A distribuição desigual do espaço público, em relação aos pedestres, ciclistas e condutores de automóveis, é um assunto que o especialista em mobilidade urbana, Mikael Colville-Andersen, qualifica como “a arrogância do espaço”.
Do ponto de vista desse planejador urbano e fundador do Copenhagenize, este termo pode ser aplicado às ruas que são dominadas pela engenharia de trânsito do século passado, isto é, aquelas que estão planejadas prioritariamente para os automóveis.
Para exemplificar seu posicionamento, Mikael analisou a quantidade de espaço que possui cada um desses grupos, além do espaço “morto” e dos edifícios, em algumas ruas de Calgary, Paris e Tóquio através da comparação de cada setor com diferentes cores.
"A cidade é para as pessoas e devemos mudar o uso das ruas, dos automóveis para as pessoas."
Com isso em mente, as autoridades de Buenos Aires propuseram intervenções em alguns espaços públicos da cidade, particularmente no centro, com o objetivo de promover uma cidade mais amigável, sustentável e saudável.
Através da implementação de corredores de ônibus na Avenida 9 de Julho, a principal da cidade, o tempo de alguns trajetos foi reduzido de 55 para 18 minutos. Além disso, foram criadas diversas zonas peatonais e foi restringido o tráfego de automóveis no centro. Outra inciativa foi a construção de uma rede de ciclovias e a criação de um sistema público de bicicletas, que colocou o veículo de duas rodas entre as opções viáveis de transporte urbano diário.
Saiba mais detalhes sobre essas intervenções a seguir.
O Coletivo de Arquitetos convida todos os interessados para o evento de inauguração da exposição “Urbanização da Orla do Rio Cotinguiba” que será realizado hoje, 22 de agosto, na sede da pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.
Uma das características dos espaços públicos bem projetados é que as pessoas querem visitá-los e gostam de permanecer neles. Para que isto ocorra há vários fatores envolvidos, como a influência exercida pela arquitetura, os edifícios históricos e os monumentos, as atividades que existem no lugar, a facilidade de acessá-lo, entre outros.
Em relação a este último ponto, não apenas os deslocamentos são importantes, mas também os acessos através das conexões oferecidas pelo transporte público. Portanto, tem-se um equilíbrio entre desenho urbano e transporte planejado que influencia o caráter e causa um impacto social nos espaços públicos.
Conheça, a seguir, três espaços bem sucedidos nesse aspecto:
“Quanto estamos dispostos a pagar pela caminhabilidade? Muito.”
Categórico a tal ponto é o vídeo que apresentamos acima, que pontua as possibilidades de deslocamento a pé rápido e seguro oferecidas pelos bairros. Para as medições é utilizado um Walk Score, um indicador que, numa escala de 1 a 100, atribui valores às opções de caminhada na cidade.
Assim, o vídeo mostra que as pessoas estão dispostas a pagar até US$ 850 a mais pelo aluguel de um imóvel que esteja localizado num bairro caminhável, em comparação com outras localidades menos adequadas aos deslocamentos a pé. É por isso que Nova Iorque atinge 85,6 pontos em contraste com Charlotte, que marcou apenas 34,3 pontos.
Os veículos estacionados nas esquinas estão dentre os principais obstáculos visuais entre motoristas, ciclistas e pedestres. Por este motivo, diversas opções de desenho urbano têm surgido, como as propostas do planejador Nick Falbo ou outras temporárias apresentadas durante o Park(ing) Day, que mostram novas formas de se aproveitar esses espaços e torná-los mais seguros.
No vídeo a seguir, a organização Streetfilms explica a estratégia “Daylightning”, ou “Iluminação do Dia”, que promove a segurança dos pedestres. Esta consiste em proibir os automóveis de estacionarem próximo às intersecções, fazendo com que os veículos que estejam em movimento na rua tenham maior campo de visão antes de chegar à esquina.
A ponte de Brooklyn é uma das mais emblemáticas infra-estruturas do século XIX em Nova Iorque, conectando o Brooklyn a Manhattan passando sobre o East River. Quando foi inaugurada, em 1883, era a maior ponte suspensa do mundo, com 1.800 metros de comprimento.
Com este terceiro artigo finalizamos a série de postagens, “Detroit: Mais leve, mais rápido, mais barato, a regeneração de uma cidade”. Para ler as postagens anteriores clique nos seguintes links: Parte I e a Parte II
O futuro da cidade de Detroit: a criação de uma estrutura conceitual para a Regeneração LQC (Lighter, Quicly, Cheaper / mais leve, mais rápido e mais barato)
Detroit tem trabalhado duro na construção de uma estrutura conceitual que sirva de base para a revitalização da cidade. O projeto “Detroit Future” influenciou o Plano Diretor de Detroit Future City (DFC) no início de 2013, originando a partir disso um documento forte, íntegro e inovador, destinado a servir de guia para a remodelagem da cidade nos próximos 50 anos. Também se converteu na base conceitual na qual está se erguendo um importante esforço de Placemaking em toda a cidade.
A primeira parte de “Detroit: Mais leve, mais rápido e mais barato. A regeneração de uma cidade” pode ser lida aqui.
O foco nas atividades e nos usos do espaço público são as estratégias que atraem habitantes de toda a região de Detroit ao centro da cidade. Segundo Gregory, mais de um bilhão de dólares investidos no setor imobiliário tem reflutuado a área ao redor do Campo de Marte em menos de uma década. E Gregory, que iniciou sua carreira trabalhando no entorno empresarial da indústria automobilística na cidade de General Motors antes de unir-se ao DDP, é rápido em apontar que o Parque do Campo de Marte foi o resultado do investimento privado com consciência cívica, um presente para a cidade no aniversário de seus 300 anos, este sim, diretamente ligado à construção do novo edifício da sede de Compuware, quando a empresa de tecnologia decidiu se mudar para o centro.
