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Brutalismo: O mais recente de arquitetura e notícia

As influências orientais que moldaram a arquitetura soviética na Ásia Central

Após o fim da Segunda Guerra Mundial e com a clamorosa vitória dos Aliados sobre a Alemanha Nazista, a União Soviética se consolidou como uma das principais potências emergentes junto aos Estados Unidos, ampliando seu limites e expandindo sua influência e domínio sobre um vasto território da Europa Central à Ásia. Ao longo da segunda metade do século XX, em um período marcado por uma vaidosa disputa ideológica contra os EUA, a União Soviética utilizou a arquitetura como uma ferramenta para estabelecer uma aparente uniformidade e concordância sobre um território ocupado extremamente diverso e policromático. Neste contexto, procurava-se combater as especificidades locais em favor da supremacia de uma nova sociedade unificada e homogênea. No entanto, na prática, a arquitetura se mostrou suscetível a adaptações e influências locais—principalmente nos distantes territórios ocupados pela URSS na Ásia Central. Dito isso, este artigo ilustrado com fotografias de Roberto Conte e Stefano Perego procura analisar as especificidades e desdobramentos da arquitetura soviética em um território historicamente excluído das principais narrativas modernas, revelando todas as nuances de seu patrimônio construído e a variedade de tons de suas paisagens urbanas.

Residential building (1970s). Chkalovsk, Tajikistan. Image © Stefano PeregoCircus (1976). Bishkek, Kyrgyzstan. Image © Stefano PeregoTV and Radio building (1983). Almaty, Kazakhstan. Image © Stefano PeregoHotel Uzbekistan (1974). Tashkent, Uzbekistan. Image © Stefano Perego+ 19

O grande legado modernista na Tanzânia

O movimento moderno ainda hoje é um assunto que desperta as mais diversas e controversas reações. O mesmo acontece quando falamos do legado da arquitetura moderna. Acontece que não existe apenas um único legado, mas uma série de legados que varia de acordo com a localização geográfica, com o clima, o contexto político, social e econômico de cada país ou região. Embora a gênese do modernismo na arquitetura tenha se dado na Europa e nos Estados Unidos—onde encontram-se alguns dos seus mais representativos exemplares—, para além do mundo ocidental a chamada “arquitetura moderna” foi sendo moldada por arquitetos e arquitetas de acordo com as necessidades de cada contexto específico. No Sri Lanka, por exemplo, o arquiteto Geoffrey Bawa ajudou a cunhar o termo “Modernismo Tropical”, desenvolvendo uma arquitetura sensível e profundamente enraizadas na paisagem. Também podemos encontrar outros surpreendentes edifícios modernistas na Tanzânia, frutos da vasta e consistente obra construída de dois de seus mais importantes arquitetos: Anthony Almeida e Beda Amuli.

Mercado de Kariakoo. Imagem © Benedikt RedmannVista Interior da Residência Anthony Almeida— a "ponte". Imagem © Annika SeifertEntrada da Escola São Xavier. Imagem © Annika SeifertPerspectiva Exterior da Residência Anthony Almeida. Imagem © Annika Seifert+ 17

Como o brutalismo chega na década que se inicia?

Residência Ha Long / VTN Architects. Fotografia: © Hiroyuki OkiVoid Garden / TAOA. Fotografia: © Lei TaoSala de Concertos Blaibach / peter haimerl.architektur. Fotografia: © NAAROMuseu de História Natural Yingliang Stone / Atelier Alter Architects. Fotografia cortesia de Atelier Alter Architects+ 17

"A imagem proporcionada pelo Brutalismo, uma arquitetura de extremos sensuais, é frequentemente uma experiência extraordinária e desconhecida para o explorador da cidade. Pode haver algo agressivo e um vocabulário arrojado (...) na paleta expressiva que exibe a verdade de seus materiais e um desdém pelo frívolo". Assim Simon Phipps [1] descreve a sedução que as obras brutalistas sustentam perante nós até hoje. No entanto, o que define pensar essas arquiteturas em 2021?

O que é brutalismo?

Tendência, estilo e movimento são algumas das categorizações mais recorrentes utilizadas nas tentativas de definir o conceito do brutalismo, termo utilizado para delinear um recorte de produções arquitetônicas situadas entre as décadas de 1950 e 1970 que guardam algumas semelhanças entre si, sobretudo no uso aparente dos materiais construtivos. Estabelecer uma definição precisa para o brutalismo, no entanto, mostra-se uma tarefa árdua, ainda que (ou, sobretudo porque) o termo tenha atingido grande alcance e, com isso, muitas tentativas de conceituação.

