O uso e a demanda de materiais naturais em arquitetura e interiores possibilitou a retomada de sistemas construtivos tradicionais atualizados para o contexto contemporâneo. O que era considerado rústico passou a ser explorado em ambientes mais modernos, logo, a aplicação do material também se sujeita a novas formas de fixação, coloração, orientação (horizontal ou vertical). A madeira é o material dominante quando se trata de sistemas tradicionais e materiais ambientalmente sustentáveis. Contudo, um material que também é usado secularmente, igualmente sustentável e biodegradável, e que tem tido menos destaque, é a palha.
Opt Oog Column / Blast Studio. Imagem cortesia de Blast Studio
No projeto arquitetônico, nossas interações com organismos não humanos foram predominantemente marcadas pela criação de barreiras para excluí-los da esfera humana. Mas se adotássemos uma abordagem diferente? O design interespécies é um movimento que coloca organismos não humanos — fungos, insetos e diversos animais — em pé de igualdade com os humanos. Essa filosofia de design propõe estruturas que promovem relações não hierárquicas com outras espécies. Ao fazê-lo, cultivamos empatia por outras formas de vida e transformamos nossa perspectiva sobre o mundo que nos cerca. Esta abordagem visa não apenas alcançar uma pegada ecológica zero, mas também busca a colaboração com organismos não humanos para desenvolver ambientes benéficos para todos. Abaixo, conheça algumas tecnologias de materiais emergentes projetadas para beneficiar tanto os humanos quanto outras formas de vida.
Com uma população estimada em mais de 3,7 milhões de pessoas, Adis Abeba, a capital da Etiópia, abriga cerca de um quarto da população urbana do país. A cidade gera mais de 29% do PIB urbano da Etiópia e 20% do emprego urbano nacional. Nas últimas duas décadas, Adis Abeba testemunhou rápidas mudanças socioeconômicas e uma drástica transformação física, impulsionadas por um governo orientado para o desenvolvimento e pelo setor privado.
A intersecção entre inteligência artificial (IA) e planeamento urbano representa um grande potencial para a criação de cidades mais inteligentes, eficientes e sustentáveis. Trata-se da incorporação de tecnologias inovadoras que podem direcionar a tomada de decisões, otimizar a alocação de recursos, antecipar tendências, envolver os cidadãos, entre muitas outras. Nesse contexto em que se entende a IA como uma ferramenta para o desenvolvimento de diferentes aspectos urbanos, tem surgido uma proliferação de aplicativos, softwares e demais sistemas tecnológicos desenhados para auxiliar no planejamento urbano. Da morfologia ao envolvimento da comunidade, a seguir selecionamos alguns estudos e tecnologias que estão sendo aplicados ao redor do mundo.
Fachadas Solares no Hospital Bornholm. Imagem cortesia de SolarLab
A degradação ambiental tem enfatizado a necessidade de novas fontes de energia e uma mudança nas fontes exige meios inovadores de armazenamento dessa energia. Por séculos, os edifícios têm demonstrado sua capacidade de armazenar pessoas, objetos e sistemas, entretanto, ultimamente, o seu potencial inexplorado para armazenar grandes quantidades de energia de forma eficiente tem sido discutido. Nessa nova era, os edifícios podem ir além de estruturas funcionais para se tornarem depósitos potenciais de energia?
Camarões possui um valioso patrimônio arquitetônico representado por edifícios destinados ao culto cristão católico. Essas construções abrangem uma variedade de estilos, que incluem designs contemporâneos, explorações em tijolo de terracota e influências arquitetônicas góticas e bizantinas. Desde a chegada de missionários em 1890, inúmeros edifícios religiosos foram erguidos com a participação ativa das comunidades locais. Essas estruturas não apenas desempenharam um papel fundamental na popularização da fé cristã, mas também se tornaram espaços propícios para a troca de influências arquitetônicas entre as comunidades locais e estrangeiras.
Durante o período, Camarões explorou os movimentos gótico e bizantino, que estavam no auge na Europa, para criar suas igrejas. Esses estilos foram reinterpretados por meio das práticas locais de construção e, atualmente, representam o patrimônio histórico das catedrais do país.
