As cidades estão aquecendo a um ritmo aproximadamente duas vezes maior que a média global, uma tendência acelerada pela urbanização rápida. Enquanto o aumento das temperaturas está transformando o cotidiano em todo o mundo, algumas cidades e bairros — muitas vezes os mais vulneráveis e com menos recursos — estão esquentando mais do que outros. A razão está no próprio ambiente urbano. A infraestrutura construída, como ruas, edifícios, calçadas e espaços públicos, determina como o calor se move pela cidade, onde ele se acumula e por quanto tempo permanece retido. Independentemente da zona climática ou da localização geográfica, a sombra continua sendo a forma mais eficaz e imediata de resfriar os pedestres e aliviar o ambiente construído.
Refletindo sobre a cidade moderna, Walter Benjamin descreveu o flâneur, uma figura que caminha sem destino definido, atento aos detalhes, aos encontros fortuitos e às narrativas que emergem do espaço urbano. Essa forma de estar na cidade, moldada pela observação e pela abertura ao inesperado, há muito tempo entra em tensão com os ideais racionalistas e funcionalistas que passaram a orientar o urbanismo ao longo do século XX. Ruas desenhadas prioritariamente para a eficiência e o fluxo raramente deixam espaço para desvios, pausas ou para a convivência de diferentes ritmos de vida.
Jane Jacobs também foi uma das vozes que questionaram essa lógica predominantemente racionalista, ao defender que ruas verdadeiramente vibrantes são aquelas capazes de sustentar a diversidade da vida cotidiana, suas trocas informais e as formas de cuidado e vigilância natural que delas emergem. O que esses autores compartilham é uma percepção fundamental: as ruas não são apenas infraestruturas de circulação, mas ecossistemas sociais, moldados pelas relações, usos e encontros que nelas acontecem.
A reciclagem é o processo de reaproveitamento de materiais descartados. Seu objetivo é reintroduzi-los na cadeia produtiva a fim de que ainda gerem valor e sejam reutilizados, aumentando a preservação dos recursos naturais e melhorando a qualidade de vida das pessoas. É considerada uma das alternativas mais eficientes para tratar os resíduos sólidos, tanto do ponto de vista ambiental quanto social, e está diretamente inserida no contexto da economia circular.
É difícil não perceber a onda de torres super altas e esbeltas que invadiu Manhattan nos últimos anos. Todos conhecem os projetos individualmente: 432 Park Avenue, One57, Nordstrom Tower, a MoMA Tower. Mas, quando uma companhia do ramo imobiliário mostra como será o skyline de Nova Iorque em 2018, os novaiorquinos são forçados a considerar, pela primeira vez, os efeitos combinados desse novos projetos. Nesse artigo, originalmente publicado pela Metropolis Magazine como "On New York's Skyscraper Boom and the Failure of Trickle-Down Urbanism," Joshua K Leon argumenta que o caso para uma cidade do "um porcento" não resiste à análises profundas.
Como seria uma cidade dominada por um porcento?
Novas simulações da CityRealty mostram como será Manhattan em 2018. A principal característica será a proliferação de arranha-céus especialmente altos e esbeltos pontuando o skyline como caixas pós-modernistas, estalagmites estranhas e seringas de ponta cabeça. O que elas compartilham é a escala monumental e uma clientela de plutocratas descompromissados.
https://www.archdaily.com.br/br/759467/por-que-nova-iorque-nao-deveria-ser-uma-cidade-para-um-porcentoJoshua K Leon
Uma revolução está acontecendo no projeto das ruas. Nova Iorque, uma cidade que serve de termômetro para o mundo, fez com que seus cidadãos comuns utilizassem a bicicleta como meio de transporte. Fizeram isso ao reservar uma pista de cada grande avenida apenas aos ciclistas, com barreiras para protegê-los do tráfego.
Agora, centenas de cidades estão se renovando para se adequar às bicicletas, enquanto em Nova Iorque há um sentimento de que mais mudanças estão por vir. Muitos nova-iorquinos prefeririam que sua cidade fosse mais como Copenhague, onde 40% de todos os trajetos são feitos de bicicleta. Mas Copenhague quer ainda mais. Onde isso vai parar?
