A cartografia teve um papel importante na representação de conceitos espaciais por milhares de anos. Enquanto as primeiras formas de mapas exibiam informações geográficas esculpidas em tabuletas de argila ou gravadas nas paredes das cavernas, os mapas que usamos hoje evoluíram significativamente para mostrar de maneira criativa uma variedade de informações diferentes. Essas peças visuais mostram dados populacionais, eventos históricos, mudanças culturais e padrões climáticos para nos ajudar a entender mais sobre nosso mundo e como o impactamos.
Poucos lugares no mundo possuem uma sobreposição de complexidades tão intensa quanto Brasília. Ainda assim, sua arquitetura simboliza a República e a democracia do Brasil e qualquer ato de ataque a estes símbolos carrega significados e consequências à memória e ao patrimônio cultural do país. Os atos terroristas de janeiro de 2023 destruíram parte do nosso patrimônio mas também levantam questões que vão além dos objetos e da arquitetura, tangendo educação, cultura e capital político nacional.
Em julho deste ano, a Unesco concedeu ao Sítio Roberto Burle Marx o título de Patrimônio Mundial. Com isso, o Brasil passa a ter 23 sítios e práticas inscritas na lista de Patrimônio Mundial da Humanidade, que reúne bens, conjuntos e práticas de valor material e imaterial.
De acordo com a Unesco, os 23 bens e práticas tombados no Brasil podem ser divididos em Patrimônio Cultural, — "composto por monumentos, grupos de edifícios ou sítios que tenham um excepcional e universal valor histórico, estético, arqueológico, científico, etnológico ou antropológico" — e Natural — "formações físicas, biológicas e geológicas excepcionais, habitats de espécies animais e vegetais ameaçadas e áreas que tenham valor científico, de conservação ou estético excepcional".
Há mais de 60 anos, Brasília surgiu do interior do Brasil. Desenvolvida em um cerrado deserto entre 1956 e 1960, a cidade que substituiu o Rio de Janeiro como capital do país foi um empreendimento conjunto do urbanista Lúcio Costa e do arquiteto Oscar Niemeyer.
Com sua forma alada, Brasília tornou-se um poderoso símbolo, pois representa uma das mais puras encarnações da esperança, do esplendor e da ingenuidade da arquitetura do século 20.
Brasília, Distrito Federal, Brasil. Created by @benjaminrgrant, source imagery: @digitalglobe
Em 1972 foi criada a Convenção do Patrimônio Mundial da Unesco, que vincula os conceitos de patrimônio cultural e natural da humanidade e estabelece uma série de procedimentos envolvidos na sua conservação e preservação. A partir do entendimento de que os sítios e monumentos estão sujeitos à ação do tempo e à eventual deterioração ou desaparecimento, a organização determina que aqueles de valor universal excepcional merecem uma proteção especial contra as ameaças às quais estão submetidos. Assim, o trabalho de identificação, proteção, conservação e valorização dos sítios incluídos na lista visa salvaguardar e transmitir às gerações futuras o patrimônio cultural e natural da humanidade.
“Se eu dissesse que Brasília é bonita, veriam imediatamente que gostei da cidade. Mas se digo que Brasília é a imagem de minha insônia, veem nisso uma acusação; mas a minha insônia não é bonita nem feia — minha insônia sou eu, é vivida, é o meu espanto.” — Clarice Lispector
Em 2020, Brasília completou 60 anos. O aniversário quase me escapou, mas, em tempos de isolamento, lembrei-me das caminhadas que tive oportunidade de fazer por lá no ano passado e que me despertaram para o belo, o não belo, e também para o “não óbvio” da famosa cidade modernista. Dito isso, compartilho aqui o meu espanto ao percorrer a pé a cidade-máquina.
“É o jogo de três escalas que vai caracterizar e dar sentido a Brasília... a escala residencial ou quotidiana... a dita escala monumental, em que o homem adquire dimensão coletiva; a expressão urbanística desse novo conceito de nobreza... Finalmente a escala gregária, onde as dimensões e o espaço são deliberadamente reduzidos e concentrados a fim de criar clima propício ao agrupamento... Poderemos ainda acrescentar mais uma quarta escala, a escala bucólica das áreas abertas destinadas a fins-de-semana lacustres ou campestres”. - Lucio Costa em entrevista ao Jornal do Brasil, 8 de novembro 1961.
