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Arquitetura (des)industrial: 8 projetos que ressignificam o espaço da máquina

Arquitetura (des)industrial: 8 projetos que ressignificam o espaço da máquina

Há poucos episódios tão importantes para a história da arquitetura e do urbanismo quanto foi a Revolução Industrial. Para acomodar a estrutura produtiva que transformou o capitalismo a partir do século XVIII, foi criado todo um sistema de espaços que compreendia, para além das fábricas, centros de processamento de matérias-primas, núcleos de geração e distribuição de energia, armazéns de estocagem e terminais de transporte. No que diz respeito às cidades, tal processo não apenas resultou na destinação de grandes porções do território para acolher as atividades industriais, mas numa transformação multissistêmica que abrangeria as formas de morar, ocupar e deslocar-se no meio urbano.

Nesse cenário de completa efervescência, a arquitetura passa a contar com uma série de novos objetos de trabalho. É através da máquina (e para atender às suas demandas) que são desenvolvidas técnicas inovadoras na construção civil. A  flexibilidade na ocupação, a estrutura modular e a racionalização - premissas que no início do século XX dariam forma ao discurso do movimento moderno - são visceralmente ligadas aos ideais de produtividade dos espaços industriais. 

Na segunda metade do século XX, no entanto, ocorre uma nova revolução, dessa vez ligada às tecnologias informacionais, que vem tornando menos vantajoso às empresas manter atividades industriais nos grandes centros urbanos. Em decorrência disso, e progressivamente, os  edifícios herdados do sistema industrial têm se tornado ociosos, muitas vezes criando zonas-”fantasma”, desconectadas da vida urbana contemporânea. 

Entendendo o potencial plástico das cidades, isto é, sua capacidade de constante mudança e readaptação, compilamos neste artigo oito projetos de arquitetura que atuam no sentido de ressignificar os espaços da máquina, usando do desenho para recontar - com novos elementos e personagens - as histórias da arquitetura industrial.

ID Town / O Office

© Laurian Ghinitoiu
© Laurian Ghinitoiu

O escritório O Office concebeu este projeto para um centro cultural comunitário na cidade de Shenzhen, onde costumava funcionar uma fábrica de tinturaria têxtil. Localizado numa encosta, o antigo edifício passou por pequenas intervenções para acomodar o programa, trabalhando com cores que contrastam com o cinza da fachada original.

Edifício Residencial em Murano / Studio Macola

© Marco Zanta
© Marco Zanta

O projeto, localizado na ilha de Murano, consiste na transformação de um antigo complexo industrial em um conjunto de 54 unidades habitacionais divididas em dois blocos. O Studio Macola redivide o espaço em unidades duplex e triplex, criando uma estrutura escalonada e em forma de pente, de modo a incrementar o aproveitamento da luz  e a ventilação. Ainda assim, a fachada industrial e as chaminés são mantidas, preservando a memória industrial.

Coal Drops Yard / Heatherwick Studio

© Hufton + Crow
© Hufton + Crow

O escritório britânico Heatherwick Studio foi responsável por transformar um par de edifícios vitorianos da década de 1850, que serviam para armazenamento do carvão que alimentava a indústria londrina, em um complexo comercial nas proximidades da King’s Cross. O projeto parte da ideia da extensão dos telhados originais, criando um ponto de encontro que se materializa na cobertura para um pátio central de circulação e acesso às lojas. 

Escola Secundária Popular de Roskilde / MVRDV Architects + COBE

© Ossip van Duivenbode
© Ossip van Duivenbode

A cidade de Roskilde, na Dinamarca, abriga um importante festival de música, e o projeto desta escola foi concebido no contexto do festival, como símbolo da cidade e do ensino dinamarquês. O programa de escola-residência, focado na educação “não-formal” de jovens adultos,  foi implantado pela dupla de escritórios na carcaça de uma antiga fábrica de concreto, da qual foi mantida a estrutura original.

Escola Superior de Belas Artes de Nantes Saint-Nazaire / Franklin Azzi Architecture

© Luc Boegly
© Luc Boegly

A nova sede para a escola de Belas Artes de Nantes foi construída a partir da remodelação de um antigo conjunto de armazéns da Alston. A marcante estrutura metálica dos armazéns originais funciona como cobertura para abrigar o novo programa e é envolta por uma fachada de elementos translúcidos.

Novo Laboratório, Centro de Pesquisa e Fábrica / Marvel Architects

© David Sundberg | Esto
© David Sundberg | Esto

Em alguns casos, atividades industriais passam a conviver com atividades do setor terciário, que ganham uma importância especial. Esse projeto de readaptação de um antigo edifício industrial no Brooklyn, pela Marvel Architects, lida diretamente com essa questão, constituindo espaços com múltiplas funções que se conectam através de passarelas, de modo a compor um sistema de elementos metálicos estruturais e de circulação.

SESC Pompéia / Lina Bo Bardi

© María González
© María González

O clássico projeto brutalista de Lina Bo Bardi une a linguagem de dois antigos galpões industriais com fachada em tijolo aparente à do concreto exposto para criar um centro comunitário cultural e esportivo. Os detalhes na cor vermelha sublinham o caráter lúdico aos espaços criados pela arquiteta. 

Streetmekka Viborg / EFFEKT

© Rasmus Hjortshøj
© Rasmus Hjortshøj

Em uma zona industrial suburbana de Viborg, na Dinamarca, os arquitetos do EFFEKT aproveitam um armazém da década de 1960 no projeto para um centro de esportes de rua - skateboarding, parkour, basquete e ciclismo. A estrutura original em concreto é mantida e encoberta por uma estrutura secundária, que por sua vez é revestida por uma membrana translúcida. 

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Sobre este autor
Cita: Isabel Martin. "Arquitetura (des)industrial: 8 projetos que ressignificam o espaço da máquina" 19 Out 2019. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/926578/arquitetura-des-industrial-8-projetos-que-ressignificam-o-espaco-da-maquina> ISSN 0719-8906

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