Não se pode negar que, à primeira vista, a notícia de um Louvre em Abu Dhabi ou de um Centre Pompidou no Brasil causa certo estranhamento. A imagem desses museus, mundialmente reconhecidos, parece — de algum modo — indissociável de seus contextos originais. E, em parte, realmente o é. O Louvre, enraizado na história da França como antiga fortaleza e posterior residência real, representa um conjunto de valores patrimoniais inestimáveis, realçados ainda mais pela emblemática intervenção piramidal de I. M. Pei, em 1989. O Pompidou, por sua vez, é lembrado como um ponto de inflexão histórico: ao redefinir o conceito de equipamento público por meio de uma arquitetura extremamente disruptiva, fez com que, pela primeira vez, a cultura atraísse multidões.
O Prêmio Pritzker é o reconhecimento mais importante que um arquiteto(a) pode receber em vida. A honraria é outorgada todos os anos a arquitetos e arquitetas cuja obra construída "tenha produzido significativas contribuições para a humanidade ao longo dos anos", segundo explica a própria organização responsável pela premiação. Por esta razão, o júri presta homenagem a pessoas e não a escritórios, como já aconteceu em 2000 (Rem Koolhaas ao invés do OMA), 2001 (Herzog & de Meuron), 2010 (SANAA), 2016 (Elemental) e 2017 (RCR Arquitectes), premiando seus fundadores (como no caso do SANAA), o então, um deles (Elemental).
O século XX viu um período de experimentação e inovação em um ritmo sem precedentes, um rumo que também marcou as expressões e arquitetura da época. Paris, como um dos principais centros europeus de expressão artística e cultural, também foi o epicentro para a formação de novos estilos arquitetônicos, desde a revolução da arquitetura moderna de Le Corbusier até as expressões do estilo High-Tech, como visto no design do Centre Pompidou de Renzo Piano e Richard Rogers. A transformação social encontrou sua expressão através de instituições públicas ou conjuntos residenciais brutalistas, como os projetados por Renée Gailhoustet e Jean Renaudie em Irvy-Sur-Seine, enquanto movimentos políticos atraíam arquitetos de todo o mundo, incluindo Oscar Niemeyer, que projetou seu primeiro edifício europeu na capital francesa.
A profissão de arquiteto é muitas vezes marcada por aqueles indivíduos que usam seu talento e recursos para proporcionar mudanças e trazer uma visão de um futuro melhor. Enquanto alguns iniciaram o seu percurso com gestos arrojados que chamaram a atenção do mundo arquitetônico e mudaram paradigmas, outros trabalharam de forma mais tranquila, voltando o foco para os usuários dos espaços e questionando-se sobre como podem contribuir da melhor forma para a melhoria da vida daqueles que os cercam.
Com o início do novo ano, paramos para olhar para os arquitetos que faleceram ao longo do ano passado, mas cujo legado e contribuição para a arquitetura sobrevivem. Entre eles, lembramos o ganhador do Prêmio Pritzker e pioneiro da alta tecnologia Richard Rogers, o ícone pós-moderno Ricardo Bofill, o atencioso Gyo Obata, a defensora e inovadora Doreen Adengo, a pioneira da habitação social Renée Gailhoustet e o multifacetado ganhador do Prêmio Pritzker Arata Isozaki.
Richard Rogers, o quarto arquiteto britânico a receber o Prêmio Pritzker, faleceu aos 88 anos no sábado, 18 de dezembro, conforme noticiado pelo The New York Times.
O Centro Georges Pompidou em Paris, França, também conhecido como Beaubourg, passará por grandes reformas. Projetado na década de 1970 pelos arquitetos Renzo Piano e Richard Rogers e inaugurado em 1977, uma das principais atrações culturais da capital francesa será totalmente fechada a partir do final de 2023 até 2027. Com claros sinais de envelhecimento, principalmente nos sistemas de aquecimento e refrigeração, escadas rolantes e elevadores, esta não é a primeira reforma do museu – em 1997, no marco de seu 20º aniversário, o Beaubourg foi fechado por alguns anos.
Cortesia de Richard Rogers e Graham Stirk no Rogers Stirk Harbour + Partners
Recentemente, o escritório de arquitetura britânico Rogers Stirk Harbour + Partners revelou imagens de seu mais recente projeto, o No. 33 Park Row, em Nova Iorque, EUA. Localizado em frente ao City Hall Park, no centro de Manhattan, o projeto está quase pronto e deverá ser inaugurado ainda no primeiro semestre deste ano. Este é o primeiro projeto residencial assinado pelos arquitetos Sir Richard Rogers e Graham Stirk em Nova Iorque.
Alguns arquitetos são apaixonados por cores, alguns são impassíveis a ela, outros a odeiam e tem aqueles que preferem descartá-la como algo desnecessário na arquitetura. Em um ensaio sobre o assunto, Timothy Brittain-Catlin menciona o "puritanismo inato entre os clientes de arquitetura", os arquitetos e seu "constrangimento em relação ao uso da cor", e como "o modernismo buscou contornar o uso das cores vibrantes na arquitetura". O debate sobre a cor na arquitetura está longe de ser algo novo, no entanto não há uma conclusão unânime, e provavelmente, nunca a teremos.
