"Tem bala de coco e peteca Deixa a criança brincar Hoje é dia de festa A ibejada vem saravar." — Ponto de erês
As ruas vivem quando são dos erês e morrem quando são dos carros. Sonho com um projeto que pretendo colocar em prática quando o tempo permitir: escrever um manual com as regras fabulares da amarelinha, da carniça, do jogo de botão, do preguinho, do pique-bandeira, das cirandas cirandinhas, do lenço-atrás, do futebol em ladeiras, do queimado e das variantes da bola de gude. O título está pronto: "Ecologia Amorosa das Brincadeiras de Rua".
https://www.archdaily.com.br/br/1027295/a-cidade-e-as-criancasLuiz Antonio Simas
Intervenção realizada na rua em frente a 4 escolas públicas. Foto: Acervo CoCriança
Ao longo das últimas décadas, as cidades vêm sofrendo profundas e rápidas transformações, as quais vêm impactando muito também a infância. Enquanto as cidades estão cada vez maiores e mais complexas, vem crescendo uma população infantil cuja qualidade de vida urbana deteriorou-se notavelmente. As crianças perderam seus espaços na cidade e encontram-se, cada vez mais, em espaços fechados e institucionalizados.
O imaginário da cidade enquanto perigosa vem se fortalecendo, estabelecendo uma relação cíclica: com menos crianças nas ruas, estas são dominadas por carros que circulam em alta velocidade, o que dificulta o uso do espaço, o que por sua vez incita o aumento da violência, o que afasta as crianças — e todos — das ruas. A baixa frequência de crianças brincando nas ruas e demais áreas públicas dos centros urbanos também faz com que este segmento seja pouco visível aos olhos dos adultos e das políticas públicas.
Um lar não pode ser definido como uma simples edificação, catalogado por seus materiais e descrito espacialmente. Um lar é um conjunto de rituais, de rotinas, de memórias que se mesclam entre as paredes, as texturas e os cheiros do lugar. Por isso mesmo, ele não pode ser construído em um instante, requer uma dimensão temporal, uma continuidade que marca a adaptação da família e do indivíduo no espaço.
Mais de um bilhão de bebês e crianças vivem em ambientes urbanos. Mas a forma como as cidades são planejadas não consideram as suas necessidades e nem as das pessoas responsáveis por seus cuidados. Visando apoiar tomadores de decisão e profissionais de planejamento urbano e transportes na missão de melhorar o acesso de milhares de crianças brasileiras às oportunidades urbanas, O ITDP Brasil lançou o material Acesso para bebês, crianças pequenas e pessoas cuidadoras,realizado em parceria com a Fundação Bernard van Leer.
https://www.archdaily.com.br/br/1007736/nossas-cidades-estao-atendendo-as-demandas-de-bebes-e-criancasITDP Brasil
Jundiaí (SP) implementou seu primeiro projeto-piloto de rua completa, como parte da criação de uma Área da Infância. A intervenção redistribuiu o espaço da rua Lacerda Franco de forma mais democrática entre os diversos usuários da via, incorporando ciclofaixa, extensões de calçada e outras medidas moderadoras de tráfego. Assim, ampliou os espaços de convivência e aumentou a segurança das crianças de várias escolas que frequentam a região.
https://www.archdaily.com.br/br/999619/jundiai-inaugura-rua-completa-com-area-dedicada-a-primeira-infanciaLarissa Oliveira, Bruno Batista e Reynaldo Neto
A Global Designing Cities Initiative (GDCI) lançou um Guia Global de Desenhos de Ruas para ajudar urbanistas na difícil tarefa de incluir em seus projetos todos os atores dos cenários urbanos. A publicação se tornou uma referência e ganhou agora um guia especial, destinado às crianças. O guia Desenhando Ruas para Crianças, tradução para o português do original em inglês Designing Streets for Kids, já está disponível em diferentes idiomas, inclusive o português.
