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Artigos: O mais recente de arquitetura e notícia

Modernismo tropical para além da estética: a política da sombra e do ar

A imagem é familiar: uma fachada composta por camadas de brise-soleil, a luz suavizada em sombras padronizadas, interiores mantidos frescos sem o auxílio de máquinas. Manifesta-se como uma inteligência visível, uma arquitetura que compreende o sol. No entanto, essa imagem raramente é examinada de perto. Os mesmos dispositivos que atenuam o calor também organizam o acesso, distribuem o conforto e dependem de formas específicas de trabalho. O que parece ser apenas uma resposta climática é, também, uma decisão sobre quem recebe alívio do calor e de que maneira. O modernismo tropical, frequentemente reduzido a uma linguagem visual de sombra e porosidade, emerge, em vez disso, como um conjunto de práticas situadas onde clima, trabalho e poder são negociados de forma distinta em cada contexto.

Na escala do elemento, o modernismo tropical começa como um problema técnico. Em climas quentes, a radiação solar não é incidental, mas constante, exigindo que os edifícios mediem a luz, o calor e o ar antes que alcancem o interior. Arquitetos como Maxwell Fry e Jane Drew abordaram isso com uma precisão que resiste a qualquer leitura desses elementos como decorativos. Os dispositivos de sombreamento são calibrados de acordo com os ângulos solares, a orientação e as variações sazonais. Os brises-soleil são dimensionados para bloquear o sol alto enquanto admitem a luz difusa; os beirais se estendem o suficiente para evitar o ganho direto de calor nas horas de pico; as aberturas são alinhadas para incentivar a ventilação cruzada. Pesquisas de meados do século testaram ainda mais essas estratégias, medindo reduções de temperatura e melhorias no fluxo de ar. Nesse sentido, a linguagem do modernismo tropical não é simbólica; ela é performativa: cada projeção, vazio e tela faz parte de um sistema ambiental.

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A ilusão da leveza: projetando vazios cívicos para a vida pública

Nas cidades contemporâneas, a densidade urbana e o aumento do valor da terra frequentemente impõem uma escolha entre edifícios cívicos de grande escala e espaços públicos abertos. Tradicionalmente, as praças eram tratadas como áreas ao redor da implantação do edifício, mas essa lógica foi transformada com a introdução dos pilotis pelo movimento moderno do início do século XX. Embora a intenção original fosse criar uma sensação de leveza que permitisse a circulação e a luz fluírem sob a estrutura, as exigências contemporâneas — como cargas sísmicas, rotas de evacuação e altas taxas de ocupação — tornam colunas esbeltas insuficientes para atender às demandas dos atuais edifícios cívicos de grande porte.

No entanto, a busca pela leveza arquitetônica não é exclusivamente contemporânea. Após a introdução dos pilotis, diversos projetos de meados do século XX passaram a explorar a ilusão de suspensão como forma de alcançar transparência cívica. Em 1953, o Congresso Nacional de Honduras, em Tegucigalpa, projetado por Mario Valenzuela, aplicou esses princípios ao contexto legislativo. O edifício consiste em uma câmara sólida elevada sobre uma série de colunas delgadas. Como o terreno está situado em um platô ao final de uma rua em declive, o vazio resultante vai além da circulação: ele enquadra vistas da cidade, criando a impressão de que o volume pesado está suspenso com leveza sobre o tecido urbano.

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Construindo com leveza em zonas de inundação: arquitetura para alagamentos sazonais

A enchente não chega como surpresa. Ela retorna, seguindo os mesmos rios transbordados e os mesmos céus de monção, soltando o solo e invadindo casas que nunca foram pensadas para resisti-la de forma definitiva. As paredes são desamarradas antes de serem perdidas, os materiais são recolhidos antes de serem levados pela correnteza, e as estruturas são reconstruídas com uma familiaridade que sugere que isso não é destruição, mas sequência. Em paisagens onde a água volta todos os anos, sobreviver é definido pela capacidade de recomeçar.

