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E se construíssemos nossas cidades em torno dos lugares?

E se construíssemos nossas cidades em torno dos lugares?
E se construíssemos nossas cidades em torno dos lugares?, Moradores de Toronto colaboram para a construção de uma estrutura no Dufferin Grove Park. Image © Chris Orbz via Flickr
Moradores de Toronto colaboram para a construção de uma estrutura no Dufferin Grove Park. Image © Chris Orbz via Flickr

O arquiteto e autor Christopher Alexander cunhou uma frase The Timeless Way of Building”, “A Maneira Atemporal de Construir” que afeta estes anseios comuns e como as pessoas os tem utilizado de forma intuitiva para construir lugares agradáveis para viver. O processo de construção das cidades de hoje se tornou tão institucionalizado, que as pessoas raramente têm a opção de usar sua intuição e suas ideias nos projetos. Em PPS, acreditamos que dessa maneira atemporal os edifícios e os espaços podem ser revitalizados, e oferecemos uma forma de senso comum para fazê-lo: através da capacitação das pessoas para iniciar melhorias no lugar que habitam. Estes pequenos passos para animar as ruas, os parques e outros espaços públicos são os blocos da construção de uma cidade próspera.

 Esta é a ideia da Gran Iniciativa de Ciudades de PPS. A vitalidade de qualquer cidade depende da ação dos cidadãos, como os grupos de vizinhos que reclamam por seus parques locais, as ruas comerciais e tantas outras questões que acontecem na cidade. Muitas vezes as comunidades precisam apenas de um pequeno empurrão na direção correta para colocar este processo de revitalização em movimento. E em pouco tempo, todo o bairro pode ser objeto de uma mudança de tendência, com os habitantes tendo conforto e orgulho de seus espaços públicos.

Mas de que tipo de “empurrão” estamos falando? Imagine, por exemplo, um parque cercado por uma rua comercial de um lado, e do outro por uma biblioteca pública. Estes elementos urbanos trabalham juntos para formar um só lugar, entretanto, em uma cidade típica esta área provavelmente seria administrada por uma série de entidade públicas, operando cada uma de forma independente das outras. No lugar de um enfoque unificado para melhorar o lugar, o Departamento de Transporte promove o tráfego rodoviário rápido, com pouca preocupação com os pedestres e os usuários do parque. Os funcionários do parque não levam em contam os usuários da biblioteca ou os compradores locais na programação de atividades. Finalmente, temos um parque sem atividades populares, uma rua onde as pessoas não se sentem confortáveis para caminhar até o parque ou a biblioteca, e as instituições locais cortando a vizinhança circundante. 

Mas se olharmos estes elementos como componentes inter-relacionados de um só lugar, criamos mais oportunidades para a população local, para colaborar e trabalhar juntos para criar uma visão do que é melhor para a comunidade. Como podem a rua, o parque, a biblioteca e as empresar apoiar e fortalecer umas as outras? O que os proprietários de empresas, os empregados da biblioteca e os residentes imaginam para a área? Apenas observando e escutando as pessoas que vivem ou trabalham na área, a solução de que o lugar necessita será evidente.

Todos os dias, PPS põe essas ideias em prática nas cidades e regiões em que trabalha. Para fazer com que este enfoque, que chamamos “Placemaking”, seja eficaz, descobrimos que os planejadores profissionais, projetistas e engenheiros devem ir além do hábito de olhar e dar forma às cidades através da lente dos objetivos individuais ou profissionais da disciplina. Apenas com a adoção de uma visão mais global podemos dar adeus às ruas dominadas pelo trânsito, parques pouco utilizados pelos residentes locais e instituições públicas e projetos de reurbanização isolados das comunidades locais.

Felizmente, há uma nova onda de colaboração interdisciplinar que adota um enfoque mais cooperativo para a criação dos bairros, e traz benefícios econômicos e sociais reais às cidades. Os departamentos de parques estão se associando aos funcionários de transporte para criar vias verdes e outras redes de transporte para pedestres e ciclistas. As agências de transporte estão se associando a organizações de desenvolvimento econômico para que a habitação, as empresas e as ruas tenham um novo senso de vitalidade. E os grupos de desenvolvimento comunitário estão investindo em parques, praças e outros espaços públicos com o objetivo de revitalizar os bairros urbanos.

O Placemaking não é só uma ideia urbana. As cidades pequenas também estão adotando este enfoque inovador, também como se vê na região ao redor de Littleton, New Hampshire, entre outras nos EUA. Os grupos empresariais e a comunidade não se associaram ao Departamento de Transporte do Estado, a incorporação PPS optou por acalmar o tráfego como uma forma de melhorar a qualidade e a popularidade da cidade. Várias outras cidades da região realizaram suas próprias oficinas e experimentos depois de ver os resultados.

As novas alianças estão se formando ao redor do Placemaking porque é um poderoso movimento que vem diretamente da preocupação das pessoas com suas vidas. Agora, e se dermos mais um passo neste espírito emergente da sociedade? Para revitalizar nossas cidades através do processo da tomada de decisões para ter lugares melhores, precisamos de mais colaboração, não apenas entre as disciplinas, mas também entre os profissionais e as comunidades para que trabalham. Imaginem equipes interdisciplinares de planejadores, engenheiros de tráfego, especialistas em desenvolvimento econômico em colaboração com os residentes locais para realizar uma visão dos lugares chave e suas comunidades. Implantado estrategicamente pelos bairros de uma cidade, o efeito cumulativo de um programa desse tipo seria enorme.

Acreditamos que este enfoque tem um profundo impacto nas comunidades, já que sua ênfase na pequena escala leva à colaboração e participação da comunidade. A divisão da missão de revitalizar a cidade em partes manejáveis permite que os cidadãos se envolvam.  A inércia comum em projetos de grande escala é superada com a implantação de mudanças pequenas, mas visíveis, que podem acontecer sem grandes gastos, como as experiências de sucesso de redução de tráfego em New Hampshire. Estrategicamente realizados ao longo de uma cidade, estes experimentos em curto prazo criam credibilidade e entusiasmo por melhorias em longo prazo no futuro.

Chegou o momento para uma ideia ousada como a Iniciativa das Grandes Cidades. A Iniciativa das Grandes Cidades é o passo seguinte, que proporciona um marco único para que os profissionais de diferentes disciplinas possam colaborar com eficácia e para que os cidadãos participem na criação dos bairros que realmente desejam. Quando aplicadas por toda uma cidade ou região, técnicas de Placemaking de PPS podem trazer uma transformação positiva aos bairros e aos espaços públicos, a criação da energia vital e a vida pública da comunidade sempre foi a razão mais convincente pela qual as pessoas decidem viver nas cidades.

Via Plataforma Urbana. Tradução Naiane Marcon, ArchDaily Brasil.

Sobre este autor
Cita: Natalia Barrientos Barría. "E se construíssemos nossas cidades em torno dos lugares?" 04 Mar 2014. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/180575/e-se-construissemos-nossas-cidades-em-torno-dos-lugares> ISSN 0719-8906

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