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via Cities for Play. Designing Child Friendly High Density Neighbourhoods
A Escola da Cidade, por meio dos cursos Arquitetura, Educação e Sociedade e Mobilidade e Cidade Contemporânea do Programa de Pós-Graduação, em parceria com o programa Criança e Natureza do Instituto Alana, contou com a presença de Ursula Troncoso para oferecer duas aulas com a intenção de fomentar uma agenda de criação de cidades mais verdes, acessíveis e amigáveis às crianças que inclua a infância no centro do debate sobre cidades, entendemos ser necessária a formação de uma rede com articulação entre universidades, gestores públicos e sociedade civil, a fim de promover ações pautadas na inovação urbana, qualidade de vida, sustentabilidade e bem-estar para as crianças e para o planeta.
https://www.archdaily.com.br/br/978197/a-infancia-no-brasil-e-urbana-ursula-troncoso-fala-sobre-cidade-crianca-e-mobilidadeEscola da Cidade
Quer eles cresçam ou não para serem arquitetos, as habilidades básicas que impulsionam o design e a arquitetura podem ter enormes benefícios para nossos filhos. A maneira como as crianças crescem para pensar, se comportar, resolver problemas e criar pode ser aprimorada incomensuravelmente, ensinando-as desde tenra idade a pensar como arquitetos.
A partir de julho, 11 novas cidades brasileiras passam a fazer parte da iniciativa Urban95. No total, são 24 cidades no Brasil que já assumiram o compromisso de criar e fortalecer ações com foco na primeira infância em espaços públicos, gerenciamento de dados, programas e serviços. E que essas ações sejam transformadas em políticas públicas.
A Urban95 parte da seguinte pergunta: "Se você tivesse 95 cm de altura (a altura média de uma criança de três anos), o que você faria diferente na cidade?". Com essa visão em mente, a proposta é desenhar e implementar políticas de transformação urbana e de serviços. A meta é construir cidades que sejam boas para as crianças e, consequentemente, para todos e todas.
https://www.archdaily.com.br/br/965094/urban95-iniciativa-que-promove-cidades-adequadas-a-criancas-ja-conta-com-24-municipios-brasileirosEquipe ArchDaily Brasil
Crianças brincando na Avenida Paulista, num domingo. Foto: Eduardo Augusto de Carvalho.
A temática da ausência da criança na cidade contemporânea, e a busca por soluções que permitam sua mobilidade com mais autonomia e divertimento, norteou um estudo com cerca de 130 crianças, de 7 a 12 anos, de diferentes classes sociais, moradoras do distrito da Consolação, na cidade de São Paulo. Depois de caminhar, conversar e desenhar com as crianças um percurso ideal entre a praça e a escola, foi desenvolvida uma proposta de intervenção [2], que costura os bairros de Vila Buarque e Higienópolis e pretende trazer os pequenos para brincarem em grupo, ao ar livre, todos os dias.
Personagem indissociável de Brasília, Athos Bulcão é responsável por obras que trazem cor e padrões geométricos à pureza das arquiteturas da capital federal. Com o objetivo de disseminar a produção deste artista, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) lançou o livro Athos, Colorindo Brasília, primeiro volume da coleção Patrimônio para Jovens, uma iniciativa da Superintendência do Iphan no Distrito Federal e da Secretaria de Educação do DF (SEDF).
https://www.archdaily.com.br/br/904530/vida-e-obra-de-athos-bulcao-viram-temas-de-livro-infantilEquipe ArchDaily Brasil
Se você pudesse ver a cidade de uma altura de 95 centímetros – a altura media de uma criança saudável de 3 anos – o que você faria diferente? Como você organizaria os bairros, os espaços públicos, as áreas verdes, a habitação e o transporte? O que mais você mudaria ou melhoraria na cidade? Encontrar respostas para essas perguntas foi o objetivo do Urban95 Challenge, por meio do qual a Fundação Bernard van Leer (FBvL) ofereceu apoios a projetos de pequena escala, de organizações formais e informais, além de universidades, governos e indivíduos de todo o mundo.
Foram recebidas mais de 150 inscrições, e 26 foram selecionadas. Os vencedores vieram de 18 países, representando todos os continentes. América Latina e Ásia foram as regiões com mais projetos, cada uma com oito selecionados. Brasil, Bangladesh e Índia lideram os vencedores com três projetos cada. Os projetos recebem apoios de 560 a 30 mil euros, dependendo de sua complexidade e duração, totalizando 460 mil euros em apoios.
A escola faz parte do cotidiano das crianças e adolescentes, mas muito do que acontece além da sala de aula pode influenciá-los. Caminhar até a escola é uma atividade capaz de educar e auxiliar na formação do aluno, despertando novos olhares para os espaços públicos da cidade. Mas como andam as nossas crianças e adolescentes?