O escritório Neri&Hu apresentou "Liminality", uma exposição multimídia selecionada por Lesley Lokko para a Exposição Internacional de Arquitetura em Veneza. A mostra fez parte da seção "Dangerous Liaisons" no Arsenale. Em resposta à declaração curatorial de Lokko, a exposição explorou o conceito de liminaridade, a "zona" entre a prática da arquitetura e a exploração teórica, e reuniu três projetos de reuso adaptativo desenvolvidos a partir de pesquisas sobre “nostalgia reflexiva, reformulação do vernacular e ruinofilia/artefato do futuro”.
A Rebuild Foundation, dirigida pelo artista Theaster Gates, converterá a Escola Primária St. Laurence em um novo hub de artes de 40 mil metros quadrados em Chicago. A antiga escola de ensino fundamental está desocupada e será transformada em um espaço de confluência cultural. Com inauguração prevista para 2024, o projeto de adaptação adaptativa expande o programa do antigo edifício e promove o que os organizadores chamam de educação criativa.
Os avanços tecnológicos abriram caminho para uma abordagem revolucionária da arquitetura, que envolve responsividade e movimento. Este conceito chamado de "arquitetura cinética" permite que os edifícios se adaptem dinamicamente ao seu ambiente em constante mudança. Hoje em dia, os princípios cinéticos são aplicados para melhorar a sustentabilidade ambiental dos prédios, especialmente por meio das fachadas. No entanto, a arquitetura cinética também tem o potencial de impactar o ambiente construído em outros aspectos. Nos espaços públicos, a arquitetura cinética tem um grande potencial, apresentando oportunidades para torná-los mais acessíveis, inclusivos e amigáveis ao usuário. A introdução de elementos cinéticos nos espaços públicos desafia as suposições tradicionais sobre a arquitetura como um arranjo passivo, inaugurando uma nova era de ambientes urbanos interativos e envolventes.
Os antigos laboratórios da Charité em Lichterfelde, Alemanha, também conhecidos como edifício Mäusebunker, foram incluídos na lista de patrimôinio de Berlim, salvando-os da ameaça de demolição, prevista desde 2010. A estrutura brutalista foi projetada pelos arquitetos Gerd e Magdalena Hänska e construída a partir de 1971, e entrou em operação em 1982. Embora sua imagem forte, combinada com sua função de laboratório para testes em animais, tenha resultado no desgosto do público em geral, o edifício brutalista lentamente ganhou aceitação e até mesmo um status de cult entre os fãs do brutalismo.
A água, e suas conotações religiosas enquanto símbolo de purificação e vida, tem um significado enorme em muitas culturas. Mas em nenhum outro lugar esse respeito pela água é mais evidente do que na Índia, um país que reverencia seus rios como sagrados. Os corpos d'água servem como testemunho da veneração e uso da água em rituais religiosos, incorporando o patrimônio cultural como espaços públicos, locais de rituais e locais de cremação. Central para a vida diária na Índia, a água e a arquitetura aquática entrelaçam a espiritualidade e as tradições culturais, oferecendo um vislumbre das ricas tradições das comunidades.
Em seu mais recente TED Talk, Thomas Heatherwick lamenta uma condição que afeta áreas da cidade definidas por edifícios monótonos, ou o que ele chama de "epidemia de tédio". Reconhecendo a funcionalidade que impulsionou esses projetos, ele afirma que essa característica por si só não pode garantir que as estruturas se tornem partes ativas da vida urbana, pois muitas vezes não conseguem provocar uma resposta emocional nas pessoas. Heatherwick explica que, em sua opinião, essa função emocional, ou a capacidade dos edifícios de significar algo para seus usuários e visitantes, é essencial. Quando bem-sucedida, a arquitetura pode contribuir positivamente para a qualidade de vida e bem-estar de seus moradores, promover a coesão social e contribuir para um senso de identidade. Então, como a arquitetura pode provocar uma conexão emocional positiva e fornecer um pano de fundo agradável para as comunidades que atende?
Ao abordar o projeto de espaços culturais, como museus, locais de espetáculos ou locais de pesquisa e estudo, os profissionais de arquitetura e design muitas vezes têm que montar peças de um quebra-cabeça desafiador para fazer a estrutura dialogar com uma variedade de visitantes e ocupantes. Isso pode ser difícil, especialmente ao tentar combinar formas em um todo que respeite o uso pretendido para o edifício e seja atemporal em sua universalidade.