Multifacetado e cheio de complexidades, o cenário da arquitetura e do urbanismo na América Latina revela nuances e desafios específicos diante das problemáticas enfrentadas pelos diversos países, como a desigualdade social, a violência e o crescimento urbano acelerado. Nesse contexto, a prática arquitetônica assume um papel relevante na construção de soluções possíveis e adequadas a cada realidade, em que ainda se destaca a importância da reafirmação das referências e narrativas locais nessa elaboração.
Perante a hegemonia estabelecida especialmente pela América do Norte e Europa, que muitas vezes marginaliza as realizações arquitetônicas e urbanísticas latino-americanas, sobretudo a produção que sequer é considerada como tal, a valorização dessa diversidade e complexidade torna-se um imperativo para qualquer pensamento e intervenção sobre a região. A seguir, selecionamos seis entrevistas que nos ajudam a entender a arquitetura da América Latina, e que contribuem para uma abordagem mais contextualizada e sensível de suas necessidades, potencialidades e riquezas.
Instituto Jonas Salk de Ciências Biológicas (1959-65). Imagem cortesia de Form Portfolios
Na história da arquitetura moderna, Louis I. Kahn é considerado um incontestável mestre da monumentalidade nos Estados Unidos. No auge de sua carreira, Kahn conseguiu criar um tipo único de arquitetura que inspira sem ser excessiva, que expressa seu sistema construtivo sem exibicionismo estrutural, e que mergulha na história com uma nova linguagem e sistema de formas. Seu interesse pela luz como elemento funcional e pelas qualidades específicas dos materiais ia além de seus edifícios. Estava em todos os objetos que ele criava. Para celebrar esse legado, a Form Portfolios acaba de lançar "Monumental Modernism", a primeira coleção de objetos de decoração, iluminação e mobiliário modelados a partir daqueles encontrados nos edifícios de Louis I. Kahn.
Vista aérea da Av. Paulista. Imagem ilustrativa. Foto de Gabriel Ramos, via Unsplash
Há 470 anos, no Pateo do Collegio, surgia a maior cidade da América Latina: São Paulo. Uma metrópole em constante movimento que, entre tantas complexidades e conflitos, apresenta uma diversidade cultural e humana que a torna profundamente rica.
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) registra que mais de um décimo da população global, cerca de 800 milhões de pessoas, pratica a agricultura urbana em todo o mundo. Nos Estados Unidos, milhões de cidadãos enfrentam dificuldades de acesso a supermercados. Os agricultores urbanos desempenham um papel crucial ao abordar questões de segurança alimentar nas cidades americanas.
A distância entre áreas rurais e urbanas nunca foi tão grande, tornando as fontes de alimentos tradicionalmente rurais inacessíveis. Inicialmente, as cidades se desenvolviam em torno de mercados centralizados que traziam produtos das áreas agrícolas para os centros urbanos. Hoje, a agricultura urbana está revitalizando essa conexão entre os habitantes das cidades e os produtos agrícolas.
Um símbolo da era industrial, o telhado em shed é um ícone na história da arquitetura. Apesar de ser uma invenção funcional originada da necessidade há quase 200 anos, sua forma icônica está passando um renascimento em diversos projetos contemporâneos.
Composto por muitos telhados longos e finos, cada um com inclinações irregulares, dispostos lado a lado, o telhado serrilhado posiciona suas bordas mais íngremes - preenchidas com painéis de vidro - afastadas do cume. Essa estratégia permite que edifícios amplos controlem o ganho solar, evitando a luz solar direta, ao mesmo tempo, em que proporciona uma entrada uniforme de luz natural indireta em toda a área interna.
Cansadas de um padrão minimalista e sem personalidade, as pessoas buscam cada vez mais por espaços com caráter que tragam peças que dialoguem com a própria identidade. Ao menos, essa pode ser uma das interpretações a serem criadas ao avaliarmos que cozinhas com "cores berrantes, mix de estampas, quadros, plantas e, claro, o obrigatório pinguim de geladeira" são consideras uma tendência nas buscas do Pinterest para 2024. Com o retorno de uma estética kitsch e todos os elementos citados anteriormente, buscamos por alguns exemplos entre os projetos publicados no ArchDaily que possam inspirar a mudança neste ambiente tão fundamental de uma residência.
