Trata-se de uma vasta zona rural que se espalha pelo planeta assumindo distintas expressões conforme o contexto — dos arrozais asiáticos aos assentamentos agrícolas africanos, das pequenas propriedades europeias aos latifúndios e comunidades agroextrativistas das Américas. Ainda assim, por trás dessa pluralidade, haveria algo que as une? E, sobretudo, como a arquitetura revelaria esse elo silencioso?
O município de Cunha, localizado no estado de São Paulo, é uma região conhecida por sua paisagem interiorana, terreno montanhoso e, especialmente, uma grande produção de cerâmicas de renome nacional. É nesse contexto que o escritório messina | rivas vem atuando desde 2017, com um conjunto de projetos localizados em uma fazenda. Seu trabalho, que integra design e construção de forma indissociável, resulta em intervenções que revelam uma abordagem sensível às condições preexistentes e ao ambiente ao seu redor.
A relação entre o escritório, liderado pelos arquitetos Francisco Rivas e Rodrigo Messina, e o local começou com uma pequena reforma de uma casa de hóspedes para receber amigos. O projeto resultou na transformação de dois quartos existentes em suítes e na criação de uma cozinha externa. Desde então, as demandas crescentes e a necessidade de adaptar os edifícios existentes impulsionaram o design de outros projetos distribuídos pelo mesmo local.
O campo — historicamente subestimado — tem emergido como um território fértil de possibilidades. Mais do que um "espaço marginalizado", o rural latino-americano se afirma hoje como um verdadeiro laboratório de experimentação arquitetônica, social e ecológica. De comunidades agroecológicas a tecnologias de baixo impacto, das relações entre humanos, máquinas e outros seres vivos às soluções locais para desafios globais como a crise climática, a segurança alimentar e a migração — o campo está redesenhando, com autonomia e inventividade, seu próprio futuro.
O meio rural sempre exerceu um papel fundamental no desenvolvimento social e econômico dos países. Até o século XVIII, era o principal espaço de produção e de organização da vida. Com a Revolução Industrial, no entanto, ocorreram profundas transformações estruturais que redefiniram essa dinâmica. A indústria passou a ocupar uma posição central, vinculando-se ao meio urbano e dando origem a uma visão dicotômica e hierarquizada entre rural e urbano, agricultura e indústria. Nesse contexto, duas visões opostas ganharam destaque: uma previa o desaparecimento do rural diante da urbanização e do avanço econômico; a outra apostava na sua permanência e renascimento. Hoje sabemos claramente qual das hipóteses se tornou verdadeira.
Nos últimos anos, a Índia testemunhou o ressurgimento do interesse em materiais de construção naturais, impulsionado pelo aumento das preocupações ambientais e um crescente desejo de resgatar estilos de vida tradicionais. De Mumbai, com suas movimentadas ruas, às tranquilas aldeias de Kerala, arquitetos, construtores e comunidades estão se unindo para explorar o potencial da terra, do bambu, da cal e de outros materiais orgânicos na criação de estruturas que sejam relevantes para cada contexto e que também incorporem os ideais contemporâneos do país. Essa mudança em direção ao uso de materiais naturais e recursos vernaculares reflete um movimento em prol da sustentabilidade e de uma conexão mais profunda com a natureza.
Yasmeen Lari, reconhecida como a primeira arquiteta do Paquistão, teve um impacto significativo tanto em seu país de origem quanto internacionalmente devido à sua abordagem inovadora e socialmente consciente em relação à arquitetura. Através de uma visão sistemática, o trabalho de Lari leva em consideração a cultura local, as oportunidades específicas da região e os desafios. Nascida no Paquistão em 1941, Yasmeen Lari mudou-se para Londres com sua família aos 15 anos. Depois de se formar na Oxford Brooks School of Architecture, ela voltou ao Paquistão aos 23 anos para iniciar a Lari Associates com seu marido, Suhail Zaheer Lari. O casal se estabeleceu em Karachi. Ali, ela começou a estudar as cidades antigas do Paquistão e a arquitetura vernacular de terra, despertando seu interesse pelo patrimônio arquitetônico e pelas técnicas tradicionais de seu país. Em 1980, ela cofundou a Heritage Foundation of Pakistan com seu marido, uma fundação ativa na preservação do rico patrimônio cultural do Paquistão.
