O Distrito Federal de Brasília e a Casa da Arquitectura, em Portugal, firmaram um acordo para a partilha do acervo digital de Lucio Costa, urbanista responsável pelo Plano Piloto de Brasília. A assinatura ocorreu em 18 de fevereiro de 2025 no Palácio do Buriti, com a presença do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, do diretor-executivo da Casa da Arquitectura, Nuno Sampaio, e da ministra da Cultura de Portugal, Dalila Rodrigues.
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O Palácio Gustavo Capanema, localizado no Rio de Janeiro (RJ) e reconhecido como referência para a arquitetura e as artes brasileiras, tem previsão de ser entregue à população em 2024. No dia 15 deste mês, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) apresentou uma nova proposta para a ocupação do edifício. Do térreo ao terraço, o prédio será transformado em um conjunto de espaços dedicados a exposições sobre temas relacionados à arte e à formação da sociedade brasileira, além de abrigar atividades administrativas dos órgãos ligados ao Ministério da Cultura.
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Poucos lugares no mundo possuem uma sobreposição de complexidades tão intensa quanto Brasília. Ainda assim, sua arquitetura simboliza a República e a democracia do Brasil e qualquer ato de ataque a estes símbolos carrega significados e consequências à memória e ao patrimônio cultural do país. Os atos terroristas de janeiro de 2023 destruíram parte do nosso patrimônio mas também levantam questões que vão além dos objetos e da arquitetura, tangendo educação, cultura e capital político nacional.
Localizado no topo do plano piloto de Lúcio Costa, e como o único edifício sobre o canteiro central da asa leste do Eixo Monumental, o palácio do Congresso Nacional conta com uma localização privilegiada entre os edifícios públicos de Oscar Niemeyer em Brasília. O mais sóbrio dos palácios da Praça dos Três Poderes, o Congresso Nacional reflete a forte influência de Le Corbusier, ao mesmo tempo que insinua as formas mais românticas e caprichosas que caracterizam o modernismo brasileiro de Niemeyer.
Há mais de 60 anos, Brasília surgiu do interior do Brasil. Desenvolvida em um cerrado deserto entre 1956 e 1960, a cidade que substituiu o Rio de Janeiro como capital do país foi um empreendimento conjunto do urbanista Lúcio Costa e do arquiteto Oscar Niemeyer.
Com sua forma alada, Brasília tornou-se um poderoso símbolo, pois representa uma das mais puras encarnações da esperança, do esplendor e da ingenuidade da arquitetura do século 20.
“Se eu dissesse que Brasília é bonita, veriam imediatamente que gostei da cidade. Mas se digo que Brasília é a imagem de minha insônia, veem nisso uma acusação; mas a minha insônia não é bonita nem feia — minha insônia sou eu, é vivida, é o meu espanto.” — Clarice Lispector
Em 2020, Brasília completou 60 anos. O aniversário quase me escapou, mas, em tempos de isolamento, lembrei-me das caminhadas que tive oportunidade de fazer por lá no ano passado e que me despertaram para o belo, o não belo, e também para o “não óbvio” da famosa cidade modernista. Dito isso, compartilho aqui o meu espanto ao percorrer a pé a cidade-máquina.
Seja como ator, seja como escritor, Gregorio Duvivier faz a gente rir – e pensar – mesmo quando comenta os assuntos mais cinzentos dos dias de hoje. Uma forma, segundo ele, de criar laços e consolidar amizades.
Convidado do Betoneira Podcast, ele conversa também sobre Carnaval, espaços públicos e a rivalidade Rio-São Paulo, tema frequente de seu trabalho.
Divididos entre a admiração pela arquitetura moderna de Brasília, cidade onde estão sediados, e o respeito pelo bioma do Cerrado, onde estão inseridos, os arquitetos Daniel Mangabeira, Henrique Coutinho e Matheus Seco, sócios do escritório BLOCO Arquitetos, têm desenvolvido uma prática fundada na racionalização de recursos, simplicidade formal e atenção ao contexto natural ou urbano. Seus projetos variam da pequena à grande escala, compreendendo interiores comerciais, casas, edifícios residenciais, clubes e propostas urbanísticas.
Grande parte da produção da arquitetura moderna no continente americano foi baseada no modelo dos arquitetos europeus que, com suas obras, lançaram as premissas e ideias fundamentais para a vida moderna. Estes pilares da arquitetura foram transferidos, e consequentemente adaptados, ao território americano, introduzindo, ao mesmo tempo, suas próprias características de acordo com o contexto territorial, sócio-cultural e econômico.
