Na Noruega, as Igrejas Medievais, conhecidas como "StavKirker" (em norueguês, Stav é o termo para um tipo de coluna em madeira e Kirker significa igreja), destacam-se como construções emblemáticas. Elas surgiram no século XI após a conversão ao Cristianismo e refletem a maestria norueguesa na carpintaria naval, herdada dos vikings, transformando a construção em madeira ao inovar nas técnicas construtivas de madeira e transformando estes edifícios em composições esteticamente relevantes.
Localizada na cidade de Bangui, capital da República Centro-Africana, está a Catedral de Notre Dame. Esta grande igreja de tijolos vermelhos foi construída no início dos anos 1900 no estilo colonial francês. Conforme a cidade cresceu de uma pequena base militar para uma capital colonial, o edifício foi formado como uma fusão cultural e simbólica de estilos arquitetônicos europeus e centro-africanos. Projetada pelo arquiteto francês Roger Erell, a catedral exibe artesania local e oferece um espaço de conforto espiritual.
Como a arquitetura e o urbanismo podem voltar a contribuir no debate e na produção de Habitação de Interesse Social (HIS)? Essa foi uma das principais perguntas que orientou o processo de elaboração do Caderno de Diretrizes de Habitação de Interesse Social no Jardim Lapena, desenvolvido pela Fundação Tide Setubal e pelo BlendLab para a região da Zona Leste de São Paulo. Esse caderno reuniu um conjunto de diretrizes sobre habitação, modelo de gestão, implantação e integração com o meio urbano e orientou as propostas para uma Chamada de Projetos + Lapena Habitar realizada no fim de 2022 .
A arquitetura no Sul Global frequentemente incorpora uma rica herança cultural e artística, integrando cores, padrões intricados e elementos simbólicos. Ela também enfrenta desafios como recursos limitados, rápida urbanização e desigualdade social, buscando soluções inclusivas e comunitárias. Instalações e pavilhões servem como modelos radicais para questionar esses ideais arquitetônicos e buscar soluções inovadoras. Como parte da nossa retrospectiva de 2023, apresentamos algumas das principais instalações arquitetônicas do ano, abrangendo exposições como a Bienal de Arquitetura de Veneza, além de pavilhões permanentes que exploram materiais locais, reuso de resíduos e ressignificação de narrativas históricas.
Carlo Ratti. Image Courtesy of Venice Architecture Biennale
O Conselho de Administração da La Biennale di Venezia anunciou Carlo Ratti como o próximo curador da Exposição Internacional de Arquitetura. A 19ª exposição acontecerá em 2025, de 24 de maio a 23 de novembro. A nomeação foi recomendada pelo presidente Roberto Cicutto e conta com o apoio de Pietrangelo Buttafuoco, presidente da La Biennale di Venezia no mandato de 2024 a 2027.
Uma parte considerável da inovação arquitetônica passa pelo uso de materiais. O desenvolvimento tecnicista e novas linguagens formais fazem uso deles para “anunciar” a “próxima” era arquitetônica. É claro que os materiais são essenciais para a construção, e significativos para a consolidação de linguagens. O vidro, aço, concreto ou tijolo dizem coisas sobre os edifícios. Porém, como toda língua, o sentido das palavras pode variar de acordo com a organização social vigente, disputa-se o sentido de determinadas expressões, ou pressiona-se pela abolição – ou no mínimo a dissociação – de alguns sentidos atrelados a algumas palavras. Não seria diferente na arquitetura.
Interiores japoneses contemporâneos incorporam elementos tanto da tradição quanto da modernidade para expressar o espírito inovador do país, enquanto respeitam profundamente sua história e herança cultural. Embora materiais tradicionais como madeira, papel e bambu ainda tenham grande importância, os interiores japoneses modernos costumam apresentar uma fusão de vidro, aço, concreto e metais. A justaposição de texturas e acabamentos mais suaves e modernos com outros mais quentes e orgânicos reflete uma síntese dinâmica entre o antigo e o novo, resultando em espaços visualmente impactantes e funcionais que prestam homenagem à essência dos princípios de design do país.
É fascinante observar o panorama da madeira engenheirada no mundo. O material, que outrora parecia esquecido pela modernidade, tem ressurgido com força total, enfrentando desafios significativos, mas também revelando oportunidades promissoras. O apelo estético e arquitetônico da madeira engenheirada, aliado à sua associação intrínseca à sustentabilidade, tem sido um catalisador para seu aumento expressivo em projetos nacionais e internacionais.
Por conta dos avanços tecnológicos e pesquisas sobre os limites e possibilidades deste material, temos testemunhado um salto significativo no desenvolvimento tecnológico e científico relacionado à madeira na construção civil. Edifícios ao redor do mundo estão sendo erguidos com estruturas de madeira, impulsionados pelo crescente interesse em soluções sustentáveis e baseadas em recursos renováveis, uma demanda tanto do público quanto de arquitetos e seus clientes.
Cortesia de Programa Rolex de Mestres e Discípulos
Nascida no Brasil e formada no Paraguai, Gloria Cabral é uma arquiteta que aprendeu cedo que casa pode ser muitos lugares — ou nenhum. Com uma atuação profissional balizada pela compreensão ampla da geografia, cultura e condições sociais de onde projeta, tem deixado sua marca em edifícios e instalações artísticas construídas em diversas localidades, de Assunção à Veneza.
Ao seu interesse pelas especificidades dos lugares onde atua, soma-se a atenção com a economia de recursos e reuso de materiais — temática em voga atualmente, mas cuja bandeira Gloria levanta há mais de quinze anos. Tivemos a oportunidade de conversar com a arquiteta sobre suas experiências no Paraguai e Brasil, algumas de suas obras com tijolo reciclado e seu entendimento de arquitetura e sustentabilidade.