Dizem que não importa o que acontece, mas como você vê. Também dizem que a literatura não reproduz a realidade, mas sim cria outra. Tudo começa com uma ideia. Só uma ideia. Imagem e imaginação andam juntas, isso significa que elas constituem o mecanismo para percepção, pensamento, linguagem e memória do homem. E em essência, arquitetura nada mais é do que organizar ideias. A pergunta é: como organizar as ideias? Ou ainda, como você vê as coisas? Existe mesmo percepção sem contexto social e cultural? A resposta curta é não. A resposta longa envolve antropologia interpretativa, um pouco de teoria e muita, muita crítica.
Em 1979, Rosalind Krauss publica o clássico artigo A escultura no campo ampliado na revista October, no qual identifica um certo esgarçamento das fronteiras no campo da escultura, “evidenciando como o significado de um termo cultural pode ser ampliado a ponto de incluir quase tudo” [1]. A crítica, particularmente destinada a uma produção artística produzida entre os anos 1960 e 1970, foi utilizada como base 26 anos depois, em 2005, para a publicação de O campo ampliado da arquitetura, de Anthony Vidler.
Surgido em 1981 com a publicação do ensaio “The Grid and the Pathway” de Alexander Tzonis e Liane Lefaivre, foi com a publicação “Towards a Critical Regionalism: six points for an architecture of resistance” de Kenneth Frampton, em 1983, que o termo “regionalismo crítico” ganhou maior repercussão. O ensaio foi publicado na coletânea “The anti-aesthetic: essays on Postmodern culture” organizada pelo crítico e historiador Hal Foster e abre um debate retomado na publicação "Prospects for a Critical Regionalism", também escrita por Frampton no mesmo ano, na revista Perspecta.
Em 1948 o arquiteto Charles-Édouard Jeanneret-Gris - mais conhecido como Le Corbusier -, lançou uma de suas publicações mais famosas, intitulada O modulor, seguida por O modulor 2 em 1953. Nesses textos, Le Corbusier fez conhecer sua abordagem às investigações que tanto Vitruvio quanto Da Vinci e Leon Battista Alberti haviam começado, em um esforço por encontrar a relação matemática entre as medidas do homem com a natureza.
As pesquisas dos autores previamente mencionados representam também uma busca por explicar os Partenons, templos indígenas e as catedrais construídas a partir de medidas precisas que faziam referência a um código do que se entendia como essencial. Saber de quais instrumentos se dispunha para encontrar a essência dessas construções era o ponto de partida, e parecia se tratar de instrumentos que transcendiam o tempo. Não parece tão estranho dizer que as medidas que se empregaram foram, em essência, partes do corpo, como cotovelo, dedo, polegada, pé, braço, palma, etc. Inclusive, existem instrumentos e medidas que levam nomes que aludem ao corpo humano, o que indica que a arquitetura não está longe de ser reflexo do mesmo.
via Flickr usuário: Ángela Ojeda Heyper Licenciado CC BY 2.0
Jaime Sanz Haro, do coletivo ARKRIT, nos convida a refletir no artigo originalmente entitulado "Normativa, el nuevo tratado arquitectónico: Vitrubio, Alberti, Paladio, y el Plan General" sobre o papel e as consequências dos marcos regulatórios no urbanismo.
Caso você não tenha percebido, o mundo está indo do papel para os pixels. Você está lendo isso, aqui. Tudo está mudando e isso inclui como falamos, pensamos e escrevemos sobre arquitetura.
O IABsp promoverá dois debates como parte da programação do concurso de curadoria para a XII Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo. Os debates têm como objetivo levantar inquietações e fazer provocações que poderão ser refletidas nas propostas. O segundo - Crítica e Curadoria - será realizado no dia 30/06.
A crítica e a curadoria em arquitetura são meios de interpretar e difundir a disciplina. A partir de posições distintas, permitem uma compreensão da arquitetura e seu valor como expressão cultural. Instrumentos, entretanto, não são isentos: se a partir da curadoria pode-se aproximar a sociedade da produção
Planta Casa 'The Box', Ladan, Suecia. 1941-1942 Ralph Erskine . Image
A arquiteta Carmen Espegel, do Coletivo ARKRIT, nos traz um artigo que exemplifica como a habitação pode ser um refúgio simples para a essência da vida, a austeridade do sobrevivente, a renúncia voluntária e a rejeição do modelo de vida burguês.
https://www.archdaily.com.br/br/892547/a-casa-como-renunciaCarmen Espegel Alonso
A Fundación Arquia, junto à arquiteta Ana Asensio, nos convida a pensar em como foram desenhadas -até agora- as cidades; espaços de fricção que foram concebidos sem igualdade de participação na tomada de decisões e que, portanto, nos levam a falar de feminismo.
