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Teoria E História: O mais recente de arquitetura e notícia

Guadalupe Ibarra, a primeira arquiteta equatoriana

Nascida em 1947 na cidade de Quito, Guadalupe Ibarra se estabeleceu em Cuenca durante sua adolescência graças ao trabalho de seu pai no exército. Ali ela decidiu estudar arquitetura e se matriculou na Universidade de Cuenca em 1963. Estudante de alto rendimento, Ibarra obteve sua graduação em arquitetura em 1970, tornando-se a primeira equatoriana a se formar nesta profissão no país.

Filandia Pizzul, a primeira mulher arquiteta da Argentina

A primeira arquiteta a receber o título na República Argentina foi Filandia Pizzul, em 1928, pela Universidade de Buenos Aires, quando o curso já completava mais de 50 anos. A partir de 1874, a graduação em arquitetura funcionava independentemente do departamento de Ciências, onde os estudos eram ministrados desde 1865. Sua figura foi pioneira em vários campos, sendo também a primeira mulher a concluir os cursos do Departamento de Aeronáutica Civil em 1928, obtendo a licença de piloto nº 181.

Criando valor arquitetônico através da estética

Os seres humanos se esforçam muito para fazer o inexplicável ser entendido. A nossa espiritualidade torna-se religião. A justiça torna-se lei. E o que nos encanta torna-se a estética, e a estética se reduz ao “estilo” nas artes plásticas e na arquitetura. A descrição, depois a definição, da estética nos permite julgar e, com sorte, controlar o que nos emociona: "Os estilos podem mudar, os detalhes podem ir e vir, mas as amplas exigências do julgamento estético são permanentes". — Roger Scruton

Mas o prazer instantâneo que às vezes sentimos quando ouvimos, provamos, pensamos ou vemos partes de nossa experiência é irracional em sua apreensão. Tentamos criar valor em nossos resultados, definindo-os além da experiência — isso é estética.

A história da escada de Penrose e sua influência no design

Muitas vezes, as escadas representam um ponto de interesse de um projeto de arquitetura. A habilidade de criar algo que nos move de um nível para outro, para cima e para baixo, é algo tão simples e familiar ao mesmo tempo que com um pequeno ajuste pode tornar a experiência de subir ou descer em algo tão único. Nossa obsessão por escadas e o nível de ilusão que elas criam na arquitetura talvez decorra da maneira como elas são capazes de distorcer a ótica e a percepção do espaço. Entendemos que elas nos transportam em uma direção ou outra, mas as escadas podem ser circulares? É possível subir e descer para sempre?

A estética da era espacial: influenciando a arquitetura e os interiores

O surgimento da energia nuclear, avanços dramáticos no desenvolvimento de foguetes e o desejo de ser o primeiro a colocar homens no espaço e na lua deram início a uma era conhecida como a "Era Espacial". Após o encerramento da Segunda Guerra Mundial, tanto os soviéticos quanto os aliados se encontraram em um estado de antagonismo, pois ambos começaram a lutar para avançar na exploração espacial antes do outro, uma corrida pelo espaço. A era daria lugar a rápidos avanços na tecnologia e grandes realizações, incluindo o pouso na Lua em 1969. A estética da Era Espacial mudou completamente a forma como os designers visualizavam o novo mundo e deixou uma marca dramática na arquitetura e nos interiores. Uma nova visão de futurismo e prosperidade.

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Christopher Alexander: o legado de um urbanista visionário

Imagem: Peter Morville/Flickr
Imagem: Peter Morville/Flickr

Um dos grandes teóricos da arquitetura, cidade e natureza faleceu recentemente, dia 17 de março de 2022, aos 85 anos. Nascido em Viena em 4 de outubro de 1936, Christopher Alexander viveu uma longa vida de contribuições e singularidades, com proposições visionárias sobre cidades e, ao mesmo tempo, subversivas ao mainstream da prática arquitetural.

CopyCat: por que a cópia de um estilo é nociva para as cidades?

CopyCat é o ato de emular algo que já foi criado e usá-lo num outro contexto. Copycats podem existir na música, nas artes, no design; mas eles não são exatamente uma inspiração projetual ou uma referência estilística, mas sim uma cópia literal com quase nenhuma modificação da obra original.

