Geometria tem uma ambígua reputação, associada tanto a idiotice como a inteligência. No melhor dos casos, existe algo desesperadamente não comunicativo sobre ela, algo mais que ligeiramente removido do resto da experiência para confrontar sua grande pretensão de verdade. Flaubert, em Dicionário de Ideias Feitas, define um geômetra como “viajando em estranhos mares de pensamento – sozinho.” E quando Joseph Conrad desejava caracterizar o fútil esforço de concentração feito pelo sincero porém mentalmente retardado jovem Stevie em O Agente Secreto, ele o descreveria como “sentado muito bem e quieto numa mesa, desenhando círculos, círculos, círculos; inumeráveis círculos, concêntricos, excêntricos, um cintilante redemoinho de círculos que por sua emaranhada multidão de curvas repetidas, uniformidade de forma, e confusão de linhas interseccionadas sugeria uma versão de caos cósmico, o simbolismo de uma arte insana pretendendo o inconcebível.”
Conceito de design para Eko Atlantic City. Imagem Cortesia de archinect.com
Neste artigo, originalmente publicado em Future Cape Town como "Designing African Cities: Urban Planning Education in Nigeria", os professores Vanessa Watson e Babatunde Agbola discutem uma mudança de paradigma que acontece nas Escolas de Urbanismo da Nigéria: das teorias de planejamento americanas e europeias até então aplicadas na Nigéria às novas teorias mais apropriadas para lidar com os desafios únicos das cidades africanas.
Em junho de 2011, o Governador do Estado de Osun inaugurou um Comitê de dez membros para o Programa de Renovação Urbana do Estado. O Comitê, do qual eu era presidente, deveria preparar um Plano Diretor de Renovação Urbana para cada uma das 9 cidades selecionadas no Estado. Na inauguração, o Governador enfatizou que o tipo de planos que antecipou para cada uma dessas cidades não eram os modelos de Nova York, Washington, Londres ou qualquer outra cidade euro-americana. Os planos deveriam refletir a realidade das cidades africanas e, portanto, ter relevância nas vidas de seus moradores.
Estas observações do Governador apontam para a crença nigeriana generalizada de que há uma disparidade entre o que os planejadores aprendem e sabem e o que colocam em prática para o bem estar geral e a qualidade de vida da população. Reconhecidamente, a teoria alimenta e informa a prática, mas quando teorias de certas regiões são transplantadas para a prática em outras, o resultado só pode ser desastroso. Este é o efeito do conhecimento e da educação de planejamento contemporânea sobre a morfologia das cidades nigerianas.
Continue lendo para saber o que está sendo feito a respeito deste dilema educacional.
Já que estamos na Páscoa queremos apresentar os projetos inspirados nos tradicionais ovos decorados e criados por arquitetos como Zaha Hadid, o escritório Morphosis, o escritório OVO e o desenho de chocolate de Carter Jones para Jack Torres através de ícones da cidade de Nova York, entre outros.
Embora numa conversa de 1995 Miralles manifestasse suas dúvidas sobre a possibilidade de “estabelecer claramente umas regras de operação que sejam válidas em qualquer situação...”, sim falava em modos de operação, embora em um sentido ‘débil’, já que: “Não creio que se possa estar à frente do seu trabalho, levando-o, senão que de alguma maneira o próprio trabalho vai dirigindo as coisas através de pequenos desvios”. E com respeito a seu processo ou linha de trabalho explicava: “..., eu diria que não se trata tanto de uma linha, mas de um feixe. Um projeto consiste em saber atar múltiplas linhas, múltiplas ramificações que se abrem em distintas direções”.[1]
Songdo, na Coréia do Sul, é uma nova cidade fundada com os princípios das cidades inteligentes. Imagem Cortesia de Cisco
Este artigo, escrito por Carlo Ratti, apareceu originalmente no The European intitulado "The Sense-able City". Ratti fala das forças motrizes por trás do movimento Cidades Inteligentes e explica por que pode ser melhor focar na adaptação de cidades já existentes com as novas tecnologias ao invés de construir novas.