O caminho entre a casa e a escola é um dos primeiros contatos das crianças com sua cidade. Dependendo de como o fazem - a pé, de carro, de bicicleta ou em algum transporte público - altera o que sabem de seu entorno e como o vêem, como mostrou um estudo feito pela Universidade de Aarhus (Dinamarca). A pesquisa demonstrou que uma criança que vai ao colégio a pé ou de bicicleta sabe mais de seu bairro e tem níveis de concentração mais elevados durante as quatro horas seguintes em comparação com outras crianças que vão de carro.
Pequim é uma cidade de costumes e tradições de centenas (se não milhares) de anos, porém, nas últimas décadas a capital chinesa vem sendo a protagonista de um acelerado processo de urbanização questionado em muitas frentes. Embora alguns apoiem as transformações culturais que tem ocorrido como resultado da urbanização, outros não estão de acordo com a perda da parte antiga da cidade e de seus espaços verdes.
Costuma-se chamá-los de "lotes vagos". Aparentemente, em todos os lugares do mundo as pessoas e diferentes grupos tentam dar vida a estes espaços que, por fins comerciais ou legais, não possuem um uso formal.
Recentemente nossos parceiros da PPS publicaram um artigo que relata diversas ações nestes locais. Veja abaixo estas experiências.
A forma em que nos relacionamos nas nossas cidades tem sido modificada pela Internet, fazendo com que muitas vezes nos comuniquemos mais através desse meio do que pessoalmente. Com base nisso, o arquiteto italiano Paolo Francesco Ronchi desenvolveu seu projeto “Surfing Architecture 2.0” que busca entender como seria possível construir novos espaços que sigam as condições operativas da Internet e que consigam induzir as pessoas a se relacionarem cara a cara.
Uma das propostas incluída no projeto é o sistema de residências Inter-Active Dwelling que foi projetado para a parte leste de Bogotá (Colômbia). Como esse setor é caracterizado pela sua fragmentação urbana, a idéia é que as residências misturem espaços públicos, privados e divididos, como ocorre nas redes sociais da Internet, criando, assim, comunidades mais integradas.
O arquiteto e autor Christopher Alexander cunhou uma frase The Timeless Way of Building”, “A Maneira Atemporal de Construir” que afeta estes anseios comuns e como as pessoas os tem utilizado de forma intuitiva para construir lugares agradáveis para viver. O processo de construção das cidades de hoje se tornou tão institucionalizado, que as pessoas raramente têm a opção de usar sua intuição e suas ideias nos projetos. Em PPS, acreditamos que dessa maneira atemporal os edifícios e os espaços podem ser revitalizados, e oferecemos uma forma de senso comum para fazê-lo: através da capacitação das pessoas para iniciar melhorias no lugar que habitam. Estes pequenos passos para animar as ruas, os parques e outros espaços públicos são os blocos da construção de uma cidade próspera.
Esta é a ideia da Gran Iniciativa de Ciudades de PPS. A vitalidade de qualquer cidade depende da ação dos cidadãos, como os grupos de vizinhos que reclamam por seus parques locais, as ruas comerciais e tantas outras questões que acontecem na cidade. Muitas vezes as comunidades precisam apenas de um pequeno empurrão na direção correta para colocar este processo de revitalização em movimento. E em pouco tempo, todo o bairro pode ser objeto de uma mudança de tendência, com os habitantes tendo conforto e orgulho de seus espaços públicos.
Ma Yansong do estúdio MAD apresentou recentemente uma proposta urbana de 600 mil m² para a cidade de Nanjing intitulada "Shanshui Experiment Complex", na 2013 Bi-City Biennale of Urbanism / Architecture em Shenzhen, China. O conceito considera a cultura, a natureza e a história de Nanjing, ao passo que reconsidera a metodologia com a qual as cidades chinesas vem sendo construídas.
https://www.archdaily.com.br/br/01-168193/mad-preve-cidades-chinesas-mais-naturais-no-futuroJose Luis Gabriel Cruz
Metropol Parasol; J. Mayer H. Architekten. Imagem Cortesia de Urban Living Awards
Foram anunciados os vencedores do Urban Living Awards 2013, um esforço conjunto entre o Departamento de Desenvolvimento Urbano e o Deutsche Wohnen AG.
A competição tem como objetivo inspirar arquitetos para melhorar a qualidade de vida urbana através do design e, ao mesmo tempo, estimular a cooperação urbana. Embora tenha sido fundada há pouco tempo (2010), já se tornou uma das competições mais respeitadas do mundo. De fato, as 240 inscrições em 2013 vieram de mais de 20 países europeus - um enorme crescimento em relação aos anos anteriores.
Saiba mais sobre os vencedores...
https://www.archdaily.com.br/br/01-165048/anunciados-os-vencedores-do-urban-living-awardKatherine Allen
O Espaço Público é o lugar da cidade de propriedade e domínio da administração pública, o qual responsabiliza ao Estado com seu cuidado e garantia do direito universal da cidadania e a seu uso e usufruto.
Cerca de 40% da área de Hamburgo, a segunda maior cidade da Alemanha, é coberta com áreas verdes, como cemitérios, centros esportivos, jardins, parques e praças. Para uni-los em conjunto com passeios e ciclovias, a cidade lançou o plano Rede Verde, que tem como objetivo eliminar a necessidade de automóveis para o deslocamento das pessoas nos próximos 20 anos.
Pela localização dos espaços verdes na cidade, o projeto seria o primeiro a conectar essas áreas que não estão no centro da cidade e que, segundo Angelika Fritsch, ajudaria na "criação de um sistema integrado."