 2020 para apresentar soluções para a rápida urbanização do país; trinta cidades foram adicionadas à lista oficial na semana passada, levando o número total atual de iniciativas planejadas para noventa. A missão de US$ 7,5 bilhões abrange o desenvolvimento geral de infraestrutura básica — abastecimento de água, eletricidade, mobilidade urbana, habitação a preços acessíveis, saneamento, saúde e segurança — ao mesmo tempo que incluem "soluções inteligentes" baseadas em tecnologia para impulsionar o crescimento econômico e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos nas cidades.

Em um país imerso em corrupção, a missão foi elogiada pelo uso transparente e inovador de um nacional "Desafio Municipal" para dar financiamento às melhores propostas dos órgãos municipais locais. Seu manifesto utópico e implementação, no entanto, são motivos de grande preocupação entre os planejadores urbanos e tomadores de decisão hoje, que questionam se a própria ideia de cidade inteligente indiana é inerentemente falha.

Dez equívocos sobre a urbanização global a partir de uma análise da América Latina

Talvez o aspecto que impacta mais fortemente um europeu que se propõe a estudar as cidades latino-americanas, além dos temas recorrentes como a pobreza e marginalidade, as diferenças sociais, a insegurança - é que na América Latina, as pessoas, os habitantes, ainda constroem com suas próprias mãos através de ações cotidianas, a sua cidade.

Este fato, que pode parecer positivo ou negativo segundo o ponto de vista, conjuntamente com outros - existência de economias informais autônomas"; sistemas de auto-gestão e auto-reciclagem igualmente autônomos a respeito dos formalizados pelos governos urbanos (P. VALECILLOS, 1)- convida a refletir sobre um conceito que talvez por ser tão recorrente e utilizado nos últimos tempos, converteu-se em um conjunto de significados, perdendo boa parte do seu significado original, se alguma vez o teve. 

Os padrões ambientais, econômicos e demográficos de crescimento urbano no mundo

Tomando como referência as Perspectivas Mundiais de Urbanização elaboradas em 2014 pela ONU, o programa de pesquisa Urban Age, dependente do centro internacional LSE Cities, acaba de identificar as diferenças entre os padões demográficos, econômicos e ambientais que se projetam nas diferentes regiões como produto das mudanças urbanas.

Estas diferenças foram obtidas usando como base o relatório da ONU que aponta que em 1950, 30% da população mundial vivia em zonas urbanas, uma cifra que chegou a 54% no ano passado e que se projeta alcançar 66% em 2050.

Navotas: lugar dos mortos, cidade dos pobres

Branco e reluzente, o caixão adornado de flores, balões e recordações é carregado por quatro jovens escoltados por uma lenta procissão de familiares que percorre os corredores do cemitério público de Navotas (Filipinas), esquivando-se do lixo, das crianças e dos galos que cruzam livremente a caravana fúnebre. Há alguns dias, um jazigo ocupado há cinco anos foi limpo para receber o ocupante do caixão branco. Terminado o funeral, uma camada de tijolos garantirá a estadia do finado ao menos pelos próximos cinco anos.

Evento de rotina, a procissão é seguida pelos olhares de dezenas de crianças que têm nessa necrópole seu bairro. Aqui vivem seus pais e avós há mais de trinta anos, literalmente sobre as covas ou jazigos do cemitério banhado pela baía de Manila. 

"Os visitantes e moradores têm uma boa relação. Eles só querem que as tumbas sejam respeitadas e que ninguém as use como banheiro", conta um dos coveiros de Bagong Silang, assembléia do bairro que ocupa o cemitério. 

Saiba mais sobre a história do cemitério público de Navotas, a seguir.

© Bagong Silang© Bagong Silang© Bagong Silang© Bagong Silang+ 6

Vídeo: Mini documentário retrata movimento de retorno à vida rural na China

Em 2011 a China passou a ter, pela primeira vez em sua história, mais pessoas vivendo nas cidades que nas áreas rurais - e as estatísticas oficiais do governo mostram cerca de 300 vilas desaparecendo a cada dia no país. Contudo, face à rápida urbanização, um "movimento de retorno ao rural" está surgindo. O novo mini documentário de Sun Yunfan e Leah Thompson, Down to the Countryside, se volta para os habitantes rurais que, fartos da vida urbana, estão buscando revitalizar o campo e preservar as tradições locais. O documentário acompanha Ou Ning, um artista e curador que, em 2013, mudou-se de Pequim para a vila de Bishan, na província de Anhui. Ning se considera parte do "novo movimento pela reconstrução rural" na China, e o documentário mostra sua missão de desenvolver a economia rural e trazer artistas e cultura para o campo.

Saiba mais sobre o documentário em China File e assista a uma entrevista com os diretores em CityLab.