Qual era espaço vazio apenas alguns anos atrás agora está se tornando New Songdo na Coréia, Masdar, nos Emirados Árabes Unidos ou PlanIT em Portugal - novas "cidades inteligentes", construídas a partir do zero, estão brotando por todo o planeta e os atores tradicionais, como governos, urbanistas e promotores imobiliários, estão, pela primeira vez, trabalhando ao lado de grandes empresas de Tecnologia e Informação - como a IBM, Cisco e Microsoft.
As cidades resultantes são baseadas na idéia de se tornar "laboratórios vivos" para novas tecnologias em escala urbana, diluir a fronteira entre bits e átomos, habitação e telemetria. Se o arquiteto francês do século 20 Le Corbusier avançou no conceito da casa como uma "máquina de morar", estas cidades poderiam ser imaginadas como microchips habitáveis, ou "computadores ao ar livre".
Leia para saber mais sobre a ascensão das Cidades Inteligentes.
Recentemente, Patrik Schumacher, o braço direito de Zaha Hadid, tentou impor os limites da arquitetura em um post no Facebook digno de um Millenial. O tom era prescritivo e caracterizado por uma aplicação liberal do caps lock . Em um mundo ideal, poderia ter sido ignorado coletivamente, mas a discussão se estendeu por vários segmentos do Facebook e inspirou uma resposta da mídia. Aqui está um resumo: a contribuição da arquitetura para a sociedade é a forma, não o politicamente correto e não a arte, que não tem uma função para além de si. Com mais que apenas uma pitada de indignação, ele denuncia especificamente os vencedores da Bienal de Veneza 2012. Ele não estava na lista. Egos feridos à parte, o comentário abriu espaço para uma questão profunda e onipresente dentro da nossa disciplina: O que os arquitetos oferecem que ninguém mais pode oferecer?
https://www.archdaily.com.br/br/01-188729/ban-vs-schumacher-os-arquitetos-deveriam-assumir-responsabilidades-sociaisRennie Jones
A utilização da luz pode levar a diversos sentimentos: um raio de sol chama a atenção; o brilho sobrepõe; o céu noturno fascina, enquanto que uma densa floresta escura desperta medo. As religiões têm feito uso destas experiências para transmitir os aspectos místicos de suas respectivas divindades - assim, também o fazem os seus edifícios construídos.
A seguir, uma exploração das diferentes abordagens de uso da luz como veículo de significado simbólico e experiência espiritual em espaços religiosos.
Qatar diz que os projetos para a Copa do Mundo estão "no caminho", mas a International Trade Union Confederation (ITUC), que tem investigado a morte de trabalhadores nos Emirados nos últimos dois anos, veementemente discorda. Até o momento houve 1200 mortes de trabalhadores associadas aos projetos da Copa do Mundo em curso. Um relatório contundente, emitido pela ITUC em 16 de março, afirma que ao menos que sejam realizadas melhorias significativas nas condições de trabalho nos canteiros relacionados à Copa, pelo menos mais 4000 trabalhadores podem perder suas vidas. Isso significaria que essas construções estão "no caminho" de matar 600 trabalhadores por ano, ou pelo menos 12 por semana até que as faixas de inauguração sejam cortadas e os fogos de artifício disparados.
Em uma reunião do comitê executivo da FIFA realizada em Zurique no dia 20 de março, o presidente Sepp Blatter afirmou, "Temos alguma responsabilidade mas não podemos interferir nos direitos dos trabalhadores". Do mesmo modo, o comitê local da FIFA no Qatar diz que trabalhadores não são sua responsabilidade. Zaha Hadid disse o mesmo.
Entretanto, dado o coro crescente de manchetes como "The Qatar World Cup Is a Total Disaster" (A Copa do Mundo no Qatar é um desastre total), é possível que eles precisem dizer algo mais forte sobre a questão em algum momento - ou ter a imagem de sua arquitetura manchada. É claro que sabemos que o que querem dizer é que não é sua responsabilidade legalmente. Mas isso significa que deveriam estar acomodados, nem ao menos tentando influenciar uma mudança?
Saiba mais sobre a situação dos trabalhadores de Qatar a seguir.