A fotógrafa Joana França compartilhou uma impressionante série de fotografias aéreas da capital nacional dividida em quatro subséries, cada qual apresentando uma escala de Brasília: residencial, monumental, gregária e bucólica. Veja cada uma delas, a seguir.
Congresso Nacional. Foto de Mario Duran-Ortiz, via Flickr. Licença CC BY-SA 2.0
A partir do século XIX, com sua Revolução Industrial e emergência dos novos tempos da máquina, a crescente população e as demandas pelo espaço urbano cada vez mais pungentes, na Europa, emergem as primeiras reflexões sobre a cidade e, mais do que isso, inicia-se o processo de estruturação disciplinar do urbanismo como teoria e prática inerentes ao novo momento histórico que se consolidava, e que teria seu produto, em relação às cidades, como apanágio do século XX. Dentro dessa lógica disciplinar que se configurava a partir de uma demanda social, ou muitas vezes, uma demanda política vinculada a pretensões militaristas de ordem e controle urbano, o século XX foi palco de todo o desenrolar dessa sociedade industrial, que tinha a cidade como seu horizonte.
Em nosso contexto atual de crise ecológica, aquecimento global, perda de biodiversidade, crescimento da população humana e expansão urbana, precisamos repensar a forma como construímos e vivemos em nossa cidade. Temos observado as consequências de um planejamento e construção urbana descontrolados, movidos apenas por uma visão capitalista e produtivista da cidade, empacotando o máximo de humanos possível nas construções mais baratas disponíveis, sem considerar o impacto em nosso planeta, em nossos semelhantes animais e plantas habitantes e nosso próprio bem-estar. As selvas de concreto que construímos no século passado provaram estar destruindo nosso clima (aquecimento global, ilhas de calor), nossos ecossistemas (perda de biodiversidade e redução da população de animais e plantas) e nossa economia (as indústrias de alimentos e produtos foram deslocadas para longe, substituídas apenas pela indústria de serviços e pela geração de grande quantidade de resíduos na cidade).
https://www.archdaily.com.br/br/993861/repensando-as-relacoes-das-cidades-com-a-natureza-robos-agricultores-urbanosAlexandre Dubor and Cristian Rizzuti
Em uma era de globalização sem precedentes, nossas cadeias de abastecimento de alimentos – as instituições e mecanismos envolvidos na produção e distribuição de suprimentos – tornaram-se mais longas. Tanto que dificilmente são percebidas como cadeias ou sistemas. Elas foram integrados em nossas vidas e em nossas cidades e transformaram nossas relações com a comida. E, no entanto, essas longas cadeias de abastecimento de alimentos estão envolvidas em alguns dos nossos problemas globais mais prementes, desde a segurança alimentar e o desperdício até a biodiversidade e as mudanças climáticas. Essas cadeias de abastecimento chegaram ao seu estado atual, sua extensão atual, ao longo de décadas, ou talvez séculos, por meio de todos os tipos de processos políticos, sociais, culturais e econômicos, e carregam consigo uma série de fardos: relações vagas entre produtor e consumidor, e uma série de externalidades ambientais negativas, entre muitas outras.
Com o fim de mais um ano, a equipe do ArchDaily reúne os destaques da arquitetura em uma série de retrospectivas que buscam resgatar o conteúdo apresentado no período que se encerra. Como parte deste esforço, nossa equipe de projetos se volta para uma das categorias mais populares entre os leitores, a arquitetura residencial, com o objetivo de reunir aqueles que representam o melhor de uma vasta produção arquitetônica mundial a partir do olhar da nossa audiência.
A palavra comensalidade refere-se ao ato de comer junto, dividindo uma refeição. Muito mais que uma mera função de necessidade humana essencial, sentar-se à mesa é uma prática de comunhão e trocas. Um artigo de Cody C. Delistraty compila alguns estudos sobre a importância de alimentar-se em conjunto: alunos que não comem regularmente com os pais faltam mais à escola; crianças que não jantam diariamente com a família tendem a ser mais obesos e jovens em famílias sem essa tradição acabam tendo mais problemas com drogas e álcool, além de desempenho acadêmico mais fraco. Evidentemente que todas estas questões levantadas são complexas e não devem ser reduzidas a somente um fator. Mas ter um local adequado para fazer as refeições, livre de muitas distrações, é um bom ponto de partida para ao menos um momento focado na conversa e alimentação. Estamos falando das mesas de jantar. Revisamos aqui alguns projetos para classificar as formas mais comuns de se implantar estes importantes mobiliários.
