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Arch Daily Topic 2021 Arquitetura E Meio Ambiente: O mais recente de arquitetura e notícia

Há algo mais natural que a própria natureza? O argumento das casas “verdes”

Muitas vezes eu mesmo não fui capaz de decifrar se um edifício em meio ao bosque poderia ser considerado “sustentável”. Ao longo do caminho, fui obrigado a convencer amigos e familiares de que este ou aquele edifício poderia ser completamente a antítese do próprio termo.

O greenwashing transformou-se em uma importante ferramenta de marketing na arquitetura contemporânea. O conceito de sustentabilidade na arquitetura foi banalizado a tal ponto que já não significa absolutamente nada de concreto. Neste contexto, é praticamente impossível diferenciar um projeto que contribui de fato para minimizar o impacto ambiental e para construir ambientes mais saudáveis daqueles que simplesmente pretendem estar fazendo algo similar. Quando observamos projetos residenciais sob esta lente, esta questão se torna ainda mais nebulosa.

Pensando nisso, decidimos perguntar aos nossos leitores: O que faz com que uma casa seja considerada "verde"? Seria apenas saber de onde vem e quem comercializa os materiais utilizados para construí-la? Seria o fato de produzir toda a energia necessária para a sua manutenção a partir de fontes renováveis?

Principais tendências mundiais no paisagismo de interiores

Já não há dúvidas sobre os muitos benefícios que as plantas trazem para o espaço doméstico uma vez incorporadas a um projeto de “paisagismo de interiores” ou Plantscaping, como tal prática tem sido chamada. Integrar jardins e hortas em projetos residenciais atende a muitos propósitos, sejam eles práticos, estéticos ou psicológicos. Embora existam alguns requisitos básicos que devemos considerar ao incorporar plantas e jardins em nossos espaços interiores, as espécies de plantas assim como as soluções técnicas de projeto costumam variar enormemente de acordo com a sua localização. Ao explorarmos alguns dos principais projetos de interiores que incorporam plantas e jardins em seus espaços, identificamos uma série de padrões recorrentes, cada um refletindo características relevantes ao clima, ao estilo e às soluções construtivas específicas.

Enquanto as espécies de plantas escolhidas costumam variar de acordo com as condições climáticas do lugar, as principais diferenciações nos projetos avaliados estão relacionadas ao espaço em si e como os projetistas procuram aclimatá-las. Embora saibamos da importância do contanto direto com a natureza para a nossa saúde física e mental, plantas também são utilizadas em projetos residenciais com a finalidade de criar micro-climas ou para oferecer espaços onde as pessoas podem cultivar seus próprios alimentos. 

Touches of Green. Image © Pol ViladomsVertical Greenery. Image © Minq BuiVertical Greenery. Image © Hoang LeInterior Green Courtyard. Image © Mariela Apollonio+ 33

Do passado ao futuro: a urgência do "verde" na Arquitetura

A crise climática revelou o mau planejamento de nossas cidades e dos espaços que habitamos. Tanto a construção quanto seus projetos contribuem para altas emissões de gás carbônico. Felizmente, há várias formas de intervir para trazer mudanças neste cenário, seja através dos materiais e técnicas adotadas em cada iniciativa ou mesmo através do impacto geográfico e social. Neste cenário, a única certeza é que para pensar o futuro não podemos ignorar o "verde" em todos os seus recentes significados: natureza, sustentabilidade, ecologia. 

