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Habitação De Baixo Custo: O mais recente de arquitetura e notícia

De Chicago a Nápoles: o fracasso de dois grandes projetos de habitação social

A atual pandemia escancarou as muitas desigualdades enraizadas em nossa sociedade, especialmente no que se refere à distribuição extremamente desigual de recursos e infraestruturas públicas em territórios urbanos. Desde o início da corrente crise sanitária mundial, aqueles que podiam pagar, por exemplo, optaram por trocar a vida na cidade por suas confortáveis casas de final de semana em meio à natureza. No outro extremo, também testemunhamos como as pessoas mais pobres sofreram com a dificuldade de acesso à cidade, espaços públicos e áreas verdes—sendo forçados a continuar suas rotinas de trabalho e deslocamento apesar das muitas restrições e dos evidentes riscos de saúde pública. Para piorar, não podemos deixar de mencionar a questão do acesso (ou a falta de) à moradia digna e de que forma deveríamos abordá-la para responder aos muitos desafios do presente e do futuro.

Vele di Scampia. Imagem © Enzo Abramo under CC0 Public DomainCabrini-Green. Imagem © Wikimedia User David Wilson under the  Creative Commons Attribution 2.0 Generic license.Cabrini-Green. Imagem © Flickr User Eric Allix Rogers under the (CC BY-NC-ND 2.0) license.Cabrini-Green. Imagem © Flickr User UIC Library Digital Collections under the (CC BY-NC 2.0) license.+ 10

Habitação social contemporânea na China: resposta às restrições

Saskia Sassen, professora da Robert S. Lynd, de Sociologia da Universidade de Columbia, prevê em seu livro de coautoria "Os Documentos de Quito e a Nova Agenda Urbana" que, no futuro, as cidades serão um campo de batalha crucial, à medida que continuamos a lutar contra a gentrificação e o crescente grau de isolamento em nossas comunidades. Sassen argumenta que “as cidades devem ser um espaço inclusivo, tanto para os ricos quanto para os pobres. No entanto, nossas cidades nunca alcançaram igualdade para todos, já que nunca foram projetadas dessa forma. Mesmo assim, elas não devem ser lugares que toleram desigualdades ou injustiças”.

O que ordens de despejo têm a dizer sobre a desigualdade social nas grandes cidades

Um dos principais impactos da atual pandemia na economia das cidades foi o aumento das ordens de despejo e multas por atrasos no pagamento dos aluguéis. Sabe-se que a vida nas grandes cidades não é fácil e embora o salário médio nas metrópoles costuma ser maior se comparados a cidades de menor porte, os custos de vida também são relativamente mais altos. Isso significa que, uma vez desempregados—como os milhares de trabalhadores que perderam seus postos de trabalho por conta da pandemia—, os moradores das grandes cidades passam a enfrentar sérios problemas para poder pagar as suas contas. Neste início de retomada, a medida que a economia começa a dar sinais de recuperação, há uma série de questões que ainda precisam ser resolvidas, principalmente em relação ao endividamento de muitos inquilinos que por meses não tinham meios para poder pagar seus aluguéis. Neste contexto, o que fica claro é que o custo de vida nas grandes cidades está tornando a vida nas metrópoles praticamente insustentável para muitos trabalhadores—os quais se vêm entre a cruz e a espada e sem nenhuma opção de escolha.

Rompendo o estigma estético da habitação social

Historicamente, a estética e a funcionalidade representam dois dos principais valores relacionadas à arquitetura e ao planejamento urbano—e isso não é diferente quando lidamos com projetos de habitações sociais e acessíveis. Embora os princípios de beleza e utilidade, com a adição do conceito de firmeza, tenham sido utilizados para definir à arquitetura desde Vitrúvio, por outro lado, ao analisarmos a paisagem construída através destas três lentes apenas, acabamos deixando de contemplar uma série de outros importantes aspectos que caracterizam estas duas disciplinas. Frutos desta nossa inaptidão em perceber os diferentes valores que a arquitetura engendra são o preconceito em relação as qualidades (ou da suposta falta delas) estéticas em projetos de habitação social e habitações acessíveis, a estereotipação dos aspectos socioeconômicos que as fazem necessárias e o discurso discriminatório associado as pessoas que se beneficiam destas políticas habitacionais.

A estética da automação: analisando uma habitação de baixo custo impressa em 3D

A viabilidade da impressão em 3D na arquitetura - passou por uma mudança sísmica nos últimos anos. Geralmente rebaixados a protótipos ou modelos conceituais, os projetos de construção impressos em 3D estão cada vez mais atualizados com os projetos físicos. Em 2013, a WinSun, uma empresa chinesa - conseguiu imprimir 10 casas em um período de 24 horas, tornando-se uma das primeiras empresas a obter esse resultado ao usar a tecnologia de impressão 3D. Mais recentemente, em 2018, uma família na França tornou-se a primeira no mundo a morar em uma casa impressa em 3D. A cidade de Dubai também pretende que um quarto de seus prédios sejam impressos até 2025. Esses exemplos indicam a ascensão dessa tecnologia e com o passar dos anos, é possível que a automação na fabricação de edifícios seja uniforme e mais integrada ao processo de construção.

