Nos últimos anos, órgãos públicos, arquitetos e urbanistas de todo o mundo têm cada vez mais discutido o futuro das cidades, buscando refletir sobre os rumos que o urbanismo contemporâneo deverá tomar como enfrentamento do emaranhado de problemas - urbanos e sociais - enfrentados. Mas, uma das perguntas que parece prevalecer no imaginário dos profissionais é como criar espaços capazes de melhorar a qualidade de vida e saúde do espaço público sem a necessidade de obras de grande escala.
A partir disso, alguns movimentos vêm surgindo na tentativa de aplicar simples ações que possam colaborar para o desenvolvimento de “novos” espaços públicos em resposta a necessidade imediata de espaços urbanos de qualidade. Tais ações têm apontado que as cidades do futuro serão cada vez mais convidativas, num manifesto de aproximação do pedestre à rua. São exemplos destas ações, a implementação de parklets; o fechamento de algumas avenidas e impedimento da circulação de veículos por algumas horas, abrindo-as ao pedestre e transformando as mesmas em áreas livres como parques urbanos temporários; a implantação e extensão de novas ciclovias; jardins verticais urbanos; e também, dos Pocket Parks.
O acesso à arte pública é um privilégio o qual, os nova-iorquinos mal param para pensar sobre. Espalhada pelos quatros cantos da cidade, a arte pública é parte integral do cityscape da cidade de Nova Iorque, ocupando parques, praças, becos e terraços abertos a centenas de metros acima do chão. Enquanto as instalações de arte pública mais famosas e celebradas encontram-se já enraizadas na textura urbana da cidade, como a Love de Robert Indiana na Sexta Avenida ou a Gay Liberation de George Segal junto ao Monumento Nacional de Stonewall, não podemos esquecer aquelas “obras de arte” que assumem um caráter mais efêmero. Independente disso, instalações de arte pública tem o poder de despertar as mais diversas reações, com um histórico de interpretações polarizadas que em determinados casos, acabaram até em processos judiciais e ações públicas.
https://www.archdaily.com.br/br/956712/como-a-pandemia-mudou-o-modo-de-experienciar-arte-em-espacos-publicosOsman Can Yerebakan
Memento mori é uma antiga expressão em latim que significa “lembre-se de que você é mortal”. Ao contrário do que parece à primeira vista, os romanos a usavam não para representar uma visão fatalista da morte, mas sim, como uma forma de valorização da vida.
Alguns séculos depois, chegando ao nosso contexto atual, quando o mundo atinge a aterrorizante cifra de 2 milhões de mortos em decorrência da pandemia de Covid-19, o memento mori está mais presente do que nunca.
Buraco do Lume. Imagem via Skyscraper City, usuário Leo10Rio
A aprovação do polêmico projeto de legislação apelidado como “Lei do Puxadinho” em meados de 2020, flexibilizando parâmetros urbanísticos na cidade do Rio de Janeiro, suscitou uma série de discussões em vários setores da sociedade, mas sobretudo entre arquitetos e urbanistas, entre os quais muitos têm se manifestado de forma crítica à proposta. O debate, entretanto, se tornou ainda mais intenso quando, sob os auspícios dessa lei, uma emenda foi publicada de surpresa no texto enviado ao Diário Oficial, derrubando por período determinado várias restrições que incidem sobre o terreno do Buraco do Lume, contíguo à Praça oficialmente denominada Mário Lago, importante local manifestações políticas da cidade tombado pelo Município em 1989 e pelo Governo do Estadual em 2019.
https://www.archdaily.com.br/br/954795/buraco-do-lume-no-rio-de-janeiro-entre-resgates-apagamentos-e-ameacasThiago Santos Mathias da Fonseca
A pandemia proporcionou uma circunstância única para experimentos em escala urbana com relação à mobilidade, enquanto as respostas imediatas mostraram o poder transformador do urbanismo tático. Em muitas cidades, as medidas destinadas a garantir o distanciamento social devem ser mantidas após a pandemia, abrindo caminho para a recuperação com menos trânsito e mais atividades ao ar livre. Como a pressão de repensar ruas, funções e sistemas de transporte transformou o espaço público em 2020?