Alguns dirão que é o ar fresco, a paz e a silêncio, e outros a proximidade constante da natureza; no entanto, todos concordamos que há algo único no campo. Ao entrar em uma casa de campo, todas essas qualidades podem ser refletidas pela lente do design de interiores contemporâneos, criando um ambiente acolhedor, leve e calmo. Conhecidos por seu lugar em ambientes rurais ou agrícolas e projetados para a vida no campo, as casas tradicionais dos anos 1700 foram inicialmente influenciadas por suas condições geográficas, melhorando o relacionamento com o meio ambiente. Ao conservar abordagens tradicionais, como plantas simples, telhados de duas águas e varandas grandes, a estética do campo passou por transformações para se adaptar aos modos de vida contemporâneos. Ao reutilizar e usar a arquitetura rural tradicional como uma referência direta, analisamos como os projetos atuais seguem suas estratégias de design singulares: materiais nobres, espaços conectados ao entorno e espaços simples e funcionais com detalhes únicos.
A arquitetura é um ofício ou prática que, na maioria dos casos, envolve a construção de estruturas físicas e materiais. A arquitetura procura dar forma a edifícios destinados a servirem diferentes propósitos como trabalho, moradia, convivência, oração entre outros tantos. Estruturas construídas e intervenções arquitetônicas, no entanto, necessitam de um espaço físico para materializar-se. Dito isso, a melhor compreensão a relação intrínseca entre espaço e arquitetura, pode ser a chave para estabelecermos práticas mais sustentáveis nos campos da arquitetura, engenharia e construção civil.
La casa de Jajja. Uganda, 2020. Image Cortesía de Huevo de Pato
Este artigo é uma colaboração doColectivo RE e foi publicado originalmente em 02 de agosto de 2020, na segunda edição de Huevo de Pato, uma publicação que tem por objetivo compartilhar reflexões e experiências como estratégia para a democratização do saber e do fazer.
O Taller Síntesis de Medellín, Colômbia, compartilhou conosco este artigo enfatizando a importância de reconhecer o ambiente construído rural colombiano, que responde à maior parte do território mas não à maior parte da prática arquitetônica, com o objetivo de conscientizar o público sobre como a arquitetura é desenvolvida e reconhecida no país.
Este ano, a Organização das Nações Unidas para o Turismo (OMT) procurou abordar o turismo como uma forma de criar empregos e oportunidades nas áreas rurais sob a bandeira do Turismo e Desenvolvimento Rural.
A arquitetura de base rural e suas edificações tradicionais desempenham um papel importante para o patrimônio local. Elas também podem oferecer empregos e perspectivas mais além das grandes cidades, especialmente para as pequenas comunidades, geralmente em desvantagem econômica.
No México, a prática da autoconstrução ainda é um assunto que divide opiniões entre a comunidade de arquitetos, com adeptos tanto à favor quanto em contra a esta prática extremamente convencional e difusa por todo território. Entretanto, ainda que longe de ser um consenso entre os profissionais da construção civil, os processos autônomos de construção são uma realidade inegável e que se impõe sobre condições econômicas, culturais e sociais — não apenas no México, mas como um fenômeno que desconhece quaisquer tipo de fronteiras. Pensando nisso, ao longo dos últimos anos, arquitetos e arquitetas deram início à uma série de iniciativas com o principal objetivo de desenvolver e disponibilizar materiais informativos, guias de apoio e manuais de acompanhamento aos processos de autoconstrução, abordando temas de segurança, bem estar e em última instância, colocando em evidência uma prática que a cada dia se torna mais difícil de omitir.
A tradicional habitação mexicana está sendo rapidamente transformada por uma série de fatores, como a urbanização de áreas rurais, a interrupção da transmissão do conhecimento popular, a perda de bens naturais e as políticas públicas de habitação que negligenciam a importância dos tradicionais sistemas construtivos e promovem materiais industrializados, o que cria imaginários aspiracionais que ressignificam o conceito de moradia digna e resiliente.
Esse panorama conduz à perda do patrimônio arquitetônico tangível e intangível, bem como aos valores arquitetônicos que os povos indígenas desenvolveram ao longo do tempo. Ou seja, não apenas os objetos arquitetônicos correm o risco de desaparecer, mas também o conhecimento por trás da habitação vernacular, bem como sua relação e complexo entendimento do território em que está inserida.
https://www.archdaily.com.br/br/901876/projeto-de-pesquisa-analisa-a-situacao-atual-da-habitacao-tradicional-no-mexicoMariana Ordoñez y Onnis Luque
O ano de 2017 já passou, mas deixou-nos uma série de aprendizados e novos conhecimentos que nos permitirá enfrentar com melhores ferramentas o desafiante 2018. Que surpresas este ano nos trará?
Em um espécie de jogo de previsões, pedimos a nossos editores do ArchDaily em espanhol, que projetem, com base em suas reflexões de 2017, quais serão os temas em que ouviremos falar entre arquitetos durante no ano de 2018, que acaba de começar.
https://www.archdaily.com.br/br/886754/os-9-temas-de-arquitetura-que-voce-deve-conhecer-em-2018ArchDaily Team