Chilean Atacama Desert. Image by European Southern Observatory with known IDsCC-BY-4.0European Southern Observatory Images ESO files uploaded by OptimusPrimeBot licensed under the Creative Commons Attribution 4.0 International license
A arquitetura já não pode ser pensada como um objeto isolado, alheia às redes técnicas que sustentam a vida contemporânea, — um cenário que exige diferentes leituras e abordagens. É nesse contexto que em março, o tema mensal do ArchDaily recaiu sobre A Tecnosfera: Arquitetura na Intersecção da Tecnologia, Ecologia e Sistemas Planetários, tópico amplo e inevitavelmente complexo. A partir do conceito de tecnosfera, cunhado pelo geólogo Peter Haff para descrever o conjunto de artefatos produzidos pela humanidade, delineia-se um panorama em que a vida contemporânea se mostra profundamente entrelaçada a máquinas, dados e redes de energia.
La Sagrada Família, de Antoni Gaudí. Imagem de Maksim Sokolov, via Wikimedia Commons, Licença CC BY-SA 4.0
À medida que 2025 se aproxima do fim, aguardamos ansiosamente por 2026, um ano que promete a entrega de uma série diversa de projetos arquitetônicos de grande relevância ao redor do mundo. O período se destaca especialmente pela conclusão de importantes obras de infraestrutura e equipamentos culturais, incluindo projetos de longa duração que finalmente chegam à etapa final. A Europa estará em evidência com os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão–Cortina 2026. O evento contará com projetos como a Vila Olímpica, assinada por SOM, e a Arena Olímpica de Inverno, projetada por David Chipperfield Architects. Ainda em Milão, BIG deve concluir o City Wave, parte de um novo distrito de negócios da cidade. Paralelamente, após mais de 140 anos desde o início de sua construção, arquitetos do mundo todo acompanham com expectativa a tão aguardada conclusão da Sagrada Família, de Antoni Gaudí, em Barcelona, prevista para 2026.
À medida que o ano se aproxima do fim, é novamente hora da equipe de curadoria do ArchDaily refletir sobre os projetos mais bem-sucedidos de 2025 e considerar quais foram os mais interessantes para os leitores. Através desta visão diversificada, avaliamos as semelhanças e diferenças em tendências e soluções construtivas. Nesse ano, tivemos muitos espaços culturais e públicos de grande escala por Lina Ghotmeh, BIG, Zaha Hadid Architects, DnA e Serie Architects, que marcaram presença em eventos como a Expo Osaka e a Bienal de Veneza, além de um número surpreendente de museus e obras públicas ou de paisagismo na China e em todo o restante do continente asiático. No entanto, ao mesmo tempo em que esses foram projetos muito procurados, as obras mais populares permaneceram, sem surpresa, sendo os projetos residenciais.
Mais especificamente, as casas mais vistas no ArchDaily global possuem estrutura de concreto com considerável presença de vegetação e foco no paisagismo. Elas propõem layouts que destacam vazios e pés-direitos duplos, bem como pátios internos ou grandes aberturas para o exterior. Embora algumas referências tenham sugerido elementos tradicionais ou vernaculares, as reinterpretações modernistas ainda foram predominantes. As tendências de materiais são muito mais contidas, com uma recorrência do uso de concreto aparente, enquanto a madeira e a pedra foram elementos de destaque comuns. Ainda assim, o mais interessante sobre as obras deste ano são os esforços dos arquitetos em situar e inserir os projetos em seus entornos, dando atenção especial à paisagem e como os projetos se fundem com a natureza.
Ao longo do ano, a equipe de curadoria do ArchDaily se dedica em abastecer e expandir nossa biblioteca de projetos. Distribuídas por todo o mundo, cada curadora analisa cuidadosamente os melhores projetos provenientes de suas respectivas regiões, em um esforço para alcançar uma representação diversificada das mais inspiradoras e inovadoras obras construídas. A equipe está sempre buscando por práticas emergentes, novas tecnologias e o resgate de técnicas de construção tradicionais. Ao promover tanto iniciativas de cunho social, bem como grandes obras de arquitetos renomados, procuramos oferecer uma visão holística atual do ambiente construído, que é transmitida por meio da retrospectiva anual de projetos.