Nas planícies inundáveis de Bangladesh, da bacia do Brahmaputra e do Delta do Mekong, a inundação é uma certeza sazonal. Relatórios de instituições como o Banco Mundial e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas costumam enquadrar as enchentes a partir da exposição ao risco e dos danos, medindo o sucesso pela resistência e pela durabilidade. Ainda assim, em territórios submersos anualmente, esses parâmetros descrevem apenas parte do problema. O próprio solo oscila entre estados sólidos e líquidos. Construir como se ele fosse fixo significa projetar contra a própria condição que o define.

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Projetando uma cidade sensorial: Arquitetura, poluição luminosa e ruído urbano

Ao longo da maior parte da história humana, a noite chegava como uma certeza planetária. A escuridão se espalhava pela paisagem, e o céu revelava milhares de estrelas. Hoje, esse céu está desaparecendo. A luz artificial se projeta das cidades para cima, se dispersa na atmosfera e transforma a noite em uma névoa permanente. Estudos que mapeiam o brilho do céu em escala global mostram que mais de 80% da humanidade vive sob céus poluídos por luz, e a Via Láctea já não é visível para mais de um terço da população mundial. Embora esse fenômeno costume ser discutido no campo da astronomia, suas causas estão profundamente ligadas ao ambiente construído. Edifícios emitem luz, a refletem em fachadas de vidro e estendem sua iluminação muito além de seus limites físicos. Na tecnosfera — o vasto sistema de infraestruturas e materiais criado pelos humanos — a arquitetura passa, assim, a moldar não apenas o espaço físico, mas também as condições sensoriais que o envolvem.

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Mapear o espaço sem a visão: a arquitetura sensorial do SEAlab

Fundado em 2015 em Ahmedabad por Anand Sonecha, o SEAlab é um escritório moldado por uma abordagem lenta e contemplativa em relação ao lugar, à proporção e à participação. Reconhecido como um dos vencedores do ArchDaily 2025 Next Practices Awards, o estúdio constrói com materiais simples e técnicas locais, buscando criar ambientes que sejam experimentados tanto quanto vistos. Esse ethos tornou-se particularmente tangível em Gandhinagar, onde a Escola para Crianças Cegas e Deficientes Visuais não começou como uma instituição projetada especificamente para esse fim. A escola funcionava em um edifício de ensino fundamental já existente, com salas de aula sobrepostas a dormitórios e doze crianças dividindo um único quarto. O espaço era limitado, assim como as possibilidades de crescimento. O novo edifício acadêmico precisava ampliar a capacidade, melhorar as condições de permanência e favorecer uma maior autonomia dos estudantes.

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Quando os edifícios se tornam relevantes? Repensando o patrimônio a partir do tempo local

Um edifício ainda em processo de ajuste, reparo e debate é declarado Patrimônio Mundial. Outro, igualmente influente, precisa sobreviver por cinco séculos antes que alguém considere protegê-lo. Isso não é uma anomalia no sistema de preservação patrimonial; é o próprio sistema. Em diferentes partes do mundo, a arquitetura não envelhece no mesmo ritmo porque o próprio tempo não é neutro. Ele é cultural, político e profundamente desigual. Aquilo que chamamos de “patrimônio” não é simplesmente arquitetura antiga; é arquitetura que alcançou o momento certo em um determinado lugar.

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Ambientes como patrimônio: Como as tipologias de interiores carregam memória cultural

Durante décadas, o patrimônio foi mais facilmente reconhecido a partir da rua. Protegemos fachadas, linhas do horizonte e monumentos porque são visíveis, estáveis e facilmente identificáveis como bens culturais. No entanto, a maior parte do que lembramos sobre viver está ligada a como comemos juntos, nos recolhemos, discutimos, cuidamos e descansamos — ações que acontecem longe do olhar público. Elas se desenrolam dentro dos ambientes. À medida que as plantas abertas silenciosamente dão lugar a limiares, corredores e cômodos mais definidos, surge uma questão mais profunda: e se a memória cultural sobreviver não no que a arquitetura exibe, mas na forma como é vivida?

