Projetar uma casa é um dos exercícios que certamente todos os arquitetos já experienciaram ao longo de sua carreira (ou pelo menos, na jornada acadêmica). No entanto, seja pelo orçamento reduzido ou limitações físicas do terreno, desenvolver um projeto residencial com metros qudrados escassos pode ser um interessante desafio na busca por soluções que maximizem o espaço, cumpra o programa de necessidades requerido e ainda ofereça o máximo conforto aos futuros moradores. Com isso em mente, reunimos de nossa biblioteca de projetos, 21 residências brasileiras com menos de 100 metros quadrados construídos acompanhados de suas plantas. Veja a seguir:
Segundo dados do CRED (Centre for Research on the Epidemiology of Disasters e do UNISDR (UN Office for Disaster Risk Reduction), em relatório divulgado em 2016, o número de desastres relativos ao clima duplicou nos últimos quarenta anos. A necessidade de abrigos temporários para desabrigados é, além de um reflexo das crise climática que atinge o planeta, também uma das consequências do crescimento desordenado das cidades que leva uma parcela significativa da população mundial a viver em condições vulneráveis aos desastres.
Frequentemente reconhecido como um dos materiais construtivas mais difundidos em todo o mundo, o tijolo é sem dúvidas tão versátil quanto de fácil aplicação e com baixo custo. Compondo estruturas e fechamentos nos projetos, é um material de fácil utilização, pouca manutenção e considerável resistência, graças a sua forma de produção e disponibilidade de mão de obra no mercado. No entanto, embora componha em grande parte superfícies verticais, também apresenta excelentes propriedades quando aplicados em superficies horizontais, como é o caso dos pisos.
Expansão de Las Vegas, 1989/2019. Source Imagery courtesy of The European Space Agency (ESA) Paris, France
Os impactos causados pelo ser humano no planeta Terra passaram e ser tema recorrente, e cada vez mais se fala em um caminho sem volta. Aquecimento global, gases de efeito estufa, exploração dos recursos naturais e produção de resíduos sólidos e atmosféricos são alguns dos assuntos mais urgentes com os quais a comunidade global precisa lidar se desejamos um futuro de qualidade para as próximas gerações. Essas questões são tema e podem ser visualizadas em cores e alta definição no novo livro OverviewTimelapse: How We Change the Earth, de Benjamin Grant e Timothy Dougherty, que reúne 250 fotografias feitas por satélite ou drone de regiões em transformação na Terra.
As inundações são um problema significativo para edifícios em todo o mundo, incluindo tesouros arquitetônicos como a Farnsworth House, que foram atormentados pelo problema várias vezes. Em particular, um terço de todo o território continental dos EUA corre o risco de inundar esta primavera, especialmente as planícies do norte, o meio-oeste superior e o extremo sul. Em abril passado, inundações mortais dizimaram partes de Moçambique, Malawi, Zimbábue e Irã, resultando em cerca de 1.000 mortes, e dezenas de milhares de desabrigados. Embora a arquitetura não possa resolver ou até mesmo proteger completamente das inundações mais mortais, é possível - e necessário - tomar várias medidas de proteção que possam mitigar danos e, consequentemente, salvar vidas.
Espalhadas pelos quatro cantos do planeta, grandes cidades são consideradas um dos principais fortins da desigualdade e da insustentabilidade. As duas maiores cidades dos Estados Unidos, Nova Iorque e Los Angeles, são também as duas cidades mais desiguais do país enquanto que um terço das pessoas mais pobres do Reino Unido vive em Londres. Somando-se a isso, segundo dados publicados pela C40 Cities, dois terços da energia consumida no mundo e 70% das emissões globais de carbono são atribuídos às cidades. Como arquitetos e urbanistas, estes dados nos fazem refletir sobre como políticas públicas e estratégias de planejamento urbano poderiam ser utilizadas para melhor combater esses dois graves problemas. Como resposta, dezenas de cidades ao redor do mundo têm investido em sistemas de mobilidade urbana mais eficientes, abrangentes e sustentáveis. Neste contexto, levantamos a seguinte questão: e se o transporte público fosse gratuito?
https://www.archdaily.com.br/br/932326/as-cidades-deveriam-tornar-seus-sistemas-de-transporte-publico-gratuitosNiall Patrick Walsh
Em projetos de arquitetura, a divisão dos ambientes com funções diferentes pode ser feita de inúmeras formas e ir além do uso das tradicionais barreiras verticais, como as paredes, divisórias, painéis e cobogós. A diferenciação dos espaços por meio da disposição dos pisos em múltiplos níveis, seguindo uma lógica de divisão a partir de planos horizontais elevados ou rebaixados, possui a vantagem de permitir uma maior permeabilidade entre os ambientes.