Se você considerar que estamos falando sobre um meio de transporte que melhora nosso desempenho cardíaco, reúne muito mais pessoas nas ruas do que seria possível em carros, não polui, e custa aos governos e à quem utiliza um valor quase insignificante, você não vai se perguntar onde isso vai parar, mas o que deve ser feito para que todos os trajetos sejam realizados em bicicleta.
Terreno: Subestação Voltaire (11°). Cortesia de Reinventer Paris
A prefeitura de Parisconvida arquitetos de todo o mundo a proporem "projetos urbanos inovadores" para reimaginar o futuro da cidade. Como primeiro concurso deste tipo no mundo, a prefeita Anne Hidalgo e o deputado Jean-Louis Missika, "selecionarão e implementarão os novos edifícios que moldarão o futuro de Paris", colocando a inovação como principal critério. Oferecendo 23 terrenos, localizados no centro da cidade e na periferia, a organização do concurso está convencida de que "os desafios enfrentados pelo mundo podem abordados a partir e respostas locais." Segundo a prefeita, "a partir de hoje, criadores de todo o mundo recebem carte blanche para reinventar os modos de viver, trabalhar, e comercializar em Paris. Surpreendam-nos!"
Um grande concurso que visa soluções para a reutilização do aterro Malagrotta, um dos maiores da Europa, foi lançado. Após o fechamento de Malagrotta em agosto de 2013 devido a seu tamanho e impacto negativo nas comunidades próximas, a Prefeitura de Roma iniciou um processo de redesenvolvimento através do engajamento comunitário. Equipes multidisciplinares são convidadas a desenvolver propostas para reinventar o terreno de 240 hectares. O concurso tem como objetivo iniciar uma discussão sobre propostas de longo prazo para a área.
Originalmente publicado na Metropolis Magazine como “Playing in Traffic“, este artigo de Jack Hockenberry investiga a relação entre o homem e o veículo, ilustrando a dinâmica complexa criada em Nova Iorque - uma cidade com mais de 2,1 milhões de veículos registrados. Ao contrário dos esquemas que colocavam o carro como elemento central, do famoso ex-chefe de planejamento urbano de Nova Iorque, Robert Moses, Hockenberry argumenta que a cidade é o "espaço negativo", ao passo que os veículos são obscurecidos pelo nosso inconsciente.
É uma curiosidade da vida urbana moderna que, quanto mais carros se aglomeram em cidades, mais eles se tornam invisíveis. É uma característica padrão em qualquer cidade grande de hoje. Infelizmente, não podemos controlá-la a partir do assento do condutor - por mais que gostaríamos de acenar as mãos e assistir através de nossos pára-brisas os carros desaparecendo e libertando-nos da prisão do tráfego. A invisibilidade de que estou falando só ocorre se você é um pedestre ou ciclista. O número de veículos motorizados estacionados ou em movimento em qualquer hora nas ruas de Nova Iorque é surpreendente. De acordo com o Departamento de Veículos Motorizados do Estado, estima-se que 2,1 milhões estão registrados na cidade. Ainda assim, registrá-los nunca os farão totalmente visíveis quando estamos andando nas ruas. A cidade é o espaço negativo e é assim que nossos olhos percebem cada vez mais as paisagens urbanas. Tudo em torno dos carros e caminhões se entrelaçada pelo olho e, apesar de os veículos estarem presentes, gradualmente aprendemos a ignorá-los, menos quando estamos parados na linha direta do fluxo de trânsito.
Na estréia do pavilhão de Moscou na Bienal de Veneza, a exposição "Moskva: urban space" explora o desenvolvimento histórico dos espaços públicos e examina o progresso da cidade no contexto da proposta vencedora de Diller Scofidio + Renfro para o Zaryadye Park. Com curadoria de Sergey Kuznetsov, Arquiteto Chefe de Moscou, juntamente com Kristin Feireiss do AEDES, e organizado pelo MCA - Comitê de Arquitetura e Desenvolvimento Urbano de Moscou, a exposição acontece num momento crucial na definição do futuro do desenvolvimento urbano em Moscou. Segundo Kuznetsov, "Ao passo que a aparência de Moscou nos últimos 100 anos foi bastante determinada pela arquitetura de seus edifícios que representavam o desenvolvimento político e econômico, a singularidade urbana de hoje é baseada no "tecido conectivo" de seus espaços públicos que se tornaram criadores de identidade igualmente importantes e contribuem significativamente para melhorar a qualidade de vida urbana de seus cidadãos." A seguir mais informações sobre a exposição e algumas fotografias de Patricia Parinejad.