Atualmente, onde o estereótipo do arquiteto sobriamente vestido de preto ainda persiste, e enquanto meditamos silenciosamente sobre a estranha definição da Cosmic Latte, existem arquitetos que não têm medo de usar amplamente a cor em tudo o que fazem. Por isso, editamos uma lista com 7 importantes arquitetos que seguiram este caminho, tanto no passado como no presente.
https://www.archdaily.com.br/br/881425/7-arquitetos-que-nao-tem-medo-de-usar-as-cores-em-seus-projetosZoya Gul Hasan
O arquiteto ítalo-britânico Richard Rogers anunciou sua aposentadoria, 43 anos após fundar o escritório Rogers Stirk Harbour + Partners. Como um dos maiores arquitetos vivos da atualidade, é conhecido por suas obras high tech, das quais se destacam o edifício Lloyd's em Londres e o Centro Pompidou em Paris. Laureado com o Prêmio Pritzker, tornou-se um dos arquitetos mais reconhecidos do mundo, desenvolvendo projetos visualmente marcantes e programaticamente adaptáveis em diversos países.
Como um dos principais expoentes do movimento high-tech britânico, Richard Rogers, se destaca como um dos arquitetos mais inovadores e distintos de sua geração. Rogers fez seu nome nas décadas de 1970 e 1980, com edifícios como o Centro Georges Pompidou em Paris e a sede do Lloyd's Bank em Londres. Até hoje, seu trabalho lida com motivos semelhantes, utilizando cores vibrantes e elementos estruturais aparentes para criar um estilo reconhecível, mas altamente adaptável.
A Harvard University Graduate School of Design anunciou o ciclo 2020 Richard Rogers Fellowship. Aberto a profissionais e acadêmicos que trabalham em áreas relacionadas ao ambiente construído, o programa tem como sede a Wimbledon House, projetada por Richard Rogers no final dos anos 1960. Bolsistas de outras edições do programa já pesquisaram uma variedade de assuntos, incluindo habitação social acessível, a relação entre cidades e gastronomia, e projetos e regeneração urbana.
Honrando “um indivíduo ou um par de arquitetos cujo corpo significativo de trabalho teve uma influência duradoura na teoria e na prática da arquitetura”, a Medalha de Ouro do AIA é frequentemente considerada a maior honraria concedida nos Estados Unidos pela arquitetura.
A Nike anunciou o lançamento de uma edição especial de sua linha Air Max 1, inspirada no icônico Centro Georges Pompidou em Paris. A edição especial rende homenagem à estrutura projetada por Richard Rogers e Renzo Piano, que, segundo o designer de calçados Tinker Hatfield, serviu de inspiração para sua primeira linha Air Max 1.
Duas versões do Air Max 1 homenagearão o edifício, com tubos coloridos ao longo das costuras, linhas do tecido e sola. Um grande "P" na sola translúcida do tênis reforça a relação com o controverso edifício inaugurado em 1977.
Estação Anzac. Cortesia de Metro Tunnel, via HASSELL, RSHP, Weston Williamson
O Ministério do Transporte da Austrália divulgou os projetos de cinco novas estações de metrô na cidade de Melbourne, desenhadas por uma equipe formada pelos escritórios HASSELL, Rogers Stirk Harbour + Partners e Weston Williamson. Com conclusão prevista para 2025, as novas estações "combinarão funcionalidade, espaço e iluminação natural com o que há de mais novo em termos de projeto de infraestrutura de transporte público."
Cada uma das novas estações - nomeadas North Melbourne, Parkville, Liberty State, Town Hall e Anzac - buscará inspiração em seu respectivo contexto, resultando em desenhos substancialmente diferentes. Elas também incluirão equipamentos públicos, como infraestrutura para bicicletas e praças comunitárias.
https://www.archdaily.com.br/br/895587/rogers-stirk-harbour-hassell-e-weston-williamson-projetam-cinco-estacoes-de-metro-para-melbourneNiall Patrick Walsh
O escritório Rogers Stirk Harbour + Partners, de Londres, divulgou as primeiras imagens de sua torre comercial de 130 mil metros quadrados em Toronto, Canadá. Tendo vencido um concurso internacional para o projeto do “The HUB” em 2017, a proposta do RSHP se tornará um elemento dominante no horizonte de Toronto.
https://www.archdaily.com.br/br/891131/primeiras-imagens-do-projeto-the-hub-de-rogers-stirk-harbour-plus-partners-em-torontoNiall Patrick Walsh
É impossível resumir Madri. Se a cidade em si é imensa, os exemplos de arquitetura de qualidade são arrebatadores. Há mais de meio século Madri tem sido o laboratório de experimentação da arquitetura moderna e contemporânea na Espanha, um lugar em que serviu de palco para a construção de arquiteturas experimentais e inovadoras, muitas das quais fracassadas, mas algumas muito bem sucedidas e reconhecidas. Esta seleção busca mostrar exemplos de obras de qualidade inquestionável, sem, no entanto, se tornar um catálogo exaustivo de projetos. Muitos criticam que faltam grandes edifícios e não poderíamos estar mais de acordo. Essa é, quiçá, a beleza de Madri: há diversidade de opiniões e milhares de locais para conhecer; a cidade surpreende a cada passo.
NOWNESS compartilhou mais um vídeo da série "In Residence", uma coleção de curtas que entrevistam arquitetos em suas próprias casas. Desta vez, o convidado é o arquiteto mexicano Fernando Romero, que apresenta sua casa projetada por Francisco Artias em 1955 na Cidade do México, a qual descreve como o "último sonho moderno feito na realidade".
Renegado pelos parisienses por sua aparência chocante após ser inaugurado em 1977, o Centro Pompidou acaba de completar seu 40º aniversário e, como presente, receberá um projeto de renovação orçado em US$ 110 milhões que levará dois anos para ser concluído.