"Torre Genex", também conhecida como Western City Gate. Imagem © Alexey KozhenkovBoston City Hall. Imagem Cortesia de Reed HilderbrandMonumento a la Brigada Néguev - Dani Karavan (1963-1968). Image © Stefano PeregoFaculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) / João Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi. © Fernando Stankuns, via Flickr; Licença Creative Commons+ 6

A poética concreta de Pier Luigi Nervi, pioneiro do brutalismo

Pier Luigi Nervi é um caso curioso na história da arquitetura. Apresenta grandes edifícios de concreto armado – sendo inclusive responsável por desenvolvimentos técnicos ligados a esse material –, que se definem por seus ousados, expressivos e heroicos partidos estruturais. Projetava de forma semelhante a Corbusier na sua chamada ‘fase brutalista’, que “(...) abordava o programa de arquitetura partindo de princípios de ordem geral, adaptando-os em seguida à situação real. O projeto era definido pelo partido que se organizava do geral para o partícular” (Acayaba, 1985); observar-se isto nos edifícios do italiano que, em grande parte, são obras pavilhonares, nos quais uma grande cobertura estrutural recobre o programa em suas particularidades.

Hangar Orvieto (1935). Foto de autor desconhecida, usada aqui sob os termos de "fair use"Palazzo dell Esposizioni Internazionale del Lavoro (1961). Foto de autor desconhecida, usada aqui sob os termos de "fair use"Palazzetto dello sport. Foto de lulek, via Flickr. Licença CC BY-NC 2.0Palazzetto dello sport. Foto de jpmm, via Flickrt. Licença CC BY-NC-ND 2.0+ 7

Começam as obras de reforma da Pirâmide de Tirana na Albânia projetada pelo MVRDV

Este mês marcou o início das obras de reforma da Pirâmide de Tirana, um monumento brutalista na Albânia. O projeto assinado pelos arquitetos do MVRDV, trata da reabilitação daquilo que, originalmente, era um monumento comunista. A proposta transforma a estrutura brutalista em um novo polo para a vida cultural de Tirana. Preservando a casca de concreto, a intervenção abrirá o átrio do edifício para cafés, estúdios, oficinas e salas de aula.

Cortesia de MVRDVCortesia de MVRDVCortesia de MVRDVCortesia de MVRDV+ 14

Arquitetura brutalista: o monstro que todos amam

Certamente têm razão aqueles que dizem que as tendências aparecem tão rapidamente quanto subitamente desaparecem—na moda, na música, na arte e, especialmente, na arquitetura. O brutalismo tornou-se um estilo bastante popular ao longo da primeira metade do século XX, atingindo seu auge na década de 1970 para então cair no esquecimento, à medida que as tendências apontavam para edifícios de linhas puras, formas simples e atemporais. Mas hoje, praticamente meio século depois, o amor pelas superfícies brutas e rugosas do concreto aparente parecem estar ressurgindo com toda força.

Robin Hood Gardens. Imagem © Steve Cadman© Amanda Vincent-Rous© Amanda Vincent-Rous© Joe Gilbert+ 13

Belgrado brutalista pelas lentes de Alexey Kozhenkov

O brutalismo é um estilo arquitetônico profundamente divisor - uma subcategoria do movimento modernista que apresentava acabamentos de concreto à vista, formas incomuns e uma estética sem dúvida única. Com especial protagonismo no Brasil e no Reino Unido, exemplos emblemáticos desse estilo também podem ser encontrados na Europa Oriental – particularmente, no território anteriormente conhecido como Iugoslávia.

© Alexey Kozhenkov"Prédio TV" - on Block 28. Imagem © Alexey Kozhenkov© Alexey Kozhenkov© Alexey Kozhenkov+ 9

Beerseba: arquitetura brutalista do deserto de Israel, pelas lentes de Stefano Perego

Monumento a la Brigada Néguev - Dani Karavan (1963-1968). Image © Stefano Perego
Monumento a la Brigada Néguev - Dani Karavan (1963-1968). Image © Stefano Perego

Facultad de Humanidades y Ciencias Sociales de la Universidad Ben-Gurión del Néguev - Rafi Reifer, Amnon Niv y Natan Magen (1968-1971). Image © Stefano PeregoSinagoga Central - Nahum Zolotov (1980). Image © Stefano PeregoCine Orot - Zeev Rechter (1963). Image © Stefano PeregoEdificio residencial - Meir Cecik y Bitosh Comforti (década del 60). Image © Stefano Perego+ 16