O estúdio de arquitetura, paisagismo, planejamento, design de interiores e design de interiores Miralles Tagliabue EMBT, liderado por Benedetta Tagliabue, venceu o concurso internacional para transformar a Century Square em um novo marco verde para Shanghai (China). Sua proposta, premiada com o primeiro prêmio, prevaleceu sobre a de outras equipes, incluindo David Chipperfield Architects. Propõe-se a renovar a praça localizada numa das zonas comerciais mais movimentadas do mundo, "re-naturalizando" o centro da cidade e introduzindo espaços verdes para melhorar o microclima urbano.
O escritório Carlo Ratti Associati (CRA), em parceria com uma equipe de profissionais do grupo imobiliário australiano Lendlease, acaba de apresentar o seu projeto para o novo Campus de Ciências da Universidade de Milão. Escolhida através de um concurso internacional de arquitetura, a proposta desenvolvida pela CRA conta com aproximadamente 190 mil metros quadrados e deverá ser inaugurada já em 2025.
Como os parques beneficiam economicamente as cidades? Esta foi a pergunta que um grupo de economistas e especialistas em parques tentaram responder em um encontro convocado pelo Centro de Cidades de Parques de Excelência, pertencente a organização Trust for Public Land (TPL) que se dedica a construir parques urbanos.
A pergunta surgiu no contexto em que existem fatores econômicos relacionados aos parques que não podem ser quantificados, como por exemplo, os benefícios de um passeio no parque para a saúde mental. Contudo, um grupo de especialistas considerou que nos parques existem sete atributos que, sim, podem ser medidos e que, sim, representam um valor econômico.
Satellite image of Bahir Dar (Ethiopia) Support of the Sustainable Structure Plan of Bahir Dar. Image Courtesy of UN-Habitat
A Un-Habitat ou agência das Nações Unidas para o desenvolvimento urbano sustentável, cujo foco principal é lidar com os desafios impostos pelo rápido e voraz processo de expansão urbana em países em desenvolvimento, vem desenvolvendo abordagens inovadoras no campo da arquitetura e do urbanismo, centradas nos usuários e nos processos participativos. Pensando nisso, p ArchDaily se associou à UN-Habitat para trazer notícias semanais, artigos e entrevistas que destacam neste setor, disponibilizando conteúdos em primeira mão e direto da fonte.
Com a principal intenção de apoiar e dar suporte aos governos locais de países em processo de desenvolvimento no que se refere a implementação de uma Nova Agenda Urbana que esteja de acordo com os objetivos traçados para estabelecer processos de Desenvolvimento Urbano Sustentável, a UN-Habitat acaba de lançar um Guia de Planejamento Urbano Participativo, “uma espécie de roteiro ou guia para avaliar, projetar, operacionalizar e implementar processos participativos de planejamento urbano sustentável”. O livro guia propõe um cronograma dividido em fases, blocos e atividades, ajudando os líderes comunitários assim como todas as partes interessadas a ter uma visão mais abrangente e estratégica do projeto à execução.
Junto com um grupo de consultores, Stefano Boei criou a arquitetura do pavilhão e a identidade visual da campanha de vacinação contra Covid19 na Itália. Com o slogan "Com uma flor a Itália volta à vida", o projeto desenvolvido a pedido de Domenico Arcuri, Comissário Especializado em Covid-19, incluí o logo da campanha, os pavilhões temporários de vacinação e totens informativos em espaços públicos.
Redistribuição do espaço da rua como resposta à Covid-19 em Córdoba, Argentina. Novas áreas foram criadas para ciclistas, pedestres e frequentadores de bares e restaurantes. Foto: Municipalidad de Córdoba
Locais da vida em sociedade, os espaços públicos são elementos chave do bem-estar individual e coletivo. Constituem uma rede de áreas abertas como ruas, praças e parques, e também de espaços abrigados, como bibliotecas públicas e museus. Essa rede cumpre múltiplos papéis nas cidades, incluindo o lazer, o convívio social, a conservação ambiental, a circulação e as trocas econômicas. Apesar do papel vital que exercem na vida urbana, via de regra, nas cidades brasileiras encontramos espaços públicos mal conservados, com iluminação insuficiente, calçadas esburacadas e mobiliário em condições precárias. Espaços que, por si só, desestimulam seu uso e trazem prejuízos sociais e econômicos comumente subestimados pelo poder público e pela própria população.
