Para muito além do conhecimento técnico de sua formação como engenheiro, Eladio Dieste (1917-2000) adquiriu sensibilidade arquitetônica rara. Foi pioneiro e mestre da técnica da alvenaria armada, que em resumo trata-se de um sistema de "casca" relativamente fina em que os blocos cerâmicos são comprimidos, as barras de aço são tracionadas e o concreto solidariza o conjunto. A resistência estrutural é aumentada através do desenho de geometrias espaciais complexas que respondem com precisão aos esforços solicitantes, utilizando assim o mínimo possível de material. Desta forma são vencidos grandes vãos e balanços e as cargas são elegantemente conduzidas ao solo.
Emilio López é arquiteto pela Pontifícia Universidade Católica do Equador e possui mestrado em História e Teoria da Arquitetura pela Universidade Politécnica da Catalunha. Participou de vários projetos que mostram uma interessante conexão com o território, como a Casa Muta ou a Casa Don Juan, e recentemente recebeu um destaque por seu trabalho em Pamplona, durante a Bienal de Arquitetura Latino-americana 2023.
Ele afirma que ainda vive no Equador, um território com uma das maiores biodiversidades do mundo. Ele pontua que a geografia, as plantas, os climas e as culturas do país são grandes estímulos, além de sustentar que, com a arquitetura, surge a possibilidade de imersão e mistura com o meio, permitindo que ele se deixe transformar pelo outro. Ele diz que a força da arquitetura reside em ser produto da afetação imersiva que implica repensar sua relação com os recursos e com o mundo em que vive.
Nesta entrevista a seguir, conheça ainda mais sobre as inspirações e processos de trabalho do arquiteto Emilio López.
O ambiente construído representa, para a maioria de nós, o pano de fundo da vida cotidiana, no entanto, ao olharmos para um edifício, raramente entendemos do que é feito. Esse olhar superficial nos impede de compreender seu impacto em nós e na natureza. O Office Kim Lenschow busca chamar a atenção para essa questão, promovendo reflexões críticas sobre arquitetura e seus materiais. Ao focar em projetos de pequena escala, principalmente residenciais, o escritório busca revelar essa narrativa oculta dos materiais e aumentar a consciência sobre as estruturas ao nosso redor. Reconhecido pela exploração de materiais e desenvolvimento sustentável, Kim Lenschow foi selecionado como uma das Novas Práticas de 2023 pelo ArchDaily. Desde 2020, o ArchDaily destaca e promove escritórios emergentes que trazem uma nova perspectiva para o campo da arquitetura e do design.
O escritório Bloco B arquitetura, liderado pelas arquitetas Júlia De Fáveri, Camilla Ghisleni e Gabriela Fávero, foi premiado com o segundo lugar no concurso para a reforma do edifício sede do CAU/SC. O certame buscava soluções para as áreas nobres do edifício, como o átrio, a recepção e a fachada, numa tentativa do Conselho de "acolher todos os arquitetos e urbanistas, se aproximar da sociedade, dialogar com a rua e exercitar o compromisso de tornar a cidade mais humana".
Materiais inovadores desempenham um papel crucial no futuro da arquitetura. Eles não só oferecem outras perspectivas sobre os modos de construir edifícios, como também apresentam soluções sustentáveis e eficientes para enfrentar desafios ambientais. Ao aproveitar as propriedades singulares desses materiais, arquitetos e designers têm buscado criar estruturas com novas linguagens visuais, ao mesmo tempo em que são ecologicamente corretas.
Como parte da nossa revisão do ano, refletimos sobre os materiais inovadores que foram destaque. Esses materiais exploraram os conceitos de reciclagem de resíduos agrícolas, adaptação de produtos à base biológica, transformação de materiais locais e descarbonização do concreto. O objetivo não foi apenas oferecer alternativas às práticas tradicionais de construção, mas também ajudar a reduzir as emissões de carbono e promover um ambiente construído mais sustentável. Neste campo dinâmico, esses materiais demonstram o potencial de revolucionar o design e a construção de edifícios em contextos diversos, abrindo caminho para um futuro mais sustentável e resiliente.
A arquitetura residencial desempenha um papel vital na vida das pessoas, influenciando sua qualidade de vida e bem-estar. Para criar ambientes que sejam verdadeiramente adaptados às necessidades biopsicossociais de cada usuário, é essencial incorporar os princípios da neurociência aplicada à arquitetura. Nesse sentido, a Teoria dos Setênios de Rudolf Steiner oferece um quadro conceitual valioso para entender as diferentes fases da vida e suas implicações na concepção de espaços habitacionais. Este texto abordará as etapas do projeto arquitetônico, desde o briefing até a execução, destacando a relevância de conceitos da neurociência cognitiva e comportamental, como priming, framing, nudging, wayfinding, design salutogênico e design biofílico, à luz da Teoria dos Setênios.