Em arquitetura é como se você se inspirasse em uma obra emblemática de outro espaço-tempo e o colocasse numa local sem ligação com as raízes originais do estilo-obra.

Como o Renascimento influenciou a arquitetura

Após um período prolongado de escassez cultural e intelectual conhecido como Idade das Trevas, a Europa precisava urgentemente de um renascimento. Um desejo crescente de estudar e imitar a própria natureza começou a surgir, com uma vontade descobrir e explorar o mundo. Entre 1400-1600, a Europa testemunhou um renascimento das belas artes, da pintura, da escultura e da arquitetura.

Antes do alvorecer do Renascimento, a Europa era dominada pela arquitetura gótica, ornamentada e assimétrica. O período inaugurou uma nova era da arquitetura após uma fase da arte gótica, com o surgimento do “Humanismo”: a ideia de dar muita importância à essência do individualismo e minimizar os temas religiosos. O efeito do Humanismo incluiu o surgimento da figura individual, maior realismo e atenção aos detalhes.

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Por que Francis Kéré ganhou o Prêmio Pritzker?

Francis Kéré, 2022 Pritzker Prize Laureate . Image © Lars Borges
Francis Kéré, 2022 Pritzker Prize Laureate . Image © Lars Borges

Na última terça-feira, 15 de março, Francis Kéré se tornou o primeiro arquiteto africano a ganhar o Prêmio Pritzker, a honraria mais importante da arquitetura.

A escolha de Kéré não é apenas simbólica em um momento de demandas identitárias, onde as instituições que compõem o mainstream enfim começam a representar mais fielmente as realidades sociais, culturais e sexuais que compõem nossas sociedades, mas também confirma a abordagem mais recente do júri do Prêmio Pritzker.

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Explorando a história das cidades renascentistas ideais

O conceito de "cidade ideal" é algo que se fala muito hoje, quando olhamos para o futuro e pensamos em que aspectos da vida urbana sentimos serem mais importantes para que os habitantes prosperem em uma comunidade saudável. Entretanto, as cidades ideais foram concebidas durante o Renascimento italiano, com arquitetos e urbanistas que priorizaram a lógica em seus projetos focalizando os valores humanos, as capacidades urbanas e as recorrentes ondas de revoluções culturais e artísticas que influenciaram os projetos de planejamento em larga escala.

Além do hegemônico: arquitetura e urbanismo em outros territórios

O ano de 2021 foi turbulento – a pandemia causada pelo novo coronavírus persiste, obrigando as indústrias de design e construção a continuar se adaptando por dois anos seguidos. À medida que os métodos de trabalho remoto e comunicação continuam a ser ajustados e aprimorados, uma infinidade de eventos virtuais fez com que o discurso arquitetônico fora dos paradigmas ocidentais e eurocêntricos pudesse ocupar um espaço central na discussão da arquitetura global.

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Ética na arquitetura: repensando a prática em 2021

A ética abrange todas as práticas da arquitetura. Da interseccionalidade e projetos à crise climática, um arquiteto deve trabalhar com uma gama de condições e contextos que informam o ambiente construído e o processo de sua criação. Em todas as culturas, políticas e climas, a arquitetura é tão funcional e estética quanto política, social, econômica e ecológica. Ao abordar a ética da prática, os arquitetos e urbanistas podem reimaginar o impacto da disciplina e a quem ela serve. 

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Na arquitetura, todos somos críticos

O que é um crítico de arquitetura? E o que faz um crítico no século XXI? Ao longo da história, poucos críticos foram escolhidos para descrever e avaliar a arquitetura, enquanto aguardávamos seus elogios ou decepções, antes de validarmos nossas próprias opiniões. Seus pensamentos e palavras se tornaram referências da arquitetura, e moldaram brutalmente nossa profissão. Essa mentalidade e cultura contribuíram ainda mais para a ideia de que a arquitetura é uma prática “elitista”, em que alguns estabelecem regras e o resto deve aprendê-las. Embora a arquitetura sempre tenha nomeado os críticos, assim como outras formas de arte e cultura têm os seus, recentemente houve um impulso para que a arquitetura se transformasse em uma profissão que projeta para as massas, e é igualmente criticada pelas massas.

