Trinta trilhões de toneladas. Esta é a massa estimada de toda a matéria criada pelo ser humano na Terra, e também o ponto de partida da 7ª edição da Trienal de Arquitetura de Lisboa. Curada por Ann-Sofi Rönnskog e John Palmesino, fundadores da Territorial Agency, a edição propõe uma pergunta aparentemente simples: Quão pesada é uma cidade? Para respondê-la, não basta reunir dados. É necessário um deslocamento de percepção: passar da escala da cidade para a dimensão planetária da tecnosfera.
A tecnosfera, um termo emprestado das ciências da Terra, define o vasto sistema de infraestruturas, tecnologias e materiais que sustentam a vida humana enquanto transformam o planeta. Sob essa perspectiva, as cidades não são apenas territórios, mas nós densos dentro desse metabolismo planetário. De outubro a dezembro de 2025, Lisboa se torna uma lente para examinar essa magnitude, hospedando três exposições principais (Fluxes, Spectres, Lighter), um livro de ensaios, um programa de palestras e mais de vinte projetos independentes espalhados pela cidade.
A Trienal de Arquitetura de Lisboa anunciou Yasmeen Lari como vencedora do Prêmio Carreira Millennium bcp 2025. Com uma trajetória que ultrapassa seis décadas, a arquiteta paquistanesa tem demonstrado, ao longo de sua carreira, como a arquitetura pode ser uma ferramenta para a justiça social, a resiliência ambiental e o desenvolvimento inclusivo.
TEN. Image by Maxime Delvaux and Adrien de Hemptinne
A Trienal de Arquitetura de Lisboa revelou os cinco finalistas do Prêmio Début Millennium bcp 2025, que celebra práticas emergentes que estão redefinindo o papel da arquitetura em diferentes geografias e realidades. Distribuídos por três continentes, os escritórios finalistas apresentarão seus trabalhos durante os dias de abertura da Trienal (2 a 4 de outubro de 2025), em um evento público no qual será anunciado o vencedor.
Terra. Termo usado para definir o planeta no qual vivemos, o solo no qual pisamos, matéria-prima para as mais distintas obras. Dela deriva a palavra território, que para além do significado simbólico em sentidos de configuração de cultura, de visões de mundo, é também a base de qualquer assentamento e da própria natureza. A potência de todos os significados que essa palavra carrega é tomada como título da 6ª Trienal de Arquitectura de Lisboa, que explora temas sobre a relação humana com seu contexto e os processos de revolução que envolvem as mais distintas escalas da arquitetura.
Após dois anos de ciclos interrompidos devido à pandemia, 2022 vem testemunhando um ressurgimento dos eventos de arquitetura: bienais, trienais, semanas de design e festivais estão de volta à cena, com reflexões ainda maiores e abordagens temáticas mais amplas, alinhadas aos desafios do mundo.
Relevantes hoje mais do que nunca, esses acontecimentos espalhados pelo mundo abordam questões relacionadas ao clima, problemas urbanos, bem como preocupações fomentadas pela covid-19, como resiliência, modos de vida, futuro da arquitetura e o desconhecido.
O recente encerramento da Bienal de Arquitetura de Veneza deixou muitos arquitetos e arquitetas refletindo sobre os possíveis caminhos e desdobramentos da arquitetura para os próximos anos, e mais do que isso, sobre o que é que está para acontecer no ano que vem. Acontece que a pandemia representou uma importante ruptura no calendário dos principais eventos de arquitetura do planeta, pois a maioria dos eventos de 2020 e até mesmo alguns de 2021 tiveram de ser adiados por razões já bastante óbvias. Ainda assim—e como em todo processo de retomada—, a expectativa é que no próximo ano teremos um calendário recheado de muitas novidades. Pensando nisso, listamos à seguir alguns dos principais eventos de arquitetura que estão planejados para acontecer ao longo do próximo ano.
