Cor além da estética: a psicologia do verde na arquitetura

Cor além da estética: a psicologia do verde na arquitetura

Quantas vezes você mudou as coisas de lugar dentro de casa no ano passado? Quer fosse uma mudança temporária ou definitiva, uma parede repintada, uma luminária nova ou aquele quadro que estava esperando para ser pendurado a séculos. No momento em que muitos de nós fomos forçados (ou convidados) a retroceder para dentro do espaço doméstico, passando a trabalhar desde casa, ficou cada vez mais difícil evitar aquelas pequenas mudanças que a tanto tempo se faziam necessárias. Não foi apenas a drástica mudança em nossas rotinas que nos causaram problemas, na verdade, o espaço no qual vivemos e trabalhamos desempenha um importante papel em como nos sentimos ou nos relacionamos uns com os outros. Portanto, para aqueles que se perguntaram por que algumas pessoas pareciam muito mais tranquilas e serenas durante o início da pandemia, pode ser porque a grama do seu jardim era mais verde que a nossa.

Green 26 / Anonym. Image © Chaovarith PoonpholCultural Activity of Beijing Guang'anmennei Community / MAT Office. Image © Kangshuo TangOttoman | Footstool Outdoor Complete Item by Ligne Roset on Architonic. Image Courtesy of Ligne RosetArtwork | Deco_01 by FLORIM on Architonic. Image Courtesy of FLORIM+ 26

Terra.Art | Mix O/C 20 by Marca Corona on Architonic. Image Courtesy of Marca Corona
Terra.Art | Mix O/C 20 by Marca Corona on Architonic. Image Courtesy of Marca Corona

Em artigo publicado aqui no ArchDaily, vimos que as cores alteram a nossa percepção dos espaços interiores; normalmente os tons mais claros fazem com que os espaços pareçam maiores, enquanto as cores escuras fazem com que pareçam menores do que realmente são. É por isso que, ao projetar nossos espaços, é preciso ser consciente de nossas escolhas para saber qual tipo de atmosfera queremos criar. E a cor não é o único elemento capaz de despertar distintas sensações nos usuários, isso também se aplica aos materiais e as condições de iluminação por exemplo; isso significa que, nossas escolhas determinam—em maior ou menor grau—a maneira como as pessoas se relacionam com o espaço.

Antes de mais nada, vamos relembrar como nós, seres humanos, percebemos as cores.

Em teoria, o cérebro humano traduz em cores os diferentes comprimentos de onda responsáveis por sensibilizar a nossa retina. Esta última, conta com uma série de células especializadas sensíveis às cores azul, verde e amarelo, as quais transmitem dados para o sistema nervoso através do nervo óptico. A partir das diversas combinações entre estas três variações de cor criam então o espectro de cores visíveis com o qual estamos todos familiarizados. O cérebro humano é também responsável por fazer conexões entre uma determinada cor e o contexto no qual estamos acostumados a enxergá-la—o que nos leva à chamada “percepção psicológica das cores”. A psicologia das cores é um ramo da psicologia que estuda a influência dos tons e matizes de cores no comportamento humano. De acordo com um estudo conduzido pelo neurologista e psiquiatra alemão Dr. Kurt Goldstein, cores com comprimentos de onda mais longos, como amarelo, vermelho e laranja, são estimulantes em comparação com aquelas com comprimento de onda mais curto, como a verde e a azul, as quais evocam uma sensação de calma e serenidade. No entanto, a maneira como as pessoas percebem as cores difere umas das outras devido a vários fatores, como diferenças culturais, localização geográfica e idade.

Pantone Shades of Green. Image © Pantone
Pantone Shades of Green. Image © Pantone

Então, de que maneira estamos acostumados a enxergar a cor verde?

“A cor verde pode ter uma conotação especial em relação à própria evolução humana, principalmente devido à sua correspondência com fenômenos naturais assim como climas mais amenos, maior disponibilidade de alimentos e portanto, maiores chances de sobrevivência. Seres humanos tendem a migrar e se estabelecer em regiões mais férteis e verdes e, portanto, em lugares mais verdes as pessoas tem uma maior propensão a experimentarem sensações positivas.” Akers, et al.

'T PARK / CUBE Architecten. Image © Yvonne Lukkenaar
'T PARK / CUBE Architecten. Image © Yvonne Lukkenaar

Instintivamente, o cérebro humano associa a cor verde à natureza e à vegetação e, em última instância, frescor, saúde e tranquilidade. O verde da natureza é atemporal, um símbolo vital de renovação e prosperidade. Muitos psicólogos afirmam que o verde é a cor da cura, razão pela qual é comumente utilizada em clínicas médicas e áreas de espera de hospitais. Até mesmo em estúdios de gravação, os convidados e entrevistados costumam esperar em uma “sala verde”, algo que aparentemente ajuda a aliviar o estresse. Além de suas qualidades calmantes, o verde é frequentemente associado às noções de “correto” e “livre”, como indicam praticamente todos os semáforos do planeta. O verde portanto, provoca um apelo à ação, induzindo as pessoas a seguir em frente, indicando finalmente que estamos “no caminho certo”, razão pela qual muitos espaços de estudo e reflexão são frequentemente pintados de verde, a cor da motivação, da criatividade e da imaginação.

