Estima-se que o cobre tenha sido o primeiro metal a ser encontrado pelos homens e utilizado na fabricação de ferramentas e armas. Isso ocorreu no último período da pré-história, há mais de 10.000 anos atrás, na chamada Idade dos Metais, quando os grupos, até então nômades, começaram a se tornar sedentários, dominando a agricultura e iniciando os primeiros aglomerados urbanos. O cobre, desde então, tem sido explorado para usos muito diversificados. De objetos de decoração, joias, peças automotivas, sistemas elétricos e até amálgamas dentárias, entre muitos outros, o material possui uma demanda enorme. Na arquitetura, os revestimentos de cobre são bastante apreciados por conta de sua estética e grande durabilidade. Mas um fator que cabe ser mencionado é que o cobre pode ser reciclado infinitas vezes, praticamente sem perder suas propriedades.
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Casa Piedra Blanca / Pablo Lobos Pedrals, Angelo Petrucelli. Image Cortesia de Pablo Lobos Pedrals, Angelo Petrucelli
O steel frame é um sistema composto por perfis de aço galvanizado, de espessura entre 0,80 mm e 3 mm, dobrados a frio, e montados como quadros estruturais, com montantes verticais e horizontais. Para envolver os perfis estruturais, são utilizadas chapas de OSB, cimentícias ou de gesso acartonado, que podem receber acabamentos e pinturas interna e externamente. No interior das paredes pode-se incluir materiais isolantes, como lã mineral, de vidro, ou outros, para aumentar o isolamento termo acústico. No sistema steel frame, toda a parte elétrica e hidráulica é instalada antes do fechamento dos painéis, tornando o processo mais eficiente e sem quebras e desperdícios de materiais. Limpeza da obra, eficiência e rapidez são pontos chave neste sistema construtivo altamente disseminado pelo mundo.
Já ouviu falar em agrowaste design ou “design com agroresíduos”? É assim a arquiteta filipina-ganesa Mae-Ling Lokko intitula o seu trabalho, uma pesquisa pioneira sobre o uso dos biomateriais na arquitetura. Junto com a crescente demanda por produção de alimentos e habitação no século XXI, há um fluxo de recursos materiais de crescimento igualmente rápido na forma de subprodutos de agrotóxicos. Isso tem o potencial não apenas de fechar as lacunas do ciclo de vida de produtos, mas também de impulsionar formas de cidadania generativa por meio do upcycling.
Ling procura repensar os ciclos e uso dos produtos na construção civil através da economia circular, ou seja, nada é desperdiçado, tudo pode ser reutilizado, mesmo depois de obsoleto.
A arte de construir um abrigo feito com blocos de gelo é passada de pai para filho entre os inuítes, povos nativos que habitam as regiões mais ao norte do planeta. A planta circular, o túnel de entrada, a saída de ar e os blocos de gelo conformam uma estrutura onde o calor gerado no interior derrete uma camada superficial da neve e veda as frestas, melhorando o isolamento térmico de gelo. Em uma tempestade, um iglu pode ser a diferença entre vida e morte e talvez este seja o exemplo mais icônico e radical do que significa construir com materiais locais, poucas ferramentas e muito conhecimento. Neste caso, o gelo é tudo o que se tem.
Aproveitar os recursos abundantes e a mão de obra local são conceitos chaves para arquiteturas sustentáveis, que muitas vezes são esquecidos em detrimento de soluções replicadas de outros contextos. Com as novas demandas e tecnologias, a globalização dos materiais de construção e das técnicas construtivas, ainda há espaço para os materiais locais? Mais especificamente em relação às construções impressas em 3D, estamos fadados a erigi-las somente em concreto?