Uma nova tendência de design, inserida entre os domínios da arquitetura e do design de interiores, está transformando a relação entre estas duas disciplinas ao estabelecer objetos capazes de definir e moldar nossos espaços interiores, criando ambientes dinâmicos e altamente flexíveis. Fugindo à qualquer tipo de categorização, tal prática está aproximando duas disciplinas historicamente não muito distantes: a arquitetura e o design. Com cada vez mais frequência nos deparamos com projetos que transitam entre a arquitetura em pequena escala e o design em grande escala, ou melhor, com objetos que não são nenhuma coisa nem outra, ou talvez, que sejam as duas coisas ao mesmo tempo. Quer seja uma consequência da crescente necessidade por espaços cada vez mais flexíveis e compactos ou de uma resposta arquitetônica aos novos desafios de uma sociedade cada dia mais digitalizada, estes projetos estão abrindo caminho para uma extrema versatilidade do espaço habitado.
Em um uso revelador de big data, Raj Chetty e seus colegas no Projeto de Igualdade de Oportunidades usaram registros fiscais anônimos para rastrear, a partir da infância, a renda de pessoas que cresceram nos Estados Unidos. Os resultados mostram que os bairros e áreas metropolitanas onde essas pessoas foram criadas têm um grande impacto nas suas perspectivas econômicas durante a vida.
Surpreendentemente, crianças de famílias de baixa renda que crescem em alguns bairros, especialmente aquelas com rendas mistas e níveis mais baixos de segregação racial, se saem melhor economicamente.
Projeto Original da Estação Central de Helsinque por Eliel Saarinen, 1904. Fonte Revisiting Cranbrook Eliel Saarinen and the Survival of Tradition, 2012.
Kenneth Frampton, importante crítico arquitetônico, caracteriza um conjunto de obras do século XIX como sendo da “Nova Tradição”: com sua origem situada entre 1900 e 1914, como “um estilo historicista conscientemente modernizado” (1997, p. 255). Propõe esses edifícios como resposta a dois significativos eventos históricos: por um lado, o incipiente modernismo Europeu, tendendo à estética da máquina, ao funcionalismo, à abstração formal; por outro, a consolidação de Estados nacionais que ocorria neste mesmo continente.
De tempos em tempos, o desenvolvimento de novas tecnologias e o surgimento de novos materiais faz com que o mundo da arquitetura opere uma completa mudança de paradigma. O concreto foi a força motriz da expansão do Império Romano, o aço por sua vez, permitiu densificar nossas cidades e construir edifícios em alturas até então inimagináveis. Mais recentemente, os materiais plásticos foram os responsáveis por provocar uma profunda transformação dos nossos espaços interiores assim como da economia da construção.
Mas seria razoável perguntar-se por que, em pleno século XXI, um material conhecido pelo homem desde tempos imemoriais esteja sendo apresentado como o futuro da arquitetura. Ainda que a madeira nos acompanhe desde os primórdios da história da humanidade, as novas tecnologias estão nos ajudando a transformá-la em um material cada vez mais versátil, resistente e sustentável. Apesar de ser material naturalmente heterogêneo e que ainda por cima demanda um processo de montagem bastante elementar – representando a antítese da atual conjuntura da industria da construção civil –, a madeira como um material de altíssima durabilidade e um recurso renovável com capacidade de fixar carbono - ao invés de liberá-lo - tem inspirado a indústria da construção civil a investir fortemente em seu futuro.
Diante dos desafios globais atuais, surge a pergunta: o que devemos abordar primeiro?
Este ano de 2020 foi uma grande oportunidade para concentrar todos os nossos esforços e atenção nas questões mais urgentes da arquitetura. Por meio de chamadas, artigos, entrevistas, debates e projetos, os tópicos mensais do ArchDaily apresentaram debates e reflexões acerca dos temas mais relevantes do campo – da crise climática e arquitetura emergencial à inteligência artificial e como viveremos juntos.
