Pode a arquitetura ser construída a partir da comida? Entre o fogo que aquece, os cheiros que se espalham e os corpos que se reúnem em torno da mesa, a aparente banalidade dos atos de cozinhar e comer revela-se como uma dança coreografada de apropriação e pertencimento espacial. São gestos que organizam rotinas, produzem vínculos e transformam o ambiente construído em lugar vivido. A cozinha — doméstica, comunitária ou urbana — deixa, assim, de ser apenas um espaço funcional para afirmar-se como território de encontro.
Os breakfast nooks, oucantinhos do café da manhã, surgiram no início do século XX como resposta ao aumento da densidade doméstica e às transformações na vida cotidiana. Enraizados no movimento Arts and Crafts norte-americano e difundidos nas casas tipo bangalô das décadas de 1910 e 1920, eles evoluíram das mais formais salas de café da manhã vitorianas para espaços compactos e embutidos, integrados à cozinha. À medida que as casas se tornaram menores e mais econômicas, arquitetos e fabricantes de marcenaria passaram a usar bancos e mesas fixas para ocupar cantos, nichos e janelas em bay window que, de outra forma, seriam áreas pouco aproveitadas. Esses recantos iluminados ofereciam uma forma acessível de concentrar atividades diárias sem abrir mão do conforto e da clareza espacial.
"Sentir-se em casa" é uma expressão que representa as sensações de acolhimento e conforto as quais transformam um espaço em um verdadeiro refúgio. Para alcançar essa experiência, diversos elementos — como cores, texturas, iluminação e materiais — desempenham um papel essencial, construindo um ambiente que promove relaxamento e bem-estar. Apoiado por estudos no campo da psicologia ambiental e neurociência, esse vínculo entre o ambiente físico e o comportamento humano evidencia como a arquitetura influencia diretamente a criação de atmosferas podendo, inclusive, transformar o caos em tranquilidade.
O BIG divulgou imagens de seu projeto "Not A Hotel Setouchi" (Não é um Hotel em Setouchi) no Japão. A inspiração para o projeto provém da beleza circundante e das obras de arte paisagísticas japonesas, localizadas no cabo sudoeste da Ilha Sagi, com vista para o Mar Interior de Seto. Composto por três vilas de férias distintas, o Not a Hotel pretende harmonizar influências arquitetônicas japonesas e dinamarquesas.
Em 2017, o Bjarke Ingels Group (BIG) divulgou a proposta para um empreendimento no centro de Copenhague. O projeto inclui uma loja da IKEA, um hotel econômico e unidades residenciais conectadas por espaços verdes. Como parte do desenvolvimento, o BIG projetou duas torres residenciais em altura conhecidas como "KaKtus Towers", unidas por um parque público elevado. Uma série de imagens divulgada recentemetne mostra o andamento das obras, que devem ser concluídas ainda em 2024.
Os escritórios MVRDV e LOLA Ladscape Architecture divulgaram o projeto para um novo empreendimento, o "Grüne Mitte" em Düsseldorf, Alemanha. Centrado na comunicação aberta, negociação e compromisso, o projeto tem como objetivo introduzir 500 novos apartamentos e espaços comunitários para melhorar o bairro. Aproximadamente 50% do plano é designado como moradias sociais ou acessíveis, que foram projetadas a partir de processos participativos com os moradores.
Spring Rain, pórtico, parede e escada para a Escola do Porto de Qianhai, Shenzhen, 2022. Em colaboração com Tu'an Architecture Design Company (Guangzhou). Imagem cortesia do estúdio ACF
O Royal Institute of British Architects (RIBA) e a Jencks Foundation anunciaram o escritório Dogma como vencedor do Charles Jencks Award de 2023. Anteriormente concedido a Zaha Hadid,Níall McLaughlin, Herzog & de Meuron, e OMA, o prêmio celebra outras formas de pensamento e produção que podem impulsionar a arquitetura além do design. Vencedores deste ano, Dogma é um escritório de arquitetura sediado em Bruxelas que se concentra na interação entre arquitetura e ambientes urbanos.
Terrenos em declive, encostas, morros, colinas ou montanhas, representam um desafio aos arquitetos e engenheiros, mas também a possibilidade de criar casas que se apropriam do contexto para se tornarem ímpares. Após um estudo cauteloso da topografia, compreensões sobre o solo, sua drenagem, o acesso a sistemas de energia e hidráulica, pensar em como integrar a casa com a paisagem, sua estética e, sobretudo, torná-la um ambiente seguro e acolhedor é papel dos responsáveis por seu projeto arquitetônico.