O arquiteto carrega uma enorme responsabilidade ao projetar uma edificação, uma vez que influenciamos no seu estado de espírito através do conforto que a edificação proporciona. E, no caso de um incêndio, a edificação deve estar devidamente preparada para evitar danos aos ocupantes e ao patrimônio. A forma como o incêndio irá evoluir, após se iniciar, dependerá em grande parte dos materiais que constituem a edificação e como a mesma foi projetada. É por isso que há tantas diretrizes que devem ser seguidas durante as etapas projetuais. Mas, além das legislações contra incêndio, há outras como a de conforto térmico, acústica e acessibilidade. Ao especificar um material ou produto para uma parte da edificação, o projetista deve estar muito atento se ele atende às mais distintas demandas, muitas vezes simultaneamente. Um exemplo de material é o dos Painel de metal isolado (Insulated metal panel - IMPs), que apresenta propriedades térmicas superiores, diversas possibilidades de aparência e boa resistência ao fogo.
Assunto de muitas discussões técnicas que envolvem normas de acessibilidade, e detalhamento extenso, os gradis metálicos desempenham uma dupla função nos projetos de arquitetura, sendo tanto um elemento de apoio e segurança em uma construção, quanto um elemento de identidade do projeto. Neste artigo exploraremos as diferentes formas desses metais serem vistos e inseridos no projeto.
Versátil não só em relação ao ambiente em que pode ser utilizada, mas também na harmonização com diferentes materiais de construção, a técnica do cimento queimado tem sido muito escolhida pelos arquitetos brasileiros para projetos de casas nos últimos anos.
O resultado, obtido por uma mistura de areia, cimento e água preparada in loco, é uma alternativa de baixo custo que possui boa durabilidade quando se tem uma manutenção adequada e regular. O efeito tem se tornado tão procurado que também é possível encontrar porcelanatos e tintas com textura semelhante.
As pessoas têm necessidades fundamentais que devem ser atendidas para sobreviver, que incluem: oxigênio, água, comida, sono e abrigo. Eles também possuem demandas secundárias, uma das quais é o acesso à luz do dia. Ao pensar em como os edifícios podem manter as pessoas saudáveis, é importante lembrar que a luz natural é essencial para o bem-estar; de fato, os ritmos circadianos humanos dependem dela.
Mass timber components for this project were prefabricated offsite which not only aids in the ability for on-site assembly but also aids in the disassembly of projects in the future if needed. Timber's versatility allows it to be disassembled and then reassembled into other buildings and furnishings, sequestering carbon for longer so long as it stays out of the landfill. Photo: PH1 construction by Naikoon Contracting, KK Law. Image Cortesia de naturallywood.com
O primeiro Shikinen Sengu foi realizado no ano de 690, na cidade de Ise, província de Mie, no Japão. Trata-se de um conjunto de cerimônias, que duram até 8 anos, que se inicia com o ritual do corte das árvores para a construção da nova edificação e conclui com a mudança do espelho sagrado (um símbolo de Amaterasu-Omikami) para o novo santuário pelos sacerdotes Jingu. A cada vinte anos, um novo palácio divino com exatamente as mesmas dimensões do atual é construído em um lote vizinho ao santuário principal. O Shikinen Sengu está ligado à crença xinto na morte e renovação periódicas do universo, ao mesmo tempo que é uma forma de passar de geração em geração as antigas técnicas construtivas em madeira.
A ideia de criar um edifício que terá um prazo de validade não é algo tão comum. Inclusive, muito pouco se aborda sobre a questão da vida útil das construções. Quando demolida, para onde irão os materiais que a compõem? Serão descartados em aterros sanitários ou poderão ser reutilizados em novas empreitadas? Há construções, métodos construtivos e materiais que tornam este processo mais fácil. Outros, inviabilizam uma reutilização, por conta de diversos fatores.
Embora o bambu tenha um potencial incrível como material de construção, os esforços para construir estruturas duráveis de bambu muitas vezes falham, com erros cometidos tanto no projeto quanto no processo de construção. As estruturas de bambu são frequentemente criticadas por sua falta de durabilidade e, antes que a tecnologia de tratamento fosse descoberta, esta era uma das armadilhas para construir com o material. Hoje em dia, empresas de arquitetura como a IBUKU provaram que, se bem projetadas, tratadas e mantidas corretamente, uma estrutura de bambu pode durar toda a vida.
