
Uma parte considerável da inovação arquitetônica passa pelo uso de materiais. O desenvolvimento tecnicista e novas linguagens formais fazem uso deles para “anunciar” a “próxima” era arquitetônica. É claro que os materiais são essenciais para a construção, e significativos para a consolidação de linguagens. O vidro, aço, concreto ou tijolo dizem coisas sobre os edifícios. Porém, como toda língua, o sentido das palavras pode variar de acordo com a organização social vigente, disputa-se o sentido de determinadas expressões, ou pressiona-se pela abolição – ou no mínimo a dissociação – de alguns sentidos atrelados a algumas palavras. Não seria diferente na arquitetura.
O contexto contemporâneo traz consigo demandas prementes que exigem atenção, e essa revisão passa pelos materiais usados na construção. Por exemplo, materiais orgânicos fazem mais sentido no quesito de poluição ambiental, mas deixam a desejar na durabilidade – também muito valorizada em arquitetura. O tijolo de barro pode ser um ótimo material construtivo, é ambientalmente responsável e retoma técnicas e linguagens tradicionais e históricas. No imaginário geral, sua desvantagem estaria na limitação formal. Mas a realidade é repleta de exemplos construídos que provam o contrário (ainda bem).
