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Um Dia no Bazar: A Arquitetura Vista Através do Tempo

A arquitetura costuma ser representada como um objeto estável: um edifício capturado em um momento de clareza visual, isolado das contingências ao redor. Plantas, cortes e fotografias prometem legibilidade ao suspender o tempo. No entanto, muitos dos espaços públicos mais duradouros do mundo resistem completamente a esse modo de representação. Eles não foram feitos para serem compreendidos de imediato, nem revelam sua lógica apenas pela forma. Sua inteligência espacial emerge aos poucos — pela repetição, pela ocupação e pela duração.

O bazar se insere com firmeza nessa categoria. Ele não pode ser entendido por um único desenho ou por uma elevação finalizada. Sua organização não é fixa, é ensaiada diariamente. O que o sustenta não é apenas a composição arquitetônica, mas o tempo compartilhado, a memória coletiva e padrões de uso construídos ao longo dos anos. A convivência no bazar não nasce de decisões formais de projeto; ela é produzida por encontros repetidos, proximidades negociadas e familiaridade social acumulada no tempo.

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A agenda da arquitetura: por dentro dos principais eventos de 2026

A arquitetura e o design entram em 2026 em um momento de experimentação renovada, reflexão ambiental urgente e ampliação do diálogo global sobre o ambiente construído. À medida que as cidades enfrentam pressões relacionadas à adaptação climática, às transformações demográficas e às mudanças tecnológicas, o calendário internacional deste ano oferece um retrato de como a disciplina vem respondendo a esses desafios — de forma criativa, crítica e coletiva. Entre bienais consolidadas e plataformas recém-criadas, os eventos de 2026 evidenciam o papel da arquitetura tanto como registro das transformações do nosso tempo quanto como agente ativo na construção de futuros mais equitativos e sustentáveis.

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Os 20 projetos mais aguardados de 2026

À medida que 2025 se aproxima do fim, aguardamos ansiosamente por 2026, um ano que promete a entrega de uma série diversa de projetos arquitetônicos de grande relevância ao redor do mundo. O período se destaca especialmente pela conclusão de importantes obras de infraestrutura e equipamentos culturais, incluindo projetos de longa duração que finalmente chegam à etapa final. A Europa estará em evidência com os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão–Cortina 2026. O evento contará com projetos como a Vila Olímpica, assinada por SOM, e a Arena Olímpica de Inverno, projetada por David Chipperfield Architects. Ainda em Milão, BIG deve concluir o City Wave, parte de um novo distrito de negócios da cidade. Paralelamente, após mais de 140 anos desde o início de sua construção, arquitetos do mundo todo acompanham com expectativa a tão aguardada conclusão da Sagrada Família, de Antoni Gaudí, em Barcelona, prevista para 2026.

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Tendências de design de interiores de 2025

À medida que 2025 se aproxima do fim, revisitamos um ano marcante no universo do design de interiores. No ano passado, os designers se voltaram para abordagens mais contidas e discretas, uma tendência que já vinha se consolidando. A ascensão da inteligência artificial intensificou debates sobre equidade digital e desinformação — discussões que continuaram em 2025, especialmente com o tema da Bienal de Arquitetura de Veneza, Intelligens. Esse contexto ampliou o diálogo sobre as oportunidades trazidas pelas tecnologias digitais, propondo um olhar mais esperançoso. Em contrapartida, os projetos de interiores concluídos ao longo do ano mantiveram o foco no tangível e no pragmático, valorizando materiais brutos e uma apreciação da história.

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Pigmentação de concreto em arquitetura: além de bases neutras

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É possível dizer que existe um material atemporal na arquitetura, em termos estéticos? Seguramente, a madeira e o concreto são fortes candidatos. Não apenas porque são entendidos como representantes da solidez, volume e massa das construções, mas porque oferecem grande variedade plástica nos projetos. O concreto, diferentemente da madeira, possui mais maleabilidade. Ainda que a madeira já ofereça soluções mais moldáveis através de sistemas CLT, por exemplo, o concreto é obtido a partir de uma mistura entre líquido, pó e um agregado, ou seja, uma pasta, que pode ser vertida numa forma, espalhada sobre uma superfície, moldada em formatos diversos.

