Durante o ano de 2020, a passagem do sistema presencial ao remoto–tanto em escolas quanto universidades—, permitiu que jovens e adultos pudessem seguir seus planos de estudo durante as fases mais críticas da pandemia. Entretanto, é evidente que esta repentina mudança transformou substancialmente as antigas dinâmicas de ensino e aprendizado. Nas escolas de arquitetura, por exemplo, onde os alunos muitas vezes trabalham em grupos e utilizam objetos físicos como maquetes e modelos tridimensionais para desenvolver seus estudos, eles tiveram que adaptar-se a esta nova realidade muito rapidamente. Em se tratando de disciplinas de caráter projetual e de desenho, onde o engajamento entre os alunos e a colaboração com os professores são fatores fundamentais para o desenvolvimento do trabalho prático, a transição direta e completa para o ambiente virtual—com aulas, apresentações, discussões, revisões e entregas sempre em modo remoto—privou os alunos de explorar qualquer outro método alternativo de expressão que não a representação digital.
O movimento moderno ainda hoje é um assunto que desperta as mais diversas e controversas reações. O mesmo acontece quando falamos do legado da arquitetura moderna. Acontece que não existe apenas um único legado, mas uma série de legados que varia de acordo com a localização geográfica, com o clima, o contexto político, social e econômico de cada país ou região. Embora a gênese do modernismo na arquitetura tenha se dado na Europa e nos Estados Unidos—onde encontram-se alguns dos seus mais representativos exemplares—, para além do mundo ocidental a chamada “arquitetura moderna” foi sendo moldada por arquitetos e arquitetas de acordo com as necessidades de cada contexto específico. No Sri Lanka, por exemplo, o arquiteto Geoffrey Bawa ajudou a cunhar o termo “Modernismo Tropical”, desenvolvendo uma arquitetura sensível e profundamente enraizadas na paisagem. Também podemos encontrar outros surpreendentes edifícios modernistas na Tanzânia, frutos da vasta e consistente obra construída de dois de seus mais importantes arquitetos: Anthony Almeida e Beda Amuli.
Nascido na cidade polonesa de Łódź em 1946, Daniel Libeskind passou boa parte de sua infância em Israel e em 1959 migrou junto com sua família para os Estados Unidos, tornando-se cidadão americano em 1965. Mais de meio século depois de deixar o seu país de origem, Libeskind voltou a sua cidade natal e está desenvolvendo um amplo projeto de revitalização urbana que pretende mudar a cara de uma das maiores e mais importantes cidades do país. Desenvolvido em parceria com o Instituto Cultural inLodz21, o projeto pretende ressignificar 21 lotes urbanos e estruturas construídas no centro de Łódź, desde edifícios residenciais e comerciais até espaços urbanos. Visando resgatar a antiga glória da cidade e transformá-la em um novo polo cultural e industrial, o projeto inLodz21 pretende restabelecer a cidade de Łódź como um importante centro de inovação e criatividade no cenário nacional e internacional.
Dezenas de bairros da cidade de Nova Iorque foram recentemente reurbanizados com base em hipóteses inventadas e dados manipulados grosseiramente pelas autoridades municipais com a promessa de promover diversidade, acesso à moradia digna e inclusão social. Entretanto, nenhuma destas expectativas chegou a de fato a se concretizar, e o que é pior, na prática, o resultado foi exatamente o oposto disso: menos diversidade, menos moradias acessíveis e consequentemente, mais segregação e um processo de gentrificação generalizado. Ainda assim, muito pouco se fala disso. Mas o dano já está feito, e os incorporadores seguem aproveitando-se das regras do jogo para seu próprio benefício. E assim a cidade vai sendo transformada para a alegria de alguns poucos e a tristeza de muitos. Esta é a situação que Roberta Brandes Gratz explora em seu mais recente artigo entitulado “New Tork City”, analisando como as leis de zoneamento foram manipuladas para gerar um resultado oposto daquilo que se espera.
A Superbacana+ convida o arquiteto José Paulo Gouvêa e o engenheiro Miguel Maratá, membros da equipe vencedora do concurso para o Pavilhão Brasileiro na Expo de Dubai, para uma conversa sobre os desafios dessa inovadora construção que irá representar o país na próxima exposição mundial. Quem comanda a conversa é nosso parceiro, o arquiteto e fotógrafo André Scarpa.