Qual a importância de certos monumentos para as nossas cidades? Podemos mensurar nossas lembranças ou qualificar seus sentidos em nosso olhar sobre o mundo? Creio que toda cidade ou lugar tem algo que nos marca, que representa nossa identidade ou passagem. Se estamos longe, ao visualizá-los, nos sentimos reconfortados, acolhidos e de certa forma: em casa. A cidade de São Paulo possui inúmeros marcos, mas certamente o mais representativo é o Vale do Anhangabaú, que também carrega a conotação histórica de origem. Retratado por artistas europeus desde o século
A proposta da Henning Larsen para o Vale de Seul foi selecionada como vencedora do Concurso de Desenvolvimento Central da cidade. Com a intenção de configurar um novo lar para o público no centro da cidade, o empreendimento de uso misto"mescla o perfil comercial global de Seul com uma pegada ecológica, enfatizando à vida dos pedestres no centro da cidade". Outras propostas incluíram projetos do MVRDV e SOM.
"As ruas pensam, têm ideias, filosofia e religião. Como tal, nascem, crescem, mudam de caráter. E, eventualmente, morrem." A partir dessa sentença de João do Rio, na Alma Encantadora das Ruas, Guilherme Wisnik conversa com Luiz Antonio Simas sobre as culturas de rua a partir das ideias de terreirização e corporeidade, entendendo as cidades como espaços tensionados, disputados, encantados e desencantados cotidianamente.
https://www.archdaily.com.br/br/952424/culturas-de-rua-corpo-e-espaco-publico-guilherme-wisnik-conversa-com-luiz-antonio-simasEquipe ArchDaily Brasil
Quando tive a oportunidade de visitar a cidade de Copenhague por primeira vez, alguns anos atrás, saí de lá deslumbrado e com um caso crônico de inveja urbana. (Eu pensei comigo mesmo: é como a melhor das cidades que eu sou capaz de imaginar, só que melhor). Por que não fazemos cidades como esta nos Estados Unidos? Esse é o tipo de pergunta que um arquiteto e urbanista norteamericano se faz enquanto passeia pelas encantadoras ruas às margens dos belos canais de Copenhague—ao mesmo tempo que tenta evitar de ser atropelados pela horda de ciclistas dinamarqueses que passa a toda velocidade ao seu lado o tempo todo.
Não necessariamente de pequena escala, mas sim pontuais e estratégicas, as intervenções de acupuntura urbana são rápidas de executar, reversíveis e, muitas vezes, de baixo custo. A prática tem se consolidado como uma possibilidade frente às transformações urbanas que exigem processos extensos e burocráticos não apenas na tomada de decisões, mas também na sua execução, o que muitas vezes exclui os habitantes do desenvolvimento dos projetos em suas diferentes etapas.
A Un-Habitat ou agência das Nações Unidas para assentamentos humanos e desenvolvimento urbano sustentável, cujo foco principal é lidar com os desafios da rápida urbanização, vem desenvolvendo abordagens inovadoras no campo do desenho urbano, com projetos centrados na participação ativa da comunidade. O ArchDaily se associou ao UN-Habitat para trazer notícias semanais, artigos e entrevistas que destacam este trabalho, com conteúdo direto da fonte, desenvolvido por nossos editores.
Associada ao crime, ao desperdício e ao lixo, Dandora, nos limites de Nairóbi, é o lar de cerca de 140.000 habitantes. Em uma colaboração contínua, entre moradores e grupos de jovens, a UN-Habitat, a coalizão Making Cities Together e a “Liga de Transformação de Dandora”, foi criado o projeto "Rua Modelo", que vem transformando os espaços comunitários repletos de lixo em espaços livres de resíduos, atraentes e envolventes. Com foco na melhoria dos espaços compartilhados de conjuntos residenciais, uma competição anual liderada pelos jovens do bairro, o Changing Faces Challenge, tornou-se uma iniciativa para mobilizar cidadãos em Nairóbi.
A Universidade Johns Hopkins, nos EUA, selecionou, dentre uma lista de quatro escritórios, o dinamarquês BIG para projetar seu novo Centro Estudantil, projeto que faz parte da proposta de regeneração da área central do campus, bem como da reativação da sua experiência social. Com a proposta entitulada "A Vila", o projeto é "um espaço de boas vindas aberto e moderno, que tem como objetivo ser um centro de engajamento social para todos os membros da comunidade universitária".