Durante décadas, o patrimônio foi mais facilmente reconhecido a partir da rua. Protegemos fachadas, linhas do horizonte e monumentos porque são visíveis, estáveis e facilmente identificáveis como bens culturais. No entanto, a maior parte do que lembramos sobre viver está ligada a como comemos juntos, nos recolhemos, discutimos, cuidamos e descansamos — ações que acontecem longe do olhar público. Elas se desenrolam dentro dos ambientes. À medida que as plantas abertas silenciosamente dão lugar a limiares, corredores e cômodos mais definidos, surge uma questão mais profunda: e se a memória cultural sobreviver não no que a arquitetura exibe, mas na forma como é vivida?
O Prêmio Pritzker é o reconhecimento mais importante que um arquiteto(a) pode receber em vida. A honraria é outorgada todos os anos a arquitetos e arquitetas cuja obra construída "tenha produzido significativas contribuições para a humanidade ao longo dos anos", segundo explica a própria organização responsável pela premiação. Por esta razão, o júri presta homenagem a pessoas e não a escritórios, como já aconteceu em 2000 (Rem Koolhaas ao invés do OMA), 2001 (Herzog & de Meuron), 2010 (SANAA), 2016 (Elemental) e 2017 (RCR Arquitectes), premiando seus fundadores (como no caso do SANAA), o então, um deles (Elemental).
Cuadra San Cristóbal, Los Clubes, Atizapán de Zaragoza, Estado do México, 1966-1968. Esboço em perspectiva do pátio principal de Luis Barragán. Imagem via Fundação Barragan
Há dois anos, por iniciativa da Fundação Barragán, foi anunciado o lançamento do novo site da instituição. Isso representou o esforço em compilar toda a informação disponível até agora no Arquivo Barragán que foca no estudo de sua carreira, abrindo o panorama para entender sua trajetória e evolução a partir de uma cronologia clara de experimentos e colaborações, bem como de projetos não construídos ou demolidos. O site compila essas cinco décadas de trajetória e apresenta uma lista de 170 obras dentro e fora do país, que é atualizada à medida que mais materiais são coletados.
Grande parte da produção da arquitetura moderna no continente americano foi baseada no modelo dos arquitetos europeus que, com suas obras, lançaram as premissas e ideias fundamentais para a vida moderna. Estes pilares da arquitetura foram transferidos, e consequentemente adaptados, ao território americano, introduzindo, ao mesmo tempo, suas próprias características de acordo com o contexto territorial, sócio-cultural e econômico.
Entendemos que uma boa arquitetura é aquela que serve como modelo para resolver problemas inerentes ao campo em geral. É por isso que certas referências que consideramos hoje como "clássicos" são exemplos de boas práticas arquitetônicas que foram apropriadas por outros arquitetos, a partir da adoção de elementos pertinentes e necessários para alcançar um resultado de acordo com cada contexto particular.
Em 1984, o Menil Museum em Houston, Texas, contratou o arquiteto mexicano Luis Barragán para construir uma casa de hóspedes de 280 metros quadrados localizada do outro lado da rua da famosa Capela Rothko. O arquiteto voltou com um projeto para uma mansão deslumbrante em roxo, rosa e laranja de quase 750 metros quadrados que parecia mais adequada à Cidade do México do que a um lote residencial suburbano de Houston. Assim, devido ao conflito resultante entre cliente e arquiteto, a casa nunca foi construída, apenas exibida como uma exposição dentro das galerias do Menil.
Biblioteca de Muyinga. Imagem Cortesia de BC Architects
Em seu ensaio clássico de 1983 Por um regionalismo crítico: seis pontos para uma arquitetura de resistência, Kenneth Frampton discutiu uma abordagem alternativa para a arquitetura definida pelo clima, topografia e tectônica como uma forma de resistência à placidez da arquitetura moderna e a ornamentação gratuita do pós-modernismo. Uma atitude arquitetônica, o Regionalismo Crítico propôs uma arquitetura que abraçasse as influências globais, embora firmemente enraizada em seu contexto. O seguinte artigo explora o valor e a contribuição das ideias de Frampton para a arquitetura contemporânea.
Quantas arquitetas e arquitetos LGBTQIA+ você conhece? Certamente estudou com alguém, mas dificilmente ouviu algum professor citar uma referência. Trazer esses nomes à tona é fundamental para compreender como essa população possui papel fundamental no campo da arquitetura, nas suas áreas teóricas e práticas. Afinal, se torna mais evidente como alguns deles trazem vivências de suas identidades na hora de projetar ou debater as teorias arquitetônica e urbana. Um fator essencial para que qualquer pessoa que se identifique como LGBTQIA+ se sinta à vontade para se expressar livremente, com sua potencialidade e individualidade na profissão.
