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Espaço público em uso: Región Austral e a arquitetura do cotidiano

A arquitetura costuma ser avaliada a partir daquilo que é construído. Mas, em muitos casos, o que realmente importa acontece depois: a maneira como os espaços são usados, adaptados e incorporados ao cotidiano. Para o Región Austral, vencedor do ArchDaily 2025 Next Practices Awards, é justamente aí que o projeto começa de fato. Atuando em diferentes contextos, o escritório entende o espaço público não como um objeto isolado, mas como algo que precisa ser ativado, negociado e sustentado ao longo do tempo. Seus projetos se concentram menos em definir formas e mais em criar condições de uso, tratando o desenho como um ponto de partida.

Essa abordagem pode ser observada em contextos distintos, da Praça do Bairro Olímpico à rede Playón de Chacarita. Embora cada projeto responda a uma situação específica, ambos investigam como o espaço público pode fortalecer a vida coletiva em áreas marcadas pela fragmentação e pela desigualdade. Em vez de seguir um método rígido, o trabalho se adapta às diferentes condições urbanas, utilizando participação e estratégias incrementais para moldar a maneira como os espaços funcionam ao longo do tempo.

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Modernismo tropical para além da estética: a política da sombra e do ar

A imagem é familiar: uma fachada composta por camadas de brise-soleil, a luz suavizada em sombras padronizadas, interiores mantidos frescos sem o auxílio de máquinas. Manifesta-se como uma inteligência visível, uma arquitetura que compreende o sol. No entanto, essa imagem raramente é examinada de perto. Os mesmos dispositivos que atenuam o calor também organizam o acesso, distribuem o conforto e dependem de formas específicas de trabalho. O que parece ser apenas uma resposta climática é, também, uma decisão sobre quem recebe alívio do calor e de que maneira. O modernismo tropical, frequentemente reduzido a uma linguagem visual de sombra e porosidade, emerge, em vez disso, como um conjunto de práticas situadas onde clima, trabalho e poder são negociados de forma distinta em cada contexto.

Na escala do elemento, o modernismo tropical começa como um problema técnico. Em climas quentes, a radiação solar não é incidental, mas constante, exigindo que os edifícios mediem a luz, o calor e o ar antes que alcancem o interior. Arquitetos como Maxwell Fry e Jane Drew abordaram isso com uma precisão que resiste a qualquer leitura desses elementos como decorativos. Os dispositivos de sombreamento são calibrados de acordo com os ângulos solares, a orientação e as variações sazonais. Os brises-soleil são dimensionados para bloquear o sol alto enquanto admitem a luz difusa; os beirais se estendem o suficiente para evitar o ganho direto de calor nas horas de pico; as aberturas são alinhadas para incentivar a ventilação cruzada. Pesquisas de meados do século testaram ainda mais essas estratégias, medindo reduções de temperatura e melhorias no fluxo de ar. Nesse sentido, a linguagem do modernismo tropical não é simbólica; ela é performativa: cada projeção, vazio e tela faz parte de um sistema ambiental.

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A ilusão da leveza: projetando vazios cívicos para a vida pública

Nas cidades contemporâneas, a densidade urbana e o aumento do valor da terra frequentemente impõem uma escolha entre edifícios cívicos de grande escala e espaços públicos abertos. Tradicionalmente, as praças eram tratadas como áreas ao redor da implantação do edifício, mas essa lógica foi transformada com a introdução dos pilotis pelo movimento moderno do início do século XX. Embora a intenção original fosse criar uma sensação de leveza que permitisse a circulação e a luz fluírem sob a estrutura, as exigências contemporâneas — como cargas sísmicas, rotas de evacuação e altas taxas de ocupação — tornam colunas esbeltas insuficientes para atender às demandas dos atuais edifícios cívicos de grande porte.

No entanto, a busca pela leveza arquitetônica não é exclusivamente contemporânea. Após a introdução dos pilotis, diversos projetos de meados do século XX passaram a explorar a ilusão de suspensão como forma de alcançar transparência cívica. Em 1953, o Congresso Nacional de Honduras, em Tegucigalpa, projetado por Mario Valenzuela, aplicou esses princípios ao contexto legislativo. O edifício consiste em uma câmara sólida elevada sobre uma série de colunas delgadas. Como o terreno está situado em um platô ao final de uma rua em declive, o vazio resultante vai além da circulação: ele enquadra vistas da cidade, criando a impressão de que o volume pesado está suspenso com leveza sobre o tecido urbano.