O artigo a seguir, escrito por Jacob Dreyer e publicado originalmente no The Calvert Journal como "Maximum city: the vast urban planning projects of Soviet-era Russia are being reborn in modern China", analisa um fascinante fenômeno: a importação do urbanismo Soviético - ou urbanismo stalinista - que vem moldando as cidades chinesas de hoje.
Como pedalei para trabalhar do dia 20 de maio desse ano, a Via Expressa Yan'an, que atravessa toda a cidade de Xangai, estava estranhamente silenciosa, isolada por conta de uma visita do presidente Vladimir Putin. Descobrimos no dia seguinte que o resultado da sua visita foi a assinatura de um contrato de 400 bilhões de dólares com a China para a exportação de gás e petróleo. Como o presidente Barack Obama havia previsto, Putin se aproximou da Ásia, embora de uma maneira um pouco diferente. Em Xangai, os termos do acordo - que foi imensamente vantajoso para a China - fizeram parecer que a Rússia se tornara voluntariamente um estado-vassalo da República Popular, tornando realidade as previsões do romance distópico de Vladimir Sorokin, Day of the Oprichnik and of Russian, sobre assustadoras histórias de imigrantes chineses ocupando a Sibéria.
A ironia é que os modelos de sociedade importados da Rússia durante o período soviético - aparatos legais inclusive em relação à arquitetura e ao urbanismo - são mais influentes que nunca na China. Se, como o filósofo chinês Wang Hui observou em seu livro O Fim da Revolução, o socialismo foi a porta pela qual a China entrou na modernidade, então, nesse caso foi a Rússia que abriu esta porta, exportando modelos e conhecimentos que lançaram as bases para muito do que constitui a China moderna.
Com o World Architecture Festival (WAF) se aproximando, a organização do festival divulgou a programação completa do evento, que em seus três dias oferecerá grandes palestras, uma impressionante lista de participantes e boas oportunidades de estabelecer contatos com profissionais de todas as partes do mundo.
"Architects and the City" é o tema geral das principais conferências deste ano e as palestras focarão nas contribuições dos arquitetos para as cidades e como elas afetam e são afetadas pela política, infraestruturas e tecnologia.
O festival também conta com uma impressionante lista de participantes, incluindo Rocco Yim do escritório Rocco Design Associates, que falará sobre seu envolvimento com o Distrito Cultural West Kowloon, o maior projeto artístico e cultural já realizado em Hong Kong, e Richard Rogers, que comentará sobre sua vida como uma das figuras mais influentes no mundo da arquitetura. Moshe Safdie encerrará o festival falando de sua extensa carreira e dos momentos fundamentais que moldaram sua trajetória.
Em Kuku Town as moradias foram re-arranjadas para criar espaços coletivos. Cortesia de Future Cape Town
A Cidade do Cabo adotou uma nova estratégia para qualificar os assentamentos informais - a reconfiguração e reposicionamento das habitações em assentamentos muito densos de acordo com uma estrutura espacial elaborada pela comunidade. A inciativa serve para criar espaços coletivos, tornar as comunidades mais seguras e qualificar as moradias, dentre muitos outros benefícios. Clique aqui para ver como e onde essa estratégia foi adotada.
Em um fascinante artigo escrito para o The Guardian, Owen Hatherley visita a Maidan Nezalezhnosti (Praça da Independência) em Kiev - o espaço público no coração da insurreição ucraniana - que foi, ironicamente, concebida no período de Stalin em estilo Hausmaniano, cuja característica é um desenho que dificulta revoltas armadas e barricadas. Hatherley examina como os elementos da praça pública foram utilizados pelos manifestantes e como diferentes áreas da praça estão agora abrigando distintas facções políticas. Leia o artigo completo aqui.
O escritórioamphibianArc foi anunciado o vencedor da competição Ningbo Yinzhou Southern CBD Portal Planning. Comissionada pelos mesmos investidores do Ningbo Museum, projetado por Wang Shu, a proposta busca se tornar uma "força motora" da vida urbana na região.