No último dia 9 de março, como parte das celebrações do 119º aniversário de nascimento do arquiteto mexicano Luis Barragán, a Barragan Foundation anunciou através de seu perfil oficial no Instagram o lançamento de seu reformulado website. A iniciativa tem dois propósitos, por um lado ela representa um esforço para aglutinar todas as informações disponíveis no Arquivo Barragán em um só lugar, facilitando a promoção e divulgação da trajetória de um dos mais importantes arquitetos mexicanos de todos os tempos e, por outro lado, ela redireciona o nosso olhar, revelando uma outra faceta de Barragán, até então desconhecida pela maioria dos arquitetos e arquitetas.
A arquitetura moderna no México pode ser compreendida a partir de suas diversas vertentes. O curso busca estudar e discutir, através de aulas teóricas e expositivas, a obra de quatro grandes arquitetos desse período no México: Juan O´Gorman (1905-1982), Luis Barragán (1902-1988), Mario Pani (1911-1993) e Félix Candela (1910-1997). As aulas abordarão os contextos históricos, políticos e culturais no México neste período, além de apontar paralelos com a obra de Le Corbusier e com outros artistas como José Clemente Orozco, Mathias Goeritz e Jesús “Chucho” Reyes. Deste modo, o curso busca compreender não apenas o discurso e prática destes
No dia 9 de março comemoramos o nascimento de Luis Barragán, um dos mais importantes arquitetos mexicanos de todos os tempos. Seguindo a recente divulgação dos últimos vencedores do Prêmio Pritzker de 2021, voltamos no tempo para falar do contexto no qual Barragán foi escolhido vencedor do mais importante prêmio de arquitetura a mais de quarenta anos atrás.
Alguns arquitetos são apaixonados por cores, alguns são impassíveis a ela, outros a odeiam e tem aqueles que preferem descartá-la como algo desnecessário na arquitetura. Em um ensaio sobre o assunto, Timothy Brittain-Catlin menciona o "puritanismo inato entre os clientes de arquitetura", os arquitetos e seu "constrangimento em relação ao uso da cor", e como "o modernismo buscou contornar o uso das cores vibrantes na arquitetura". O debate sobre a cor na arquitetura está longe de ser algo novo, no entanto não há uma conclusão unânime, e provavelmente, nunca a teremos.
Atualmente, onde o estereótipo do arquiteto sobriamente vestido de preto ainda persiste, e enquanto meditamos silenciosamente sobre a estranha definição da Cosmic Latte, existem arquitetos que não têm medo de usar amplamente a cor em tudo o que fazem. Por isso, editamos uma lista com 7 importantes arquitetos que seguiram este caminho, tanto no passado como no presente.
https://www.archdaily.com.br/br/881425/7-arquitetos-que-nao-tem-medo-de-usar-as-cores-em-seus-projetosZoya Gul Hasan
Como parte da agenda cultural do Jardín 17 - um espaço projetado por Luis Barragán como uma extensão da casa-estúdio e que há 20 anos recebe diferentes programas acadêmicos de todo o mundo - o arquiteto japonês Go Hasegawa projetou a instalação Flying Carpet (ou, Tapete Voador): um pavilhão suspenso em meio ao jardim de Barragán.
Teve a pior banca possível? Falhou nas provas finais? Não se preocupe! Antes de cair em sua cama e chorar até dormir, veja essa lista de nove célebres arquitetos que compartilhem uma característica em comum. Você pode pensar que um diploma de arquitetura brilhante é um requisito para ser um arquiteto de sucesso; por que mais você estaria há tantos anos na escola de arquitetura? Bem, embora o título de "arquiteto" possa ser protegido em muitos países, isso não significa que você não pode projetar arquitetura incrível - como demonstrado por esses nove arquitetos, que jogaram as convenções fora e tomaram a estrada menos percorrida para a fama.
A artista e escritora Jill Magid dirigiu um documentário dedicado à vida do "artista entre os arquitetos": Luis Barragán, um dos arquitetos mais celebrados do século XX. Após a sua morte em 1988, grande parte do seu trabalho foi guardado em um bunker suíço, escondido dos olhos do mundo. Em uma tentativa de ressuscitar a obra de Barragán, The Proposal lança uma proposta audaciosa que se torna uma fascinante obra de arte em si, um ato de negociação que explora até onde chega um artista para democratizar o acesso à arte.
A Porto Academy é o resultado de uma enorme paixão pela arquitetura como disciplina e está voltada para aqueles que acreditam que a prática - como exercício da profissão de arquiteto - é fundamental para o futuro da arquitetura.