Chilean Atacama Desert. Image by European Southern Observatory with known IDsCC-BY-4.0European Southern Observatory Images ESO files uploaded by OptimusPrimeBot licensed under the Creative Commons Attribution 4.0 International license
A arquitetura já não pode ser pensada como um objeto isolado, alheia às redes técnicas que sustentam a vida contemporânea, — um cenário que exige diferentes leituras e abordagens. É nesse contexto que em março, o tema mensal do ArchDaily recaiu sobre A Tecnosfera: Arquitetura na Intersecção da Tecnologia, Ecologia e Sistemas Planetários, tópico amplo e inevitavelmente complexo. A partir do conceito de tecnosfera, cunhado pelo geólogo Peter Haff para descrever o conjunto de artefatos produzidos pela humanidade, delineia-se um panorama em que a vida contemporânea se mostra profundamente entrelaçada a máquinas, dados e redes de energia.
Trinta trilhões de toneladas. Esta é a massa estimada de toda a matéria criada pelo ser humano na Terra, e também o ponto de partida da 7ª edição da Trienal de Arquitetura de Lisboa. Curada por Ann-Sofi Rönnskog e John Palmesino, fundadores da Territorial Agency, a edição propõe uma pergunta aparentemente simples: Quão pesada é uma cidade? Para respondê-la, não basta reunir dados. É necessário um deslocamento de percepção: passar da escala da cidade para a dimensão planetária da tecnosfera.
A tecnosfera, um termo emprestado das ciências da Terra, define o vasto sistema de infraestruturas, tecnologias e materiais que sustentam a vida humana enquanto transformam o planeta. Sob essa perspectiva, as cidades não são apenas territórios, mas nós densos dentro desse metabolismo planetário. De outubro a dezembro de 2025, Lisboa se torna uma lente para examinar essa magnitude, hospedando três exposições principais (Fluxes, Spectres, Lighter), um livro de ensaios, um programa de palestras e mais de vinte projetos independentes espalhados pela cidade.
O Encontro Latino-americano e Europeu sobre Edificações e Comunidades Sustentáveis - EuroELECS é um evento científico inovador que promove a discussão sobre sustentabilidade no ambiente construído, conectando Brasil, América Latina e Europa. O objetivo é integrar academia e sociedade, teoria e prática, estimulando um diálogo interdisciplinar e internacional.
O evento busca conscientizar sobre a urgência de conciliar desenvolvimento e preservação ambiental, gerando impactos sociais positivos. A proposta inclui a difusão de conhecimentos sobre produtos e processos inovadores, aplicáveis tanto em edifícios de alta tecnologia quanto em habitações populares.
Além disso, valoriza soluções que garantam bem-estar, saúde urbana e inclusão social,
Fachadas Solares no Hospital Bornholm. Imagem cortesia de SolarLab
A degradação ambiental tem enfatizado a necessidade de novas fontes de energia e uma mudança nas fontes exige meios inovadores de armazenamento dessa energia. Por séculos, os edifícios têm demonstrado sua capacidade de armazenar pessoas, objetos e sistemas, entretanto, ultimamente, o seu potencial inexplorado para armazenar grandes quantidades de energia de forma eficiente tem sido discutido. Nessa nova era, os edifícios podem ir além de estruturas funcionais para se tornarem depósitos potenciais de energia?
O mundo acaba de vivenciar os meses mais quentes já registrados, e as perspectivas não são otimistas. O aumento das temperaturas está provocando uma demanda crescente por sistemas de refrigeração, colocando em risco a possibilidade de desencadear um ciclo vicioso de aumento no consumo de eletricidade e emissões de carbono. Em um cenário onde o planeta enfrenta uma crise climática e um rítimo de urbanização sem precedentes, a interseção entre a eficiência energética dos edifícios e as tecnologias de refrigeração nunca foi tão crucial.
Quando capitais como Paris e Berlim decidiram apagar a iluminação de edifícios públicos e monumentos para economizar energia no contexto da invasão russa da Ucrânia, em julho de 2022, cidades de toda Europa central passaram a seguir esse modelo. Imagens desses marcos icônicos na escuridão inundaram a mídia e permitiram aos políticos uma atitude ambientalista, mesmo que momentânea. No entanto, projetistas e designers começaram a questionar a sustentabilidade dessa iniciativa. De uma perspectiva mais ampla, parece que essa suposta ação radical fez parte de uma campanha bastante midiática e com pouco efeito nas cidades. Serão necessários mais passos para que isso gere um grande impacto na economia de energia.