A construção é uma ciência; é também uma arte, ou seja, é necessário ao construtor o saber, a experiência e um sentimento natural. Nasce-se construtor; a ciência que se adquire não pode mais que desenvolver as sementes depositadas no cérebro dos homens destinados a dar um emprego útil, uma forma durável à matéria bruta. Assim ocorre com os povos como com os indivíduos: alguns são construtores desde o berço, outros não se tornarão jamais; o progresso da civilização acrescenta pouco a essa faculdade natural. A arquitetura e a construção devem ser ensinadas ou praticadas simultaneamente: a construção é o meio; a arquitetura, o resultado; e no entanto, há obras de arquitetura que não podem ser consideradas como construções, e há certas construções que não se saberia como incluir entre as obras de arquitetura. Alguns animais constroem, uns células, outros ninhos, montículos, galerias, tipos de cabanas, redes de fio: essas são de fato construções, isso não é arquitetura.
O cobiçado título "vencedor do Prêmio Pritzker" é hoje mais ou menos sinônimo de "star-architect", um termo que eu detesto e que a maioria daqueles descritos como tal provavelmente consideram irritante e constrangedor. E com razão. Estrelato no sentido de celebridade não ajuda a causa da arquitetura. A esposa de Wang Shu, Lu Wenyu, disse o mesmo quando pediu para não ser nomeada "co-laureada" com seu marido. Em uma entrevista para El Pais, observou "Estou feliz de poder fazer a arquitetura que acredito que ajude a melhorar nossas cidades. Estou convencida de que falar sobre isto desperta o interesse nos outros - e não ser famoso."
É claro que o Prêmio Pritzker não pretende criar uma escola de arquitetos famosos por serem famosos, mas reconhecer, celebrar e apoiar o talento, persistência e talvez uma contribuição única à causa da arquitetura. Cada um dos vencedores do prêmio merece este reconhecimento quer concordemos ou não com a escolha de um destinatário individual.
A cultura da fama é gerada não tanto por instituições culturais altruístas, mas em grande parte por uma mídia deslumbrada que busca criar um elenco de personagens famosos para escrever sobre. Há, é claro, pressão dos editores para fazê-lo, temendo talvez que com qualquer outro assunto possam perder leitores famintos pela cultura de celebridades. Os críticos, é claro, recebem também um status de celebridade secundária através da associação a esta cultura do estrelato.
Zappos é uma das maiores companhias cujo funcionamento se baseia em princípios da ‘holocracy’ (sem uma hierarquia de equipe fixa). Sua sede em Las Vegas utiliza mobiliário coletivo para potencializar a colaboração da equipe (de acordo com a Business Insider, ‘mesas são ligadas mas podem ser facilmente desconectadas ou movidas, as paredes são móveis também. Então se uma equipe precisa trabalhar de forma diferente, ou uma nova equipe é formada, o espaço pode ser alterado, e modificado novamente até que funcione’). Imagem Cortesia de Zappos, via OfficeSnapshots.com
O que a arquitetura pode aprender com Zappos? Sim, todos nós já ouvimos falar sobre cafés veganos, salas de yoga, jogar jogos de guerra e usar Crocs dentro do escritório, mas - mais importante - Zappos está transformando a cultura de escritório de forma vasta e significativa: põe um fim na hierarquia da equipe.
De acordo com o The Washington Post, Zappos é a maior companhia a ter adotado o princípio da Holocracy, a ideologia do empresário de software que se tornou guru de gerenciamente, Brian Roberston. Guru seria a palavra certa pois, à primeira vista, e talvez à segunda ou terceira, a Holocracy surge de algo parecido como um culto, embora um culto de gestão de negócios. Isso me assusta um pouco, mas tendo olhado através da página deles, eu me sinto um pouco melhor agora.
Em uma Holocracy, autoridade e responsabilidade são distribuídos através de uma organização de uma forma mais focada ao objetivo. Como dizem, "Todos se tornam um líder de suas funções e um seguidor de outras." Ainda não faz sentido? Hierarquias antigas que dependem dos "líderes" no topo, "seguidores" na base, e "gerentes" no meio são eliminadas completamente. Logo, não há mais "chefes". Não há mais "funcionários". Não existem mais "projetista júnior" ou "projetista sênior".
