Ladder Street Cultural Space. Image Courtesy of Francesco Rossini
À medida que nos aproximamos do seu centenário, o poliestireno expandido (EPS) tornou-se amplamente utilizado em várias indústrias e aplicações, especialmente na construção. Desde 1970, o EPS tem sido usado na construção de edifícios devido às suas propriedades de isolamento térmico, estrutura leve de células fechadas, resistência durável e integridade de longo prazo. No entanto, enquanto essas qualidades o tornam altamente útil e fácil de reciclar, também geraram debate devido a discussões recorrentes sobre seus processos de degradação e impacto ambiental de várias perspectivas.
Enquanto o debate continua, muitas melhorias e abordagens alternativas surgiram em torno deste material, destacando que alcançar uma construção sustentável envolve usar o material certo para o trabalho certo desde o início. Assim, ao longo do tempo, as inovações trouxeram novas opções para a reciclagem e uso do EPS além das aplicações tradicionais de construção, como blocos de preenchimento ou painéis de divisórias. Isso demonstra que, em vez de estigmatizá-lo como um material problemático ou "simples", é essencial considerar suas qualidades por meio de design, tecnologia e desenvolvimento de métodos para gerenciamento responsável e sustentável.
https://www.archdaily.com.br/br/1018434/como-as-inovacoes-estao-mudando-o-poliestireno-expandido-epsEnrique Tovar
Plastic Island. Image Courtesy of Emily-Claire Goksøyr
Enquanto lê isso, você pode notar que está cercado por vários itens feitos de plástico. Essa onipresença não é coincidência; a versatilidade do plástico o tornou adequado para uma variedade de aplicações e foi descrito por seu inventor - Leo Baekeland - como "o material de mil usos". No entanto, quando se trata de impacto ambiental, o problema está em suas próprias qualidades: é tão durável, adaptável e fácil de produzir (430 milhões de toneladas por ano) que, de acordo com dados da ONU, o equivalente a 2.000 caminhões de lixo cheios de plástico é despejado nos oceanos, rios e lagos todos os dias.
No ambiente construído, o plástico foi incorporado em vários materiais, produtos e sistemas de construção, contribuindo para uma crise ambiental que afeta seriamente o bem-estar de milhões de seres vivos. Diante desse problema, uma direção possível é afastar-se de seu uso. A busca por alternativas livres de plástico está marcando um caminho em direção a um futuro onde a arquitetura está progressivamente se dissociando desses materiais poluentes, promovendo soluções sustentáveis que reduzem nossa dependência dele e contribuem para preservar o meio ambiente.
https://www.archdaily.com.br/br/1016375/defendendo-uma-arquitetura-sem-plastico-solucoes-inovadoras-para-o-presente-e-o-futuroEnrique Tovar
A reciclagem é o processo de reaproveitamento de materiais descartados. Seu objetivo é reintroduzi-los na cadeia produtiva a fim de que ainda gerem valor e sejam reutilizados, aumentando a preservação dos recursos naturais e melhorando a qualidade de vida das pessoas. É considerada uma das alternativas mais eficientes para tratar os resíduos sólidos, tanto do ponto de vista ambiental quanto social, e está diretamente inserida no contexto da economia circular.
Um aspecto fundamental em uma economia circular é a transformação de nossa maneira de enxergar o lixo. Rotular um objeto como "resíduo" implica desvalorizá-lo e encerrar seu papel em uma economia linear tradicional. Mesmo que o objeto esteja fora de vista, sua vida continua no aterro sanitário. Essa mudança de perspectiva em relação ao lixo implica em abrir nossas mentes para as oportunidades que a abundância de resíduos apresenta. Os designers e arquitetos reunidos a seguir não apenas conseguiram eficientemente resgatar objetos descartados como também aumentaram seu valor agregado, atribuindo-lhes novo significado por meio de sua cuidadosa curadoria.
No âmbito mundial, as primeiras fábricas tiveram origem na segunda metade do século XVI, abrigando principalmente as oficinas tipográficas. Com o passar do tempo, suas funções foram abarcando ateliês de carpintaria, tapeçaria e porcelana. Entretanto, os edifícios industriais, tais quais conhecemos hoje, só foram consolidados no século XVIII, intimamente relacionados às transformações advindas da Revolução Industrial. A substituição da mão de obra humana pelas máquinas mudou definitivamente a escala dessas edificações, transformando-as em enormes galpões.