Festivais de música podem oferecer a artistas, designers e arquitetos uma plataforma para apresentar seu trabalho para grandes multidões. A própria escala dessas instalações, o espaço para exploração artística e o vasto público que alcançam podem representar aos designers uma oportunidade para mostrar suas ideias. Através da escala, cor, imagens e iluminação, essas instalações criam impressões duradouras nas pessoas que frequentam esses eventos e naqueles que as veem através de notícias ou redes sociais. Alguns temas explorados este ano incluíram reformular elementos familiares de formas inéditas, geometrias abstratas de grande escala e o uso de materiais inovadores.
A biblioteca de projetos da ArchDaily é gerenciada por nossos curadores, que buscam constantemente enriquecer nossa seleção com as obras mais interessantes, evidenciando enfoques e critérios distintos e inclusivos. Este ano, começamos a destacar as escolhas de nossa equipe de curadoria na conta do ArchDaily no Instagram, onde nossos curadores lançam luz sobre alguns projetos que abordam temas interessantes e características únicas.
A cada ano, o ArchDaily apresenta milhares de novos projetos que compõem a maior biblioteca de arquitetura on-line do mundo. Nossa equipe de curadores pesquisa, seleciona e se certifica de promover alguns dos trabalhos de arquitetura mais inovadores e relevantes do mundo. Assim como fizemos no primeiro livro do ArchDaily, nossos objetivos são expandir nossa plataforma e destacar (o que é) uma boa arquitetura.
https://www.archdaily.com.br/br/1011396/os-melhores-projetos-de-arquitetura-de-2023ArchDaily Team
Pequenas casas são uma realidade comum em muitas áreas urbanas do mundo por diferentes motivos. Essas casas compactas tornaram-se cada vez mais populares devido à escassez de terrenos e aos altos preços da habitação nas áreas urbanas. Embora seu tamanho possa ser limitado, as práticas de arquitetura contemporânea se concentram em projetos inteligentes para maximizar o espaço disponível e oferecer conforto aos seus habitantes. Elas geralmente oferecem distribuições eficientes, com áreas multifuncionais que se adaptam às necessidades. Além disso, algumas integram soluções inovadoras de design e mobiliário para otimizar o espaço e fornecer armazenamento adicional.
Em 2023, testemunhamos grandes conflitos, crises políticas e desastres ambientais catastróficos em todo o mundo. Também observamos a diminuição na gravidade da pandemia de COVID-19, o contínuo aumento de modelos de IA generativa, bem como a ascensão da Índia como o país mais populoso do mundo, ultrapassando a China. 2023 também provocou discussões em todo o mundo no âmbito arquitetônico. A 18ª Exposição Internacional de Arquitetura - La Biennale di Venezia desafiou seu público a pensar de maneira diferente e mais empática, adotando uma perspectiva mais ampla sobre a arquitetura e deslocando seu foco para a disciplina em vez de apenas para a profissão. Essa mudança também abriu espaço para vozes e discussões frequentemente negligenciadas em exposições globais. A Trienal de Arquitetura de Sharjah 2023 celebrou o sul global, onde lugares prosperam em meio à escassez. Os principais temas do ano giraram em torno da descarbonização do ambiente construído, recursos e produção, materiais e know-how tradicionais, cultura de consumo, bem como decolonização, narrativas locais e identidades.
O ArchDaily acompanhou de perto todas essas histórias, examinando-as de forma consistente por meio de uma perspectiva urbana e arquitetônica para abordar questões globais. Alinhada com nosso compromisso de "empoderar todos os envolvidos na formação da arquitetura para aprimorar a qualidade de vida", a seleção dos Melhores Artigos do ArchDaily em 2023 destaca um amplo espectro de tópicos atuais.
Dizem que não importa o que acontece, mas como você vê. Também dizem que a literatura não reproduz a realidade, mas sim cria outra. Tudo começa com uma ideia. Só uma ideia. Imagem e imaginação andam juntas, isso significa que elas constituem o mecanismo para percepção, pensamento, linguagem e memória do homem. E em essência, arquitetura nada mais é do que organizar ideias. A pergunta é: como organizar as ideias? Ou ainda, como você vê as coisas? Existe mesmo percepção sem contexto social e cultural? A resposta curta é não. A resposta longa envolve antropologia interpretativa, um pouco de teoria e muita, muita crítica.