Crise habitacional em Cuba e a esperança por um novo futuro

A idade média de uma casa em Cuba é de pouco mais de 75 anos, e além disso, três delas desaparecem a cada novo dia que nasce. Neste contexto, a crise habitacional cubana talvez seja um dos exemplos mais dramáticos da desigualdade urbana no planeta. Embora em sua extensa história, Cuba tenha testemunhado diversas ondas de influência estrangeira em seu governo e, por sua vez, em suas políticas públicas e estratégias de planejamento urbano, nenhum de seus habitantes jamais foi privado de um teto onde morar. Neste momento, entretanto, o seu estoque imobiliário envelhecido está ruindo e milhares de pessoas se vêm forçadas a viver em abrigos compartilhados. Dito isso, o acesso à moradia digna em Cuba nunca esteve tão ameaçado e muito se pergunta sobre como o país está enfrentando esta crise habitacional sem precedentes. Investir na preservação e manutenção de um patrimônio construído maltratado por anos ou lançar-se a construir novas casas, bairros e cidades? Como está se dando o processo de atualização das normas locais e códigos de obras específicos no que se refere ao processo de transferência de propriedade e autonomia em relações aos projetos de reforma e construção?

via Dissolvevia Expat FocusCourtesy of American Institute for Economic Researchvia Brookings.edu+ 7

Nova Iorque busca propostas de moradias 100% acessíveis em Staten Island

O Departamento de Preservação e Desenvolvimento de Moradias (HPD) da cidade de Nova York divulgou uma Solicitação de Propostas (Request for Proposals - RFP) buscando planos para construir moradias 100% acessíveis em Stapleton, na costa norte de Staten Island. O terreno de propriedade da cidade tem mais de 9.290m² (100.000 pés quadrados) de área para habitação a preços acessíveis, espaços comunitárias e outras melhorias como parte do desenvolvimento de uso misto da ilha.

Cortesia de John BartelstoneCortesia de John BartelstoneCortesia de John BartelstoneCortesia de John Bartelstone+ 5

10 Tecnologias para cidades acessíveis

As grandes cidades do mundo estão enfrentando uma crise. As Nações Unidas estimam que até 2050, quase um bilhão de pessoas com deficiências viverão nas cidades, representando 15% do total de seus habitantes. Com paisagens urbanas repletas de metrôs, lojas e banheiros inacessíveis, a ONU declarou que o problema da acessibilidade representa um grande desafio para as cidades. Ao mesmo tempo, a maioria das cidades ao redor do mundo está perdendo a batalha para oferecer moradia segura, digna e acessível aos seus cidadãos, com aluguéis representando mais de 50% de algumas rendas familiares. O Fórum Econômico Mundial recentemente alertou que “um mundo onde que poucos podem pagar por moradia não é sustentável”.

O Wheelmap usa informações de crowdsourcing para avaliar áreas acessíveis das cidades. Imagem © Brokenlifts.orgLicensed under CC BY 2.0Stretch/Color. Imagem © Eric Bronson/Michigan PhotographyO iBuild permite que os cidadãos assumam o controle do processo de construção. Imagem © iBuild10 Tecnologias para cidades acessíveis+ 11

Microrresidências na China: "tiny houses" como solução para cidades densas

De acordo com a publicação das Nações Unidas, "As Cidades do Mundo em 2018", estima-se que, "em 2030, as áreas urbanas deverão abrigar 60% das pessoas em todo o mundo, e uma em cada três pessoas viverá em cidades com pelo menos meio milhão de habitantes. " Além disso, entre 2018 e 2030, estima-se que o número de cidades com 500.000 habitantes ou mais deverá crescer 23% na Ásia. A China, maior economia da Ásia, tem um PIB (PPC) de US $ 25,27 trilhões, e está se expandindo rapidamente, tanto econômica quanto demograficamente.

Com cada vez mais trabalhadores migrantes chegando às grandes cidades chinesas, tornou-se cada vez mais difícil encontrar um lugar acessível para morar. Algumas pessoas decidem se mudar dos centros urbanos e suportam o longo tempo de deslocamento, enquanto outras procuram soluções de design criativas para transformar sua casa, um espaço minúsculo, em uma casa funcional, que atenda às suas necessidades diárias.

Cortesia de Hey! CheeseCortesia de CL StudioCortesia de Weiqi JinCortesia de Hey! Cheese+ 18

Como aumentar o número de apartamentos de aluguel acessível? O caso de Barcelona

As autoridades municipais de Barcelona pretendem colocar em marcha uma iniciativa para ajudar a aumentar as unidades habitacionais de aluguel disponíveis na cidade. Ameaçam comprar forçosamente propriedades vazias para criar moradias mais acessíveis se os proprietários não alugarem seus imóveis vagos dentro de um determinado período de tempo.