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Ferme du Bec Hellouin. Image Cortesia de Trienal de Arquitectura de Lisboa
A Trienal de Arquitetura de Lisboa divulgou em seu canal no Vimeo a série de debates Talk, Talk, Talk realizada no âmbito de sua edição de sua 5ª edição, que teve curadoria geral de Éric Lapierre. Dividida em cinco grandes exposições, a Trienal abordou em uma delas a relação entre agricultura e arquitetura, tema destes debates aqui mostrados.
https://www.archdaily.com.br/br/936315/assista-a-esta-serie-de-debates-sobre-agricultura-e-arquitetura-publicada-pela-trienal-de-lisboaEquipe ArchDaily Brasil
A Trienal de Arquitectura de Lisboa divulgou os curadores de sua 6ª edição, que ocorrerá no ano de 2022. Os nomes escolhidos foram Cristina Veríssimo e Diogo Burnay, pela grande experiência profissional nas diversas vertentes da disciplina, que inclui formação, atividade acadêmica e de projeto em Portugal e outros países. A dupla vai dedicar-se ao longo de três anos a preparar a Trienal 2022, que se inicia com um trabalho exploratório de pesquisa e a definição de uma equipe curatorial para o desenvolvimento programático, terminando com toda a sua implementação.
Eleita Capital Europeia da Cultura em 1994 e Capital Ibero-Americana da Cultura 2017, Lisboa tem sido destino de turistas de muitas partes do mundo nos últimos anos. Com uma programação cultural pujante, a cidade é sede de importantes acontecimentos relacionados à arte, à música, ao cinema, e, como não poderia faltar, à arquitetura. A Trienal de Arquitectura de Lisboa e o Open House - evento que organiza visitas guiadas gratuitas a edifícios marcantes de cidades ao redor do mundo - são alguns desses acontecimentos de relevância no campo arquitetônico, responsáveis por divulgar, debater e refletir questões ligadas à área.
Além de programações ligadas à arquitetura, Lisboa tem visto nos últimos anos o surgimento de novos equipamentos, como museus, centros culturais e teatros, além da requalificação de espaços públicos. A construção ou requalificação dessas estruturas, relacionadas direta ou indiretamente à movimentação cultural na cidade, podem ser controversas, levantando questões como a gentrificação e o aumento do turismo de massa - tema de um artigo publicado anteriormente no ArchDaily Brasil.
Owen Jones - Padrão Persa. Imagem Cortesia de Priya Khanchandani e Sam Jacob
Em 1856, Owen Jones lançava o livro The Grammar of Ornament [A gramática do ornamento] no qual apresentava uma compilação de linguagens visuais adotadas pelas mais distintas culturas - realizada a partir das explorações do autor em lugares como Grécia, Egito, Constantinopla e Índia. A obra reflete como os vitorianos examinaram a arte e o design internacionais colocando a Grã-Bretanha no centro do debate, a fim de estabelecer "princípios gerais" que promovessem um certo sistema de diferentes estilos através de suas próprias perspectivas. Na época, a publicação foi um grande sucesso editorial e influenciou desde William Morris (do movimento Arts and Crafts) até os arquitetos modernistas Louis Sullivan e Frank Lloyd Wright. No entanto, em 2019, Priya Khanchandani e Sam Jacob fazem uma releitura do trabalho de Jones e demonstram não apenas os aspectos colonizadores presentes em seu ponto de vista, assim como propõem uma reinvenção destes sistemas e padrões visuais de acordo com a contemporaneidade.
Boxing Boxes [Caixas de Boxe, em português] é um projeto realizado após dois anos de pesquisa arquitetônica feita por Carlos Ortega Arámburo e Daniel de León Languré que agrega o boxe, como uma ferramenta de autodisciplina e controle de violência, a uma estrutura que ativa o espaço cívico em áreas marginalizadas. Na edição deste ano da Trienal de Arquitectura de Lisboa, o arquiteto mexicano junto de uma equipe interdisciplinar local instalou o equipamento no bairro Portugal Novo, em Olaias, Lisboa.