Este artigo é o sétimo de uma série sobre a Arquitetura do Metaverso. O ArchDaily, em colaboração com John Marx, fundador e diretor artístico chefe da Form4 Architecture, traz artigos mensais que buscam definir o Metaverso, transmitir o potencial desse novo reino, bem como compreender suas limitações.
De muitas maneiras, a introdução do software de IA criou a sensação de que vivemos em um mundo previsto por romances de ficção científica. Costumávamos acreditar que os computadores nunca seriam capazes de projetar. Esse tempo chegou, e com ele surge uma oportunidade de enfrentar os pontos positivos e negativos dessas novas tecnologias.
Cidades contemporâneas e assentamentos urbanos se manifestam como estruturas intricadas que exigem reflexão profunda e uma abordagem cuidadosa. Os modelos sociais e layouts espaciais estão em constante evolução, transformando-se ao longo do tempo. Nesse contexto, surge uma pergunta crucial: qual é o modelo predominante para as cidades hoje? Muitas cidades contemporâneas resultam de um paradigma que atingiu seu apogeu no século XIX, caracterizado pela densificação intensiva e urbanização em resposta a necessidades que nem sempre refletiam seus habitantes.
Em alguns casos, devido às transformações vivenciadas pelas grandes cidades, certos setores urbanos caíram em desuso, tornando-se espaços residuais ou afastando-se de propósitos orientados para o desenvolvimento comunitário. Reconhecendo que as pessoas são a força motriz por trás das dinâmicas das cidades e assentamentos humanos, é imperativo reivindicar esses espaços. Para isso, abordagens teóricas como a proposta por Henri Lefebvre do direito à cidade e a cidade dos 15 minutos são apresentadas como alternativas. Nesses casos, as pessoas retomam o foco, tornando-se elementos-chave no design e permitindo o restabelecimento de um vínculo comunidade-pessoa-espaço.
https://www.archdaily.com.br/br/1012514/reativando-espacos-publicos-residuais-com-projetos-liderados-pela-comunidadeEnrique Tovar
Johannesburg, África do Sul. Foto de Simon Hurry, via Unsplash
Uma análise rápida das cem maiores cidades da África não apresenta muitas surpresas. A maioria está nos países mais ricos da África. A maior parte delas são capitais nacionais ou regionais/estaduais. Pelo menos metade tem portos fluviais ou marítimos. Muitas têm estações ferroviárias há décadas e, mais recentemente, aeroportos e conexões com rodovias. Um grande número tem universidades. Todas têm perfis na Wikipedia, incluindo muitos que se estendem por várias páginas.
A linguagem autoral de cada arquiteto é sempre a base de análise de seu trabalho. O decorrer do tempo demonstra a consolidação de sua assinatura, possibilita reconhecer influências e referências precedentes, ao mesmo tempo que apresenta a constante atualização dessa linguagem, como um desenvolvimento formal que responde (e corresponde) ao recorte temporal em que se insere. Os projetos do Studio Guilherme Torres são ótimos exemplos deste desenvolvimento, desde sua fundação até o presente.
Apesar das pessoas com deficiência representarem quase 15% da população mundial e de mais da metade viverem em ambientes urbanos, as nossas cidades raramente atendem às suas necessidades. A maioria é projetada a partir da perspectiva de pessoas sem deficiência que se deslocam em transporte privado (como carros e motos), em vez das que caminham, andam de bicicleta e usam o transporte público.
https://www.archdaily.com.br/br/1012430/como-garantir-o-acesso-a-cidade-para-as-pessoas-com-deficienciaITDP Brasil
BIG divulga projeto da "Mindfulness City" que une patrimônio histórico e o futuro do Butão. Cortesia de Bjarke Ingels Group
Recentemente, o renomado escritório dinamarquês BIG anunciou o lançamento do seu projeto para a cidade de Gelephu, no Butão. Um masterplan inspirado na cultura do país e nos seus princípios de felicidade. A "Mindfulness City" apresentará inúmeras possibilidades de apropriação ao público, trazendo investimentos em infraestrutura, educação e tecnologias sustentáveis, tudo sob os preceitos da Felicidade Interna Bruta (FIB).