Na literatura técnica da construção encontram-se centenas de obras, de caráter teórico, sobre o cálculo de suas estruturas; muito poucas sobre as condições gerais de seus diferentes tipos, sobre as razões fundamentais que os determinaram, sobre as bases que devem orientar o problema de sua escolha e as ideias condutoras que guiam o projetista em seu trabalho inicial, seguindo princípios que, pouco a pouco, sua mente foi assimilando, mas sobre os que raramente se para a refletir.
Não se trata, em realidade, de dizer, nesta obra, nada novo sobre o tema. Pretende-se somente acompanhar o técnico e projetista da construção –seja arquiteto, engenheiro ou simplesmente aficionado– em um tranquilo devaneio pelo labirinto, cada vez mais confuso, dessa técnica, para recolher, ordenar e ressaltar ideias e conceitos fora de todo o quantitativo e numérico.
Shigeru Ban expandiu o campo da arquitetura de forma atípica. Por uma parte conseguiu demonstrar que o artista iluminado e o projetista talentoso não está inevitavelmente condenado a trabalhar para a elite, mas que a inovação pode ocorrer enquanto trabalha-se para a maioria, especialmente para aquela historicamente desatendida e esquecida. Para isso, Ban redefiniu a maneira de se aproximar dos desafios urgentes, difíceis e relevantes, trocando a caridade pela qualidade profissional. Shigeru Ban nos ensinou que independente da dureza das circunstâncias ou a escassez de meios, o bom desenho, longe de ser um custo adicional, é um valor agregado que contribui aos problemas mais complexos com eficiência, poder de síntese e inclusive certo otimismo.
" Shigeru Ban é um arquiteto cujo trabalho incansável inspira otimismo. Onde outros podem ver desafios insuperáveis, Ban vê um convite à ação. Onde outros podem tomar um caminho seguro, ele vê a oportunidade de inovar. Além disso, ele é um professor comprometido que não é apenas um modelo para a geração mais jovem, mas também uma fonte de inspiração " - . Júri do Pritzker 2014
O seguinte texto corresponde ao capítulo 15 do Livro "NEUROEDUCAÇÃO: só é possível aprender aquilo que se ama" (Alianza Editorial, 2010), dedicado a analisar como interage o cérebro com o meio que o rodeia no momento da aprendizagem, a partir dos dados que traz a ciência.
Por Francisco Mora*
Por que ensinar os estudantes em salas de aula amplas, com grandes janelas e luz natural é melhor e produz mais rendimento que o ensino transmitido em salas apertadas e pobremente iluminadas? Em que medida os colégios, os institutos de ensino médio ou as universidades, que já foram ou estão sendo construídos nas grandes cidades modelam a forma de ser e pensar daqueles que estão se formando? É possível que a arquitetura dos colégios não responda hoje ao que realmente requer o processo cognitivo e emocional para aprender e memorizar, de acordo com os códigos do cérebro humano e a verdadeira natureza humana e sejam, além disso potenciadores de agressão, insatisfação e depressão? Até que ponto viver limitado ao espaço de uma sala de aula, longe das grandes extensões de terra com horizontes abertos ou montanhas, árvores, de solos cobertos de verde tem alterado os códigos básicos da aprendizagem e memória? Todas essas são perguntas atuais, persistentes, que incidem na concepção de uma nova neuroeducação.
https://www.archdaily.com.br/br/01-184224/neuroarquitetura-e-educacao-aprendendo-com-muita-luzPola Mora
Na metade do ano passado publicamos nossa lista de contas do Instagram que julgamos interessantes, mas sabíamos que aquelas eram apenas a ponta do iceberg. Vasculhamos a internet para encontrar outras 25 contas que certamente servem de inspiração - incluindo a do aventureiro raskalov, do fotógrafo de arquitetura nicanorgarcia, e, inclusive, a de nosso editor-chefe. Veja, a seguir, os 25 melhores Instagrams de arquitetura…
Se olhamos ao nosso redor, vemos que estamos rodeados de uma infinidade de corpos materiais de que nos servimos para dar curso de nossa vida: utensílios, ferramentas, máquinas, móveis, edificações, etc.