Torre PIF, Riyadh, Arábia Saudita Foto: Bader Otaby. Imagem Cortesia: The International High-Rise Award 2022/23
Dois quilômetros. Essa é a altura esperada para a futura torre saudita que Foster + Partners está projetando. Com o dobro da altura do atual recordista - Burj Khalifa de Dubai -, o edifício multibilionário coroará o céu da cidade de Riad abrigando escritórios, residências e espaços de entretenimento. O projeto faz parte de um programa de desenvolvimento pelo qual a Arábia Saudita está passando, liderado pela visão do príncipe herdeiro Mohammad bin Salman de marcar o país com escala e ambição por meio de uma série de empreendimentos gigantes. Dentro desse plano de ação, as torres super altas destacam-se como símbolos de visibilidade e fama global, mas também como alvos de críticas pelos seus excessos, tais quais os custos de construção astronômicos e a falta de preocupação ambiental.
Localizado ao longo da orla de Manhattan do Rio East, o Freedom Plaza tem como objetivo criar um novo centro cívico e cultural, introduzindo um novo espaço aberto e verde em uma área densa, com planos para adicionar um Museu da Liberdade e Democracia no parque. Além disso, o projeto feito pelo BIG-Bjarke Ingels Group inclui unidades habitacionais acessíveis, dois hotéis, comércio e restaurantes. Desenvolvido pelo Soloviev Group e Mohegan, o empreendimento Freedom Plaza reimagina um dos maiores terrenos vagos de Manhattan, medindo 2,7 hectares, localizado ao sul da sede das Nações Unidas no bairro de Midtown East.
Após vencer o concurso internacional para o projeto da Filarmônica Vltava em maio de 2022, o escritório dinamarquês BIG - Bjarke Ingels Group divulgou o projeto arquitetônico detalhado. O projeto mantém o conceito apresentado na competição, que visa conectar a margem do rio com a cobertura da nova edificação por meio de um caminho sinuoso, ampliando o espaço público e convidando os visitantes a interagirem com o volume. A construção está prevista para iniciar em 2027 e a inauguração da Filarmônica está prevista para 2032.
O BIG divulgou imagens de seu projeto "Not A Hotel Setouchi" (Não é um Hotel em Setouchi) no Japão. A inspiração para o projeto provém da beleza circundante e das obras de arte paisagísticas japonesas, localizadas no cabo sudoeste da Ilha Sagi, com vista para o Mar Interior de Seto. Composto por três vilas de férias distintas, o Not a Hotel pretende harmonizar influências arquitetônicas japonesas e dinamarquesas.
Em 2017, o Bjarke Ingels Group (BIG) divulgou a proposta para um empreendimento no centro de Copenhague. O projeto inclui uma loja da IKEA, um hotel econômico e unidades residenciais conectadas por espaços verdes. Como parte do desenvolvimento, o BIG projetou duas torres residenciais em altura conhecidas como "KaKtus Towers", unidas por um parque público elevado. Uma série de imagens divulgada recentemetne mostra o andamento das obras, que devem ser concluídas ainda em 2024.
O BIG divulgou um novo projeto para a turnê mundial da banda dinamarquesa WhoMadeWho. Com elementos audiovisuais desenvolvidos em colaboração com flora&faunavisions, EyeMix Studio e Christopher Mulligan, o projeto conta com uma esfera inflável criada para se tornar uma tela para as projeções de vídeo tridimensionais que contribuem para a experiência do show. A turnê começou em novembro de 2023 e passará por várias cidades ao redor do mundo, incluindo Paris, Madri, Berlim, Istambul, Nova York, Los Angeles, Santiago do Chile, Londres, bem como a cidade natal da banda, Copenhagen.
O BIG divulgou recentemente o projeto da cidade de Gelephu, um masterplan que se inspira na cultura do Butão, seus princípios de felicidade e seu patrimônio espiritual. Durante o 116º Dia Nacional do Butão, o Rei Jigme Khesar Namgyel Wangchuck apresentou os projetos para o futuro centro econômico do país. Desenvolvido em colaboração com a Arup e a Cistri, o plano adere aos padrões sustentáveis do primeiro país do mundo a apresentar índices negativos de emissão de carbono.
Ao refletirmos sobre o tumultuado ano de 2023 e seus eventos, é evidente que os desafios impostos pelas condições ambientais em constante mudança deixaram uma marca indelével em todo o mundo. Em resposta, arquitetos e urbanistas passaram a procurar maneiras nas quais suas ações possam contribuir para a criação de ambientes mais seguros para as comunidades, com arquiteturas de emergência de implantação rápida e estratégias de longo prazo para construir resiliência e mitigar riscos.