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Primeiros socorros para o patrimônio em risco: entrevista com Ambulance for Monuments

Ambulance for Monuments é uma iniciativa de primeiros socorros dedicada a salvaguardar o patrimônio construído ameaçado da Romênia, operando em uma corrida contra o tempo para evitar colapsos e perdas irreversíveis. O projeto responde à crescente vulnerabilidade das estruturas históricas — de igrejas fortificadas saxônicas e casas senhoriais a igrejas de madeira e marcos rurais — muitas das quais não se beneficiam mais das redes comunitárias que uma vez as sustentaram. Em um país profundamente afetado pela emigração desde 1990, onde quase metade da população ainda vive em áreas rurais, aldeias inteiras perderam os habitantes, suas habilidades e cuidados diários que uma vez mantiveram esses monumentos de pé.

Construída em torno de uma unidade de intervenção móvel — uma "Ambulância" equipada com ferramentas, andaimes e equipamentos — a iniciativa realiza trabalhos de estabilização urgentes que compram tempo para edifícios ameaçados. Em vez de substituir a restauração completa, essas intervenções estratégicas preservam o tecido histórico, garantem a segurança estrutural e mantêm a conservação a longo prazo e a reutilização adaptativa possíveis. 

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Mapeando a Tecnosfera: Arquitetura como Interface entre Sistemas e Territórios

A arquitetura já não pode ser pensada como um objeto isolado, alheia às redes técnicas que sustentam a vida contemporânea, — um cenário que exige diferentes leituras e abordagens. É nesse contexto que em março, o tema mensal do ArchDaily recaiu sobre A Tecnosfera: Arquitetura na Intersecção da Tecnologia, Ecologia e Sistemas Planetários, tópico amplo e inevitavelmente complexo. A partir do conceito de tecnosfera, cunhado pelo geólogo Peter Haff para descrever o conjunto de artefatos produzidos pela humanidade, delineia-se um panorama em que a vida contemporânea se mostra profundamente entrelaçada a máquinas, dados e redes de energia.

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O que é a Tecnosfera e por que ela redefine a Arquitetura?

Em um momento em que satélites orbitam o planeta, cabos submarinos sustentam a circulação global de dados e algoritmos organizam a vida cotidiana, uma pergunta emerge no campo da arquitetura: em que escala estamos, realmente, projetando hoje em dia?

Se antes o projeto se articulava principalmente a condições locais ou regionais, hoje ele é atravessado por cadeias que começam na extração de recursos, passam por sistemas industriais e se estendem por infraestruturas planetárias muitas vezes invisíveis e que operam de forma contínua e interdependente.

É nesse deslocamento que a arquitetura passa a operar como mediadora de um campo muito maior, a tecnosfera.

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LANA: suporte ergonômico para notebooks e as novas dinâmicas do espaço de trabalho

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O trabalho já não acontece em um único lugar. Ele se desloca, se fragmenta e se adapta. Pode começar em um escritório, seguir para uma cabine acústica, passar por um espaço compartilhado e terminar em casa. Nesse percurso, o notebook se torna um elemento constante. À medida que o trabalho se torna mais móvel, as configurações espaciais também passam a acompanhar essa condição.

Arquivo: Des-construção e reuso de materiais para uma arquitetura circular

O setor da construção civil enfrenta hoje um paradoxo incontornável: a necessidade urgente de soluções sustentáveis para o futuro das cidades colide com o esgotamento do próprio termo "sustentabilidade", muitas vezes reduzido a um selo comercial vazio. Diante desse cenário, a Arquivo — uma das vencedoras do prêmio Next Practices 2025 do ArchDaily — emerge como uma facilitadora e uma mediadora entre os diferentes agentes no campo da construção a partir da desmontagem – ou ainda, des-construção – e o reuso de elementos construtivos. Etimologicamente, se "construir" deriva do latim construere ("amontoar, reunir"), o prefixo "des-" impõe uma inversão conceitual: não se trata de destruir, mas de desmontar com inteligência para compreender a lógica das partes.

Enquanto a prática convencional das demolições gera um grande volume de resíduos e gasto energético, a Arquivo propõe o reuso como uma alternativa viável para a economia circular. A empresa atua na lacuna entre o descarte e a nova obra, operando sob uma premissa clara: “O reuso só se dá por completo quando o material ganha uma nova vida”.

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