Estes corpos não se encontram na natureza com a ordem, forma e características que lhes exigimos. Ou seja, que foi necessário construi-los especialmente. São, portanto, corpos artificiais ou “artefatos” (artifício, feito por arte).
Sempre que vejo argumentos sensacionalistas sobre a intensidade espacial supostamente sublime de Kowloon Walled City em Hong Kong (demolida em 1994), elas me parecem nada além de fantasias coloniais que têm pouca relação com a realidade de viver no meio de uma das favelas mais cruéis do mundo. Você vê Kowloon aparecer constantemente como sendo ainda uma questão válida ou mesmo interessante. Este assentamento informal foi diagramado, fotografado e discutido por décadas do ponto de vista estético, tornando seus vitimizados e oprimidos habitantes praticamente invisíveis. Não significa que não tenha sido o lar de muitas pessoas e que não existam "boas lembranças" de lá, mas ainda, como todas as favelas, era um lugar difícil de viver, repleto de contradições na névoa de esperança por uma vida melhor.
Neste artigo originalmente publicado pela Metropolis Magazine como "Urban Hopes, Urban Dreams" (Esperanças Urbanas, Sonhos Urbanos), Samuel Medina analisa um novo livro sobre a obra de Steven Holl na China. Concentrando-se em cinco grandes projectos, o livro coloca o trabalho de Holl no contexto mais amplo de suas influências urbanísticas - incluindo idéias de sua própria arquitetura no papel que só agora estão reaparecendo.
Steven Holl é o raro arquiteto cujos conceitos são tão conhecidos quanto seus edifícios. O rendimento prolifico de Hall aparece tanto em edifícios quanto em monografias através da sua habilidade em marcar suas idéias. Urban Hopes: Made in China (Lars Müller, 2014) uma leitura condensada das mais recentes obras de Holl na China, é o último de uma sequência de pequenos livros que tem continuamente embalado o crescente corpo de trabalhos do arquiteto.
Ancoragem e Entrelaçamento apareceu em 1996 e expôs temas arquitetônicos e noções espaciais apenas parcialmente evidenciados através do seu trabalho até aquele momento. Em ambos, os prédios eram poucos e distantes entre si, espalhados entre as páginas impressas com a "arquitetura de papel", saída principal para as energias criativas de Holl nas décadas anteriores, desde sua mudança para Nova Iorque em 1976. Esses e outros títulos foram acompanhados por Parallax, em 2000, uma mistura de referências filosóficas, científicas e poéticas que ungem a arquitetura com a áurea do Gesamtkunstwerk. A ideia de Holl sobre "porosidade" fez sua estreia aqui, prematuramente, onde foi aplicada quase literalmente no Simmos Hall, MIT, em sua fachada esponjosa. Não foi até alguns anos mais tarde, quando o arquiteto colocou seus pés na China, que o conceito seria batizado como um princípio central do desenho urbano do século 21. O Urbanismo de 2009 tanto avança quanto recapitula as grandes ideias do livro anterior.
‘Habitat do Homo Economicus’, uma parte da "Hipnose Competitiva", Mostra de Arte e Arquitetura de New York, 2013. Imagem Cortesia de Ross Exo Adams e Ivonne Santoyo-Orozco
Neste artigo, originalmente publicado no Australian Design Review como "Saudade de um Verde Presente", Ross Exo-Adams examina o medo que está por trás da tendência do urbanismo sustentável, e considera que a crise em meio a qual nos encontramos não pode ser confinada somente para as questões ecológicas.