Fotografía de Mies van der Rohe por Werner Blaser & fotografía de Rem Koolhaas por Maartje Geels. Image Cortesía de Jorge Cárdenas
Quais relações podemos encontrar quando sobrepomos dois projetos de dois dos mais importantes arquitetos de todos os tempos? Veja a seguir algumas reflexões produzidas pelo Grupo Arkrit através de um ensaio crítico sobre a obra de Mies van der Rohe e Rem Koolhaas.
https://www.archdaily.com.br/br/891927/sobrepondo-mies-van-der-rohe-e-rem-koolhaasJorge Cárdenas del Moral
Que o turismo de massa gera grandes inconvenientes para os moradores locais, beneficia grandes grupos empresariais em detrimento dos pequenos empreendedores e causa estragos que podem descaracterizar justamente o que torna atrativo um lugar, já sabemos. Mas também é forçoso admitir que o turismo traz empregos, aumento de renda, estimula novos negócios e melhora a qualidade urbana em muitos aspectos, via revitalizaçoes urbanas, melhoria da infraestrutura e construção de equipamentos culturais, por exemplo.
Lisboa vivencia há alguns anos um boom turístico que têm estes dois aspectos. A cidade mudou, sem dúvida. Reabilitações urbanas deram nova vida às áreas deterioradas, com a revitalização de espaços públicos, investimentos na recuperação e retrofitizacao de edifícios que de outro modo, em muitos casos, estariam condenados a ruir,. Novos equipamentos culturais foram construídos, como o Museu de Arquitetura, Artes e Tecnologia - MAAT, projetado pela arquiteta britânica Amanda Levete e o novo Museu dos Coches de Paulo Mendes da Rocha, em associação com os escritório MMBB arquitetos e Bak Gordon Arquitetos.
No início de outubro aconteceu em Foz do Iguaçu, o I Encontro Internacional do MALOCA Grupo de Estudos Multidisciplinares em Urbanismos e Arquiteturas do Sul, com o objetivo de apresentar os resultados do seu primeiro triênio (2014-2016) e debater os rumos das pesquisas do grupo para o triênio 2017-2019. Sediado na Universidade Federal da Integração Latino-Americana - UNILA, em Foz do Iguaçu, o grupo de pesquisa MALOCA tem atuado a partir das necessidades prementes de buscar respostas a questões na área voltadas para o contexto de ensino, hábitos de morar e construir, políticas públicas e direitos humanos, sob uma perspectiva decolonial, com ênfase na América Latina e no Sul global. Com vistas a uma arquitetura da autonomia ou uma arquitetura cidadã no Brasil e na América Latina, o MALOCApossui três linhas de pesquisa: (1) Ensino de Arquitetura e Urbanismo na América Latina; (2) Hábitos de morar e de construir no contexto latino-americano e (3) Políticas públicas, território, direitos humanos e sociais. O grupo de pesquisa forma uma rede internacional de aproximadamente 20 pesquisadores/as de instituições em diversas regiões do Brasil, como as federais do Ceará, Bahia, Ouro Preto, São João del Rei, Tecnológica do Paraná e de São Paulo e ainda pesquisadoras da Bolívia e de Cabo Verde, consolidando o diálogo de saberes a partir do Sul. Originário do quadro docente do curso de arquitetura e urbanismo da UNILA, atualmente está vinculado também com o programa de pós-graduação em Políticas Públicas e Desenvolvimento na mesma instituição.
https://www.archdaily.com.br/br/884394/arquiteturas-e-urbanismos-do-sul-em-debateAndréia Moassab e Gabriel Rodrigues da Cunha
https://www.archdaily.com.br/br/879557/sobre-a-ausencia-de-critica-na-arquitetura-ou-por-que-temos-que-ler-mais-que-apenas-o-tituloEquipe ArchDaily Brasil
Croqui para o Concurso Morar Carioca. Image Cortesia de Vigliecca & Associados
Temos um histórico reconhecido de participações em concursos, mais de 100! Em 40 anos de atuação profissional foram 53 prêmios, que prefiro não recontar, e apenas dois projetos construídos...
