
Um lar não pode ser definido como uma simples edificação, catalogado por seus materiais e descrito espacialmente. Um lar é um conjunto de rituais, de rotinas, de memórias que se mesclam entre as paredes, as texturas e os cheiros do lugar. Por isso mesmo, ele não pode ser construído em um instante, requer uma dimensão temporal, uma continuidade que marca a adaptação da família e do indivíduo no espaço.
Quando se trata do lar da infância, as sensações misturam-se entre as invenções da memória já embaralhada e o que de fato acontecia por entre suas paredes. Esse lar das lembranças é, portanto, aquele que visitamos oniricamente, avesso a qualquer descrição objetiva, flutuando nas ilusões do passado. O tal lar dos sonhos, como Bachelard afirmou, pode variar em muitas características, mas essencialmente tem um sótão e um porão. O primeiro simbolicamente armazenaria as memórias agradáveis e o segundo esconderia as recordações desagradáveis, ambas fundamentais para o nosso bem-estar.