Arquitetura bioclimática na América Latina: estratégias passivas para economizar energia

Escuela en Chuquibambilla / Marta Maccaglia + Paulo Afonso + Bosch Arquitectos (2013 - Chuquibambilla, Perú). Image La casa de Meche: Taller de buenas prácticas constructivas / ENSUSITIO Arquitectura (2019 - Pedro Carbo, Ecuador). Image Edificio Block Social Nestlé / GH+A | Guillermo Hevia (2009 - Graneros, Chile). Image Casa Ñasaindy / ArquitecTava (2019 - Obligado, Paraguay). Image + 42

“Antes da era dos combustíveis fósseis baratos, durante a qual se popularizaram as tecnologias modernas de calefação e condicionamento de ar, a arquitetura tradicional, era por assim dizer, mais sensível às condições climáticas específicas. Depois da recente crise energética, o interesse pelas estratégias passivas na arquitetura parece estar ressurgindo com força total.” [1]

Resumidamente, poderíamos dizer que a arquitetura bioclimática é aquela que incorpora, desde as primeiras fases de projeto, estratégias e recursos passivos, ou seja, aqueles que permitem aproveitarmos as condiciones favoráveis específicas do clima e local, oferecendo, simultaneamente, proteção contra as possíveis condições extremas. Desta forma, esta arquitetura não só permite a criação de melhores condições de conforto interior, mas também permite minimizar o consumo energético do edifício como um todo, diferenciando-a das abordagens mais convencionais, onde delega-se o controle das condições de conforto à sistemas mecânicos de condicionamento de ar, de aquecimento e e arrefecimento. A arquitetura bioclimática, então, está baseada em uma busca contínua por otimizar recursos, principalmente através de suas formas e volumes, orientações de fachadas e aberturas, materiais naturais e locais, uso do espaço, e outras tantas variáveis.

As diversas escalas de "verde" no urbanismo chinês

O confinamento forçado, resultado da política de isolamento da pandemia global de COVID-19, fez com que todos passassem um bom tempo olhando pela janela. Às vezes, quando estamos exaustos com o trabalho e a vida cotidiana, desejamos apenas uma fuga rápida para oceanos e florestas, em algum lugar perto da natureza.

Cor além da estética: a psicologia do verde na arquitetura

Quantas vezes você mudou as coisas de lugar dentro de casa no ano passado? Quer fosse uma mudança temporária ou definitiva, uma parede repintada, uma luminária nova ou aquele quadro que estava esperando para ser pendurado a séculos. No momento em que muitos de nós fomos forçados (ou convidados) a retroceder para dentro do espaço doméstico, passando a trabalhar desde casa, ficou cada vez mais difícil evitar aquelas pequenas mudanças que a tanto tempo se faziam necessárias. Não foi apenas a drástica mudança em nossas rotinas que nos causaram problemas, na verdade, o espaço no qual vivemos e trabalhamos desempenha um importante papel em como nos sentimos ou nos relacionamos uns com os outros. Portanto, para aqueles que se perguntaram por que algumas pessoas pareciam muito mais tranquilas e serenas durante o início da pandemia, pode ser porque a grama do seu jardim era mais verde que a nossa.

Green 26 / Anonym. Image © Chaovarith PoonpholCultural Activity of Beijing Guang'anmennei Community / MAT Office. Image © Kangshuo TangOttoman | Footstool Outdoor Complete Item by Ligne Roset on Architonic. Image Courtesy of Ligne RosetArtwork | Deco_01 by FLORIM on Architonic. Image Courtesy of FLORIM+ 26

5 Diretrizes para uma cidade autossuficiente e circular

O mundo está em constante mudança e nossas cidades estão em constante evolução para se adaptar a ele. À medida que nos encontramos imersos em desafios, os especialistas se veem reexaminando as abordagens que a humanidade fez até agora, a fim de estabelecer novas ideias para um amanhã melhor.

"As cidades estão no centro do problema e, portanto, também no centro da solução." O Space 10, um laboratório de pesquisa e design focado nas pessoas e no planeta, acaba de lançar sua última publicação, The Ideal City, em colaboração com a gestalten. Reunindo conhecimentos de todo o mundo, o livro repensa as cidades, investigando como criar espaços que apoiem o bem-estar dos moradores e contribuam para um mundo melhor. Coletando projetos e opiniões de especialistas, ele destaca 5 pilares principais que ajudam a moldar o futuro das cidades.