Nós nunca comentamos os resultados, nem fazemos críticas sobre os resultados, mas hoje decidi romper este silêncio, possivelmente alentado pelos últimos artigos publicados sobre o assunto.
Nunca comentamos os resultados porque entendemos que os concursos são uma atividade humana de confrontação intelectual, portanto susceptível a erros, incompreensões, disputas e, às vezes, até à ignorância.
Mas é preciso reconhecer que resultados inovadores precisam de participantes inovadores, júris com mentalidade inovadora e, principalmente, precisamos de um âmbito cultural inovador, isso implica universidades, escolas, empreendedores, políticos e políticas inovadoras.
No final do ano de 2015, a Prefeitura de Campinas, através de sua Secretaria do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e em parceria com o IAB-SP, lançou um concurso de projetos de arquitetura denominado ‘Casa da Sustentabilidade’. O edital solicitava soluções “criativas e inovadoras” para a construção de um edifício no Parque Portugal - um dos principais parques públicos da cidade - o qual deveria ser, ele mesmo, “uma exposição permanente de soluções sustentáveis”. Além disso, deveria acomodar outras exposições de mesmo caráter e atividades do Conselho Municipal do Meio Ambiente (COMDEMA).
O desfecho do concurso foi divulgado em uma cerimônia realizada em Campinas, em fevereiro de 2016. Durante o evento, o concurso foi comparado com o novo ‘Museu do Amanhã’, em referência ao controverso projeto de Santiago Calatrava, no Rio de Janeiro. A analogia sugere o caráter espetacular que assediava a proposta do concurso, a qual colocava em questão as expectativas e as intenções em relação ao edifício.
https://www.archdaily.com.br/br/869916/perspectivas-do-chao-novos-olhares-para-os-concursos-de-projeto-de-arquitetura-no-brasilFrederico Costa, Léa Gejer, Luis Fernando Milan e Maíra Barros
Fernando Neyra nos comenta os motivos pelos quais realizou a seguinte série de ilustrações: é muito evidente, marcado e crescente o contraste sócio-econômico nas cidades latino-americanas contemporâneas, e a qual tendemos naturalizar.
Um exemplo notório encontra-se na habitação, onde todos os elementos que configuram o habitat refletem a divisão materializada nos limites incisivos, somando ao esforço que é realizado em muitos casos para aparentar uma realidade idílica. Esta brecha é materializada e colocada em evidência em cada canto da cidade, que normalmente encontra-se maquiado como uma arquitetura de fachada, ocultando a realidade.
O resultado nos convida a apreciar uma variedade de registros, críticas e liberdades, ao mesmo tempo que nos permite refletir sobre o papel do desenho à mão livre na arquitetura contemporânea.
Arte e arquitetura nunca estiveram tão próximas como atualmente. Mas seria a mescla positiva? Em seu livro, Hal Foster critica o mau uso da arte na arquitetura e a obsessão em juntar as duas em projetos arrojados, mas esvaziados de sentido. Já a condição de complexo, cujas significações abrangem desde o léxico psicanalítico até a designação de grandes aparatos sociais – como um “complexo industrial-militar” –, é, segundo o autor, um aspecto definidor da cultura atual e permite compreender fatores sociais e econômicos do mundo contemporâneo.
Desde os anos 70, o conceito de Tipologia adentrou o campo intelectual da arquitetura a partir das reflexões acerca da cidade. Seus instrumentos críticos e metodológicos se aperfeiçoaram desde então e oferecem novos recursos e critérios para se pensar as relações entre arquitetura e espaço urbano contemporâneo. O seminário procura estabelecer um debate entre o grupo de pesquisa e o público interessado a partir de uma seleção de textos:
1978 A TERCEIRA TIPOLOGIA Anthony Vidler
1979 ELEMENTOS TIPOLÓGICOS E MORFOLÓGICOS DO ESPAÇO URBANO Rob Krier
2000 HETEROTOPIA DESERTA: LAS VEGAS E OS ESPAÇOS OUTROS Sarah Chaplin
2013 TIPOLOGIA: MÉTODO E CRÍTICA PARA A ARQUITETURA E A CIDADE CONTEMPORÂNEAS Alexander Cuthbert