Localizada a pouco mais de 100 quilômetros de distância de Tel Aviv, Beerseba (Be'er Sheva) é considerada uma das cidades mais antigas do Estado de Israel. Ainda que tenha sido fundada a mais de dois mil anos, a cidade de Beerseba foi destruída e reconstruída muitas vezes ao longo de sua vasta história, de forma que a sua identidade hoje pode ser definida por uma sobreposição de diversas camadas temporais. Uma das principais forças que veio a transformar a estrutura urbana da cidade de Beerseba foi o avassalador crescimento populacional da década de 1950 (logo após o estabelecimento do Estado de Israel em 1948). Naquele momento, o governo israelense decidiu por expandir e revitalizar a estrutura urbana da cidade, a qual passou de um pequeno vilarejo de pouco mais de 4.000 habitantes—em sua maioria militares—, para um dos maiores e mais importantes centros urbanos junto ao deserto de Negev. Desta forma, Beersheba, como muitas outras cidades do país, se transformou em um canteiro de obras a céu aberto, um lugar onde muitos jovens arquitetos modernistas puderam explorar a nova forma de se fazer arquitetura.

Memória edificada: preservação e compartilhamento digital de acervos de arquitetura

Estamos na etapa final do projeto "Memória edificada: catalogação e digitalização de acervos no Centro de Memória Ingo Hering" – Um projeto patrocinado pela Fundação Catarinense de Cultura, por meio do edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura 2019 - que viabilizou o tratamento, acondicionamento e compartilhamento digital de parte do acervo do arquiteto Hans Broos.

Os resultados alcançados até aqui serão compartilhados no próximo dia 16/12, às 14 h. A programação desse evento também inclui as importantes iniciativas de preservação e compartilhamento de acervos, realizadas pela Casa da Arquitectura, detentora do acervo do arquiteto Paulo Mendes da Rocha; e

A arquitetura brutalista que moldou as paisagens urbanas da Polônia

Ao longo dos últimos anos assistimos a uma (re)descoberta de um dos principais e mais fascinante capítulos da história da arquitetura moderna. O concretismo puro e explícito de uma arquitetura comumente chamada de brutalista passou a despertar um interesse tão significativo quanto previsível na comunidade internacional de arquitetos e amantes da arquitetura. Acontece que, este fenômeno o qual costumamos chamar de “brutalismo soviético”, encontra-se indissociavelmente conectado ao contexto político totalitário e opressor que o viu nascer. Não é de se espantar que, na maioria dos países que estiveram sob influência e domínio soviético até o final da guerra fria, esta face da arquitetura seja muitas vezes tratada com um certo ceticismo, quando não com repudia e desprezo. Neste contexto, a paisagem urbana e arquitetônica de um país como a Polônia não poderia ser menos complexa e fascinante.

Plac Grunwaldzki Estate designed by Jadwiga Grabowska-Hawrylak (Brutal Poland). Image © Zupagrafika‘Manhattan’ housing complex in Łódź (Brutal Poland). Image © Zupagrafika‘The Hammer’ high-rise tower block in Warsaw (Brutal Poland). Image © ZupagrafikaNowa Huta modernist district of Kraków (Brutal Poland). Image © Zupagrafika+ 11

Série de fotografias explora o brutalismo das habitações coletivas na Europa

Edificio Residencial en Paderno Dugnano (1990, Milán, Italia). Image © Stefano Perego
Edificio Residencial en Paderno Dugnano (1990, Milán, Italia). Image © Stefano Perego

Torre Genex, Mihajlo Mitrović (1977-1980, Belgrado, Serbia). Image © Stefano PeregoComplejo Rozzol Melara, Carlo Celli, Luciano Celli y Dario Tognon (1969-1982, Trieste, Italia). Image © Stefano PeregoEdificios Orpheus & Eurydike, Jürgen Freiherr von Gagern, Peter Ludwig y Udo von der Mühlen (1971-1973, Munich, Alemania). Image © Stefano PeregoComplejo de Viviendas, Otar Kalandarishvili y G. Potskhishvili (1974-1976, Tiflis, Georgia). Image © Stefano Perego+ 21

Embora haja uma certa indefinição teórica quanto aos limites e ao alcance do termo "brutalista", existem certas constantes sobre seus parâmetros estéticos que nos permitem estabelecer uma linha de análise relativamente concreta. Nestes termos, os edifícios pertencentes ao brutalismo - um estilo do Movimento Moderno que atravessou seu boom entre os anos 1950 e 70 - são caracterizados por sua verdade construtiva - mostrando e evidenciando o material que compõe a arquitetura, assim como sua lógica construtiva e estrutural - a geometria de suas formas e a rugosidade das superfícies. O concreto armado aparece como o material principal de escolha e tanto as texturas geradas pelas formas de madeira bruta, quanto as incorreções do concreto não são mais cobertas com reboco ou tinta, mas exibidas deliberadamente como escolha de evidenciar os processos de construção.