Como verdadeiros orquestradores espaciais, a expertise dos arquitetos se estende além da simples construção de edifícios, muitas vezes transcendo o reino físico do design. Eles possuem a habilidade única de criar espaços que não apenas são visualmente atraentes, mas que também parecem acolhedores, harmoniosos e, acima de tudo, funcionais. Abraçar esse papel fundamental envolve uma consideração cuidadosa de todos os detalhes que compõem um projeto; desde as fundações de um prédio até um sofá, os arquitetos devem garantir que todos os elementos, em todas as escalas, se unam de maneira coesa e influenciem positivamente nossas vidas cotidianas.
A biblioteca de projetos da ArchDaily é gerenciada por nossos curadores, que buscam constantemente enriquecer nossa seleção com as obras mais interessantes, evidenciando enfoques e critérios distintos e inclusivos. Este ano, começamos a destacar as escolhas de nossa equipe de curadoria na conta do ArchDaily no Instagram, onde nossos curadores lançam luz sobre alguns projetos que abordam temas interessantes e características únicas.
Começou a construção do projeto La Serre, do MVRDV. Localizado no eco-bairro ZAC Léon Blum em Issy-les-Moulineaux, nos arredores de Paris, e projetado pela MVRDV em colaboração com a arquiteta paisagista Alice Tricon e a incorporadora OGIC, o empreendimento visa desafiar a tradicional forma de viver em apartamentos, integrando a natureza ao ambiente urbano. O projeto inclui unidades residenciais, lojas e uma abundância de áreas verdes, com o objetivo de criar um refúgio de biodiversidade.
O escritório MVRDV divulgou o projeto de um novo complexo residencial no Enterprise Research Campus, localizado no bairro Allston de Boston, Massachusetts, ao lado da Harvard Business School. O empreendimento, que já está em construção, compreende 343 apartamentos, com 25% deles destinados a unidades acessíveis. Além das residências, o projeto inclui serviços para os moradores e espaços comerciais para pequenas empresas locais, com o propósito de criar um ambiente inclusivo e agradável dentro do novo distrito urbano.
Em um terreno que também abriga o Centro Olímpico Esportivo, o complexo dos Jogos Asiáticos de 2023, a UNStudio divulgou o projeto do novo Hiwell Amber Centre, um complexo de quatro torres planejadas para oferecer uma mistura de escritórios, apartamentos, hotéis, espaços de arte e comércio ao centro da cidade de Hangzhou, China. Respondendo ao rápido crescimento econômico e cultural da região, o novo empreendimento tem como objetivo oferecer uma ampla gama de serviços para residentes e visitantes. Para se abrir à cidade, a fachada de vidro lisa das torres revela uma estrutura semelhante a uma tapeçaria que envolve as praças e os espaços cívicos, criando uma "sala de estar urbana".
Em Paris, no décimo terceiro arrondissement, o escritório de arquitetura Moreau Kusunoki concluiu o Le Berlier, uma torre de madeira de 50 metros de altura que inclui unidades residenciais e uma série de outros serviços. Localizado na confluência de diversos fluxos urbanos, redes e escalas, o projeto busca equilibrar inovação, monumentalidade e conforto doméstico. O novo complexo residencial conta com uma fachada em grelha feita de madeira carbonizada e pré-temperada.
Um lar não pode ser definido como uma simples edificação, catalogado por seus materiais e descrito espacialmente. Um lar é um conjunto de rituais, de rotinas, de memórias que se mesclam entre as paredes, as texturas e os cheiros do lugar. Por isso mesmo, ele não pode ser construído em um instante, requer uma dimensão temporal, uma continuidade que marca a adaptação da família e do indivíduo no espaço.
No centro da cidade de Lugano, na Suíça, o arquiteto Mario Botta projetou uma nova solução habitacional sobre as fundações do antigo Cinema Teatro Cittadella. Feita por Paul Clemence, esta série de fotos exibe o novo conjunto nessa cidade rica em passado artístico e cultural. O complexo residencial está localizado próximo à antiga basílica do Sagrado Coração de Lugano, situada em uma área tranquila, afastada do tráfego da cidade.