A arquitetura vernacular pode se tornar um fetiche?

Quando falamos de arquitetura vernacular, na maioria dos casos, estamos nos referindo a uma forma de se construir específica de uma determinada região—ou uma arquitetura que incorpora sistemas construtivos e materiais locais. As características que definem a arquitetura vernacular, portanto, variam enormemente de lugar para lugar, compreendendo exemplos que vão desde as Casas Colmeias de Harran, na Turquia, às tradicionais casas malaias encontradas em todo o sudeste da Ásia. Dito isso, a arquitetura vernácula continua sendo hoje uma das principais fontes de inspiração para muitos arquitetos e arquitetas ao redor do mundo.

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Quartinho dos fundos: a evolução dos espaços dos trabalhadores domésticos

Nos deparamos diariamente com uma abundância de imagens de interiores de apartamentos e casas, frequentemente espaços amplos e bem iluminados, pés-direitos generosos e com grandes aberturas. Espaços integrados e semi-abertos, varandas e sacadas que dissimulam os limites entre espaços interiores e exteriores, cozinhas impecáveis e estantes de livros do piso ao teto. Entretanto, por trás das imaculadas paredes brancas destes elegantes espaços domésticos, escondem-se outros ambientes menos cândidos: espaços sem ventilação ou iluminação natural, os quais ainda hoje, são dedicados às pessoas responsáveis por manter a imagem da casa casta, pura e impoluta.

Neste país de muitas contradições, a organização espacial de nossos ambientes domésticos—estejam eles localizados em uma estrutura do século passado, em uma casa dos anos 50 ou em um apartamento cheirando a novo—reflete um legado “colonialista” enraizado em nossa cultura e que insiste em perseverar até os dias de hoje. Proprietários e patrões, ou pelo menos uma boa parte deles, nunca se deteve a refletir sobre as atuais condições dos espaços habitados por seus subordinados e trabalhadores domésticos, não apenas em relação ao espaço físico em si, mas principalmente em termos de salubridade, conforto e qualidade de vida.

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Antes do “colonial” havia a arquitetura do imigrante: a gênese da arquitetura norte-americana

Antes mesmo que o estilo colonial se estabelecesse nos Estados Unidos—como em muitas outras colônias do novo mundo—já haviam edifícios sendo construídos. Digamos que antes do “colonial” havia a arquitetura do imigrante. Como um exercício de sobrevivência, a arquitetura do imigrante é aquela feita com aquilo que se tem à mão, com o que se pode encontrar e com o principal objetivo de ter um teto sobre o qual protege-se dos perigos do desconhecido. Depois de um certo tempo e distanciamento, é comum romantizarmos sobre o estilo de arquitetura colonial do país em que crescemos, afinal, somos todos imigrantes não é mesmo? Edifícios simples e honestos, representativos de quem somos e de onde viemos. Estruturas simétricas e de uma sobriedade avassaladora, de pequenos acréscimos e infinitos desdobramentos. Mas acontece que a arquitetura “colonial” não necessariamente é aquela construída com ânsia pelas mãos do imigrante em busca de um teto para morar.

Já existem modelos viáveis de moradias de qualidade a preços acessíveis

Este artigo foi publicado originalmente no Common Edge.

Na reedição desta semana, o autor Walter Jaegerhaus explora o desafio da habitação nos EUA, traçando uma linha do tempo da evolução de diferentes soluções arquitetônicas de todo o mundo. Buscando "inspirar arquitetos de hoje a criar novas opções de habitação" e esperando "que os EUA possam novamente abraçar suas origens experimentais e testar novas ideias e métodos", o artigo destaca exemplos da Europa e das Américas.

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Olhares queer sobre a arquitetura

Um número crescente de teóricos e profissionais está discutindo o impacto de gênero e raça na profissão e na teoria da arquitetura. Questões ligadas à relação entre o ambiente construído, orientação sexual e identidade de gênero, no entanto, permanecem particularmente pouco estudadas, talvez por causa de sua relativa invisibilidade e consequências discriminatórias menos claramente identificáveis; elas também são completamente negligenciadas pela teoria do design no mundo francófono. Este artigo corrige parcialmente a situação.