Diante da iminente crise climática e da busca pela sustentabilidade, os conceitos de renovação e reutilização surgiram como estratégias cruciais na busca pela descarbonização na indústria da arquitetura. Esses princípios pregam que criar novas estruturas pode ser sustentável, mas incentivam os arquitetos a minimizar sua pegada ecológica reativando e reciclando recursos existentes. Este ano, projetos inovadores alinhados a esses temas foram exibidos como parte da 18ª Exposição Internacional de Arquitetura - La Biennale di Venezia. O objetivo principal deste evento de renome mundial é servir como uma plataforma para arquitetos, designers e pensadores abordarem coletivamente a sustentabilidade, a descarbonização, a conservação de recursos e o futuro da indústria.
Segundo pesquisas recentes, o mercado da moda movimenta anualmente cerca de 2,4 trilhões de dólares no mundo. Um número exorbitante que, infelizmente, compara-se aos dados do seu desperdício. Estima-se que, a cada segundo, o equivalente a um caminhão de lixo cheio de sobras de tecidos é queimado ou descartado em aterros sanitários. Levando em conta que tecidos como o poliéster, amplamente utilizado na confecção, demora em média 200 anos para se decompor, é fácil prever o futuro catastrófico dessa operação. Nesse sentido, notícias alarmantes constantemente vêm à tona como as imagens do imenso cemitério de roupas usadas no deserto do Atacama divulgadas alguns anos atrás ou o relato de que a famosa marca de luxo britânica Burberry incinerou roupas, acessórios e perfumes não vendidos no valor de 28,6 milhões de libras no ano passado para preservar a marca, alegando que a o gás carbônico emitido com a ação foi compensado, tornando a atitude “ambientalmente sustentável”.
Hoje, 5 de junho, é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente 2023, uma data que, entre outras coisas, formenta a busca por soluções para o problema global da poluição por plástico. O evento foi coordenado pela Costa do Marfim com o objetivo de nos lembrar da importância de nossas ações individuais em relação ao tema — e a importância de os governos e as empresas intensificarem urgentemente suas medidas.
A poluição por plástico é um problema ambiental que afeta diversos setores e a arquitetura não fica excluída. O plástico é um material amplamente utilizado na indústria da construção devido à sua durabilidade, resistência e baixo custo. No entanto, sua produção, uso e descarte inadequado têm um impacto significativo no meio ambiente. Para abordar esse problema, é importante tomar medidas em várias etapas, que incluem redução, reciclagem, conscientização e regulamentações. A seguir, apresentamos alguns projetos que abordam esses pontos.
Voltada para desenvolvimento de projetos de arquitetura em favelas e periferias, a atuação do Coletivo LEVANTE tem demonstrado grande sensibilidade às características e particularidades desses contextos. Segundo o grupo, "o reconhecimento do que já existe e é atribuído de valores vividos e conquistados pelos moradores das favelas — paisagem, construções, identidades e relações" é o que buscam como matéria-prima dos projetos,umaabordagem que pode ser reconhecida em projetos como o Centro Cultural Lá da Favelinha e aCasa no Pomar do Cafezal, ganhadora do Prêmio Building of the Year 2023 do ArchDaily.
A urgência das pautas ambientais e do aumento da temperatura do planeta não são novidade. São muitos os fatores que contribuem para o desgaste ambiental corrente, mas existem dois que podem ser tomados como representantes de pontos críticos do sistema de funcionamento do mundo atual: o plástico e o descarte de resíduos — mais conhecidos como lixo.
Não se deve tomar esses dois exemplos como os maiores e nem os únicos fatores problemáticos da crise ambiental, eles serão usados aqui como exemplos para mobilizar questões que envolvem agentes múltiplos, materiais e métodos diversos e que se desdobram em consequências por ora devastadoras, e cada vez mais próximas de irreversíveis.
Paris, localizada em Île-de-France. Foto de Nil Castellví, via Unsplash
A Ilha de França (em francês: Île-de-France), uma das 18 regiões administrativas da França, está empenhada em fazer seus moradores economizarem água. Com a chegada da primavera do país europeu, em 20 de março, as autoridades estão preocupadas com a possível escassez de água. A solução? Oferecer até 20 mil euros em subsídios aos que instalarem coletores de chuva em suas propriedades.
O apoio financeiro é válido para quem planeja ou já instalou os tanques de armazenamento de água nos últimos três meses. O valor cobre instalações subterrâneas ou acima do solo – incluindo o coletor de filtragem, bomba, kit de conexão, terraplenagem e conexão à rede, entre outros componentes.
Embora a economia circular envolva outros princípios, como a regeneração de sistemas naturais, a reutilização ou reciclagem de materiais desempenha um papel importante na redução de resíduos gerados, dando uma segunda vida útil a elementos que poderiam ser considerados descartes. Madeira, chapas metálicas, tijolos, pedras, entre outros, podem ser reutilizados, trazendo critérios de sustentabilidade e eficiência aos projetos, contribuindo para consolidar este conceito que ainda tem um longo caminho a percorrer.