O escritório CRA-Carlo Ratti Associati, em parceria com o arquiteto Italo Rota e o urbanista Richard Burdett, apresentou o masterplan da candidatura de Roma para sediar a Exposição Universal de 2030. O projeto propõe um esforço conjunto de todos os países participantes para criar uma fazenda solar que poderia abastecer o evento e ajudar a descarbonizar os bairros vizinhos.
A Expo está prevista para acontecer em Tor Vergata, uma vasta área em Roma que abriga a universidade de mesmo nome e um bairro residencial densamente habitado. Todos os pavilhões são projetados para serem totalmente reutilizáveis, já que a área proposta será transformada em um distrito de inovação após o evento, na esperança de requalificar o bairro. O plano diretor foi desenvolvido em conjunto com vários parceiros, incluindo a ARUP para sustentabilidade e infraestrutura, a LAND para paisagismo e a Systematica para estratégia de mobilidade.
Foi por pouco, mas o primeiro turno das eleições para Presidente da República infelizmente não bastou para definir quem será o próximo líder político do país e os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, e Jair Bolsonaro, do Partido Liberal, receberão mais uma vez o voto popular no próximo dia 30 de outubro.
O próximo Presidente terá, entre muitas outras, a tarefa de oferecer aporte federal ao desenvolvimento das cidades brasileiras — local onde vivem cerca de 87% da população do país. Visando contribuir com o debate e, se a tarefa couber ao ArchDaily, ajudar os indecisos a se resolverem, reunimos a seguir as propostas de ambos os presidenciáveis para o futuro das cidades, de acordo com seus respectivos planos de governo, considerando temas como habitação, infraestrutura, transporte, cultura, sustentabilidade, meio ambiente e energia.
https://www.archdaily.com.br/br/990343/o-que-lula-e-bolsonaro-dizem-sobre-cidades-habitacao-e-meio-ambienteArchDaily Team
A Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado aprovou, na última quarta-feira, 17 de agosto, o projeto do marco regulatório para a exploração de energia — seja eólica, solar ou das marés — em alto-mar, lagoas e espelhos d’água no Brasil. O PL 576/2021 regulamenta a autorização para aproveitamento do potencial energético offshore. Do senador Jean Paul Prates (PT-RN), o projeto foi aprovado em caráter terminativo e, por isso, deve seguir para análise da Câmara dos Deputados.
Em 2021, o Brasil tornou-se o quinto maior produtor de energia solar, saltando da 9ª posição que ocupou em 2020. O país terminou o ano com cerca de 13 GW: as novas adições (5,5 GW) foram puxadas principalmente pela geração distribuída (4GW), quando os painéis fotovoltaicos são instalados no local em que a energia será consumida. O setor residencial foi responsável pela maior parte das contratações (77,4%).
Complexo solar fotovoltaico de Pereira Barreto, no estado de São Paulo. Imagem cortesia de EDP Renováveis
O Brasil acaba de ultrapassar a marca histórica de 14 gigawatts (GW) de potência operacional da fonte solar fotovoltaica, somando as usinas de grande porte e os sistemas de geração própria de energia elétrica em telhados, fachadas e pequenos terrenos. Como resultado, a fonte solar supera a potência instalada da usina hidrelétrica de Itaipu, segundo mapeamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR).
Com prédios envidraçados de todos os lados e salas brilhantemente iluminadas de maneira monótona, não é supresa que queiramos espaços internos e externos que sejam menos claros. Refúgios de sombra no sol escaldante, salas escurecidas e contrastes são bem recebidos pelos olhos como um oásis. O alto consumo de energia e o aumento da poluição por iluminação no mundo todo mostram o quão sério o problema do excesso de luz é, e sua contribuição alarmante para as mudanças climáticas. Para um futuro melhor, é imperativo explorar maneiras de projetar e focar no potencial da escuridão.