Além de simplesmente responder a eventos, como os devastadores terremotos na Turquia, Síria e Marrocos, ou as enchentes generalizadas na Líbia ou no Paquistão, arquitetos estão tentando adotar abordagens proativas. Eles desenvolvem estratégias que vão desde a modelagem preditiva até a aplicação de técnicas de renaturalização, passando pela pesquisa contínua na física de estruturas mais seguras e resilientes.
Sun Tower / OPEN Architecture. Imagem cortesia de OPEN Architecture
Ao nos aproximarmos do final de 2023, analisamos a evolução do campo da arquitetura, mas também antecipamos os projetos mais aguardados de 2024. Enquanto Paris se prepara para sediar os Jogos Olímpicos de Verão de 2024, diversos projetos e atualizações de infraestrutura foram planejados para apoiar o evento. Outro marco para Paris será a reabertura da Catedral de Notre-Dame. As obras de reconstrução do monumento do século XII danificado pelo fogo se aproximam da conclusão.
A seleção de projetos abrange diversas escalas e programas, desde obras de restauração e expansão, como o plano da OMA para o Museo Egizio em Turim, ou o Grand Residential Building de David Chipperfield na Bélgica, até arquitetura desenvolvida em colaboração com povos indígenas, como o Čoarvemátta da Snøhetta no Norte da Noruega, instalações culturais na Ásia e na Europa, e edifícios ambientalmente conscientes, como o Hotel da Studio Gang nos Estados Unidos.
Imagens divulgadas pelo BIG mostram o One High Line próximo da conclusão. Localizado na "Architecture Row", em Nova York, o conjunto de torres torcidas marca o horizonte do Rio Hudson junto de vizinhos como o edifício IAC de Frank Gehry, o Museu de Arte Americana de Renzo Piano e The Chelsea Nouvel ("100 Eleventh Avenue") de Jean Nouvel, juntamente com futuros projetos de Thomas Heatherwick e outros arquitetos renomados. As duas torres projetadas pelo BIG criam um pátio central que ativa o espaço público com instalações comerciais e de varejo. A parte externa das torres e boa parte dos interiores estão concluídos, e o pátio deverá ser finalizado no início de 2024.
Distrito de Inovação da Cidade de Ho Chi Minh / Sasaki. Imagem cortesia de Sasaki
À medida que a tecnologia e a infraestrutura evoluem rapidamente, uma palavra da moda se mostra presente nas conversas de diversas indústrias: inovação. Uma palavra que é mais relevante ainda diante de desafios futuros, como mudanças climáticas, desigualdade e crises econômicas. Como resultado do crescente interesse nesses conceitos, surgiram em todo o mundo hubs de inovação, com o objetivo de fomentar economias criativas e colaborativas para promover mudanças rápidas. Mas, afinal o que são distritos de inovação e como eles influenciam o ambiente construído?
O Bjarke Ingels Group anunciou o projeto Park Rise Residences, um novo empreendimento no bairro de Little Athens, em Ellinikon, com casas modernas, espaços verdes, lojas, escritórios e hotéis. Ellinikon é um ambicioso projeto de regeneração urbana que reimagina os terrenos do antigo Aeroporto Internacional de Atenas e os transforma em uma "smart city" de 6,2 milhões de metros quadrados. Dentro deste empreendimento, o bairro Little Athens pretende se tornar uma parte integrada do ecossistema urbano inteligente Ellinikon, levando 1.100 novas residências para a costa noroeste do projeto.
Arranha-céus são símbolos icônicos de modernização urbana e avanços tecnológicos em toda a América do Norte. Com efeito, essas estruturas são consideradas um sinal de prosperidade econômica, densidade urbana e da ambição humana. Em grandes cidades em todo o sub-continente, eles dão forma para o horizonte e identidade a essas metrópoles. Cidades como Nova York, Toronto e Miami mostram poder por meio desses projetos de ponta, que vão além de sua estatura física.
De maneira geral, arranha-céus são caracterizados por sua altura notável e pioneirismo na engenharia. Eles utilizam materiais como aço, vidro e concreto, e servem como espaços multifuncionais, que vão desde moradia até hotéis e escritórios. Arquitetos de todo o mundo ampliam os limites da criatividade arquitetônica, do design, da sustentabilidade e da funcionalidade ao construir esses edifícios. As estruturas permitem que os arquitetos maximizem o uso da terra de novas maneiras em áreas urbanas densamente povoadas.