Além do tratamento inadequado, há outros erros cometidos ao construir com bambu e eles são frequentemente ignorados, mas têm o mesmo peso para garantir a longevidade de uma estrutura de bambu. Existem muitos guias excelentes que explicam como construir com bambu, no entanto, as informações são insuficientes ao abordar o que não fazer. Neste artigo, vamos compartilhar como evitar os erros mais comuns ao construir com bambu.
Na arquitetura residencial, sempre houve espaços indispensáveis e outros que podemos ignorar. Ao projetar uma residência, nossa tarefa é basicamente configurar, conectar e integrar diferentes funções da forma mais eficaz e eficiente possível, obrigando-nos a priorizar. E embora hoje muitos apostem numa arquitetura cada vez mais fluida e indeterminada, poderíamos dizer que o dormitório, o banheiro e a cozinha são o núcleo fundamental de toda casa, permitindo o descanso, o preparo da comida e a higiene pessoal. Em seguida, surgem alguns espaços de reunião e outras áreas de serviço, e com eles possivelmente existem saguões, corredores e escadas que os conectam. Cada espaço agrega novas funções que seus moradores podem desempenhar com maior facilidade e conforto, e assim a vida começa a se desenvolver de forma mais adequada.
No entanto, menos metros quadrados no banheiro podem nos permitir ampliar a sala de estar. Ou ainda, eliminar alguns espaços aparentemente dispensáveis poderia proporcionar uma agradável espaço aos seus futuros habitantes. Em um mundo superpovoado com cidades cada vez mais densas, quais funções temos descartando para dar mais espaço ao essencial? Analisamos o caso da lavanderia, que foi reduzida e integrada nas outras zonas da casa para dar o seu espaço a outras funções.
Talvez não haja material mais diverso e atemporal do que o tijolo - que pode ser visto como um coringa tanto à arquitetura tradicional como na moderna. Em muitos casos, remover os rebocos de um edifício histórico pode revelar belas paredes de tijolos, que trazem uma grande quantidade de textura, calor e personalidade a um espaço residencial. Deixado aparente ou pintado, o visual se presta a uma variedade de estilos, do rústico ao industrial.
Os 5 projetos a seguir exemplificam como o tijolo exposto pode ser usado para aprimorar a mistura de texturas no projeto de interiores.
Tubos de papelão são tão comuns que já nem reparamos em sua existência - mas eles estão por todos os lados: no rolo de papel higiênico, na embalagem do diploma da faculdade, nos fogos de artifício e nas grandes indústrias de tecidos e papel. E agora, cada vez mais, podem ser encontrados em um lugar inusitado: nas paredes de casas e construções. O material faz parte da vida moderna - sendo produzido para uma infinidade de aplicações industriais e produtos de consumo. A grande maioria é utilizada como núcleos estruturais em operações de enrolamento: imediatamente após a fabricação, o papel, o filme ou o fio têxtil é enrolado diretamente em tubos de papelão - resultando em um rolo estável que é facilmente estocado e transportado.
O estudo das rochas permite o entendimento da formação do nosso território. Seus tipos, os desenhos formados, as camadas, revelam a história. Junto à atmosfera e à hidrosfera, a litosfera é um dos grandes elementos do sistema terrestre, que recebe a biosfera. A camada sólida mais externa dos planetas é constituída por pedras e solos e, quanto às pedras, há diversas formas de classificá-las. A mais comum é separá-las por conta dos seus processos de formação, como ígneas, sedimentares ou metamórficas. Enquanto as rochas sedimentares constituem cerca de 5% da crosta terrestre, os restantes 95% são de rochas ígneas ou metamórficas.
Por conta de sua durabilidade e resistência, juntamente aos seus desenhos variados e cores, as pedras têm sido utilizadas como materiais de construção e revestimento há centenas de anos. Para os pisos, a pedra permanece sendo uma opção nobre e elegante, que além de possuir uma alta inércia térmica e estabilidade estrutural, agrada a muitos por conta da textura agradável ao toque.