Em sua mais recente mostra fotográfica, Paul Clemence explorou a essência arquitetônica dos museus suíços no Le Salon Suisse, durante a Semana de Arte de Miami. Explorando a arquitetura da região e a importância dos museus na paisagem urbana atual, o fotógrafo apresenta uma exposição completa intitulada "Formas, Ritmo, Abstração: Museus Suíços". A série inclui registros de Genebra, Lausanne, Basel, Zurique e St. Gallen.
Inaugurada em 21 de setembro de 2023, a Bienal de Arquitetura de Chicago é um evento por toda a cidade que continuará em exibição até o final do ano. Intitulado “This is a Rehearsal” [Isto é um Ensaio], o evento é configurado como uma carta de amor a Chicago, ativando um diálogo contínuo em torno da cidade. Meses após o início da Bienal, os eventos ainda estão em andamento, com visitas abertas, performances teatrais e conferências virtuais acontecendo durante toda esta semana.
Casas pré-fabricadas de madeira têm uma história que remonta ao século XIX, quando as chamadas "casas de kit" se tornaram populares na América do Norte. Vendidas por empresas como a Sears, ofereciam opções de moradia acessíveis e convenientes, sobretudo para pessoas vivendo em áreas rurais, onde a mão de obra era escassa e cara. Os clientes tinham a escolha de alguns designs e dimensões, e os kits normalmente incluíam todos os materiais necessários para construir a habitação, incluindo madeiras numeradas e pré-cortadas, pregos, telhas e outros componentes necessários. Durante algum tempo, no entanto, casas pré-fabricadas foram encaradas como construções de menor qualidade ou prestígio, e junto à falta de flexibilidade destas soluções, entraram em declínio.
Hoje em dia, aliadas às tecnologias que dispomos, construções modulares e pré-fabricadas têm despontado como soluções de construção limpas, sustentáveis e eficientes energeticamente. Junto a isso, as inovações em torno da madeira engenheirada têm evidenciado as possibilidades deste sistema construtivo, o que inclui imensas possibilidades estéticas e estruturais. Foi nesta linha que o escritório UNA BV desenvolveu o projeto Modular 5.5, cujo objetivo era criar uma construção modular flexível, que pudesse ser montada em diferentes arranjos, permitindo a construção de casas com dimensões e necessidades diversas para terrenos diversos. Conversamos com Fernanda Barbara e Fábio Valentim sobre este projeto:
No cenário em constante evolução do século XXI, as cidades despontam como modelos de inovação em relação aos objetivos de desenvolvimento sustentável. Criativamente, enfrentam desafios urbanos urgentes, como densidade populacional, transporte, habitação e resiliência. Possuem o potencial de liderar uma agenda climática abrangente, atuando como laboratórios para iniciativas sustentáveis, inovações inter-setoriais e estratégias orientadas para a comunidade. As cidades agem como catalisadoras de revoluções, implementando soluções impactantes que podem ser aplicadas globalmente.
Trecho inicial da Wild Mile. Foto: Colin Boyle / Wild Mile
O projeto Wild Mile é uma iniciativa ambiciosa da organização sem fins lucrativos Urban Rivers, que visa recuperar um trecho de 1,5 km do rio Chicago, nos Estados Unidos. O projeto envolve a criação de um oásis urbano vibrante e sustentável com calçadões e jardins flutuantes.
Desde a inauguração de sua primeira seção em julho de 2023, o Wild Mile já atraiu mais de 30.000 visitantes, incluindo moradores locais, programas educacionais e eventos especiais. Os líderes da Urban Rivers expressam seu orgulho das conquistas do projeto, destacando a transformação de um trecho do rio antes negligenciado em um espaço público próspero tanto para a vida selvagem quanto para as pessoas.
https://www.archdaily.com.br/br/1011072/jardins-flutuantes-estao-transformando-o-rio-chicagoMayra Rosa
Em abril de 2019, um incêndio devastador consumiu parte da Catedral de Notre Dame, em Paris, causando danos severos ao seu teto de madeira e levando ao colapso da torre central do século XIX, originalmente projetada por Viollet-le-Duc. Na sequência da tragédia, o presidente da França, Emmanuel Macron, prometeu que o monumento seria restaurado em apenas 5 anos, um prazo ambicioso. À medida que a restauração das estruturas do telhado se aproxima da conclusão, em fevereiro de 2023 foi montada a estrutura de andaimes para a reconstrução da torre. Sua conclusão está prevista para o fim deste mês.