Na última década, os arquitetos encontraram-se cada vez mais projetando distritos, bairros, zonas francas e até mesmo novas cidades inteiras: um fenômeno que tem sido acompanhado por um compromisso com a ‘sustentabilidade’, que agora aparece inseparável do próprio projeto de urbanismo. Enquanto a 'sustentabilidade' continua sendo um conceito vago, na melhor das hipóteses, ainda assim é se apresentada com senso de urgência semelhante àqueles que impulsionaram muitos dos grandes movimentos da arquitetura moderna frente à frente com a cidade. Implícita a tal urgência está uma referência retórica a um medo coletivo de alguma forma palpável, seja o medo da revolução (Le Corbusier), medo da tabula rasa cultural (Jane Jacobs, Team X) ou o nosso novo medo: colapso ecológico. É óbvio que os inumeráveis projetos "eco" que surgiram em todo o mundo não seriam viáveis se não o fato de eles apareceram em um contexto de catástrofe iminente - uma condição de proporções assustadoras. No entanto, a essência desse medo está longe de ser clara. De fato, à luz da catástrofe ecológica e em meio a qualquer fetiche por moinhos de vento ou por vegetação, os arquitetos têm cultivado o que parece ser uma nostalgia curiosa para o presente - um pragmatismo cuja falta de paciência para o passado procura uma espécie de reconstituição do presente em imaginar qualquer futuro. Então, se não a do caos climático, qual é a verdadeira natureza desse medo que está no cerne dos projetos urbanísticos de hoje, os '"urbanismos ecológicos"?
No encontro da Associação Britânica de Medicina em 2006, quando as paixões de médicos e enfermeiros transbordaram, uma sala foi designada para o excedente de jornalistas, membros do público como eu, e profissionais de medicina que não puderam entrar ao salão principal. Algumas apresentações científicas devem ter ocorrido previamente nessa sala, para aparecer no telão em frente aos nossos assentos uma imagem em cores de uma mão coberta por uma luva de borracha segurando uma parte do intestino grosso de um paciente em operação cirúrgica. Os jornalistas olhavam ocasionalmente para essa imagem monstruosa somente para virar a cara como se ela fosse algo obsceno. Os médicos e enfermeiros na sala, entretanto, pareciam dar a ela mais e mais atenção, especialmente àqueles momentos quando as vozes dos oficiais do governo soavam através dos autofalantes, murmurando sobre reforma.
Interiors é uma revista de arquitetura e cinema publicada por Mehruss Jon Ahi e Armen Karaoghlanian. Interiors realiza uma coluna exclusiva para ArchDaily que analisa e esquematiza filmes em termos de espaço. Sua Official Store apresenta imagens exclusivas desses textos.
O quarto filme de Spike Jonze, e sua quarta colaboração com o designer de produção K. K. Barrett, cria um mundo futurístico que é ao mesmo tempo intimista e envolvente.
Her (2013), filmado em Los Angeles e Shanghai, usa a arquitetura das duas cidades para construir seu próprio mundo. Jonze e Barrett, entretanto, escolhem não abordar o filme de uma perspectiva arquitetônica; ao invés disso, estavam interessados em refletir as qualidades emocionais de seu protagonista Theodore Twombly (Joaquin Phoenix) através do design de produção. Barrett observa que apesar do futuro parecer distante e estranho para nós, "O futuro é também o presente de alguém, o presente do nosso personagem". Assim, os elementos de ficção científica se baseiam na realidade, e o futuro de Her foi projetado com estas ideias em mente.
Em uma entrevista exclusiva para Interiors, K.K. Barrett discute sua abordagem como artista em relação ao cinema em geral e Her em particular. Saiba mais a seguir.
Cinema América, hoje. Imagem Cortesia de Cristina Mampaso Cerrillos
O Cinema América. Demolição ou Restauro
A arquiteta restauradora e especialista em conservação do patrimônio Cristina Mampaso Cerrillos, compartilhou conosco o desafio Cinema America Occupato, que tem como objetivo frear a demolição do Cinema América no bairro central de Trastevere, em Roma. Trata-se de um cinema dos anos 50, no final do movimento moderno, símbolo de uma arquitetura pensada e desenhada para os sentidos e símbolo do auge e da decadência do cinema arte nessa cidade.
Como propriedade privada, seu dono desejar demolir o edifício a fim de construir apartamentos de luxo para turistas. O objetivo é conseguir que o edifício passe a fazer parte da "Carta per la Qualità" do planejamento metropolitano de Roma, que protege o patrimônio moderno. A situação é preocupante porque não é o único caso na cidade: no total são quase 120 salas de cinema, a maioria abandonadas o convertidas em multisalas. Um patrimônio moderno do século XX que vem sendo esquecido e apagado por uma Roma Imperial, mas que não é a Roma das pessoas.