Para a 17ª Mostra Internacional de Arquitetura La Biennale di Venezia, o Pavilhão da Finlândia revisita um momento da história local em que uma crise de refugiados levou a novas formas de construção e reconfiguração do espaço doméstico, que acabou influenciando diferentes lugares do mundo. Intitulada New Standards, a exposição com curadoria de Laura Berger, Philip Tidwell e Kristo Vesikansa apresenta a história de Puutalo Oy, uma empresa especializada em edificações pré-fabricadas de madeira que estabeleceu novos padrões para o design residencial no século XX e criou a exportação arquitetônica mais difundida da Finlândia.
Localizadas no extremo norte do Brooklyn, justo onde o Newton Creek desemboca no East River, as torres residenciais Greenpoint Landing projetada pelo arquiteto sócio do OMA de Nova Ioque, Jason Long, acabam de entrar em fase final de construção; enquanto a Torre Norte está atualmente com 90 metros de altura, e a Torre Sul já superou a marca dos 120 metros. Juntas, as duas torres disponibilizarão 745 novas unidades residenciais ao bairro do Brooklin além de criar uma nova orla pública com vistas para o skyline de Manhattan.
Hotel Al Yamamah, Riade. Imagem Cortesia do Arquivo Nacional de Fotografias Históricas, Biblioteca Nacional King Fahad
Intitulado Acomodações, o Pavilhão da Arábia Saudita na 17ª Bienal de Arquitetura de Veneza se propõe a analisar encontros sociais e espaciais de hospedagens e casas no território saudita, lugar onde histórias, protocolos e gestos estão entrelaçados. Com curadoria de Hussam Dakkak, Basmah Kaki, e Hessa AlBader, junto com os curadores de Brooklin, Uzma Z, Rizvi e Murtaza Vali, a exposição irá acontecer de 22 de Maio a 21 de Novembro de 2021.
Intitulado "American Framing", o pavilhão dos Estados Unidos na 17ª Exposição Internacional de Arquitetura - La Biennale di Venezia, explorará a onipresença e o poder criativo da estrutura de madeira na arquitetura americana, um elemento construtivo esquecido. Com curadoria de Paul Andersen e Paul Preissner, a exposição estará em exibição no Giardini della Biennale de 22 de maio a 21 de novembro de 2021.
Habitação Social é um dos principais temas quando pensamos o direito à cidade, pois fornecer moradia digna a todos em zonas urbanas de boa conexão é fundamental para a construção de territórios mais democráticos.
Infelizmente, em muitos países o termo "Habitação Social" ainda é visto como um empreendimento imobiliário que busca construir o maior número possível de unidades, com os materiais mais baratos e sem preocupação com a qualidade de vida de seus moradores - se fechando em um objeto imobiliário ao invés de servir à urbe e às pessoas. Embora este fato seja recorrente, existem diversos exemplos que retrataram o oposto desta ideia, nos quais arquitetos ao desenhar manifestam seu ponto de vista político através de projetos excepcionais em suas diferentes soluções e que também aprimoram a experiência urbana.
New Investigations In Collective Form, 2018. Image Courtesy of The Open Workshop
A Bienal de Arquitetura de Chicago anunciou a lista de seus colaboradores para a edição do ano de 2021, intitulada The Available City [A Cidade Disponível]. A lista com 29 nomes, selecionada pelo Diretor de Arte David Brown, traz perspectivas globais de cidades como Cape Town, Caracas, Chicago, Copenhagen, Dublin, Paris, Basileia e Tóquilo.
1964 World's Fair held in New York City. Imagem Cortesia de Abandoned NYC
Exposições Internacionais, como as Feiras Mundiais de outrora ou as Expo do século XXI, parecem hoje coisa do passado. Esses mega eventos de escala mundial foram responsáveis por apresentar ao mundo novas tecnologias e soluções construtivas inovadoras, eles introduziram algumas das mais radicais mudanças no mundo da arquitetura assim como criaram marcos que transformariam para sempre a paisagem de nossas cidades. Ao longo das inúmeras feiras e exposições mundiais já realizadas, podemos acompanhar o desenvolvimento do próprio discurso arquitetônico—desde o exuberante Palácio de Cristal de 1851 até a última, e ainda não realizada, Expo 2020 de Dubai.