SUMIYOSHIDO Kampo Lounge / id inc.. Image Courtesy of id inc.
SUMIYOSHIDO Kampo Lounge / id inc.. Image Courtesy of id inc.

O Verde no Design de Interiores

Quando se trata de design de interiores, arquitetos e arquitetas costumam incorporar o verde de várias maneiras. Além de tintas e revestimentos, o verde tem sido incorporado através da biofilia, uma estratégia fundamental na prática contemporânea do design de interiores, promovendo bem-estar físico e mental dos usuários.

Em termos de complementariedade, o verde é uma cor muito versátil e que vai bem com muitas outras, principalmente cores neutras como o marrom e o cinza, frequentemente encontradas em espaços residenciais e comerciais. Embora o verde seja considerado uma cor fria, sua ampla gama de tons e matizes permite aproximá-la de tons quentes como o amarelo e o laranja. Além disso, como sabemos, o vermelho e verde são cores opostas no círculo cromático e portanto, cores naturalmente complementares.

Dada a ocasião, aproveite agora para reparar em como os arquitetos e arquitetas costumam empregar a versatilidade do verde em seus edifícios e espaços.

I AM Recycled / PKMN Architectures. Image Courtesy of PKMN Architectures
I AM Recycled / PKMN Architectures. Image Courtesy of PKMN Architectures
Aura Spa at the Park Hotel / Khosla Associates. Image © Bharath Ramamrutham
Aura Spa at the Park Hotel / Khosla Associates. Image © Bharath Ramamrutham
Ottoman | Footstool Outdoor Complete Item by Ligne Roset on Architonic. Image Courtesy of Ligne Roset
Ottoman | Footstool Outdoor Complete Item by Ligne Roset on Architonic. Image Courtesy of Ligne Roset
Green 26 / Anonym. Image © Chaovarith Poonphol
Green 26 / Anonym. Image © Chaovarith Poonphol
OLX Offices / Pedra Silva Arquitectos. Image © do mal o menos
OLX Offices / Pedra Silva Arquitectos. Image © do mal o menos
Cultural Activity of Beijing Guang'anmennei Community / MAT Office. Image © Kangshuo Tang
Cultural Activity of Beijing Guang'anmennei Community / MAT Office. Image © Kangshuo Tang
Children's Playspace / Architensions. Image © Cameron Blaylock
Children's Playspace / Architensions. Image © Cameron Blaylock
Bloomberg Installation / Jump Studios. Image Courtesy of Jump Studios
Bloomberg Installation / Jump Studios. Image Courtesy of Jump Studios
Bar Botanique Cafe Tropique / Studio Modijefsky. Image © Maarten Willemstein
Bar Botanique Cafe Tropique / Studio Modijefsky. Image © Maarten Willemstein
Axel 74P/SB by Crassevig on Architonic.com. Image Courtesy of Crassevig
Axel 74P/SB by Crassevig on Architonic.com. Image Courtesy of Crassevig
Terra.Art | Mix O/C 20 by Marca Corona on Architonic. Image Courtesy of Marca Corona
Terra.Art | Mix O/C 20 by Marca Corona on Architonic. Image Courtesy of Marca Corona
RL House / Diego Lopez Fuster. Image © Pablo Pacheco
RL House / Diego Lopez Fuster. Image © Pablo Pacheco
House Carrer Migdia / Sau Taller d'Arquitectura. Image © Andres Flajszer
House Carrer Migdia / Sau Taller d'Arquitectura. Image © Andres Flajszer
Midi Colors Table by Sistema Midi on Architonic.com. Image Courtesy of Sistema Midi
Midi Colors Table by Sistema Midi on Architonic.com. Image Courtesy of Sistema Midi

Este artigo é parte do Tópico do ArchDaily: Arquitetura e Meio Ambiente. Mensalmente, exploramos um tema específico através de artigos, entrevistas, notícias e projetos. Saiba mais sobre os tópicos mensais. Como sempre, o ArchDaily está aberto a contribuições de nossos leitores; se você quiser enviar um artigo ou projeto, entre em contato.

Referências

Galeria de Imagens

Ver tudoMostrar menos
Sobre este autor
Cita: Stouhi, Dima. "Cor além da estética: a psicologia do verde na arquitetura" [Color Beyond Aesthetics: The Psychology of Green in Interior Spaces] 28 Fev 2021. ArchDaily Brasil. (Trad. Libardoni, Vinicius) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/957355/cor-alem-da-estetica-a-psicologia-do-verde-na-arquitetura> ISSN 0719-8906

¡Você seguiu sua primeira conta!

Você sabia?

Agora você receberá atualizações das contas que você segue! Siga seus autores, escritórios, usuários favoritos e personalize seu stream.