
A arquitetura moderna brasileira é frequentemente celebrada como um marco de inovação e identidade nacional, projetando o país no cenário internacional com obras icônicas e uma estética própria. No entanto, pesquisas e publicações recentes trazem a à tona o entrelaçamento da sua trajetória com narrativas coloniais, tanto em suas influências quanto em seus impactos sociais. Embora o modernismo tenha surgido como uma tentativa de romper com a herança acadêmica europeia, ele manteve relações de dependência com referências estrangeiras e incorporou estratégias de dominação que ecoam a lógica colonial.
A noção de que a modernização do Brasil e a construção de sua identidade nacional estão profundamente ligadas ao processo de colonização do território encontrou na arquitetura modernista um dos seus principais veículos de expressão ideológica. No entanto, essa perspectiva, que vem ganhando espaço nos debates recentes, ainda encontra resistência, sobretudo por estar atrelada a uma visão hegemônica— a de uma identidade nacional fundamentada em conceitos como a civilização tropical, a democracia racial e um modernismo distintamente brasileiro. Uma narrativa, amplamente disseminada pela arte, pela arquitetura e pela produção cultural midiática, que desempenha um papel central na construção da imagem do Brasil no cenário global há muitas décadas.