Entendemos que uma boa arquitetura é aquela que serve como modelo para resolver problemas inerentes ao campo em geral. É por isso que certas referências que consideramos hoje como "clássicos" são exemplos de boas práticas arquitetônicas que foram apropriadas por outros arquitetos, a partir da adoção de elementos pertinentes e necessários para alcançar um resultado de acordo com cada contexto particular.
O projeto para o então denominado Ministério da Educação e Saúde Pública foi elaborado no decorrer do ano de 1936 pela equipe integrada pelos arquitetos Oscar Niemeyer, Affonso Reidy, Jorge Moreira, Carlos Leão e Ernani Vasconcelos, sob coordenação de Lucio Costa. A pedido do então Ministro Gustavo Capanema e com orientação de Le Corbusier, a equipe de jovens modernistas brasileiros ficou incumbida de dar identidade nacional ao edifício que viria a se tornar um dos maiores ícones de nossa arquitetura, em frontal oposição à estética dominante. A não contratação do projeto original, vencedor do concurso público realizado para este fim, é apenas uma parte desta incrível história.
Após lançar exposições virtuais das cidades de Parma, na Itália, Pittsburgh e Milwaukee, nos EUA, e Lagos, na Nigéria, a plataforma Google Arts & Culture inaugura agora a coleção Brasília: um Sonho Construído, que apresenta um passeio imersivo pela capital federal projetada por Lúcio Costa.
Com curadoria do Museu Nacional da República, a mostra contou com a colaboração do Arquivo Público do Distrito Federal, Instituto de Arquitetos do Brasil, Museu da Câmara dos Deputados, Supremo Tribunal Federal e outras organizações sediadas em Brasília. Através de imagens do Google Street View, os visitantes percorrem, por meio de tours virtuais em 360°, os corredores de seis museus da capital, entre os quais Museu de Valores, o Centro Cultural dos Três Poderes e também o prédio do Supremo Tribunal Federal (STF).
https://www.archdaily.com.br/br/972266/google-arts-and-culture-inaugura-exposicao-virtual-gratuita-sobre-brasiliaEquipe ArchDaily Brasil
Após a polêmica gerada pela notícia de que o espólio de Lúcio Costa fora doado à Casa da Arquitectura, instituição portuguesa que se dedica a salvaguardar o arquivo de arquitetos nacionais e internacionais, o Arquivo Público do Distrito Federal, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) buscam agora estabelecer um acordo de cooperação com a instituição sediada em Portugal.
https://www.archdaily.com.br/br/970952/brasilia-recebera-arquivos-digitais-do-acervo-de-lucio-costa-doado-a-portugalEquipe ArchDaily Brasil
Após receber o acervo completo de Paulo Mendes da Rocha em 2020, a Casa da Arquitectura - Centro Português de Arquitectura, com sede na cidade de Matosinhos, acaba de receber o espólio de Lucio Costa. A doação foi feita pela família do arquiteto e urbanista e abrange cerca de onze mil documentos produzidos entre 1910 e 1998.
https://www.archdaily.com.br/br/970467/acervo-de-lucio-costa-e-doado-a-casa-da-arquitectura-em-portugalEquipe ArchDaily Brasil
Hoje, dia 27 de fevereiro, celebramos o aniversário de Lucio Costa. Nascido em 1902 e falecido em 1998, esteve à frente de importantes projetos, mais notavelmente o plano piloto de Brasília e o Ministério da Educação e Saúde do Rio de Janeiro, com impactos marcantes na arquitetura e urbanismo do país. Nascido na França, por conta da profissão de seu pai almirante, morar em países como Inglaterra e Suíça durante seus anos de formação deu a ele uma formação pluralista e uma conexão relevante com o velho continente.
Trabalhando em parceria com a Ernst&Young em um projeto que vem sendo desenvolvido desde 2018, o escritório Carlo Ratti Associati (CRA) divulgou detalhes de sua mais recente empreitada, um arrojado projeto de expansão urbana para a cidade de Brasília que reinterpreta as superquadras e o plano diretor modernista concebido por Lúcio Costa em um “novo distrito de inovação e tecnologia imerso em natureza”.
A cidade brasileira está no centro dos debates atuais sobre qualidade de vida e justiça social em função do quadro pandêmico generalizado em que se encontram nossos núcleos urbanos. Há muito tempo, tanto a relevância do planejamento urbano, quanto o valor do bom projeto habitacional, não tinham o protagonismo que estão tendo hoje, para além dos ambientes sociais e técnicos onde atua o arquiteto. É como se tivéssemos esquecido que a cidade em que vivemos é de nossa responsabilidade e que o descaso é também uma forma de projeto. Agora a realidade cobra o seu preço.