Projetado pelo escritório de arquitetura irlandêsHeneghan Peng, o tão aguardado Grande Museu Egípcio—uma estrutura inteiramente dedicada à egiptologia e implantada junto às grandes pirâmides do Egito—, deverá finalmente ser inaugurado no próximo verão. A apenas 2 km de distância das pirâmides de Gizé e considerado o maior museu do mundo dedicado a uma única civilização, o complexo cultural do Grande Museu Egípcio está sendo construído para abrigar uma coleção de aproximadamente 100.000 artefatos antigos, cobrindo uma área total de 24.000m² além de contar com um museu infantil anexo, um centro de conferências, espaços educacionais, um núcleo de conservação e restauração assim como extensos jardins paisagistas dentro e fora do edifício principal.
Collage by Matthew Maganga. Image Courtesy of Forbes Massie-Heatherwick Studio
Há pouco mais de 50 anos, em 1970 mais especificamente, um roboticista japonês chamado Masahiro Mori cunhava um importante conceito ou hipótese no campo da estética, robótica e computação gráfica: Uncanny Valley—traduzido para o português como Vale da Estranheza. Naquela época, as renderizações arquitetônicas, ou melhor, colagens e fotomontagens, ainda eram feitas com o emprego de métodos analógicos. Uma década depois, o surgimento dos primeiros computadores pessoais e a popularização dos programas CAD impulsionaram uma ampla adoção de métodos digitais para a elaboração de imagens ilustrativas de projetos de arquitetura. Quase quarenta anos depois, as renderizações arquitetônicas evoluíram a tal ponto que é quase impossível distinguir um render de uma fotografia. Resultado direto do desenvolvimento de novas tecnologias, da utilização de softwares cada vez mais sofisticados e computadores cada dia mais rápidos e eficientes, os limites entre representação e realidade parecem se desmanchar no ar. A sutileza desta suspicaz semelhança, e o desconforto que ela provoca, é a nossa porta de entrada para o misterioso Vale da Estranheza de Mori.
O fotógrafo indiano Nipun Prabhakar compartilhou conosco uma série de imagens do Herbert F. Johnson Museum of Art, projetado pelo arquiteto sino-americano I.M Pei. O arquiteto fora contratado em 1968 pela Universidade de Cornell para construir um museu que também deveria servir como um centro cultural e de ensino para a comunidade acadêmica. Concluído em 1973, o edifício recebeu o Prêmio de Honra do Instituto Americano de Arquitetos em 1975.
A introdução de novas técnicas e materiais, juntamente com as inovações na infraestrutura, resultantes da revolução industrial, abriu o caminho para a habitação vertical. Investigando especificamente um período de tempo em que um fluxo populacional foi direcionado para as cidades e as divisões de classes sociais foram questionadas, este artigo analisa a evolução da planta residencial na Europa entre 1760 e 1939.
Estudando a transformação da unidade habitacional durante a revolução industrial até o período entre guerras, este artigo destaca quatro exemplos proeminentes que repensaram os layouts tradicionais e responderam aos desafios de sua época. Ainda hoje influentes, os modelos mencionados, restaurados para uso, fazem parte do tecido urbano do século XXI. Localizados em Londres, Paris, Amsterdã e Moscou, as plantas mostram os padrões de bem-estar interior em constante mudança, diretamente ligados a uma metamorfose mais ampla, equalizando e proporcionando o crescimento das populações urbanas. Descubra a evolução das unidades habitacionais, desde as casas geminadas até as cidades-jardim da Inglaterra; o Bloco de Haussmann, uma vida vertical para uma burguesia moderna; a Extensão de Amsterdã, das Alcovas aos Blocos de Habitação Social; e a Transition Type House na Rússia.
O belga Lionel Jadot domina a arte de fazer móveis desde muito jovem. Mas não é somente essa habilidade que faz dele um profissional completo. Ele é arquiteto, designer de interiores, desenhista, artista e cineasta e estará, ao lado de grandes nomes do design brasileiro e internacional, no Café com Europa, nos dias 12 e 13 de maio, como parte da programação da XVII Semana da Europa.