 EVA Studio – Foto por Gianluca Stefani . Imagem Cortesia de Space 10- The Ideal CityAtelier Masomi — Foto por Maurice Ascani. Imagem Cortesia de Space 10- The Ideal CityBETA — Foto por Ossip Van Duivenbode . Imagem Cortesia de Space 10- The Ideal CityFoto por Iwan Baan. Imagem Cortesia de Space 10- The Ideal City+ 12

O que faz com que uma casa seja considerada "verde"?

Muitas vezes não consegui decifrar se uma construção cheia de árvores se encaixa bem na categoria de arquitetura sustentável. Da mesma forma, já tive que argumentar com amigos ou familiares, ou seja, pessoas que não estão familiarizadas com a ideia de infraestrutura verde, que essas edificações podem estar muito longe de serem realmente sustentáveis. 

Atualmente, o marketing feito em cima da ideia de arquitetura sustentável está, em grande medida, ligado ao greenwashing. Não há mais uma lacuna clara entre o que pode ou não contribuir para a criação de ambientes mais saudáveis. Quando trazemos essa inquietação para a tipologia residencial, isto é, o tipo de arquitetura mais produzido no planeta, a questão se torna realmente preocupante. Então nos perguntamos: o que torna uma casa "verde"?

Como cidades mais verdes podem ajudar a criar um futuro equitativo?

Compreender os motivos que engendram desigualdades econômicas e sociais em nossa sociedade é um dos tópicos mais controversos e amplamente debatidos no campo do urbanismo. É evidente que esta é uma questão complexa, onde muitos fatores devem ser considerados—sendo um deles a localização e acessibilidade às áreas verdes em uma cidade. Embora parques urbanos sirvam como espaços de convívio e lazer, construindo comunidades, seus benefícios para a saúde pública nem sempre compensam. Em muitos casos, a instalação de áreas verdes se dá às custas de um amplo processo de gentrificação e expulsão das comunidades mais pobres. Neste contexto, nos cabe pensar em soluções que nos permitam construir cidades melhores, mais verdes e principalmente, mais inclusivas e portanto, menos desiguais.

8 Exemplos de arquiteturas que utilizam energia eólica

A energia eólica é um tipo de energia renovável obtida a partir do vento, ou seja, deriva do movimento de massas de ar que se deslocam de áreas de alta pressão atmosférica para áreas próximas de baixa pressão, com velocidades proporcionais a essa diferença. Para aproveitar a energia eólica, são utilizadas máquinas chamadas aerogeradores ou turbinas, acionadas pelo movimento do vento que permite a rotação da hélice. Esta é conectada a um rotor gerador que aumenta a velocidade de rotação para milhares de revoluções por minuto, convertendo energia cinética em energia elétrica.

"Êxito é a apropriação e uso do espaço construído": entrevista com Noelia Monteiro

Falar é mais fácil que fazer, e quando nos referimos à prática da arquitetura – uma atividade fortemente condicionada por inúmeros fatores que lhe são, digamos, externos – essa afirmação toma ainda mais corpo. Não é qualquer profissional que se dispõe a contribuir com a solução de problemas de comunidades distantes, relativamente isoladas, e em condições de vulnerabilidade social e ambiental; este é, porém, precisamente o foco de atuação de Noelia Monteiro, arquiteta argentina que trabalha no Brasil e, junto de Christian Teshirogi, fundou em 2015 o Estúdio Flume.

Desenvolvendo projetos na companhia de equipes multidisciplinares que envolvem profissionais da arquitetura, engenharias, ciências sociais, geologia e antropologia, a abordagem da arquiteta não é, por isso, menos pessoal. Exige, na realidade, certa dose de envolvimento com as comunidades, aproximando as pessoas do processo de projeto desde os primeiros momentos até a conclusão. O resultado desta prática vem sendo reconhecido com importantes prêmios nacionais e, mais recentemente, o ArchDaily selecionou Noelia para sua lista de melhores jovens escritórios e práticas de 2020.

