
Após anos de reinado, as linhas ortogonais e os ângulos retos nos projetos de interiores estão cedendo lugar aos desenhos orgânicos e formas arredondadas. Com essa significativa mudança na linguagem formal, percebe-se cada vez mais a invasão de curvas delicadas e volumes amorfos nas peças de design, mobiliários e elementos decorativos. Há quem diga que essa situação pode estar indiretamente associada ao aumento no interesse pela sustentabilidade e na busca por estratégias que aproximem o homem da natureza, como o próprio conceito de biofilia, constantemente presente em projetos de diferentes escalas. Uma condição reforçada ainda pelo período de isolamento social na pandemia de Covid-19, o qual incitou as pessoas a criarem maneiras pelas quais a natureza pudesse estar presente dentro das casas, aumentando o bem-estar no cotidiano.
Nesse sentido, as formas orgânicas remetem a elementos naturais como plantas e rios, como um organismo vivo que traz a ideia de flexibilidade e movimento. Além disso, esses formatos rementem ao aconchego, ao acolhimento e ao relaxamento, instigando a sensação de tranquilidade nos espaços. Os projetos que trazem essa linguagem destacam-se por peças que acautelam a fluidez dos movimentos naturais, curvilíneos e ergonômicos trazendo vantagens como melhoria na circulação dos espaços e até segurança à medida que são evitadas extremidades em ângulos proeminentes e agudos. Vale ressaltar também que as formas curvas têm sido associadas à outras características que reforçam esse conceito de retorno à natureza como a sua inserção em espaços que possuem um diálogo aberto com a paisagem e vegetação exteriores e o uso de materiais sustentáveis de origem natural, próprios do local da construção, com pouco ou nenhum polimento, como pedra, madeira, barro e cerâmica.


