Centre for Sustainable Energy Technologies / Mario Cucinella Architects. Image Cortesia de Mario Cucinella Architects
Diferentemente do ar, a temperatura no subsolo varia muito pouco durante o ano ou segundo a posição geográfica. Alguns metros abaixo da superfície a temperatura do solo fica entre cerca de 10 a 21° C (50 a 70 °F) conforme a região. Cavando mais, a temperatura aumenta entre 20 a 40 graus centígrados por km, chegando ao núcleo da Terra, que se aproxima dos 5000 °C. De fato, considerar que habitamos uma esfera orbitando pelo espaço com o centro incandescente pode trazer aflição a alguns. No entanto, utilizar essa energia de formação da Terra para gerar eletricidade é uma forma sustentável e eficiente já usual em alguns países. Outra possibilidade é aproveitar a temperatura amena de alguns metros sob o solo para climatizar as edificações, seja nos climas quentes ou frios.
Uma empresa dinamarquesa, chamada KiteX, desenvolveu uma turbina eólica para quem busca uma vida “fora do sistema”. Desmontável e portátil, a turbina pode ser levada no carro para gerar energia mesmo em locais remotos.
A turbina, fabricada com hastes de fibra de vidro, pesa apenas 10 kg e é facilmente transportável. Quando precisar, basta desempacotar, montar, ancorar no solo (com um conjunto de correias de tensão de náilon de alta resistência) e começar a captar a energia do vento. A empresa estima que 15 minutos são suficientes para uma pessoa configurar todas as peças.
Com a quantidade de informações e tecnologias que dispomos atualmente, seja de pesquisas acadêmicas ou dos próprios fabricantes dos produtos de construção, sobra muito pouco espaço para empirismos e experimentações ao projetarmos nas escalas mais diversas. Ainda mais quando equívocos na especificação de projetos representam enormes custos e dores de cabeça. Isso quer dizer que muito antes da construção e a ocupação do edifício, é possível entender claramente como o edifício funcionará termicamente, qual sua capacidade de geração de energia fotovoltaica e mesmo quanto de energia será necessário para resfriá-lo e/ou aquecê-lo. Há softwares, ferramentas e aplicativos que permitem quantificar todas essas decisões de projeto, para evitar erros, deseconomias, geração de resíduos e garantir a eficiência de todos os materiais aplicados.
A energia eólica é um tipo de energia renovável obtida a partir do vento, ou seja, deriva do movimento de massas de ar que se deslocam de áreas de alta pressão atmosférica para áreas próximas de baixa pressão, com velocidades proporcionais a essa diferença. Para aproveitar a energia eólica, são utilizadas máquinas chamadas aerogeradores ou turbinas, acionadas pelo movimento do vento que permite a rotação da hélice. Esta é conectada a um rotor gerador que aumenta a velocidade de rotação para milhares de revoluções por minuto, convertendo energia cinética em energia elétrica.
Em 15 anos carros à gasolina serão eliminados no Japão. Foto de Jezael Elgoza, via Unsplash
Os carros com motor à gasolina estão com os dias contados no Japão. Na verdade são anos: em 15 anos o país vai eliminar veículos que usam a gasolina como combustível. O anúncio foi feito pelo governo japonês no final de 2020 e a medida é parte da meta de zerar essas emissões de carbono até 2050.
A estratégia de desenvolvimento verde inclui ainda a geração de US$ 2 trilhões por ano com adoção de novas fontes de energia, como o hidrogênio, e crescimento de indústrias mais sustentáveis.
A Usina Hidrelétrica Belo Monte, quarta maior hidrelétrica do mundo e 100% brasileira foi inaugurada em novembro de 2019 na bacia do Rio Xingu, no norte do Pará. O projeto da obra, operado pelo Consórcio Norte Energia S.A. estava inserido no PAC (Plano de Aceleração de Crescimento) – programa do governo federal estabelecido em 2007 que visa à implementação de grandes obras de infraestrutura a fim de alavancar o desenvolvimento nacional analogamente a planos anteriores existentes.
https://www.archdaily.com.br/br/941563/usina-hidreletrica-de-belo-monte-a-desterritorializacao-dos-ribeirinhos-do-rio-xinguBruna Ribeiro Alves e Maytê Tosta Coelho