Reforma e Ampliação da Casa de Farinha de Babaçu. Serra - MA, Fevereiro de 2020. Foto Noelia MonteiroPrototipo para agrofloresta. Atibaia - SP, Junho de 2019. Foto German NievaCasa do Mel. Cananã dos Carajás - PA, Março de 2018. Foto de Christian TeshirogiReforma e ampliação da Sede Castanhas de Caju. Nova Vida - MA, Maio de 2018. Foto de Noelia Monteiro+ 16

Reciclagem de bitucas de cigarro como matéria prima para tijolos leves

Alunos da Escola de Engenharia da Universidade RMIT publicaram recentemente um estudo experimentando uma nova forma de gerenciamento de resíduos e reciclagem. Como eles observaram em sua pesquisa, bitucas de cigarro são o item de lixo individual mais comumente descartado no mundo, com cerca de 5,7 trilhões tendo sido consumidos em todo o mundo em 2016. No entanto, os materiais das pontas de cigarro - particularmente seus filtros de acetato de celulose - podem ser extremamente prejudiciais ao meio ambiente devido à baixa biodegradabilidade. O estudo RMIT baseia-se em uma pesquisa anterior de Mohajerani et. al (2016) que experimentou adicionar pontas de cigarro descartadas a tijolos de argila para uso arquitetônico. Em sua pesquisa, os alunos da RMIT descobriram que tal medida reduziria o consumo de energia do processo de produção de tijolos e diminuiria a condutividade térmica dos mesmos, mas que outras questões, incluindo contaminação bacteriana, teriam que ser abordadas antes de uma implementação bem-sucedida. A seguir, exploramos essa pesquisa com mais detalhes, investigando sua relevância para a indústria da arquitetura e imaginando possíveis futuros de aplicação.

Verticalização verde: impactos no nível do solo e na paisagem urbana

Com o adensamento das cidades e redução da disponibilidade de solo, o fenômeno da verticalização tem se intensificado nas cidades de todo o mundo. Assim como a verticalização de edifícios — que costuma dividir opiniões de arquitetos e urbanistas — muitas iniciativas têm buscado na dimensão vertical uma possibilidade para promover a presença do verde nos centros urbanos. Jardins, fazendas ou florestas verticais, hortas em coberturas e estruturas suspensas para agricultura urbana são algumas das possibilidades de verticalização do cultivo de espécies vegetais, cada uma com suas especificidades e impactos específicos para as cidades e seus habitantes.

Mas seria a verticalização a solução ideal para tornar as cidades mais verdes? E quais são os impactos dessa ação nos centros urbanos? Ou ainda, quais os benefícios da vegetação que são perdidos ao adotar soluções em altura, ao invés de promover seu cultivo diretamente no solo?

Cortesia de IlimelgoOne Central Park / Ateliers Jean Nouvel. Imagem cortesia de Frasers Property Australia and Sekisui House Australia. Image © Murray FredericksJapão inaugura hortas urbanas em estações de trem. Courtesy of popupcity.net Edifício Bosco Verticale / Boeri Studio. Imagem: © Paolo Rosselli+ 7

Casa é construída com impressão 3D e argila na Itália

O aumento exponencial da população versus a falta de acomodações acessíveis é um problema que afeta áreas urbanas de todo o mundo. Para auxiliar nesta questão, a empresa italiana Mario Cucinella Architects propõe um novo modelo de habitação circular. Trata-se de uma casa impressa em 3D com materiais orgânicos.

O protótipo usa recursos encontrados regionalmente, como é o caso da argila de origem local – sendo a primeira casa impressa do tipo. Isso reduz as emissões de transporte de materiais e também garante que o edifício seja zero desperdício.

Cortesia de WASPCortesia de WASPCortesia de WASPCortesia de WASP+ 10