Uma maneira de garantir que o senso de cultura seja onipresente: a reutilização adaptativa. A prática de dar vida a estruturas históricas tem aumentado nos últimos anos e é particularmente adequada para criar espaços que abordam e incorporam questões contemporâneas enquanto conectam seus habitantes ao passado. Mas não é apenas um senso de herança atualizado que os faz sobressair; edifícios de reuso adaptável podem combater a expansão urbana e práticas de construção insustentáveis simplesmente por existir.
Pesados, imponentes e utilitários, os silos são estruturas duráveis, usadas para o armazenamento de produtos a granel. Eles são importantes elementos físicos da indústria agrícola, armazenando grãos, fermentados e outros alimentos. Os volumes altos e tipicamente cilíndricos continuam sendo objeto de fascínio arquitetônico — de símbolos do progresso tecnológico no modernismo do início do século XX, até os tempos contemporâneos, provocando abordagens criativas para a reutilização adaptativa.
Pearl Gallery Renders. Image Courtesy of CHYBIK + KRISTOF
O escritório de arquitetura CHYBIK + KRISTOF venceu o concurso para a criação de um novo marco cultural que transformará e reativará o espaço público em Ústí nad Orlicí, na República Tcheca. Uma antiga fábrica têxtil será convertida em um centro cultural multifuncional aberto ao público. O edifício requalificado, localizada perto da praça principal da cidade, acrescentará à infraestrutura cultural existente.
Quando as ruas estão vazias, as calçadas intocadas e as cortinas fechadas, a cidade parece sem vida. Quando as empresas fecham, os escritórios se tornam remotos e a atividade econômica diminui, os mecanismos que operam uma cidade ficam ociosos. Espaços e terrenos vagos são muitas vezes percebidos como “fracassados”, refletindo o declínio urbano e a deterioração econômica. O vazio, no entanto, mantém a esperança de possibilidades e mudanças. Quando os vazios urbanos estão à beira da transformação, o que acontece nesse meio tempo?
O Heatherwick Studio divulgou um novo projeto que pretende transformar uma antiga usina de dessalinização em um distrito cultural na orla de Jeddah, na Arábia Saudita. A estrutura industrial será reconfigurada para se tornar The Museum, um grande complexo que oferece espaços de produção, estúdios e ateliês para artistas, além de grandes áreas de exposição.
A reforma e a reutilização adaptativa têm estado na vanguarda do discurso arquitetônico nos últimos anos. Isso demonstra que a profissão está cada vez mais consciente de seu impacto no meio ambiente e das oportunidades de reaproveitar o que já foi construído. A Architecture 2030 lançou recentemente o CARE, ou Carbon Avoided Retrofit Estimator, uma nova ferramenta digital que permite que arquitetos, proprietários e comunidades quantifiquem a reutilização adaptativa. Ao inserir um conjunto simplificado de informações do projeto, como metas de energia e possíveis intervenções na construção, os usuários podem estimar rapidamente as emissões operacionais de carbono geradas pelo uso do edifício e as emissões de carbono incorporadas que estão vinculadas aos materiais de construção empregados.
As assinaturas estão rapidamente se tornando parte integrante da vida cotidiana. Por exemplo, as plataformas de streaming substituíram completamente a necessidade de possuir aparelhos de DVD, enquanto que os serviços de veículo por aplicativo suprem parcialmente a necessidade de possuir um carro particular. As assinaturas têm sido amplamente entendidas como serviços digitais, mas uma nova tendência sugere que o mesmo conceito pode ser transferido para objetos físicos em um futuro próximo. Em vez de ter uma geladeira, uma máquina de lavar ou mesmo lâmpadas, pode-se adquirir uma assinatura para garantir a durabilidade dos produtos, roupas limpas e uma casa bem iluminada.