Explicando 12 estilos da arquitetura moderna

O modernismo pode ser descrito como um dos momentos mais otimistas da história da arquitetura, um estilo inovador inspirado por pensamento e idéias utópicas que finalmente reinventou nossos espaços de vida e trabalho, assim como a maneira como as pessoas se relacionavam entre si e com o ambiente construído. Conforme expusemos em nosso artigo AD Essentials Guide to Modernism, a filosofia moderna ainda permanece vigente no discurso arquitetônico contemporâneo, mesmo que as condições específicas que deram origem ao movimento moderno na arquitetura no início do século passado, já não tenham mais nada que ver com o mundo em que vivemos hoje.

Ao nos despedirmos do ano que marcou o centenário da Bauhaus, compilamos uma lista dos principais estilos arquitetônicos que definiram o modernismo na arquitetura. Como uma ferramenta para entender o desenvolvimento da arquitetura ao longo do século 20, esta lista tem como principal objetivo apresentar um panorama completo sobre os desdobramentos do modernismo para além de seu contexto teórico.

Café L’Aubette/ Theo van Doesburg. Image Courtesy of Wikimedia user Claude Truong-NgocBarcelona Pavilion / Mies van der Rohe. Image © Gili MerinVilla Savoye / Le CorbusierVitra Design Museum / Gehry Partners. Image © Liao Yusheng+ 13

10 Obras icônicas do brutalismo na América Latina

via Usuário Flickr: Renovación República CC BY 2.0
via Usuário Flickr: Renovación República CC BY 2.0

A arquitetura brutalista responde a um momento histórico. Terminava a Segunda Guerra Mundial e das cinzas surge uma nova forma de Estado, junto com um nova ordem global que vai incluir, com maior protagonismo, a Estados periféricos. 

A arquitetura brutalista nasce como resposta a ideias de estados benfeitores, estados robustos que vão sustentar e dirigir a nova sociedade de massas. Como disse o crítico Michael Lewis "o brutalismo é a expressão vernacular do estado benfeitor".

Fotografias do Brutalismo em Barcelona (e sua evolução)

Rodolfo Lagos divide conosco uma série de fotografias sobre a arquitetura brutalista de Barcelona, que apresentamos em ordem cronológica para ajudar a entender como ocorreu sua evolução.

Concrete Seoul, um mapa que explora a arquitetura brutalista da Coreia do Sul

A Blue Crow Media lançou seu mais recente mapa que explora, desta vez, a arquitetura brutalista de Seul, Coréia do Sul. O mapa é editado pelo historiador de arquitetura da Universidade da Coréia Professor Hyon-sob Kim, com fotografia de Yongjoon Choi. O guia oferece uma visão única da história da arquitetura em concreto de Seul, da década de 1960 até hoje.

Cortesia de Yongjoon Choi, © Blue Crow MediaCortesia de Blue Crow MediaCortesia de Yongjoon Choi, © Blue Crow MediaCortesia de Blue Crow Media+ 12

Tons de cinza em Londres: série de fotografias explora o brutalismo britânico

A arquitetura brutalista está desaparecendo da cidade de Londres. No princípio, essas estruturas eram percebidas como rebeldes e desajustadas, posteriormente, no entanto, este estilo se tornou o mais recorrente dentre os edifícios comerciais e governamentais do pós-guerra. Atualmente, com as demandas do mercado imobiliário e o domínio da arquitetura contemporânea, essas monumentais estruturas acinzentadas de concreto estão pouco a pouco desaparecendo.

O arquiteto e fotógrafo Grégoire Dorthe desenvolveu a paixão pela fotografia durante o serviço militar, quando percebeu que, através de suas imagens, era capaz de congelar momentos e preservar o que será perdido com o tempo. Em sua série fotográfica intitulada Brutal London, o fotógrafo suíço registra as formas brutas e as qualidades gráficas da arquitetura brutalista da cidade, antes que esses edifícios sejam para sempre perdidos.

© Grégoire Dorthe© Grégoire Dorthe© Grégoire Dorthe© Grégoire Dorthe+ 53