Dentro do território latino-americano, diversos profissionais da arquitetura se propuseram a aplicar em seus processos de projeto e construção a implementação de estratégias que colaborem com o uso dos recursos, seja reutilizando, reciclando ou restaurando diferentes materiais e elementos em busca da atender as necessidades e preocupações daqueles que habitam os espaços.
Quase duas décadas atrás, no corredor do centro de Columbus, Ohio, o centenário edifício Lazarus passou por uma extensa reforma para salvar a loja de departamentos e restaurá-la à sua antiga glória. Sessenta milhões de dólares foram investidos em sua restauração e transformação em um complexo comercial e de escritórios. Durante a construção, os trabalhadores reciclaram quase 2.300 kg de aço, 900 kg de concreto e quantidades significativas de carpetes, forros e vários tipos de madeira, evitando que 10.000 kg de detritos fossem para os aterros sanitários de Ohio. Eles também economizaram mais de US$ 25 milhões implementando esse rigoroso processo de reciclagem.
"Nosso planeta está sufocando com plástico", afirma as Nações Unidas. Embora o material feito pelo homem tenha muitos usos valiosos, nosso vício em produtos plásticos de uso único levou a severas questões econômicas, de saúde e ambientais. Aproximadamente um milhão de garrafas plásticas são compradas a cada minuto e cinco trilhões de sacos plásticos são usados todos os anos em todo o mundo - usados apenas uma vez e depois jogados fora. Plásticos e microplásticos chegaram a todos os cantos de nosso ambiente natural, desde os picos das montanhas mais altas até as profundezas dos oceanos. Tanto que eles se tornaram parte do registro fóssil da Terra e criaram um habitat microbiano marinho totalmente novo conhecido como "Plastisfera".
O conceito de economia circular ganhou uma definição mais precisa em 1990 quando surgiu no artigo Economics of Natural Resources and the Environment(Economia dos Recursos Naturais e do Meio Ambiente), dos economistas e ambientalistas britânicos David W. Pearce e R. Kerry Turner. Na época, o principal intuito da pesquisa era demonstrar que a economia tradicional não incorporava a reciclagem. Desse modo, o meio ambiente assumia um papel secundário, tal qual um simples reservatório de resíduos. A economia circular ganharia forças, portanto, como uma oposição à economia linear, ou tradicional, em que a cadeia produtiva é regida sob o lema “extrair, produzir e descartar”. Um modelo profundamente enraizado na nossa economia, mas que tem se tornado insustentável por diversos motivos como o esgotamento dos recursos naturais, a contaminação do meio ambiente decorrente da produção e descarte, entre outros.
As assinaturas estão rapidamente se tornando parte integrante da vida cotidiana. Por exemplo, as plataformas de streaming substituíram completamente a necessidade de possuir aparelhos de DVD, enquanto que os serviços de veículo por aplicativo suprem parcialmente a necessidade de possuir um carro particular. As assinaturas têm sido amplamente entendidas como serviços digitais, mas uma nova tendência sugere que o mesmo conceito pode ser transferido para objetos físicos em um futuro próximo. Em vez de ter uma geladeira, uma máquina de lavar ou mesmo lâmpadas, pode-se adquirir uma assinatura para garantir a durabilidade dos produtos, roupas limpas e uma casa bem iluminada.
O conceito é conhecido como “economia baseada em assinaturas”, uma variante da noção de “economia circular”. Ele postula que, em vez de possuir alguns dos objetos utilizados diariamente, é possível subscrever um serviço para ter acesso às mesmas vantagens, mas sem a necessidade de possuir, manter ou alienar o objeto em questão. Os consumidores não compram mais produtos; eles compram acesso a serviços. Às vezes, isso significaria simplesmente alugar o objeto em vez de comprá-lo, mas o modelo vai um passo além. Ele traz uma mudança de responsabilidade e mentalidade. Isso porque os consumidores já não são os proprietários dos objetos, a responsabilidade de reutilizar e reciclar recai sobre os produtores, que passam a ser responsáveis por todo o ciclo de vida dos objetos que criam.
A indústria da construção civil é uma das atividades mais poluentes e geradoras de resíduos em todo o mundo. Para citar alguns números, em meados da década de 1990, na Grã-Bretanha, os processos de construção geravam cerca de 10 milhões de toneladas de resíduos pós-industriais. Há cerca de uma década, mais de 3,5 bilhões de novos tijolos eram usados por ano e cerca de 2,5 bilhões eram derrubados em demolições; do total, apenas cerca de 140 milhões foram reaproveitados, o restante foi encaminhado para aterros sanitários.