O conceito é conhecido como “economia baseada em assinaturas”, uma variante da noção de “economia circular”. Ele postula que, em vez de possuir alguns dos objetos utilizados diariamente, é possível subscrever um serviço para ter acesso às mesmas vantagens, mas sem a necessidade de possuir, manter ou alienar o objeto em questão. Os consumidores não compram mais produtos; eles compram acesso a serviços. Às vezes, isso significaria simplesmente alugar o objeto em vez de comprá-lo, mas o modelo vai um passo além. Ele traz uma mudança de responsabilidade e mentalidade. Isso porque os consumidores já não são os proprietários dos objetos, a responsabilidade de reutilizar e reciclar recai sobre os produtores, que passam a ser responsáveis por todo o ciclo de vida dos objetos que criam.
O campus universitário tem uma tipologia espacial distinta. Estabelecidos como microcidades, esses ambientes independentes estão sujeitos a suas próprias regras e sistemas. Eles são projetados como um desvio das cidades que o hospedam para permitir o crescimento e a proliferação do conhecimento fora do status quo. Centrados na troca de informações, os centros acadêmicos estão se tornando cada vez mais relevantes para o urbanismo. Os campi e suas cidades evoluem para imitar a estrutura uns dos outros, criando oportunidades para a renovação urbana.
As cidades são inseparáveis do estilo de vida acelerado. Aluguéis em alta e apartamentos “não tão pequenos” caracterizam os ambientes urbanos, perpetuando a busca por “mais, maior e mais rápido”. À medida que as economias se desenvolvem e as necessidades humanas aumentam, edifícios são erguidos em taxas alarmantes para acelerar o progresso. Os riscos da vida urbana estão sendo gradualmente expostos, levantando questões sobre ações conduzidas de forma intencional. Uma maneira de retornar a estilos de vida mais lentos é retornar à arquitetura lenta.
2022 pode ser lembrado como o ano em que ferramentas surpreendentes alimentadas por IA se tornaram acessíveis a um público maior: da geração de texto para imagem Stable Diffusion,Midjourney e DALL-E 2a experimentos de design perturbadores, como This House Does Not Exist, para o surpreendentemente inteligente OpenGPT, o processamento da linguagem levou a inteligência artificial à gerar textos semelhantes aos feitos por humanos.
Cautelosamente descrito pelo CEO da OpenAI, Sam Altman, como "uma prévia do progresso", qualquer usuário pode conversar com o OpenGPT sobre quase tudo: os resultados são surpreendentes e ele pode facilmente incorporar mais uma ameaça aos trabalhos relacionados à criação. No entanto, o OpenGPT não tem acesso a Internet. Em vez disso, ele interage com base no gigantesco banco de dados no qual foi treinado. Conforme expresso por Eric Ulken da Gannett, "mesmo as melhores ferramentas de IA generativas são tão boas quanto seu treinamento", então, o que seria um "pedido inapropriado" já foi ajustado anteriormente (por humanos).
O Aeroporto Internacional de Atenas foi desativado em 2001 e levou duas décadas para o governo local reunir fundos e estabelecer diretrizes para transformar os 242 hectares (600 acres) não utilizados no maior parque costeiro da Europa. O escritório de arquitetura Sasaki está liderando o projeto de transformação para criar o Parque Metropolitano Ellinikon, que contará com diversos equipamentos de uso público e um centro cultural para a cidade de Atenas.
O Studio One Eleven converteu o varejo subutilizado em seu espaço de trabalho criativo, para 135 funcionários; o varejo local e artesanal adjacente agora pode florescer melhor. O projeto estimulou a cidade de Long Beach a rejuvenescer o Harvey Milk Park, permitir vários decks de rua para refeições ao ar livre e incentivou várias instalações de arte pública de alta qualidade por POW! WOW!.. Imagem Cortesia da Biblioteca Pública do Condado de Los Angeles
Meu primeiro encontro com a requalificação de um edifício me levou a uma viagem ao Departamento de Polícia de Long Beach. Um amigo e eu estávamos frustrados porque nossa cidade natal estava demolindo boas construções – visto que elas não correspondiam ao estilo arquitetônico atual – apenas para substituí-las por estacionamentos! Tudo em nome do "progresso". Em 1988, quando soubemos que o Edifício Jergins Trust, uma preciosidade Beaux-Arts, estava programado para ser demolido sem que nada estivesse planejado para aquele terreno, entramos em ação e nos acorrentamos ao prédio para impedir sua demolição. Nossos esforços o mantiveram vivo por mais quatro horas. E então, ele se foi para sempre.