Grande parte de nossas memórias da infância são da escola. Sejam elas boas ou nem tanto, a maioria das crianças e jovens passa boa parte dos dias em salas de aula ou instalações educacionais. De acordo com IQAir, “todos os anos, as crianças permanecem uma média de 1.300 horas em edifícios escolares”. Mas mesmo com todas as mudanças do mundo nas últimas décadas, principalmente quanto à disseminação do conhecimento através da internet, é notável que os projetos das escolas, mantêm-se muito similares a modelos, de alguma forma, ultrapassados. Como observado neste artigo, idealmente a tipologia dos espaços educacionais e a configuração das salas de aula deveriam se adequar a formas mais contemporâneas de ensinar e aprender, não necessariamente na usual organização de carteiras enfileiradas com um professor à frente. Mas é importante que as análises não parem por aí. Todas as superfícies e materiais exercem uma influência importante tanto para o bem-estar como para o aprendizado dos usuários do espaço.
House In Rua do Paraíso / fala. Image Courtesy of fala
Cinco novos escritórios de arquitetura, com sede em Portugal, Espanha, França e República Checa, foram escolhidos pelo New Generations, uma plataforma que observa o que há de mais inovador dentre os arquitetos europeus, proporcionando um espaço para troca de conhecimento e confronto, teoria e produção. Desde a sua fundação em 2013, a New Generations trouxe à público mais de 300 escritórios promissores de arquitetura, apresentando um cenário diversificado de studios e ateliês dedicados às mais diferentes atividades culturais, promovendo festivais, exposições, chamadas abertas, entrevistas e oficinas.
Exposição virtual Windowology. Cortesia de Japan House LA
Diante do cenário da pandemia de coronavírus, foi preciso repensar a relação entre as pessoas e o espaço à sua volta. Enquanto espaços fechados, que costumam reunir aglomerações de pessoas, os museus não tiveram outra saída a não ser fechar as portas à medida que o número de casos de infecções aumentava. A programação destes espaços, por outro lado, não necessariamente foi interrompida. Ainda que alguns grandes eventos na área de arquitetura e urbanismo tenham sido adiados para uma data em que espera-se que a pandemia tenha sido controlada (como é o caso da 17ª edição da Bienal de Arquitetura de Veneza), muitos museus, galerias e demais espaços expositivos viram o momento como uma oportunidade para estreitar suas relações com o formato virtual.
A arquitetura residencial é uma das categorias mais populares entre nossos leitores. Durante 2020, publicamos mais de 2.000 casas, apresentando projetos de diferentes regiões do mundo e oferecendo uma variedade de soluções, materiais, contextos, ambientes, escalas e tipologias. Fornecemos, assim, uma ampla fonte de inspiração para quem busca ideias para seus próprios projetos residenciais.
A seguir, apresentamos os 20 projetos residenciais mais visitados no ArchDaily em 2020. Esta seleção representa o que há de melhor no conteúdo criado e compartilhado pela comunidade do ArchDaily nos últimos 11 meses.
Em resposta à crise imobiliária na Europa após a Segunda Guerra Mundial, Le Corbusier começou a projetar estruturas residenciais em grande escala. Um de seus projetos de habitação comunitária mais notáveis foi a Unidade de Habitação em Berlim, também conhecido como Corbusierhaus, concluído em 1959.
Explorando a composição particular do edifício, o fotógrafo de arquitetura Bahaa Ghoussainy colocou a unidade habitacional de Le Corbusier na mira de suas lentes.
A arquitetura, e todos os aspectos do mundo do design, experimentou vários movimentos ao longo do tempo que definiram a maneira como nos expressamos por meio de edifícios, artes e outros meios. Criadas a partir de uma insatisfação com o status quo ou do surgimento de novas tecnologias, houve mudanças arquitetônicas particularmente notáveis e ideologias emergentes nos últimos 100 anos. Isso nos deixa com a pergunta - em que momento estamos agora e o que o caracteriza? Como iremos refletir retroativamente sobre este momento arquitetônico, e a pandemia de COVID-19 irá acelerar a inovação para nos levar à nossa próxima era de projeto?
Satellite image of Bahir Dar (Ethiopia) Support of the Sustainable Structure Plan of Bahir Dar. Image Courtesy of UN-Habitat
A Un-Habitat ou agência das Nações Unidas para o desenvolvimento urbano sustentável, cujo foco principal é lidar com os desafios impostos pelo rápido e voraz processo de expansão urbana em países em desenvolvimento, vem desenvolvendo abordagens inovadoras no campo da arquitetura e do urbanismo, centradas nos usuários e nos processos participativos. Pensando nisso, p ArchDaily se associou à UN-Habitat para trazer notícias semanais, artigos e entrevistas que destacam neste setor, disponibilizando conteúdos em primeira mão e direto da fonte.