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A palha atualizada: de sistema construtivo a decoração

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O uso e a demanda de materiais naturais em arquitetura e interiores possibilitou a retomada de sistemas construtivos tradicionais atualizados para o contexto contemporâneo. O que era considerado rústico passou a ser explorado em ambientes mais modernos, logo, a aplicação do material também se sujeita a novas formas de fixação, coloração, orientação (horizontal ou vertical). A madeira é o material dominante quando se trata de sistemas tradicionais e materiais ambientalmente sustentáveis. Contudo, um material que também é usado secularmente, igualmente sustentável e biodegradável, e que tem tido menos destaque, é a palha.

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Maximalismo sóbrio: conhecendo a obra do Studio Guilherme Torres

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A linguagem autoral de cada arquiteto é sempre a base de análise de seu trabalho. O decorrer do tempo demonstra a consolidação de sua assinatura, possibilita reconhecer influências e referências precedentes, ao mesmo tempo que apresenta a constante atualização dessa linguagem, como um desenvolvimento formal que responde (e corresponde) ao recorte temporal em que se insere. Os projetos do Studio Guilherme Torres são ótimos exemplos deste desenvolvimento, desde sua fundação até o presente.

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Neurogastronomia, bairros planejados e paisagismo residencial: o melhor da arquitetura na semana

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Reveja o melhor da arquitetura da última semana de acordo com nossos leitores e editores, com esta seleção dos artigos mais lidos, os projetos mais acessados e os produtos mais populares do ArchDaily Brasil.

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Estratégias básicas de conforto acústico em arquitetura residencial

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Dentro de uma cidade, existem preocupações múltiplas quando se trata de moradia: a localização, distâncias em relação a serviços básicos, mobilidade, acesso a iluminação natural, a vista, o nível de ruído. São pontos importantes – ainda mais em áreas adensadas –, mas que normalmente dizem respeito a apartamentos em edificações em altura. Quando se trata de uma casa, parte dessa lista acaba “resolvida” apenas pelo programa. Subentende-se que uma residência unifamiliar é mais afastada de centros movimentados (o que pressupõe maiores deslocamentos a serviços), que a iluminação natural é farta a depender da relação entre área construída e terreno, e que o ruído é diminuído, já que, em geral, áreas residenciais não estão inseridas em contextos urbanos agitados.

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Tijolo com tijolo num desenho mágico: padrões e motivos feitos com blocos cerâmicos

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Uma parte considerável da inovação arquitetônica passa pelo uso de materiais. O desenvolvimento tecnicista e novas linguagens formais fazem uso deles para “anunciar” a “próxima” era arquitetônica. É claro que os materiais são essenciais para a construção, e significativos para a consolidação de linguagens. O vidro, aço, concreto ou tijolo dizem coisas sobre os edifícios. Porém, como toda língua, o sentido das palavras pode variar de acordo com a organização social vigente, disputa-se o sentido de determinadas expressões, ou pressiona-se pela abolição – ou no mínimo a dissociação – de alguns sentidos atrelados a algumas palavras. Não seria diferente na arquitetura.

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Do churrasco à contemplação: casas brasileiras com lajes úteis

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A tradição da arquitetura moderna atesta que a cobertura dos edifícios é passível de utilização, e área tão nobre quanto os ambientes internos. Afinal, o terraço jardim é um dos cinco pontos da nova arquitetura segundo Le Corbusier. Apesar de o terraço jardim ser um dos pontos “obrigatórios” da arquitetura moderna, a cobertura útil precede (e muito) o arquiteto porta-voz do Modernismo. Diferentes usos foram dados em diferentes épocas às coberturas planas: desde mirantes para estudos astronômicos ancestrais até áreas de cultivo mais contemporâneas, passando pela burocrática acomodação de instalações elétricas e sanitárias. A cobertura de um edifício oferece área livre e exposição direta ao céu, portanto, em situações citadinas adensadas, aproveitar-se desse espaço como área de lazer faz bastante sentido.

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