Lançamento do livro "Vales Imginários"

Lançamento do livro "Vales Imginários"

Qual a importância de certos monumentos para as nossas cidades? Podemos mensurar nossas lembranças ou qualificar seus sentidos em nosso olhar sobre o mundo? Creio que toda cidade ou lugar tem algo que nos marca, que representa nossa identidade ou passagem. Se estamos longe, ao visualizá-los, nos sentimos reconfortados, acolhidos e de certa forma: em casa.

A cidade de São Paulo possui inúmeros marcos, mas certamente o mais representativo é o Vale do Anhangabaú, que também carrega a conotação histórica de origem. Retratado por artistas europeus desde o século XIX, nas litografias e aquarelas de artistas como Thomas Ender, Burchell, Landser, Lebret, Jules Martin e textualmente, nos relatos de Saint-Hilaire.

No início do século XX, Mário de Andrade em sua “Paulicéia Desvairada -1922”, nos apresenta: os “Parques do Anhangabaú nos fogaréus da aurora...”; com suas “Estátuas de bronze nu correndo eternamente...” e compara: “Estes meus parques do Anhangabaú ou de Paris...”. Outro intelectual nacional a mencionar o Vale foi Monteiro Lobato quando escreveu: “No princípio era o pântano, com valas de agrião e rãs coaxantes. Hoje é o parque do Anhangabaú, com ruas de asfalto, pérgula grata a namoricos noturnos...”, publicado na Revista Brasil, em 1918.

A partir daí foram inúmeros estudos elaborados em artigos, dissertações e teses, mas é no livro: Vale do Anhangabaú – Vales Imaginários – Riobooks, 2020, que temos a revisão histórica e simbólica do local até o presente. Três arquitetos se reuniram em torno do tema: Carlos Eduardo Mueller (Mestre), Péricles Varella Gomes (Doutor), que participou da equipe do concurso de 1981 (2º lugar) e Luíza Chiarelli de Almeida Barbosa (Mestre).

Com base na dissertação de mestrado de Carlos E. Mueller, a equipe se empenhou em destilar o texto e deixá-lo palatável ao público em geral. E desta forma contribui para que o estudo atinja círculos além das fronteiras acadêmicas. Outra preocupação foi com o design gráfico atraente de Alexis Graf Morozowicz, e a tradução para o inglês de Luis Guilherme Duarte.

O livro é rico em imagens históricas, projetos e desenhos. Conta com acabamento textual primoroso. De fácil leitura, agrada os olhos e nos convida a folheá-lo. A edição também conta com a versão e-book e também fará uso das plataformas digitais disponíveis para a proximidade com o leitor e interações nas atualizações futuras.

Segundo Luíza Chiarelli de A. Barbosa: “o tema já era algo desafiador, falar de um símbolo de tamanha importância para a cidade e o país, e ainda fomos surpreendidos com a pandemia. Tivemos que nos superar e o resultado foi que tivemos mais tempo para as entrevistas e pudemos lançar mais luz nas reflexões sobre o Vale num momento tão marcante para o mundo.”.

O livro está dividido em 4 capítulos:
1 — A História (refaz o caminho dos primeiros registros até o concurso de 1981)
2 — O Concurso (levante dos projetos premiados e menções honrosas em 1981)
3 — Projeto vencedor (análise crítica do projeto vencedor e execução)
4 — O Futuro (reflexões dos autores sobre o projeto atual de empresa dinamarquesa, a pandemia, valorização do espaço, entre outros).

No final do livro foi colocado três esboços antigos do Vale (marca d’água) para que o leitor interaja e crie seus próprios projetos. É uma maneira de permitir a sensação de poder fazer, de colocar suas ideias no papel, a proposta pessoal para o futuro deste que sem dúvida é o grande marco da maior cidade do nosso país.

E assim, que venham mais livros, mais leitores e defensores implacáveis do patrimônio nacional. Que a cidadania, o pertencimento e o senso de cuidado com as nossas cidades façam parte da história do mundo pós-pandemia.

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Cita: "Lançamento do livro "Vales Imginários"" 08 Dez 2020. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/952894/lancamento-do-livro-vales-imginarios> ISSN 0719-8906

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