O estúdio Orrizontale construiu a "Casa do Quarteirão", uma instalação de madeira permanente desenvolvida para o Walk & Talk 2016, um festival anual de artes nas ilhas dos Açores, que recupera o espaço físico da rua para "uso convivial e colaborativo".
A localização da casa do Largo de Santa Cruz do Castelo, no bairro do castelo, a Sudeste da antiga Alcáçova – morada de califas e reis – e a Norte do rio Tejo não deixa dúvidas da sua excecionalidade, apesar de pouco se sabem sobre a evolução morfológica e a história deste imóvel existente mesmo antes do terramoto de 1755.
https://www.archdaily.com.br/br/799946/ciclo-de-visitas-comentadas-aberto-para-obras-casa-no-bairro-do-casteloEquipe ArchDaily Brasil
TRIENAL CONVIDA ARQUITECTOS EMERGENTES PORTUGUESES A PARTICIPAR NO 2º OPEN CALL FOR IDEAS DA FUTURE ARCHITECTURE PLATFORMATÉ 9 JANEIRO 2017
https://www.archdaily.com.br/br/799939/trienal-de-lisboa-convida-arquitetos-emergentes-portugueses-a-participar-do-2o-open-call-for-ideas-da-future-architecture-platformEquipe ArchDaily Brasil
Cortesia de Clube Recreativo Os Estrelas - Via Trienal de Arquitectura de Lisboa
Contágio é um seminário que pretende interrogar os diferentes modos pelos quais colectivos, movimentos sociais e organizações populares ganham forma. Contágio é um termo que descreve a propagação de uma influência ou doença. O termo migra no início do séc. XX para psicologia de grupo, adquirindo um pendor negativo em associação com os conceitos de massa e de multidão. É usado para explicar a propagação de comportamentos irracionais por influência e sugestão, em substituição de uma racionalidade predicada no indivíduo. Este seminário toma uma visão oposta: que colectivos, movimentos e multidões não são irracionais, que as demandas populares não carecem de fundamentação.
https://www.archdaily.com.br/br/799713/trienal-de-arquitectura-de-lisboa-seminario-contagioEquipe ArchDaily Brasil
Depois de “Duas Linhas” lançado em 2009, editado por Pedro Campos Costa e Nuno Louro, sobre a ocupação do território português e a sua paisagem, Pedro Campos Costa e Eduardo Costa Pinto avançam para "Sete Círculos" o livro sobre Lisboa que pretende questionar os limites da cidade contemporânea. A interrogação central é o que é o centro, onde está o limite entre o espaço rural e o espaço urbano? Mas a pretensão é a de ser mais que um livro. Será também um conjunto de exposições de fotografia e de vários debates no território nacional, e isso é o pretexto para criar o debate e contribuir para ele.
Filming Architecture - workshop de filmagem de arquitetura – fará uma edição na semana de encerramento da Trienal de Lisboa de Arquitectura. As atividades terão como produto um filme curta metragem produzido no Museu dos Coches em Lisboa, projetado por Paulo Mendes da Rocha e Ricardo Bak Gordon.
Construção do Templo Bahá'ís / Hariri Pontarini Architects. Cortesia de Comunidad Bahá´í
Na busca de uma palavra para definir o canteiro de obras, talvez nenhuma satisfaça tanto quanto “tensão”. Lugar e momento em que são colocados à prova aspectos do projeto, a obra literalmente tensiona a relação entre o pensar e o fazer arquitetônico, colocando em cheque certezas do projeto que, quando contrapostas a questões técnicas, econômicas e políticas, podem perder solidez e mesmo cair por terra.
Nesse sentido, e em função das escolhas e limitações das técnicas construtivas empregadas e disponíveis, o canteiro é um lugar e momento que exige uma comunicação eficiente entre projeto e obra; flexibilidade e ponderação se tornam palavras de ordem para o arquiteto e demais profissionais envolvidos na construção. É através da obra, também, que aquilo que antes habitava a mente de apenas alguns poucos envolvidos se torna concreto e passa, enfim, a fazer parte da coleção de imagens que compõe a paisagem urbana (ou rural).