Vontade Indômita (The Fountainhead em inglês), de 1949, baseado no romance A Nascente da escritora russa naturalizada nos Estados Unidos Ayn Rand, retrata a jornada de um jovem arquiteto vanguardista que se encontra dentro de um debate arquitetônico entre a “criação” e a industrialização da profissão. O romance de 1943 apresenta o Objetivismo de Rand, filosofia à qual se ateve por grande parte da carreira e que define o ser humano como um ser heróico, cuja atividade mais nobre é a realização produtiva, mesmo se só for alcançada através de renúncias e auto sacrifício.
https://www.archdaily.com.br/br/993639/alegoria-e-arquitetura-moderna-uma-analise-do-filme-vontade-indomitaBruna Bonfim e Nara Albiero
Preparamos uma lista abrangente com 125 livros de arquitetura e temas relacionados que consideramos interessantes para ampliar seus conhecimentos sobre a disciplina.
Buscamos títulos de diferentes partes do mundo com o objetivo de apresentar visões que dizem respeito a contextos culturais distintos. De compilações de ensaios e teorias sobre o crescimento das cidades a romances que flertam com a arquitetura e séries de ilustrações e gravuras.
Veja, a seguir, nossas sugestões acompanhadas por uma breve descrição.
https://www.archdaily.com.br/br/901773/os-116-melhores-livros-de-arquitetura-para-profissionais-e-estudantesArchDaily Team
Chegamos ao final de 2022 e é hora de rever os marcos mais importantes do ano no ArchDaily. Desta vez, apresentamos as dez fotos mais curtidas no Instagram do ArchDaily internacional.
https://www.archdaily.com.br/br/994083/as-fotos-mais-curtidas-no-instagram-do-at-archdaily-em-2022ArchDaily Team
Todos os anos, o ArchDaily apresenta milhares de novos projetos que compõem a maior biblioteca on-line de arquitetura do mundo. Nossa equipe de curadores analisa, pesquisa e se encarrega de explorar algumas das obras arquitetônicas mais inovadoras e relevantes do mundo. Assim como os projetos apresentados no primeiro livro do ArchDaily, nosso objetivo é abrir nossa plataforma e destacar (O que é) boa arquitetura. Para isso, nos debruçamos sobre intervenções de todos os tamanhos e formas, que refletem características sustentáveis, consciência local, avanço tecnológico e conforto e bem-estar. A lista dos 100 melhores projetos do ArchDaily, em particular, combina todos estes fatores com os dados que obtemos da nossa audiência, a partir dos projetos em que os leitores estão mais interessados.
https://www.archdaily.com.br/br/994111/os-melhores-projetos-de-arquitetura-de-2022ArchDaily Team
2022 foi um ano agitado que, novamente, resultou em uma cobertura diversificada no ArchDaily, desde a especulação acerca dos materiais de construção do futuro até a análise do papel narrativo que a arquitetura desempenha na literatura. Uma seleção de artigos do ano que passou foi reunida abaixo, organizada em quatro tópicos.
As cidades evoluem ao longo de décadas ou séculos, cada momento de mudança se constrói em transições sociais e arquitetônicas ainda maiores. As metrópoles do mundo inteiro estão constantemente sujeitas a forças sociais, políticas, econômicas ou ambientais que alteram sua identidade fundamental — um caráter que deve ser dinâmico. À medida que as cidades se desenvolvem em tamanho e impacto, os avanços na compreensão das cidades e do urbanismo se tornam mais complexos.
As cidades são formadas a partir de uma sequência de narrativas, características, relações e valores socioespaciais que refletem a identidade do lugar. A subsistência da cidade também depende de seu povo e de uma relação mútua com ele. Junto com suas comunidades e suas circunstâncias, as cidades se transformam para refletir as necessidades e os valores de seus moradores.