Com a principal intenção de apoiar e dar suporte aos governos locais de países em processo de desenvolvimento no que se refere a implementação de uma Nova Agenda Urbana que esteja de acordo com os objetivos traçados para estabelecer processos de Desenvolvimento Urbano Sustentável, a UN-Habitat acaba de lançar um Guia de Planejamento Urbano Participativo, “uma espécie de roteiro ou guia para avaliar, projetar, operacionalizar e implementar processos participativos de planejamento urbano sustentável”. O livro guia propõe um cronograma dividido em fases, blocos e atividades, ajudando os líderes comunitários assim como todas as partes interessadas a ter uma visão mais abrangente e estratégica do projeto à execução.
Alguns arquitetos são apaixonados por cores, alguns são impassíveis a ela, outros a odeiam e tem aqueles que preferem descartá-la como algo desnecessário na arquitetura. Em um ensaio sobre o assunto, Timothy Brittain-Catlin menciona o "puritanismo inato entre os clientes de arquitetura", os arquitetos e seu "constrangimento em relação ao uso da cor", e como "o modernismo buscou contornar o uso das cores vibrantes na arquitetura". O debate sobre a cor na arquitetura está longe de ser algo novo, no entanto não há uma conclusão unânime, e provavelmente, nunca a teremos.
Atualmente, onde o estereótipo do arquiteto sobriamente vestido de preto ainda persiste, e enquanto meditamos silenciosamente sobre a estranha definição da Cosmic Latte, existem arquitetos que não têm medo de usar amplamente a cor em tudo o que fazem. Por isso, editamos uma lista com 7 importantes arquitetos que seguiram este caminho, tanto no passado como no presente.
https://www.archdaily.com.br/br/881425/7-arquitetos-que-nao-tem-medo-de-usar-as-cores-em-seus-projetosZoya Gul Hasan
Fala-se pouco sobre a contribuição dos andaimes na história da construção. Estas estruturas geralmente foram tratadas como meros equipamentos e, por isso, seus registros são bastante escassos. Sem elas, no entanto, seria quase inviável construir a maioria dos edifícios que conhecemos. Os andaimes permitem atingir e deslocar materiais a pontos difíceis em uma construção, proporcionando segurança e algum conforto aos trabalhadores. Mas além do seu papel de estrutura de apoio para as construções, temos visto que os andaimes também podem servir para estruturas móveis, temporárias e mesmo permanentes. Conheça um pouco da história e das suas possibilidades a seguir.
Em nome de toda a equipe do ArchDaily, gostaríamos de agradecer seu apoio – a participação de vocês, leitoras e leitores, ajudou a tornar 2020 um ano melhor. Podemos dizer com satisfação que este ano, mais que em qualquer outro, alcançamos profissionais da arquitetura de todas as partes do mundo, contribuindo com ferramentas e inspiração para a criação de espaços melhores.
Com mais de 5.500 obras diferentes publicadas ao longo do ano, nossa equipe de curadores tem o prazer de compartilhar esta seleção dos 100 projetos mais acessados de 2020. Esta lista representa o que há de melhor no conteúdo criado e compartilhado pela comunidade do ArchDaily nos últimos 11 meses.
Uma maquete de Corbusier é a única imagem que me traz à mente a ideia de um suicídio imediato. - Ivan Chtcheglov
Apesar de suas brincadeiras, os situacionistas podem estar certos, afinal. A angústia dos estudantes de arquitetura pode não ser resultado de um trabalho excessivo no estúdio, mas sim da repetição infinita dos ideais modernistas que continuam a ser ensinados. Em seu manifesto Vers une Architecture (Por uma arquitetura), Le Corbusier defende a adoção da arquitetura moderna como a solução para as crises globais do século XX, de uma forma que agora parece bastante limitadora.
Durante o primeiro lockdown, o mundo inteiro parece ter parado ou ao menos, diminuindo de ritmo. Alguns ambientalistas foram rápidos em afirmar o lado positivo daquela situação: nunca antes havíamos presenciado uma queda tão significativa nas emissões de dióxido de carbono na atmosfera do nosso planeta. Entretanto, essa circunstância durou pouco—ou quase nada. Considerando a atual conjuntura no que se refere ao agravamento das consequências do aquecimento global, o que este ano atípico pode ter significado quanto aos esforços para combater a crise climática?