Há cerca de trinta anos o paisagista francês Patrick Blanc tornou-se pioneiro na implantação de jardins verticais em Paris e posteriormente, em outras cidades pelo mundo. Por meio da criação de estruturas verticais capazes de comportar e nutrir espécies vegetais, o sistema permite que espécies possam crescer e ainda reduzir consideravelmente a temperatura interna de edifícios quando instaladas em suas fachadas, possibilitando expansão de áreas verdes pela inversão de suas áreas, do solo (horizontal) às empenas (vertical).
A prática de Blanc trouxe um conjunto de ações posteriores, reconhecendo os valores dos espaços verdes e sua contribuição às políticas sociais, ambientais e urbanas.
O aumento da automação (processos mecanizados) dentro das etapas de materialização arquitetônica, tem visto uma notável aceleração nos últimos tempos, graças ao surgimento e desenvolvimento de ferramentas de fabricação digital. Essas ferramentas, tais como impressoras 3D, robôs de montagem ou cortadores a laser, permitiram o aperfeiçoamento das etapas de construção, proporcionando vantagens significativas relacionadas à otimização dos recursos, maior precisão e maior controle.
No caso específico da madeira, as ferramentas digitais de fabricação mais frequentemente utilizadas são as máquinas fresadoras, ou Routers CNC (Controle Numérico Computadorizado). Estas ferramentas permitem a interpretação de desenhos vetoriais 2D ou mesmo modelos 3D, convertendo-os em códigos de coordenadas que controlam as ações da ferramenta. Desta forma, as CNC ou fresadoras permitem, a partir de arquivos digitais (que podem ser feitos em softwares de design amplamente conhecidos, como o AutoCad), cortar madeira de forma fácil e rápida, deixando as peças prontas para serem montadas e combinadas em obra.
Vertical Glass House / Atelier FCJZ. Image Cortesia de Atelier FCJZ
Quando a água escorre pelo ralo ou puxamos a descarga do vaso sanitário, geralmente não nos preocupamos onde isso irá parar. De fato, isso não deveria ser uma preocupação, principalmente se toda a população tivesse um saneamento básico adequado. A humanidade já levou o homem ao espaço, planeja colonizar Marte, mas falha em prover condições básicas de vida para boa parte de sua população. Um estudo abrangente estima que 48% da produção global de águas residuais é lançada no meio ambiente sem tratamento. A ONU, por sua vez, apresenta um número bem menos animador, de que 80% do esgoto do mundo é liberado sem tratamento. Mas voltando à pergunta do título, há basicamente dois destinos para o esgoto se ele não estiver sendo lançado in natura no meio ambiente: tratamento local, por fossas sépticas, ou ligação da rede de esgoto a uma estação de tratamento de esgoto, que devolverá a água tratada à natureza após uma série de processos.
Formas curvas sempre despertaram o fascínio de arquitetos por remeterem à beleza da natureza, sua fluidez, dinamismo e complexidade. Replicá-las, no entanto, não é tarefa fácil. Da sua representação bi ou tridimensional, até a concretização de formas orgânicas em materiais, isso representa uma enorme dificuldade, que exige perícia técnica e grandes conhecimentos para atingir bons resultados. Pensar em formas de criar processos industriais de produção de peças com formas orgânicas, a partir de materiais naturais, é ainda mais complicado.
Aliado a isso, trabalhar com um material natural como a madeira carrega suas peculiaridades. Fatores como a espécie da madeira, onde a árvore cresceu, quais climas ela enfrentou, quando ela foi cortada, de que forma foi fatiada ou seca, entre muitas outras questões, influenciam no resultado final. Mas é difícil comparar a beleza e o aconchego que as superfícies de madeira trazem aos ambientes. Se desenvolvidos os devidos processos, a madeira também pode receber uma curvatura e permanecer na forma desejada. Para tal, há algumas técnicas conhecidas.