OMA e YA Studio projetam conjunto habitacional totalmente acessível em San Francisco

Os escritórios OMA e Y.A. Studio foram selecionados para projetar um conjunto habitacional de 150 unidades no histórico bairro de Haight Ashbury em San Francisco. Nomeado 730 Stanyan, o projeto busca oferecer espaços de alta qualidade para famílias e idosos. O conjunto será construído na entrada do Golden Gate Park e atenderá à enorme demanda local por moradia acessível.

"Tiny Houses": o que significa reduzir o sonho da casa própria

O sonho de construir uma casa em um jardim com cerquinha branca parece não ser mais tão apelativo quanto outrora. Entre crises econômicas e habitacionais, o sonho da casa própria está cada dia mais distante do alcance do cidadão comum de classe média, uma retração global que resultou consequentemente em um acanhamento do próprio espaço habitável. Neste contexto, o movimento 'Tiny Houses' vem ganhando força no cenário internacional. Mas esta apologia ao espaço mínimo tem feito arquitetos e autoridades do mundo todo levantarem uma série de questões, perguntando se estas 'micro-arquiteturas' seriam capazes de resolver as questões mais urgentes em relação ao acesso à propriedade ou se servem apenas para glorificar e mercantilizar condições precárias de moradia.

Cortesia de thebearwalkCortesia de KleinCortesia de thebearwalk© Federico Villa+ 10

Projeto de habitação de interesse social em Frankfurt explora a tipologia de terraços

A recente parceria entre os holandeses do NL Architects e os arquitetos do STUDYO, escritório com sede em Colônia, acaba de render o mais novo projeto de habitação de interesse social na cidade Frankfurt. O empreendimento foi concebido para o próspero distrito de Hilgenfeld, no vale do rio Nidda, na Alemanha. Apelidado de Terrace House, o conjunto habitacional foi projetado para incentivar as trocas interpessoais e celebrar a vida em comunidade. Pensando nisso, os espaços do projeto se desenvolvem a partir de um pátio coletivo, para onde se voltam as varandas verdes e escalonadas da Terrace House.

Terrace House. Imagem Cortesia de NL ArchitectsTerrace House. Imagem Cortesia de NL ArchitectsTerrace House. Imagem Cortesia de NL ArchitectsTerrace House. Imagem Cortesia de NL Architects+ 6

Microsoft investirá meio bilhão de dólares em incentivos à habitação social em Seattle

A Microsoft acaba de anunciar que irá investir cerca de meio bilhão de dólares em projetos de habitação social na cidade de Seattle, na costa oeste dos Estados Unidos. O capital da gigante empresa de tecnologia americana será distribuído em forma de empréstimos e doações, com o principal objetivo de sanar a crise imobiliária que insiste em castigar a economia da cidade de Seattle, onde o aumento dos salários não tem acompanhado a vertiginoso aumento dos preços dos aluguéis e propriedades.

O investimento faz parte de uma estratégia mais ampla da empresa, 225 milhões de dólares deverão ser comprometidos em subsídios à construção de moradias para a população de renda média em seis cidades-alvo, outros 250 milhões serão direcionados à projetos de moradias para a população de baixa renda na região de King County e ainda 25 milhões aplicados em forma de subsídios filantrópicos para combater o déficit habitacional da cidade de Seattle. Esta generosa atitude da gigante da tecnologia se deve ao fato de que, em um futuro próximo, a empresa pretende expandir a sua sede de Redmond, algo que deverá criar 8.000 novos postos de trabalho.

Prêmio Curry Stone Design reconhece 7 escritórios que contribuíram com avanços em habitação social

Em homenagem ao seu 10º aniversário, o Prêmio Curry Stone Design reconhecerá um grande grupo de escritórios de arquitetura socialmente conscientes e ativos com o título que a Fundação chamou de Círculo de Design Social.

Ao longo do ano, 100 escritórios, empresas, estúdios e firmas de arquitetura serão adicionados ao Círculo pelo seu trabalho de arquitetura sustentável, socialmente inclusivo e impactante, sob doze temas específicos. Cada mês, o trabalho dos escritórios selecionados será destacado individualmente no site do Prêmio, ganhando destaque também no novo podcast da Fundação de Curry Stone, Social Design Insights.

Os sete exemplos seguintes foram selecionados para o mês de fevereiro, em resposta ao tema "O direito à moradia é real?":

Rogers Stirk Harbour + Partners divulga protótipo de habitação em Londres

Rogers Stirk Harbour + Partners (RSHP) divulgou uma pequena casa de três pavimentos em um jardim da Royaql Academy de Londres (RA). Concebida como uma resposta à urgente necessidade de habitações de baixo custo no Reino Unido, o protótipo exemplifica um método de construir "casas de alta qualidade, bem projetadas, significantemente mais baratas que outros métodos construtivos".

RSHP, conhecido por seus projetos de grande escala, encara o protótipo Homeshell como parte de uma estratégia mais ampla, que pode envolver apartamentos, escolas, fábricas e centros de saúde.